Um Amor Para Lady Johanna

Julie Garwood · Capítulo 2 de 2 · parte 13/15

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Um Amor Para Lady Johanna

Sinopse

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 15 partes.

Graças à nova disposição, o j antar foi um êxito m aravilhoso. No

com eço, Calum e Leila estavam rígidos com o tábuas, m as ao final da refeição, conversavam aos m urm úrios. Esforçava-se por ouvir o que diziam quando Gabriel a surpreendeu e a aproxim ou dele.

— Logo haverá um casam ento — afirm ou Gabriel fazendo um

gesto em direção a Calum .

— Sim — m urm urou Johanna, sorrindo.

Ante a m enção das bodas, lem brou de Clare. A m ulher MacKay

necessitava um m arido e, na opinião de Johanna, entre os hom ens sentados à m esa havia vários possíveis candidatos.

— Keith, considerou você...? — com eçou Johanna, com a intenção

de lhe perguntar a respeito de seu futuro.

Keith não a deixou term inar.

— Esperava que trouxesse para confrontação — disse.

Johanna abriu os olhos, surpresa.

— Sério?

— Era m eu dever dizer a seu m arido, m ilady. Tentei cum prir

m inha prom essa e até m e senti um pouco aliviado, pois m e considerava responsável pelas ofensas das m ulheres MacLaurin, m as não passou um dia inteiro sem que com preendesse que em prim eiro lugar m inha lealdade se deve a MacBain.

— Do que fala? — Até esse m om ento, Johanna nunca tinha visto

um hom em adulto ruborizar-se: Keith estava ruborizado.

— Não im porta, m ilady.

Mas Johanna insistiu.

— O que é que disse a m eu m arido?

Gabriel lhe respondeu:

— Contou-m e sobre os apelidos, Johanna, e que Gly nis inventou...

Johanna não o deixou term inar.

— Marido, Gly nis se arrependeu. Não tem que recrim iná-la.

Prom eta-m e que não lhe dirá nada a respeito.

Gabriel j á tinha falado com Gly nis e não teve inconveniente em

prom etê-lo.

Johanna se sentiu satisfeita.

— Perguntava-m e onde teria ouvido que m e cham avam de covarde — disse, voltando-se em seguida para Keith — Nunca im aginei que diria a m eu m arido. Pensei que outra pessoa ouviu Gly nis dizer e foi contar a Gabriel.

— Keith tinha o dever de m e dizer — afirm ou Gabriel — Deveria

agradecer-lhe esposa, não criticá-lo.

— Tudo se foi com a lavagem — disse Johanna.

— Que raios significa isso? — perguntou Gabriel.

— Trata-se de outra lição da senhora, lorde — esclareceu Keith,

sorrindo.

— Entendo.

— Não, lorde, não entende. As lições de sua esposa não têm nem

pé nem cabeça.

Johanna pensou em explicar-lhe, m as Alex que entrava correndo

no salão a distraiu. Viu-o assustado e se levantou im ediatam ente.

Alex deu a volta na m esa e se j ogou nos braços de Johanna,

ocultando o rosto na túnica dela.

— O que aconteceu, Alex? — perguntou Johanna com evidente

preocupação — Teve um sonho ruim ?

— Há algo debaixo de m inha cam a. Eu ouvi. Exasperado, Gabriel

revirou os olhos e se esticou para afastar o filho de Johanna. Mas Alex não a soltou até que o pai ordenou.

— Alex, está dorm indo sobre um colchão no chão — disse Gabriel

— Não pode ter nada em baixo.

— Não, papai. — argum entou Alex — deitei na sua cam a. Está ali

em baixo. Se fechar os olhos, m e pegará.

— Alex...! — com eçou o pai.

— Marido, será m elhor que suba com ele e olhe debaixo da cam a.

É o único m odo de convencê-lo. Além disso, é provável que na realidade haj a algo aí.

— Há algo — insistiu Alex.

Gabriel soltou um suspiro e se preparou para cum prir os desej os

de sua fam ília. Ficou em pé, pegou o filho nos braços e saiu do salão.

Johanna se sentou outra vez e sorriu para Keith. Estava encantada

de poder lhe falar sem a presença de Gabriel, pois sem dúvida o m arido teria interferido na conversa.

— As crianças — disse Johanna com lentidão — são um a benção.

Quando você se casar e tiver sua própria fam ília entenderá o que digo. Em algum m om ento se casará, não é m esm o, Keith?

— Sim , m ilady. — respondeu o hom em — De fato, Erigid McCoy

aceitou ser m inha esposa no próxim o verão.

— Ah. — Johanna não pôde dissim ular a desilusão. Percorreu a

m esa com o olhar e o posou em Michael.

O j ovem a surpreendeu observando-o e sorriu. Johanna com eçou:

— As crianças são um a benção. São m aravilhosas, não acha

Michael?

— Se você o diz, m ilady.

— Oh, sim . — a senhora respondeu — Quando se casar

com preenderá. Pretende se casar algum dia, não é m esm o, Michael?

— Em algum m om ento.

— Pensou em alguém ?

— Milady, está se fazendo de casam enteira? — perguntou Keith.

— Por que pergunta?

—Quando estiver preparado m e casarei com Helen. — interveio

Michael — Já falei com ela e está de acordo em esperar.

Johanna franziu o sem blante. As possibilidades se faziam m ais

lim itadas. Voltou-se para Niall. — As crianças... — com eçou.

— Está se fazendo de casam enteira — lhe confiou Keith.

Foi com o se tivesse avisado que estavam sendo sitiados, pois os soldados quase saltaram de seus assentos. Fizeram reverências a Johanna e no transcurso de um m inuto tinham saído do salão. Não lhe deram tem po de ordenar que voltassem para seus respectivos lugares.

Só ficaram aqueles com os quais j á tinha falado. E o padre

MacKechnie, certam ente, m as os sacerdotes não podiam casar-se e, portanto não era um candidato possível.

Quando Gabriel retornou, o salão estava quase vazio. Confuso,

olhou ao redor, encolheu os om bros e se sentou para term inar o j antar. Sorriu para a esposa.

— E então?

Com ar contrito, o hom em disse:

— Havia algo debaixo da cam a.

Johanna riu, achando que zom bava dela, m as Gabriel inform ou:

— Dum fries se m eteu ali.

Leila e Calum ficaram de pé. Leila saudou o lorde com um a

reverência.

— Agradeço-lhe a honra de j antar com o lorde — disse.

Gabriel assentiu e Leila se ruborizou.

— Agradeço a você tam bém , m ilady.

— Está escuro — anunciou Calum .

Não sabia m ais o que dizer, e Johanna conteve um sorriso.

— Deveria acom panhar Leila até em casa — insinuou.

Calum fez um gesto a Leila de que saísse com ele. Johanna se

voltou para seu m arido e nesse m om ento viu que Keith tinha um a expressão de assom bro. Pelo j eito acabava de notar que se iniciava um rom ance entre Leila e Calum .

