Um Dia Depois de Amanhã

Danielle R. G. Pedro · Capítulo 14 de 30

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Um Dia Depois de Amanhã

Naele 14

Naele

 

14

Finalmente ontem tive com Maycon a conversa pendente sobre a minha gravidez. Foi muito difícil pra mim, mas parece ter sido pior pra ele. Não… realmente foi pior pra mim.

Infelizmente Maycon não é o tipo de homem que assume o filho de outro cara. Isso ficou evidente quando educadamente deu o fora da minha vida.

Segundo ele estávamos ainda no começo e eu deveria dá uma chance ao pai do meu filho, que notoriamente não é segredo de quem é para o meu ex namorado.

Era passível disso ocorrer. Digo, um cara não querer assumir a responsabilidade pelo filho de outro.

Seria esperar muito amor dele por mim. A possibilidade que criasse uma criança que não é dele. E tudo mais.

Uma garota vingativa em prol de algo do passado. Ok. Uma namorada apaixonada por outro cara. Ok. Traição com o ex. Ok. Gravidez alheia? Nem em sonho querida.

Mas não era ele que me amava sem pensar no amanhã? "Que seja eterno enquanto dure". Estava escrito na aliança que colocou no meu dedo tão rápido quanto tirou. Foda-se esse amor de merda.

Ele poderia pelo menos ir mais devagar com o chute na minha bunda. Mas não, ele não pensou duas vezes.

Disse que era muito pra ele ser pai ainda jovem. Que aliás ser pai talvez nem fosse pra ele. Do filho de outro homem então, sem chances.

Na lata, sem rodeios.

Após viu que estava pegando muito pesado comigo e veio com o papo de sermos amigos e estar junto para o que eu precisasse.

Terminou dizendo a típica frase… "Sabe que Kyler tem o direito de saber que será pai".

Não idiota. Fiz direito nas coxas. Paguei pela merda do diploma. Argh!!!

Ainda acrescentou que sempre iria me amar… ah… de certo modo… completou.

Han, han. Percebi. Como água e óleo próximos. Bastardo do cacete!

Pelo visto o amor que deliberava sentir por mim não continha no seu contexto uma namorada grávida do ex fodido relacionamento relâmpago.

Depois da nossa conversa = Bye-bye, passei uma madrugada horrível. Contudo ainda mais do que nunca tinha que tirar a minha bunda da cama e ir trabalhar.

Eu não poderia ser demitida grávida por lei. Todavia sempre existia essa possibilidade no depois. E eu seria uma mãe solteira logo.

Se muito, se desse sorte, Kyler assumiria algumas das despesas. É aquilo, filho é sempre da mãe. Fim de papo. Estava por minha conta o futuro do meu filho.

E eu vou proteger o meu filho de tudo e de todos. Não importa o que venha. Estou aqui como uma leoa pronta pra devorar os meus adversários. Garras afiadas. Dentes expostos. O aviso está visível. Bastar saber que não estou brincando com o fato de que meu filho vem em primeiro lugar.

É instantâneo. Sem delongas. O instinto materno simplesmente aflora de um dia pra outro. Em segundos, a sua vida passa a ter um único foco. Tudo ao redor passa a ser observado. Analisado com precisão. O futuro não é amanhã, é daqui a milésimos de segundos.

(…)

Lucca havia viajado para conhecer os pais da Nuli. Elas estariam assumindo o relacionamento. E eu estava em êxtase por elas. Porém com essa viagem não havia ninguém a quem me apoiar. Eu estava sozinha para o meu filho nessa.

Por agora eramos só nós dois.

Talvez no futuro nada mudasse.

Talvez mudasse totalmente.

Só o tempo guiado pelo testamento do destino traria o que a minha mente teima em profetizar.

(...)

Quando cheguei ao trabalho uma colega grávida que fazia curso no "CPC" em outra turma disse inocentemente ter encontrado com o professor Kyler e com sua esposa no consultório de seu obstetra.

Aparentemente Laura levou os seus problemas com a diabetes para a gravidez.

Sony me contou como Kyler era o marido perfeito para qualquer gestante. E que as demais gestantes no consultório babaram por ele. Em como bom pai ele seria.

Foi o bastante para o meu mal estar retornar. Vômito no banheiro três vezes consecutivas. Falta de ar ao imaginar a cena. Uma dor de cabeça absurda me abraçou com força. E uma cólica se fazia singelamente presente.

Passei muito mal durante as próximas horas de trabalho. Então resolvi ir pra casa pois não estava produzindo nada.

Era inútil buscar um desvio pra outro pensamento que não fosse Kyler como pai do filho de Laura e não do meu. Embora ele fosse exatamente isso. Duplamente pai. A realidade me deu um soco na cara e riu da minha queda.

Peguei o carro e ao que pareceu cerca de 3 km percorridos, senti uma devastadora queimação na nuca e fortes dores na região do abdômen.

