Quadros de História Portuguesa

I. F. Silveira da Mota · Capítulo 5 de 26

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Capítulo IV

Grande numero de mussulmanos ficaram captivos, e foi immenso o despojo em ouro, prata, armas e preciosidades de toda a casta. Convidado a escolher d'entre essas riquezas a parte que lhe aprouvesse, D. Affonso IV acceitou sómente alguns alfanges e bandeiras, e um clarim que pertencêra ao rei de Granada. Os despojos, porém, daquella famosa batalha constituiam o preço de menos valia para o{54} monarcha portuguez. Mais graves eram, sem duvida, os resultados de ordem moral. Sahindo victorioso da empreza em que nobremente se empenhára, D. Affonso IV cingira-se ás tradições, por tanto tempo esquecidas, das instituições wisigothicas, que consideravam como dever impreterivel do principe estar sempre á frente dos seus subditos, na hora dos grandes perigos e das grandes glorias; renovára o brado de guerra contra os infieis, que parecia ter de todo emmudecido desde a conquista do Algarve; patenteára ao rei de Castella qual era ainda a ousadia dos cavalleiros e homens de armas portuguezes; e sobretudo livrára a Peninsula da invasão dos africanos, e dera a estes uma aspera demonstração de que não era empreza facil, nem talvez possivel, subjugar de novo a Hespanha e o christianismo.{55}

 

IV