De repente, sorriu. Ficou de pé, fez um a reverência ao lorde e

disse em voz forte:

— Espere, Calum . Irei com você.

Johanna percebeu o tom divertido do hom em , m as Calum não se

entusiasm ou com o oferecim ento.

— Não é necessário que...

— Quero fazê-lo. — disse Keith, apressando-se em alcançar o

casal — Lá fora está escuro.

Leila continuou cam inhando e Calum tentou afastar Keith, m as

este o im pediu. Saíram do salão em purrando-se um ao outro.

— Pergunto-m e se estes dois aprenderão a dar-se bem — disse

Johanna.

O padre MacKechnie se sentia sozinho. Pegou a taça e passou ao

lugar que Keith ocupava na outra m esa.

— Só se trata de um a pequena rivalidade entre dois com andantes.

— assinalou o sacerdote — Lorde, esta noite pronunciou um estupendo discurso.

— Sim . — confirm ou Johanna — De qualquer m odo, queria te

perguntar algo: por que esperou tanto tem po? Por que não fez esse discurso há um ou dois m eses? Teria m e poupado m uitos aborrecim entos, m arido.

Gabriel se reclinou na cadeira.

— Johanna, ainda não estavam preparados.

— Mas esta noite sim . — interveio o sacerdote com gesto enfático.

Johanna ainda tentava entender.

— O que fez com que esta noite estivessem preparados?

— Não se trata de algo, m oça, m as sim de alguém .

Johanna não com preendeu. Gabriel fez um gesto afirm ativo e em

seus olhos apareceu um calor.

— Você os preparou para aceitar a m udança.

— Com o? — perguntou.

— Está procurando elogios — disse Gabriel ao sacerdote.

— Parece que sim — brincou o padre MacKechnie.

— O que quero é entender — replicou Johanna.

— Foi seu desafio silencioso — explicou em fim Gabriel.

Johanna continuava sem saber a que se referia em bora o clérigo

sim , pois fez vários gestos de assentim ento.

— Explique-m e isso de desafio silencioso.

Gabriel riu.

— Jam ais m e convencerá de que não podia lem brar de qual túnica

usar cada dia. Esquecia de propósito, não é verdade?

— Gabriel, ninguém esquece por vontade — argum entou a j ovem .

— Não tinha interesse em recordá-lo — disse o sacerdote.

Johanna suspirou.

— Isso é verdade. — adm itiu — Me parecia um a tolice, m as...

— Desafio silencioso. — repetiu Gabriel — O m esm o que a

im pulsionou a aprender a ler, não é m esm o?

— Sim , m as isto era diferente.

— Não, não era.

Johanna exalou um suspiro. Sabia que deveria esclarecer ao

m arido que não tinha errado de propósito os m antos só para fazer os hom ens com preenderem que se com portavam com o tolos quando teim avam em m anter-se separados. "Não é honesto aceitar um elogio por algo que não fiz", pensou.

— Não sou tão ardilosa — assinalou.

— Sim , é. — afirm ou o m arido — Convenceu lorde MacKay a

esperar algum as sem anas antes de levar a filha.

— Clare não está preparada para um a longa viagem .

— E m e im pediu de dizer a MacKay que nenhum de m eus

hom ens havia tocado sua filha. Sei que adiou para que Clare pudesse ficar aqui e não disse nada —acrescentou — Mas quando MacKay retornar, terei que lhe dizer a verdade.

— E ela tam bém confessará. — disse Johanna — Então j á estará

recuperada. — "E espero que tam bém estej a casada, — pensou — se encontro um bom candidato."

Talvez Gabriel pudesse aj udá-la.

— Marido, parece-m e digno que tenha tanta fé em seus soldados,

que estej a convencido de que nenhum deles tocou Clare...

— De onde tirou essa idéia?

— De ti — respondeu Johanna, surpreendida pela pergunta.

— Vam os, Johanna, não acredita que m eus hom ens não tom ariam

o que lhes oferecesse.

— Entretanto, você os defendeu e m e fez acreditar que nenhum

deles a havia tocado.

Gabriel se irritou.

— Estam os falando de duas coisas diferentes. Não acredito que

nenhum de m eus hom ens rej eitasse a possibilidade de deitar-se com um a m ulher que se oferecesse. — disse — em que pese a isso, tenho certeza que se algum de m eus hom ens a houvesse tocado não a deixaria abandonada: a traria consigo.

— Tam bém sabem os que teria adm itido que deitou com a garota.

Não m entiria ao lorde — acrescentou o padre MacKechnie.

Gabriel assentiu.

— É essa a questão central, com preende?

Johanna não com preendia, m as não quis discutir com o m arido.

No seu entender, Gabriel fazia a questão m ais com plicada do que na realidade era.

O padre MacKechnie se levantou para partir. Elogiou um a vez

m ais o discurso de Gabriel e em seguida fez um a reverência a Johanna.

— Moça, dá-se conta de que salvou os MacLaurin de um exílio

certo? Em pregou um ardil para obrigá-los a colaborar e, além disso, ganhou seu carinho.

Johanna se sentiu incôm oda pela opinião do sacerdote. Em um

m urm úrio, agradeceu por suas am áveis palavras e pensou que sem dúvida no dia seguinte m udaria de idéia. Os MacLaurin cooperaram por Gabriel, e certam ente o sacerdote logo notaria.

O padre MacKechnie saiu. Johanna e Gabriel perm aneceram

sentados: por fim estavam sozinhos. De repente, Johanna se sentiu tím ida e envergonhada pelos elogios recebidos.

— Am anhã confessarei a verdade ao padre MacKechnie.

— Que verdade?

— Que é por você que os MacLaurin finalm ente decidiram

cooperar.

Gabriel ficou de pé e fez Johanna levantar.

— Terá que aprender a aceitar um elogio quando o recebe.

— Mas a verdade...

Gabriel não a deixou term inar. Levantou-lhe o queixo para que o

olhasse e disse:

— Moça, a verdade é sim ples de com preender: converteu-te na

divina salvadora dos MacLaurin.

A Johanna pareceu o m ais lindo que Gabriel j á tinha dito. Os olhos

encheram -se de lágrim as e pensou que não choraria de m odo algum . Não se acreditava tão frouxa.

Então, Gabriel a fez esquecer tudo sobre um a conduta digna:

— E para m im tam bém , Johanna. Tam bém é m inha divina

salvadora.

Capítulo 18

Na m anhã seguinte, Gabriel saiu do feudo sem explicar m uito no

que consistia sua m issão. Johanna se m ostrou desconfiada e exigiu que lhe dissesse se pretendia roubar. É obvio, Gabriel se ofendeu e com eçaram a discutir.

— Dei-te m inha palavra de que não roubaria. — disse — Mulher,

será m elhor que aprenda a não m e ofender com suas acusações.

— É que m e preocupo por sua segurança. — replicou Johanna —

Me sentiria m uito infeliz se algo te acontecesse enquanto está... caçando.

