Quadros de História Portuguesa
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Quadros de historia portugueza
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Title: Quadros de historia portugueza
Author: I. F. Silveira da Mota
Release date: January 10, 2010 [eBook #30921] Most recently updated: January 6, 2021
Language: Portuguese
Credits: Produced by Pedro Saborano (produced from scanned images
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QUADROS
DE
HISTORIA PORTUGUEZA
QUADROS
DE
HISTORIA PORTUGUEZA
POR
I. F. SILVEIRA DA MOTTA
SEGUNDA EDIÇÃO
correcta e augmentada
LISBOA
LALLEMANT FRÈRES TYPOGRAPHOS
6, Rua do Thesouro Velho, 6
1870
{V}
Em dous grandes cyclos póde naturalmente dividir-se a historia portugueza, cada um dos quaes abrange algumas epochas mais ou menos importantes; no primeiro a nação constitue-se, desenvolve-se, fortifica-se, estende o seu poder pelas terras de Africa, senhoreia ignotos mares, dicta leis ao Oriente, ganha vastos e productivos terrenos na America, abre caminho ao engrandecimento dos outros povos da Europa, e a final decae rapidamente{VI} até chegar á sepultura de 1580; no segundo resurge, reconquistando n'um dia a antiga independencia politica, e, procurando depois rehaver no decurso de seculos não o poderio de outras eras, mas os fóros de liberdade, e a robustez e firmeza, que são os meios mais poderosos com que as nações, assim como os individuos, podem luctar contra a adversidade e vencel-a.
Traçando este humilde esboço historico quiz o author rememorar alguns factos e algumas phases do primeiro cyclo, que julga mais fecundo em lição e exemplos; e publicando-o agora suppõe fazel-o em occasião opportuna. Quando, no meio das dissensões partidarias, dos erros politicos e das aberrações populares, nos fere os ouvidos a ameaça de que a nossa autonomia e independencia não podem durar muito, é justo e util buscar no estudo dos{VII} fastos nacionaes os titulos do nosso direito, a memoria do que fizemos, e por ventura nobres estimulos para que os nossos progressos intellectuaes e moraes mostrem ao mundo que, se já não somos potencia maritima ou continental, pesando com decisiva força na balança dos acontecimentos politicos, queremos, todavia, e devemos ser respeitados pela sciencia, pelo trabalho, pela energia, pelo amor da liberdade, pela severidade dos costumes, unicas armas com que o espirito da nossa epocha ensina as nações civilisadas a combaterem n'uma lucta generosa.
Possa esta tentativa não ser de todo perdida, e servir ao menos de incentivo para que obreiros mais robustos levantem o monumento grandioso das tradições nacionaes.{VIII}
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