Um Dia Depois de Amanhã
Naele Borges 01
A grande verdade por trás da aparente discordância, é
que encontrar o verdadeiro amor é tão esperado que a possibilidade de não realização deste, acaba por tornar mais fácil negar o óbvio.
Danielle. R. G Pedro
Parte I
Naele Borges
01
–– Você sabe que não vamos a uma balada, certo?
Reviro os olhos para a minha melhor amiga Lucca enraizada na frente do espelho enquanto estou esparramada na minha cama.
–– Se eu estivesse indo para a balada jamais usaria este trapo velho.
Diz apontando para o vestido verde em seu corpo.
–– Trapo que você deu uma fortuna para adquirir.
Teatral ela leva a mão ao coração.
–– Garota estúpida. Você sabe que eu o comprei em uma promoção.
Sorrio porque Lucca é doente por compras, mas nunca teve noção do que é uma promoção de verdade. Sabe, aquelas do tipo que as pessoas reviram as lojas. Este vestido por exemplo, ela comprou na “Calouras”, uma loja que só vende roupa de grife cara.
–– Acho que você quis dizer bazar. E um bazar da “Calouras” não é pra qualquer uma não.
Ela gargalha e joga as suas mechas loiras para trás.
–– Deve ser porque não sou qualquer uma docinho.
Balanço a cabeça pra essa batalha fadada a derrota.
–– Ok! Agora vamos porque não quero chegar atrasada no nosso primeiro dia de aula.
Lucca me olha como se tivesse nascido um galho de árvore na minha cabeça com direito a gorro de Natal e tudo.
–– Tá falando sério Naele? Já é demais até para você.
Franzo a testa não entendendo nada.
–– O quê louca?
Ela aponta pra a minha roupa.
Olho para o meu próprio corpo em uma calça jeans e uma blusa do tipo polo feminina.
Bufo porque já sei que vamos brigar feio como sempre. Somos completamente diferentes em praticamente tudo.
Pra começar pela aparência. Eu sou alta, ruiva, tenho olhos cinzas e magra. Lucca é loira, baixa, olhos verdes e curvilínea.
Nosso temperamento é o antônimo um do outro. Eu sou geralmente calma e sensata, ela é agitada e nervosa.
Nós somos amigas desde o início da faculdade de direito, juntas cursamos a USP e estamos formadas a 2 anos. Neste período estamos fazendo de tudo para passarmos num concurso federal.
Ela porque não quer dar o braço a torcer que falhou em algo e eu por não imaginar a possibilidade de voltar para Araruama. Deixei pra trás casa, comida na mesa e roupa lavada. E junto a isso os cuidados dos meus pais comigo, pois quero ser independente. Tenho 25 anos na cara e não vou ser um estorvo nas costas deles pra sempre.
–– Não começa. É só um curso preparatório para concursos. Não vou conhecer o meu verdadeiro amor nesse lugar como presente de Natal.
Falo irônica.
Lucca desvia o olhar e fixa a sua atenção para a nossa árvore de Natal no canto da sala, já que moramos em um loft que quase tudo menos a cozinha e o banheiro fica no mesmo cômodo.
Ela não diz nada depois do meu comentário porque sabe que eu peguei pesado comigo mesma. Tem exatos 1 ano e 3 meses que desmanchei o meu namoro com Josme. Como o conheci na faculdade e o amava demais, costumava dizer que ele era o amor da minha vida. Isso até descobri que fui corneada por ele o tempo todo em que estivemos juntos. E descobri isso da pior forma.
Ele estava entre outras meninas ficando com a minha prima que veio me visitar. Laura era acima de tudo como uma irmã pra mim e ele sabia disso. O resultado disso tudo é que nenhuma de nós ficou com ele.
Laura pelo menos, segundo eu soube pela minha mãe, reconstruiu a sua vida e casou-se com um cara que conheceu no Rio de Janeiro já que fez jornalismo pela UFRJ.
Nunca mais a vi, cortei qualquer relação com ela, incluindo as redes sociais. Infelizmente a minha mãe acabou brigando também com a minha tia com cada uma tomando partido da sua cria.