— Esse é outro insulto. — afirm ou Gabriel, em bora com m enos

dureza — Acaso m e tem tão pouca fé? Quando m eus hom ens e eu pegam os o que precisam os som os m uito silenciosos e cuidam os para que não nos ouçam . Entram os e saím os dos arm azénsantes que os anim ais sequer nos cheirem .

A arrogância de Gabriel não im pressionou a esposa e soltou um a

bufada m uito pouco elegante.

— Na verdade, tenho absoluta confiança em ti. — m urm urou — É

que tenho curiosidade de saber aonde vai. Isso era tudo o que perguntava. Mas se não quiser dizer não o faça.

Não disse. Quando a j ovem descobriu que pensava ausentar-se ao

m enos por duas sem anas, possivelm ente até três, sentiu m ais curiosidade ainda.

Mas não o im portunou, não porque se acreditasse acim a de tal

conduta, m as sim porque Gabriel não lhe deu tem po. Anunciou que ia, discutiu com ela uns m inutos, deu-lhe um beij o fervoroso e partiu.

Não lhe disse aonde ia porque não queria preocupá-la. Gabriel,

com um contingente com pleto de soldados, uniria-se ao lorde MacKay na guerra contra o clã MacInnes, e um a vez derrotados esses hereges, MacBain planej ava dirigir-se ao feudo de lorde Gillevrey. Tinha chegado outro pedido de audiência com Johanna de parte do barão Goode: certam ente, o inglês não conhecia o significado da palavra "não". Gabriel tinha a intenção de lhe afirm ar em pessoa e de m aneira categórica que deixasse de insistir. Queria ter certeza de que esse barão ignorante soubesse o que lhe aconteceria se se atrevesse a incom odar novam ente Johanna. Rogou que o barão não tivesse enviado um vassalo.

A esposa estaria atarefada com Alex, Clare MacKay e os assuntos

dom ésticos cotidianos. Gly nis cortou o cabelo de Clare; depois de duas sem anas de repouso no quarto, a m ulher MacKay estava recuperada o suficiente para j antar j unto com Johanna no salão grande.

 

A cada dia que passava Clare ficava m ais bonita. Quando os

hem atom as se foram e os traços faciais da m oça j á não estavam deform ados pelo inchaço, revelou-se um a m ulher surpreendentem ente bela. Tinha um m aravilhoso senso de hum or e um acento atraente que a Johanna soava m usical e que, para diversão de Clare, tentava im itar.

Johanna se esforçou em concentrar-se nos preparativos para

receber à m ãe. Em bora estivesse ansiosa por vê-la, preferia que sua m ãe não chegasse até alguns m eses depois. Johanna tinha certeza de que se insistisse um pouco, a m ãe ficaria até o nascim ento da criança.

Em bora a cintura de Johanna com eçasse a engrossar, ainda não se

notava. Ultim am ente dorm ia m uito. Fazia um a sesta pela tarde e de noite se deitava cedo: tinha os m esm os horários que Alex. Levá-lo para cam a todas as noites se converteu em um ritual. Depois que o m enininho se lavava e lim pava os dentes, os dois se aj oelhavam j untos ao pé da cam a e diziam as orações noturnas.

Quando as preces term inavam , Johanna j á estava cabeceando.

Mas com o Alex queria retardar a hora de ir para cam a, incluía a todos os conhecidos nas preces. Oravam prim eiro pelo próprio Alex, em seguida pelos parentes de Alex e os de Johanna e quando acabava a lista de fam iliares Johanna insistia para que rezassem por Arthur, o sobrinho do rei John. Quando Alex perguntava o m otivo, Johanna explicava que Arthur deveria ter sido rei, e com o esse direito foi negado, oravam para que fosse para o Céu.

Gabriel retornou m inutos depois que Johanna tinha levado Alex

para cim a, m as na hora que term inou de escutar o relatório de Keith e j antou, a esposa e o filho estavam profundam ente adorm ecidos.

No quarto fazia um calor infernal. O outono tinha chegado cedo as

Highlands e soprava um a brisa gelada que Johanna não suportava. A j anela estava coberta com peles e a esposa de Gabriel estava oculta sob um a pilha de m antas. Alex não estava dorm indo sobre o colchão e Gabriel supôs que tam bém devia estar em algum a parte, debaixo desse m ontão de m antas.

Encontrou o filho aos pés da cam a e o levou para sua cam a. Alex

devia ter tido um dia exaustivo, pois nem abriu os olhos enquanto o pai o passava de um a cam a a outra.

Gabriel quase não fez ruído enquanto se preparava para deitar-se.

Despiu-se, lavou-se e com eçou a afastar as m antas para encontrar sua esposa.

Johanna estava adorm ecida no centro da cam a. Gabriel se deitou

j unto a ela e a abraçou com suavidade.

Essa noite precisava dela. "Dem ônios, sem pre precisava dela!",

disse a si m esm o. Durante o tem po que ficaram separados, não passou um a hora sem que pensasse nela. Estava adquirindo um hábito vergonhoso: parecia um m arido doente de am or que só desej ava ficar em casa, com a esposa.

As alegrias da vida fam iliar lhe tinham tirado o prazer da luta.

Johanna usava um a cam isola com prida, que Gabriel detestava:

queria sentir o corpo suave da m ulher apertado contra si. Levantou-lhe a vestim enta sobre as coxas e com eçou a acariciá-la enquanto lhe beij ava o pescoço.

Johanna dem orou a despertar, m as isso não deteve Gabriel, e

quando Johanna tom ou consciência de onde estava e o que o m arido estava fazendo, respondeu com entusiasm o.

Evitar que Johanna soltasse exclam ações excitadas que Gabriel

tanto gostava era um a tarefa ingrata, pois não queria que Alex despertasse, e selou a boca de Johanna com beij os prolongados e ardentes. Quando alcançou o clím ax, Johanna se apertou ao redor de Gabriel e deixou escapar um suave gem ido.

Mas Gabriel, ao alcançar seu próprio orgasm o, não pôde conter

um grito.

— Papai?

Gabriel sentiu que Johanna ficava rígida entre seus braços e

tam pou-lhe a boca para sufocar a risada.

— Não é nada, Alex. Volte a dorm ir.

— Boa noite, papai.

— Boa noite, filho.

Gabriel acom odou a cabeça na curva do pescoço de Johanna e a

m ulher se voltou para lhe m ordiscar a orelha.

— Bem -vindo ao lar, m arido.

Ao ouvir que lhe respondia com um grunhido, Johanna sorriu.

Dorm iu abraçada fortem ente a ele. Gabriel, por sua parte, dorm iu desej ando ter energias para voltar a lhe fazer am or.

Foi um a recepção m uito prazeroza.

 

Nicholas chegou ao final da tarde seguinte. Gabriel, de pé sobre a

escada da frente, esperou que o cunhado desm ontasse. Calum estava j unto ao lorde e percebeu a expressão desgostosa do chefe.

— Desta vez o m atará? — perguntou.