Não demorou muito para que eu perdesse o controle do carro e batesse em algo duro o suficiente pra me levar pra frente, embora estivesse com o cinto de segurança.

Mesmo com a visão embaçada vi o que se passou. Eu havia batido em um poste. Foi a última coisa que vi antes de desmaiar.

(…)

Acordei no hospital público mais próximo. Pelo que entendi fui socorrida pelos bombeiros. Segundo o médico plantonista eu tive um pico extremo de pressão.

Fiquei 2 dias em observação. Sozinha. Mais uma vez, não tinha a quem chamar com Lucca e Nuli fora do estado.

Recebi alta após realizar alguns exames que levei para a minha obstetra.

O carro estava uma merda que foi rebocado e levado para o conserto. Então o jeito foi ir de Uber.

Consegui uma consulta por encaixe com a minha obstetra. Realizei um grande número de outros exames e voltei pra casa.

(…)

Com o atestado médico do hospital cobri a ausência no trabalho daquele dia. Com o atestado da minha obstetra as faltas pelo restante da semana no trabalho e no curso no decorrer da semana.

Tive que embarcar em um Uber novamente para fazer as devidas entregas dos atestados, ainda que não estivesse bem para sair de casa, não poderia ser de outra forma, ambos os locais tinham prazos legais para a entrega destes.

Teria que retornar a minha obstetra na segunda. A consulta seria no fim da tarde então daria pra ir pelo menos ao trabalho.

Para o curso talvez rolasse outro atestado. O que seria muito bom pra falar a verdade. Tudo pra não encarar Maycon e principalmente Kyler tão cedo.

Pergunto-me se Kyler chegou a questionar a minha ausência no curso ou se teria se perguntado porque Maycon estava frequentado as aulas sem eu estar ao seu lado.

Se for por aí nem Maycon me ligou sequer pra saber porque faltei.

Uau! Relacionamento relâmpago com o Kyler. Quase isso com o Maycon. Amor “trovoante” de ambos por mim. Eu era quase uma tempestade em suas vidas. Do tipo passageira.

(…)

Ah quão filha da puta é você Maycon! Príncipe ou selvagem na cama? Ambos. Depois da minha gravidez de Kyler? Somente o segundo. Valeu mostrar que a cara de bom moço era furada Maycon.

Quanto a Kyler, bobeira minha. Certo? Mas é claro. Ele não sabe que carrego um filho dele no ventre e mesmo se soubesse prevejo que tem uma outra mulher tal qual. Ou seja. A sua esposa grávida, para se preocupar.

Quem era eu na sua vida? Resposta rápida? Um fodido caso de vingança.

(…)

Segunda depois de um dia de trabalho tumultuado levei os meus exames para a minha obstetra avaliar.

Segundo Dra. Lurdes estou com deficiência de ferro no organismo. Pra ser mais exata estou com anemia ferropriva, que interfere na formação de hemoglobina, proteína do sangue responsável pelo transporte de oxigênio para as células.

A anemia ferropriva instala-se no organismo por carência nutricional, parasitoses intestinais ou perda excessiva de sangue.

Nos estágios mais avançados ocorrem alterações na pele e nas mucosas (atrofia das papilas da língua e fissuras nos cantos da boca).

Sem ferro suficiente os glóbulos vermelhos não conseguem transportar a quantidade necessária de oxigênio para os tecidos do corpo.

A deficiência de ferro leva a anemia, ou seja, a diminuição da produção de células sanguíneas que pode retardar o desenvolvimento do feto.

Dieta inadequada, falta de reposição de ferro e diluição natural do sangue na gestação devido o aumento na retenção de líquido, seriam as causas prováveis.

Os sintomas batem perfeitamente com o que estou sentindo nos últimos dias. Com o exame clínico a minha obstetra só aguardava os exames de laboratório para confirmar.

Palidez, falta de fôlego, fadiga, letargia, mal estar, tontura, dor de cabeça, falta de ar, irritabilidade, queda de cabelo, unhas quebradiças, síndrome das pernas irriquietas e falta de apetite, apatia, palpitação e taquicardia.

Saí do consultório com outro atestado para o curso como previsto. Além de uma receita de um medicamento oral à base de ferro e suplementação por vitaminas extras.

Também me foi recomendado uma dieta balanceada. Especificamente em alimentos ricos em ferro. Entre estes agrião, espinafre, lentilha, feijão branco, frutas secas, gema de ovo, fígado, escarola, melão e abacate.

Que legal! Virei uma natureba recheada de uma bebê. Como poderia reclamar, hum? Melhor do que isso só proibindo o meu sagrado encontro semanal no Subway. Espera! Foi exatamente isso que veio em seguida. Pacote completo, hein?

 

Fontes de Pesquisa: Manual MSD, Redação Minha

Vida, TrocandoFraldas, A Revista da Mulher, Portal Drauzio Varella.