É triste porque a minha tia, que é irmã da minha mãe, ganhou o apoio de toda a família, pois todos achavam que era uma bobagem entre primas e que os meus pais não deveriam se meter. Não temos contato desde então com a maioria dos membros da nossa família.
E ainda de troco ao acordar para o verdadeiro tipo de relação que tivemos por 2 anos, quando terminamos comecei a sondar como uma detetive de quinta a vida de Josme nas redes sociais e entre os seus amigos e descobri muita sujeira escondida nesses anos juntos.
Sem saber o que dizer, abaixo a cabeça e falo para irmos logo antes que a aula comece.
(…)
Chegamos a tempo de ser permitida a nossa entrada sem maiores constrangimentos. O curso fica a 40 minutos do nosso loft. Nós viemos no carro de Lucca que dirigiu quieta e pensativa até aqui.
Sei que toquei num assunto delicado para nós duas uma vez que ela é apaixonada por minha prima Laura e chegaram a ter um rolo juntas.
Para Laura pode ter sido uma simples quebra de curiosidade, mas para Lucca foi muito mais do que isso.
–– Desculpa. Fui uma imbecil ao tocar nesse assunto, delicado para nós duas.
Digo ao entrarmos na sala grande de um prédio de dois andares localizado na Avenida XV.
Ela balança a cabeça e vejo os seus olhos marejados.
–– Eu sei Naele. Você lida com a dor sendo sarcástica, mas sei o quanto ainda é complicado para você digerir tudo o que aconteceu. Só pense que eu não a tinha e com isso deveria ser mais fácil pra mim, mas não é.
Respiro fundo sentindo um peso no meu coração. Ela está certa porque dói muito ainda e eu tento burlar os meus sentimentos com piadas sem graça, mas no fundo sei que não superei a traição.
Talvez nunca venha a ocorrer de qualquer forma. E é por isso que não quero passar por isso novamente.
Estou fechada a sete chaves para relacionamentos. De qualquer espécie. Sei que um dia vou ficar carente emocionalmente e fisicamente a ponto de buscar saciar a minha necessidade junto a um cara.
Quem sabe experimente o lance do apenas uma vez qualquer numa balada, porém por agora nego-me a receber o mínimo toque.
(…)
Sentamos no final da sala. Olho ao redor e vejo que tem gente de todas as idades. Quando Nuli, uma colega da academia que também formou em direito quase que ao mesmo tempo que nós me falou desse curso realmente citou o grande número de formandos recentes e veteranos de outros cursos preparatórios que procuram pelo “CPC” (Curso Preparatório para Concursos).
Falando nela eis que a bruaca chega mais atrasada do que nós freneticamente balançando a bunda grande ao desviar das carteiras, já que está vindo em nossa direção.
–– Você está atrasada.
Aponto o dedo para ela, que joga a bolsa na cadeira ao lado onde coloquei a minha mochila e Lucca a sua enorme bolsa de grife.
Ela me fuzila com o olhar e acena para a minha amiga. Não antes de olhar para a minha roupa e principalmente para o meu tênis.
Quando ela ergue uma sobrancelha, dou de ombros e Lucca me olha como se dissesse “Viu, sua roupa e esse tênis estão uma merda”.
–– Já viu como está o movimento do comércio? Então me desculpa se fiquei presa na loja com uma cliente chata pra caralho que tinha o corpo igual ao seu que tudo cabe, mas resolveu fazer de escrava a pobre vendedora fodida e gorda.
Lucca dá uma risadinha do seu comentário e eu estou de saco cheio dela se auto degradar.
Nuli é baixinha como Lucca só que é gordinha. O que vem a calhar com a quantidade de doces que come. Mesmo na academia quando está nos aparelhos não para a boca.
O que não a faz ficar feia de jeito nenhum. Com os seus cabelos negros lisos e olhinhos orientais puxadinhos ela é linda.
Ela como eu antes, trabalha numa loja que revende roupas no shopping. Aliás o meu antigo emprego foi ela que conseguiu para mim, contudo quando o dono da loja passou a dar em cima de mim sempre que a sua esposa estava fora, sabia que seria temporário.