Gabriel sacudiu a cabeça.

— Não posso. — replicou, em tom abatido — Faria m inha esposa

infeliz e Deus é testem unha que esse é o único m otivo pelo qual seu irm ão continua respirando.

Calum ocultou um sorriso m alicioso. Sabia que a cólera do lorde

era pura ficção. Voltou-se para observar ao visitante.

— MacBain, há algo que não está bem . O barão não tem seu

costum eiro sorriso tolo.

O irm ão de Johanna estava sozinho. Pelo j eito, tinha pressa para

encontrar-se com MacBain, pois passou a perna sobre o cavalo e desm ontou antes que o cavalo parasse. A pelagem do cavalo estava coberta de espum a, sinal de que o tinham esporeado m uito.

Certam ente, algo de ruim acontecia: Nicholas não costum ava

m altratar seu cavalo.

— Ocupe-se do cavalo — ordenou Gabriel ao Calum . Desceu os

degraus e cam inhou ao encontro do cunhado.

Nenhum dos dois guerreiros era m uito afeto às saudações form ais.

Nicholas foi o prim eiro a rom per o silêncio.

— As coisas vão m al, MacBain.

Gabriel não lhe fez perguntas e se lim itou a esperar.

— Onde está Johanna?

— Vam os, preparando Alex para deitar-se.

— Um gole cairia bem .

Gabriel conteve a im paciência. Seguiu Nicholas para dentro,

ordenou a Megan que estava preparando as m esas para o j antar que saísse, de m odo a poder ficar a sós com seu cunhado e esperou j unto à despensa enquanto o irm ão de Johanna se servia de um a bebida.

— Será m elhor que sente para ouvir as novidades. — sugeriu

Nicholas — Trata-se de um a terrível confusão e Johanna está no m eio dela.

Johanna descia a escada quando ouviu a voz do irm ão. A cólera da

voz de Nicholas e suas palavras inquietantes fizeram com que em lugar de recolher as saias e correr ao encontro do irm ão, ficasse im óvel esperando ouvir o resto antes de interrom pê-los.

Sabia que não era cortês escutar às escondidas, m as a

preocupação e a curiosidade a fizeram esquecer as boas m aneiras, e tam bém sabia que assim que os interrom pesse m udariam de assunto. Tanto o m arido quanto o irm ão protegiam os sentim entos de Johanna. Sim , sem dúvida m udariam de assunto e teria que im portuná-los m uito para obter um a resposta de qualquer dos dois. Talvez escutar às escondidas não fosse correto, m as era efetivo. Além disso, ao ouvir seu próprio nom e soube que estava envolvida em algum conflito. Avançou um pouco m ais e aguardou para escutar as palavras seguintes do irm ão.

— Nicholas, diga de um a vez — insistiu Gabriel.

Johanna assentiu: estava plenam ente de acordo com o m arido e

tão im paciente quanto ele.

— O barão Raulf retornou da m orte e reclam a a esposa.

Johanna não pôde ouvir a reação de Gabriel, pois ficou estupefata.

Sentiu com o se houvessem lhe dado um forte golpe e um grito lutou para brotar de sua garganta. Retrocedeu e se agarrou ao corrim ão para não precipitar-se para frente. Negou com a cabeça: não podia ser verdade. Raulf tinha caído de um precipício. Havia testem unhas. Estava m orto.

— Acaso os dem ônios não ficam no inferno?

Então correu sem saber aonde ia. Só queria encontrar um lugar

onde ficar a sós e dom inar o pânico e o tem or.

Avançou pelo corredor para o fundo, m as ao chegar à porta que

dava para o exterior com preendeu o que fazia e por que: o m edo foi im ediato e instintivo. "É um resquício som brio do passado, — pensou — e no passado perm iti que o m edo m e controlasse, m as agora não consentirei."

Sentou-se sobre o banco, recostou-se contra a parede e fez várias

inspirações profundas para acalm ar-se. Em poucos m inutos o pânico com eçou a ceder e o m edo desapareceu.

"Agora sou um a m ulher diferente. Descobri m inha coragem e

m inhas energias e ninguém , nem m esm o um dem ônio, m e arrebatará isso."

Apoiou a m ão sobre o ventre em gesto protetor e os olhos lhe

encheram de lágrim as que não eram de apreensão, m as sim de alegria, pelo m ilagre que gerava em seu interior.

Elevou um a prece de agradecim ento pelas bênções que Deus lhe

tinha outorgado. Agradeceu a Deus por lhe dar Gabriel, Alex e a criança que dorm ia dentro dela, e tam bém por oferecer um refúgio seguro onde se achava livre da dor e podia aprender a am ar e, finalm ente, agradeceu ao Senhor por tê-la feito forte e inteligente.

A inteligência lhe perm itiria achar um m odo de sair da confusão.

Johanna perm aneceu sentada na escuridão quase um a hora, m as

quando afinal se levantou tinha um plano em m ente. Sentia-se em paz, quase serena e, o m ais im portante, com pletam ente controlada.

"Sim , sem dúvida fiz grandes progressos", disse-se, sorrindo por

seu próprio elogio e sacudiu a cabeça diante de sem elhante tolice. Não estava louca: acreditava que tudo se resolveria. No caso de chegar à situação em que fosse palavra contra palavra, Raulf não teria possibilidades diante de Johanna. Esta considerava os hom ens que golpeavam as m ulheres uns ignorantes. E não só isso, m as tam bém fracos e inseguros. Raulf tinha todas essas características. Sim , sairia vitoriosa se a batalha tivesse lugar nas Cortes de Londres, com am eaças e acusações. Utilizaria os pecados do barão para condená-lo.

Mas se Raulf resolvesse em pregar os punhos e a espada para dar-se bem , Johanna sabia que não tinha força suficiente para suportar o ataque. Mas não im portava: em bora Raulf reunisse um exército para aj udá-lo, Johanna sairia vitoriosa. Por Gabriel. Porque era seu cam peão, seu protetor, sua benção salvadora. Tinha um a fé absoluta na capacidade de Gabriel de m anter a fam ília a salvo. Raulf não era um oponente digno de Gabriel.

Afinal, um arcanj o podia esm agar sem dificuldades a um

dem ônio.

Johanna exalou um suspiro. Estava preparada para que o m arido a

consolasse. Segurou as saias e correu para ele.

Nicholas a interceptou no centro do salão. Elevou-a em seus

braços e a levantou do chão.

— Oh, Nicholas, estou tão feliz de te ver! — exclam ou.

— Maldição, desça-a! — vociferou Gabriel — E tire as m ãos de

cim a dela. Minha esposa não está em condições de que a j ogue no ar com o se fosse um tronco.

Nem Johanna nem Nicholas fizeram caso das ordens de Gabriel. A

m oça beij ou e abraçou com força o irm ão. Por fim , Nicholas a deixou no chão e passou o braço pelos om bros.

— MacBain, talvez m inha irm ã tenha aparência delicada, m as

sem dúvida j á notou que na verdade é forte com o um boi.

— O que notei é que ainda não a soltou — alfinetou Gabriel —

Johanna, venha aqui. Tem que estar j unto de seu m arido.

Apesar de falar em tom azedo, o brilho de seus olhos m ostrou a

Johanna que o alegrava vê-la feliz. Tam bém supôs que na realidade gostava de Nicholas, m as era capaz de m orrer antes de adm iti-lo. Johanna tinha aprendido que os hom ens eram um a espécie de pessoas com plicadas.

Separou-se do irm ão e se aproxim ou do m arido. Im ediatam ente,

Gabriel lhe rodeou os om bros com o braço e a aproxim ou dele.

— Nicholas, por que m am ãe não veio com você? Sua com panhia

a teria agradado e pensa vir nos visitar, não é m esm o, m arido?

Gabriel assentiu.

— Sim , Nicholas, por que não a trouxe?

— Neste m om ento não estava pronta para sair da Inglaterra —

respondeu Nicholas — Além disso, surgiu certo problem a, Johanna...

Gabriel não o deixou term inar.

— Sua m ãe virá no m ês que vem .

— Por favor, m e fale do problem a que m encionou — pediu

Johanna.

Os dois hom ens adotaram um a expressão cautelosa e Johanna

pensou que não sabiam com o lhe dar a m á notícia. Mas depois de insistir uns m inutos, com preendeu que nenhum dos dois estava disposto a falar de Raulf.

Gabriel não podia pensar em deixar Johanna ir. Quando se

sentaram à m esa, m anteve-se perto dela lhe segurando a m ão.

Nicholas se sentou j unto a Gabriel, em frente a sua irm ã, e Keith,

j unto a Nicholas. Poucos m inutos depois Clare se reuniu a eles, e se sentou ao lado de Johanna.

Quando Clare entrou, Nicholas e Gabriel se levantaram e Johanna

teve que fazer um gesto aos outros soldados para que ficassem de pé.

Nicholas fixou o olhar na linda m ulher que se aproxim ava dele e

Gabriel o observou, esperando detectar algum a indicação de reconhecim ento.

— Nicholas, conhece esta m ulher? — perguntou.

Ao cunhado não lhe agradou o tom em que lhe falava.

— Com o dem ônios quer que a conheça?

Johanna se apressou a apresentá-los. Clare fez um a reverência,

m as não sorriu, pois Nicholas estava carrancudo.

Mas Gabriel ainda não estava disposto a adm itir a derrota.

Acreditava ter pensado bastante no assunto e ter chegado à única conclusão possível: tinham visto a túnica dos MacBain perto das terras dos MacInnes. Na últim a viagem de volta a Inglaterra Nicholas tinha usado a túnica dos MacBain. Com o nenhum dos soldados tinha estado perto daquele feudo, Nicholas devia ser o responsável pelo estado de Clare.

— Afirm a que nenhum a vez antes viu Clare MacKay ? —

perguntou.

— Isso é o que digo — afirm ou Nicholas, m arcando as palavras.

— Dem ônios!

— Gabriel, o que acontece? — exclam ou Johanna — Meu irm ão

j am ais abandonaria...

— Era a conclusão lógica — se defendeu Gabriel.

— É um a conclusão vergonhosa — replicou Johanna.

Nicholas tentava seguir a incipiente discussão. Entendia que

Gabriel queria culpá-lo de algo e que Johanna assum ia sua defesa, m as não tinha idéia do cerne da questão.

— De que m e considera responsável? — perguntou a Gabriel.

— Nicholas, isto não te concerce — disse Johanna.

— Com o que não lhe concerne? — perguntou Gabriel — Se for o

pai...

A m ulher não o deixou term inar.

— Não é — exclam ou.

A expressão de Gabriel se tornou horripilante.

— Entendo — disse. Sentou-se, indicou que Nicholas fizesse o

m esm o e se voltou para sua esposa.

— Isso significa que você conhece o hom em , não é assim ,

Johanna?

Johanna assentiu. Em bora tivesse toda a intenção de explicar o

estado das coisas ao m arido, preferia esperar que estivessem a sós.

— Não estam os sozinhos — m urm urou, na esperança de que

Gabriel com preendesse que não queria falar de um assunto tão delicado diante de terceiros.

Mas Gabriel não captou a insinuação.

— Dará-m e o nom e — exigiu.

Johanna suspirou, enquanto Clare estudava com atenção a m esa

com a cabeça curvada e os punhos apertados sobre o colo. Levantou o olhar quando o m arido de Johanna exigiu um a resposta, tom ou fôlego e disse:

— Não existe tal hom em , lorde MacBain.

Gabriel não estava preparado para sem elhante resposta. Reclinou-

se na cadeira e contem plou à m ulher MacKay um longo m om ento antes de voltar-se para a esposa.

Im ediatam ente, Johanna assentiu e repetiu a afirm ação de Clare.

Sem deixar de observar o m arido, Johanna se esticou e pegou a

m ão de Clare.

— Será m elhor que se prepare — m urm urou.

— Que m e prepare para que, m ilady ? — m urm urou Clare por sua

vez.

— Para os rosnados.

Gabriel ignorou a brincadeira, pois ainda tentava digerir a

novidade. As im plicações eram im pressionantes e não entendia por que a m ulher se colocou em sem elhante situação por um a m entira.

Moveu a cabeça e Johanna assentiu.

— É um a notícia m aravilhosa, Gabriel — observou.

O rosto de Gabriel ficou rubro e Johanna com preendeu que não

lhe parecia m aravilhosa. Claram ente am edrontada, Clare retorcia as m ãos e Johanna se voltou para ela.

— Não tem nada a tem er — disse — Meu m arido não te fará m al.

O que acontece é que se surpreendeu, isso é tudo, e em poucos m inutos superará.

— Alguém poderia m e explicar que raios está acontecendo? —

perguntou Nicholas.

— Não! — exclam aram em uníssono Gabriel, Johanna e Clare.

Johanna foi prim eira a notar que tinham sido rudes com o irm ão.

— Gabriel, podem os falar deste assunto m ais tarde, por favor? —

suplicou, ao ver que se preparava para discutir.

Finalm ente, o m arido aceitou e Johanna acrescentou:

— Na m esa só deveríam os conversar de coisas agradáveis. Não

acha, Clare?

— Sim — respondeu a m oça soltando a m ão de Johanna e

endireitando — Contou a seu irm ão a boa nova?

— Meu m arido disse — respondeu Johanna.

— Não, não o fiz — replicou Gabriel.

Ainda parecia irritado, m as a Johanna não inquietou.

— Por que não disse?

— Pensei que você preferia dizer.

Johanna sorriu e, é obvio, Nicholas se sentiu atiçado pela

curiosidade.

— Qual é a boa nova?

— Quero que você diga — insistiu Johanna.

— Me dizer o que? — perguntou Nicholas.

— Seu irm ão é m uito im paciente — observou Clare — Todos os

ingleses o são, não é?