Um dia ele tentou me agarrar a força, então dei um chute bem no saco escrotal dele com os saltos que quase nunca uso. Azar o dele. No outro dia a esposa dele me demitiu alegando que eu estava dando bola para o marido gordo e asqueroso dela.
–– Não, desculpa por não ter visto o movimento do comércio na época em que as comissões são as melhores, fora a caixinha de Natal, por esta fodida sem emprego.
Nuli arregala os olhos. Bem, faz o que pode já que a sua descendência oriental é nítida.
–– Ah merda! Cacete Naele. Foi mal.
(…)
–– Então qual é a do professor?
Lucca pergunta para cortar o clima ruim que instalou-se no ar.
–– Um tiozinho que ensina muito bem.
Lucca ri.
–– Claro, um tiozinho, que ótimo.
–– O quê você esperava?
Debocho.
–– Sei lá.
–– Hum, hum.
–– Tá bom. Uma professora sexy numa saia de secretária apertada com um decote discreto na altura dos seios, mas que salienta os peitões. Seria pedir muito?
Nuli engasga com a própria saliva.
–– Ops! Te assustei? Fique tranquila não ataco as colegas da minha melhor amiga e você com certeza não faz o meu tipo.
–– Como assim não faço o seu tipo? Qual o problema comigo para você me rejeitar de cara sem me conhecer? E se eu for boa em trepar e você estiver sendo
preconceituosa por eu ser gorda?
Nuli não sabia que Lucca era lésbica. Não até agora. Porque não vi motivo para contar. Não temos problemas com a opção sexual dela, mas também não fazemos dela algo mais do que é. Só que a sua reação ao que Lucca falou foi pra lá de hilária e fora do esperado.
–– É justo… uma rapidinha depois da aula então? Só pra ver se rola entre você e eu?
Lucca mede Nuli de cima a baixo com cara de interessada e mordendo o lábio inferior.
–– Depois da aula?
Nuli diz enrugando o nariz arrebitado.
–– Isso, você pode perder uns 20 minutos comigo, não pode?
–– Bom, é que eu tenho que voltar pro trabalho, como eu disse tá uma loucura, é a melhor época para comissão.
–– Ah, só 20 minutos, prometo que faço valer a pena. Conheço um lugar sossegado aqui perto, podemos fazer no carro mesmo, depois te dou uma carona pro trabalho.
Lucca insiste, tirando de lado uma mecha de cabelo que caiu sobre os olhos de Nuli.
Isso tá ficando interessante, quem vai amarelar primeiro?
–– Ok! Por que não?
Nuli arqueia a sobrancelha bem feita.
Caramba por essa Lucca não esperava. Poucas foram as vezes em que vi a minha melhor amiga sem conseguir argumentar sobre algo, principalmente um de dois que está relacionado ao que ela diz ser as suas grandes habilidades.
Ou seja, moda e sexo.
(…)
Poucos minutos depois entra na sala um cara alto com ombros largos, vestindo uma calça black jeans e uma blusa branca de botões com as mangas arregaçadas, deixando visível braços fortes e com a pontinha de uma tatuagem à mostra do lado esquerdo.
Ele tem um jeitão de modelo ao andar, parece estar desfilando em uma passarela tamanha a sua sensualidade. Observo o tênis e a mochila de couro marrom. Ele tem um perfil desleixado arrumado, se isso é possível, mas é como consigo descrevê-lo.
O cabelo castanho escuro e cacheado alcança o colarinho da blusa. Os olhos são tão negros que chegam a brilhar junto a claridade vinda da janela. Ele é absolutamente fenomenal. Nunca na minha vida vi um cara mais lindo e sexy.
Avisto ao redor e as mulheres o olham com uma cobiça nada disfarçada. Parecem hipnotizadas. Os homens no entanto estão ridiculamente incomodados com a presença do cara.
A ponto dos que estão acompanhados demarcarem território junto as suas namoradas, noivas ou esposas. Não os culpo no entanto, o efeito que esse sujeito tem sob a espécie do sexo feminino é brutal.
Ouço um suspiro e desvio o olhar para um grupinho de caras no canto oposto ao nosso. Sou obrigada a ampliar o horizonte que ele consegue abranger de fãs. Ali tenho que incluir os gays e até a minha melhor amiga lésbica que está previsivelmente enfeitiçada.