— Não, não é verdade — replicou Nicholas — Johanna, diga-m e.

Clare se sobressaltou pela dureza do tom do Nicholas. Ergueu m ais

os om bros e olhou carrancuda para o hom em que agora considerava com o um caipira.

— Sua irm ã não é estéril — anunciou Gabriel, sorridente.

Im ediatam ente, todos os soldados assentiram ao m esm o tem po.

— É verdade: não é estéril — repetiu Keith.

Os hom ens voltaram a assentir. Nesse m om ento entraram Calum e

Leila, de m ãos dadas. Quando desceram os degraus, Leila lhe soltou a m ão. Johanna sorriu ao ver o feliz casal e em seguida se voltou para seu irm ão que parecia continuar sem entender.

— Nicholas, vou ter um filho.

— Com o é possível?

Johanna se ruborizou e Gabriel riu, divertido com o desconforto de

sua esposa. Em bora estivesse decidido a repreendê-la por não ter dito a verdade a respeito de Clare MacKay, em consideração ao estado delicado de Johanna não elevaria a voz ao deixar claro descontentam ento.

— Está casada com um highlander. — respondeu Gabriel à

ridícula pergunta do Nicholas — Por isso é possível.

Nicholas riu. Deu um golpe am istoso no om bro de Gabriel,

felicitou-o e em seguida se dirigiu à irm ã.

— É um a notícia m aravilhosa. — disse com a voz trem ente de

em oção — Nossa m ãe ficará m uito feliz.

A Johanna lhe encheram os olhos de lágrim as e tirou o lenço de

linho que tinha m etido na m anga da blusa.

— Sim , m am ãe ficará feliz — disse, enquanto enxugava as

lágrim as com a ponta do tecido — Nicholas, não esqueça de dizer-lhe quando retornar a Inglaterra. Vai querer com eçar a costurar roupinhas para a criança.

— Agora com preende por que não quero inquietar m inha esposa

com notícias desagradáveis? — perguntou Gabriel.

— Com preendo — respondeu Nicholas.

Johanna j á não teve a m enor duvida de que não lhe diriam nada a

respeito de Raulf. Os dois queriam evitar preocupações. Claro que, chegado o m om ento, diriam , e se perguntou quanto tem po seriam capazes de guardar segredo.

Mesm o reconhecendo que tinham boas intenções, Johanna não

estava disposta a perm itir que a tratassem com o um a m enina. Por outro lado, teriam que falar da situação. Tinha idealizado um plano eficaz para im pedir que Raulf causasse dificuldades e queria com entá-lo com Gabriel.

O m arido parecia aflito e Nicholas tam bém estava im erso em seus

próprios pensam entos. Os dois hom ens se m ostravam carrancudos e não com iam .

Johanna não quis trazer para a refeição o assunto até que os

hom ens term inassem de j antar e resolveu dar um giro à conversa falando de assuntos cotidianos.

— Nicholas, observou que o m uro está quase term inado? Os

hom ens adiantaram bastante desde sua visita anterior.

Nicholas assentiu.

— Keith, disse-lhe que lhe assenta m uito bem a túnica MacBain?

O soldado sorriu.

— Sim , m ilady, hoj e m e disse isso ao m enos dez vezes.

— Disse que m eus om bros pareciam m ais largos e m ais fortes

com a túnica dos MacBain — interveio Michael.

— A m im , que parecia m ais alto — exclam ou Lindsay.

— E todos são elogios sinceros — afirm ou Johanna — Todos vocês

ficam m elhores com a túnica dos MacBain.

Os soldados riram .

— Milady, j á aceitam os as cores de nosso lorde. Não tem que

preocupar-se m ais.

— Não m e preocupo — se defendeu Johanna.

— E por que de repente nos faz elogios, pois? — perguntou Keith.

A senhora encolheu os om bros: aos soldados divertia sua reação e

Johanna preferiu falar de um assunto m enos em baraçoso. Os soldados não faziam caso de Nicholas; quando um deles m encionou o incidente dos lobos, com petiram para ver qual deles relatava a história da audácia da senhora.

Johanna protestou dizendo que ao irm ão não lhe interessava essa

história, m as a ignoraram . Gabriel pegou sua m ão. Os soldados riam e gritavam e, em m eio desse caos, inclinou-se para sua esposa.

— Sabe que sem pre te protegerei, não é? — sussurrou.

Johanna se inclinou para o lado da cadeira e o beij ou.

— Sei.

Nicholas viu o gesto de ternura entre Johanna e Gabriel e fez um

gesto de satisfação: fez bem em insistir em que se casasse com o lorde.

Nesse m om ento, Calum fez um a pergunta ao lorde. Johanna se

j ogou para trás e se voltou para Clare.

— Sente-se bem ? — sussurrou.

— Sim , m ilady — respondeu Clare.

Johanna não se convenceu: Clare tinha apenas tocado a com ida e

se m anteve silenciosa durante todo o j antar. Pensou que a presença de Nicholas devia ser a causa do acanham ento de Clare. Por algum m otivo am bos haviam sentido um a im ediata antipatia em relação ao outro. Se a m oça não se sentia m al, então o m otivo de sua conduta seria Nicholas. Os dois se olhavam fixam ente, e quando um surpreendia o outro observando, ficava carrancudo.

Esse com portam ento era estranho e inquietante, pois Johanna se

afeiçoou a Clare e queria que sua fam ília agradasse a j ovem .

Deixou de pensar no assunto quando os hom ens pediram

perm issão para se retirar.

— Onde está o padre MacKechnie? — perguntou Johanna.

Keith se levantou antes de responder.

— Augie queria que provasse um a am ostra da nova bebida.

— Se o encontrar, por favor, diga que gostaria de falar com ele.

— Do que quer falar com ele? — perguntou Gabriel.

— De um assunto im portante.

— Falará com igo desse assunto im portante — exigiu o hom em .

— É obvio que sim . Mas tam bém queria escutar a opinião do

padre MacKechnie.

Antes que o m arido continuasse interrogando-a voltou-se para

Clare.

— O que acha do m eu irm ão? É charm oso, não é?

— Charm oso? É inglês, m ilady — m urm urou Clare.

Johanna riu e se dirigiu ao irm ão.

— Nicholas, a Clare não agradam os ingleses.

— Não tem sentido detestar todos os hom ens de um país —

observou o irm ão.

— Não sou um a m ulher incapaz de raciocinar. — se defendeu

Clare — Se eu fosse inglesa, talvez seu irm ão m e parecesse charm oso.

Não estava disposta a conceder m ais e, pelo j eito, a Nicholas não

im portou a opinião da j ovem . Mas a fingida indiferença do irm ão não enganou Johanna: Clare MacKay lhe interessava em bora tentasse dissim ulá-lo.

Clare estava um tanto na defensiva. De súbito, Johanna se ergueu e

Gabriel viu que o sem blante da esposa expressava assom bro. Quis saber o que lhe acontecia.

Johanna deu um a palm adinha na m ão com suavidade e disse que

não gostava do tom que em pregava, em bora deixasse a pergunta sem responder.

— Nicholas.

— O que, Johanna?

— Quando se casará?

Nicholas não estava preparado para um a pergunta tão abrupta e

riu.

— Penso dem orar o m áxim o possível — adm itiu.

— Por quê?

— Tenho coisas m ais im portantes no que pensar.

— E tem alguém em m ente para quando decidir fazê-lo?

Nicholas fez um gesto negativo.

— Na realidade, não pensei. Quando estiver preparado, m e

casarei. E agora, basta desta conversa.

Mas Johanna ainda não estava disposta a abandonar o assunto.

— Quando fizer a escolha, um dote grandioso será im portante para

você?

Nicholas suspirou.

— Não. Não preciso de um rico dote.

Johanna sorriu e repetiu a Clare:

— Não precisa de um dote grandioso.

Por uns instantes, Clare ficou perplexa, franziu o sem blante e em

seguida com preendeu as intenções de Johanna. Fez um a expressão de assom bro e m oveu a cabeça com gesto veem ente.

— Não estará pensando que considere um inglês, não é?

Johanna a tranqüilizou:

— Não pedi que considerasse nada — disse. É obvio que era um a

m entira flagrante, m as tinha boas intenções e não acreditava estar com etendo um pecado. Contudo, tinha alcançado seu obj etivo, pois tudo o que queria era sem ear a idéia na m ente de Clare.

— Meu pai m orreria.

— Recuperará.

— Com o alguém se recupera da m orte? — perguntou Gabriel.

Johanna ignorou a pergunta.

— Ninguém a obrigará a fazer nada que não desej e — disse a

Clare e acrescentou, dirigindo-se ao m arido — Não é m esm o, Gabriel?

— O que, Johanna? Não sei do que está falando.

Johanna não se alterou diante da exasperação do m arido.

— Quando o pai de Clare virá aqui outra vez?

— Am anhã ou depois de am anhã.

Nicholas tinha o olhar fixo sobre Clare e o angustiava a expressão

no rosto da m oça. Quando Clare escutou que o pai viria, os olhos lhe encheram de lágrim as e pareceu assustada. Nicholas não entendia o que se passava: quase não conhecia a m ulher e pensou que o desagradava, m as sentiu o im pulso de aj udá-la.

— Não quer ver seu pai? — perguntou-lhe.

— É obvio que quero vê-lo — respondeu Clare.

— Am anhã ou depois Clare ainda não estará forte para ir — disse

Johanna ao m arido.

— Johanna...! — advertiu-lhe Gabriel.

— Parece-m e sã — observou Nicholas, perguntando-se do que

falariam — Esteve doente? — perguntou a Clare.

Clare negou com a cabeça e Johanna assentiu. Nicholas se

exasperou.

— Clare esteve m uito doente. — disse Johanna — Necessita tem po

para recuperar as energias.

— Por isso tem o cabelo cortado com o o de um m oço — observou

Nicholas — Contraiu febre não é m esm o?

— Não — respondeu Johanna — Gabriel, insisto para que diga a

lorde MacKay que a filha ainda não está preparada para um a viagem .

— Não acredito que possa adiá-lo — respondeu Gabriel e olhou

zangado para Nicholas — É um a pena que você não lhe tenha feito um filho — m urm urou — Isso resolveria todos os nossos problem as.

Nicholas abriu a boca para dizer algo, m as estava absolutam ente

estupefato.

— Não posso acreditar que considere m eu irm ão tão desonesto —

disse Johanna.

— Era lógico, m aldição! — replicou o m arido.

— E com o resolveria o problem a? — quis saber Johanna.

— Nicholas está aqui — respondeu Gabriel — O sacerdote poderia

casá-los. Sabe que prom eti a MacKay que haveria um casam ento, não é verdade?

— Eu não poderia m e casar com ele.

Com o Clare indicava Nicholas enquanto afirm ava com ênfase, o

hom em chegou à conclusão que se referia a casar-se com ele.

—É claro que não poderia! — alfinetou — Tam bém deveria

observar que não te ofereci casam ento.

Clare ficou de pé.

— Por favor, m e desculpem — balbuciou — De repente, sinto

necessidade de ar fresco.

Gabriel assentiu e Clare saiu im ediatam ente do salão. Nicholas a

viu afastar-se e se voltou para sua irm ã, que o olhava carrancuda.

— Por favor, alguém poderia m e explicar que raios acontece?

— Nicholas, perturbou Clare. Será m elhor que vá procurá-la e se

desculpe.

— Com o é que a perturbei?

— Negou-se a casar com ela — esclareceu Johanna — Não é

verdade, Gabriel?

O m arido desfrutava a suas largas da confusão do Nicholas.

— Sim , rej eitou-a — disse, só pelo prazer de provocar o cunhado.

— Expliquem -m e — isso exigiu Nicholas.

— Não seria correto que nós falássem os do problem a de Clare —

disse Johanna — Quando ela estiver disposta, lhe dirá. Nicholas, para que veio?

A m udança de assunto o surpreendeu e não pôde dar um a resposta

rápida. Voltou-se para o Gabriel em busca de auxílio.

Sem querer, o padre MacKechnie veio em auxílio de Gabriel e de

Nicholas, pois entrou precipitadam ente no salão.

— Milady, Keith m e disse que queria falar com igo — exclam ou

— Agora é um bom m om ento ou prefere que retorne m ais tarde?

Gabriel e Nicholas aproveitaram a oportunidade de distrair a

Johanna.

— Venha, padre, sente-se conosco! — exclam ou Gabriel.

— Alegra-m e voltar a vê-lo — disse Nicholas ao m esm o tem po.

Se o sacerdote se surpreendeu pelo recebim ento entusiasta dos

guerreiros não o dem onstrou.

— Nicholas, soube que estava de volta — disse o padre

MacKechnie — Veio ver com o está sua irm ã? Com o pôde com prová-lo, está feliz — acrescentou com ênfase.

— Esse foi o m otivo de sua viagem ? — perguntou Johanna.

Por vergonhoso que fosse adm iti-lo, Johanna divertia-se com o

desconforto do irm ão. Ao ver a expressão de Nicholas soube que era difícil lhe m entir. Tendo em conta o inocente da pergunta, o sem blante franzido de Nicholas era m uito significativo.

Gabriel foi a seu resgate.

— Padre, j á j antou? Johanna, o que houve com suas m aneiras?

Não ordenou aos criados que lhe sirvam .

— Já com i — inform ou o padre. Sentou-se j unto à Johanna,

rej eitou um a bebida e com eçou a falar em detalhe da últim a safra de bebida preparada por Augie.

— É bastante forte — afirm ou — Bebe-se um gole e sai voando

pelo pátio.

Johanna riu do exagero do sacerdote.

— Esquentará-nos quando chegar as longas... — O padre estava a

ponto de dizer que a bebida lhes daria calor quando as longas noites de inverno chegassem , m as se apressou a m udar a frase — Se é que fica algo.

— As longas o que? —perguntou Johanna.

— As noites longas e tem peradas do inverno — balbuciou o

clérigo, lançando um olhar severo a Nicholas. Certam ente, ainda culpava Nicholas por ter m entido para Johanna a respeito do clim a quente das Highlands.

Nicholas espantava-se que ainda ocultassem a verdade de sua

irm ã e teve vontade de rir, m as reprim iu a tem po.

— Nicholas, sabe que desde que estou aqui o clim a é im previsível?

Se até faz frio de noite!

— Não, m oça, nunca faz frio. — argum entou Gabriel.

— Vam os, Johanna... — com eçou Nicholas.

— Dirá por que veio? Nicholas, é evidente que surgiu algum

problem a, pois do contrário teria esperado para vir com m am ãe.

— Filho, a que veio? — quis saber o sacerdote.

A pressão sobre Nicholas foi intensa.

— O clim a. — afirm ou ao final de uns instantes — Johanna, não

suportava continuar vivendo na m entira. Vim aqui para te dizer a verdade.

As gargalhadas de Johanna anunciaram que não acreditava, m as

j á tinha com eçado a inventar e não podia deter-se.

— Menti. Aí está. Já disse o que vim confessar.

— Mentiu-m e sobre o clim a?

Nicholas sorriu. A risada de Johanna era contagiosa e tam bém sua

perspicácia. De repente com preendeu que a irm ã nunca se deixou enganar.

Inclinou-se para frente e a apontou com o dedo.

— Soube... sem pre, não é m esm o?

A irm ã assentiu.

— Usou um m anto de lã, Nicholas. Claro que sabia.

— Então, m oça, cada vez que algum de nós se referia ao tem po

estar m ais frio do que o habitual você sabia a verdade? — disse o sacerdote, desconcertado.

Johanna assentiu.

— Padre, foi bondoso de sua parte sustentar a m entira de m eu

irm ão, pois você o fazia por m inha felicidade.

— Tem senso de hum or, esposa — disse Gabriel.

— Tão distorcido quanto um escudo que ficou m uito tem po sob a

chuva — acrescentou Nicholas.

Johanna riu e os hom ens souberam que as brincadeiras não a

incom odavam . Bocej ou, desculpou-se e Gabriel lhe ordenou que fosse deitar.

— Prim eiro queria falar de algo com todos vocês. — disse

Johanna — Depois irei deitar m e.

— Do que quer falar? — perguntou Nicholas.

— Eu aj udarei, se puder — atravessou o sacerdote.

— Tenho um problem a — com eçou Johanna.

— Diga do que se trata, m oça — insistiu o padre MacKechnie.

Enquanto respondia, Johanna fixou o olhar em Gabriel.

— Pelo j eito, tenho dois m aridos.

Capítulo 19

 

— Tem um só m arido, Johanna.

O tom de Gabriel sugeriu a Johanna que não discutisse e a j ovem

pegou na sua m ão e assentiu.

— Johanna, ouviu quando eu contava a seu m arido a respeito de

Raulf?

— Sim .

— Garota, isso não está certo — afirm ou o m arido.

Johanna fez um gesto negativo.

— O que não está certo é que pensasse em m e ocultar um a notícia

tão im portante.

— Estou tentando entender. — disse o padre — Estão querendo

dizer que o barão Raulf está vivo?

— Sim — respondeu Nicholas.

— Grande Deus dos Céus! — m urm urou o sacerdote — Onde

esteve todo este tem po?

— Encerrado em um a m asm orra, do outro lado do oceano. —

respondeu Nicholas — Foi enviado ao outro extrem o do m undo com o representante do rei John, para negociar um acordo com ercial. Raulf partiu da Inglaterra antes que John com eçasse a briga com a Igrej a. Neste m om ento, ao rei não interessa a m ínim a aplacar o Papa.

Concluída a explicação, voltou-se para a irm ã.

— Quanto foi o que ouviu?

— Tudo — m entiu Johanna.

— Maldição!

Johanna não fez caso do palavrão.

— Por favor, expliquem ao padre em que confusão estou m etida.

Nicholas levantou a taça e esvaziou o conteúdo de um a só vez. De

repente, Johanna sentiu a necessidade de estar m ais perto de Gabriel. Levantou-se e se colocou j unto a ele e o hom em lhe rodeou a cintura e a aproxim ou. Johanna passou o braço pelo seu pescoço e se apoiou nele.

— O barão Raulf caiu de um precipício e todos acreditaram que

tinha m orrido.

— Quando aconteceu, eu estava na Inglaterra. — recordou o

sacerdote.

— Sim , pois bem , não m orreu. — m urm urou — Está de volta a

Inglaterra e está louco com o um a cabra porque ficou sem a esposa e sem as terras. O rei quer apaziguar esse m iserável, só Deus sabe por que. John ordenou que Johanna voltasse para Raulf e, em um a tentativa de acalm ar os MacBain e evitar um a guerra, aceitou deixá-lo conservar estas terras.

O padre MacKechnie m urm urou algo baixinho.

— Filho, não tem nenhum a im portância o que o rei quer. O

casam ento anterior de Johanna foi anulado, e isso é um fato. O próprio Papa assinou o decreto. Acaso não foi isso o que m e disse, m oça?

Johanna fez um gesto afirm ativo.

— Exato. Na realidade eu não acreditei necessitar de um a

anulação. Só a pedi para ganhar tem po antes que o rei m e obrigasse a casar outra vez.

— John decidiu tornar-se Papa. Desde que com eçou a brigar com

a Igrej a, quase todos seus vínculos com o Santo Padre foram cortados. Os sacerdotes j á fugiram para as Lowlands antecipando-se à interdição, pois John tem certeza que será excom ungado.

— De m odo que seu rei acredita que pode m udar esposas com

apenas um estalar de dedos? — perguntou Gabriel ao cunhado.

— É nisso que acredita. Não atende a razão. Eu tentei convencê-lo,

m as está teim ando em agradar Raulf. Eu gostaria de saber por que.

— O que acontecerá se nosso lorde se negar a deixar que Johanna

se vá? —perguntou o sacerdote.

— John atribuirá tropas a Raulf.

— Para que? — perguntou o clérigo.

— Para a guerra — disseram Nicholas e Gabriel em uníssono.

— Não posso perm itir. — m urm urou Johanna — Gabriel,

acabam os de reconstruir nossa casa. Não deixarei que destruam tudo outra vez.

— Não acredito que possa fazer nada para im pedir, Johanna —

disse Nicholas.

— Viu Raulf? — perguntou a j ovem .

— Se o tivesse visto, o teria assassinado pelo que te fez! Não, não o

vi.

Johanna negou com a cabeça.

— Não pode m atá-lo, pois o rei se voltaria contra ti.

— Escuta-a, filho. — aconselhou o sacerdote, lançando um suspiro

de preocupação — Tem os nas m ãos um grave problem a.

Continuar: parte 14 de 15