Analiso rápido as possibilidades de lugares onde ele pode sentar já que a maioria das cadeiras já encontram-se ocupadas.
Sem pensar instintivamente tiro as duas bolsas e a minha mochila da cadeira ao lado. Por pura educação, é claro. Não que eu tenha feito o mesmo com as muitas pessoas que entraram depois de mim. Estava distraída conversando, tento me explicar, pra quem é que não faço ideia.
Noto que algumas mulheres fazem o mesmo que eu. Tem cerca de seis lugares vagos conto. E silenciosamente fico torcendo para ele escolher sentar ao meu lado, mas não é o que ocorre porque o homão da porra vai em direção a cadeira destinada ao professor e coloca a mochila sobre a mesa.
Encaro Nuli e a vejo de boca aberta, nem pisca, na verdade parece que foi arrastada pra outro mundo paralelo ao nosso. Se ela começar a gemer por fantasiar que está trepando com esse cara, acho que nem vai chamar a atenção pois estamos todas no mesmo barco.
(…)
–– Puta merda!
Nuli suspira acordando do transe.
–– Caramba!
Lucca fala.
–– Puta que pariu!
Finalmente algo sai da minha boca.
–– Nuli pensei ter ouvido você falar algo sobre o professor ser um tiozinho. Garota a nossa noção de meia idade é muito contraditória, porque esse cara não chega a ter 30 anos.
Lucca diz.
–– Meu Deus! Juro que o Senhor Walter descobriu a fórmula da juventude. E claro, do embelezamento, pois nem de longe ele se compara a esse cara.
Formulo uma piada pra Nuli sobre o que ela falou anteriormente do professor quando ele então fala.
–– Boa tarde pessoal!
A voz dele é grossa e rouca. Um calor me toma e logo está por todo o meu corpo. Não consigo tirar os olhos dele, é mais forte do que eu. O meu corpo inteiro está reagindo a presença dele.
–– Estava uma merda, mas acaba de ficar boa pra caramba.
Uma mulher alta e ruiva como eu fala, ele escuta e sorri de lado, mas prossegue.
–– O meu nome é Kyler River.
–– Muito prazer, seja muitooooo bem vindo!
Uma outra loira de olhos verdes com o cabelo curtinho cospe batendo os cílios na direção dele.
Deve estar mais do que acostumado a todo tipo de cantada porque nem se surpreende com as cantadas dirigidas a ele na cara dura.
Acredito que leve muitas pra cama. Ao pensar nisso faço uma careta porque irracionalmente me incomoda atribuí-lo trepando por aí com outras. Eu sei é louco, mas é a verdade, chego a sentir o gosto de bile na minha boca. Mas que merda é essa Naele?
–– Sou o professor que foi escalado para substituir o Sr. Walter que está com problemas de saúde.
–– Claro que é um substituto, caso contrário o Sr Walter sofreu algo como um upgrade.
Um cara ruivo comenta.
–– Não vou ser hipócrita e dizer que sinto por isso.
Uma garota mais nova e toda tatuada diz.
–– Santa doença.
Uma oriental logicamente parecida com Nuli exclama com a mão no peito.
Todo mundo olha pra ela e a mesma dá de ombros.
–– Sinto muito pela sinceridade, essa sou eu.
Novamente os seus lábios carnudos vão para um sorriso de lado, a única coisa que sugere que achou graça dos comentários deles ou que buscou ser educado.
Todavia logo manda a dica.
–– Espero por sua pronta recuperação e que logo retorne para junto de vocês. Estou certo de que estão preocupados com ele, mas já adianto que o tratamento está fluindo muito bem.
–– Oh carma!
Um cara moreno manda.
–– Dito isso realmente espero que tenhamos uma ótima relação.
–– Tenho certeza que teremos.
Uma mulher negra e de corpão joga essa. Mas nada o abala. Parece ser imune a flertes.
–– Estou à disposição para o que precisarem.
Ele anuncia e neste momento olha bem pra mim. Em segundos parece digitalizar os meus traços. O seu olhar é intenso e letal. O que faz com que a minha respiração fique irregular e as minhas pernas falhem. Ainda bem que estou sentada.
(…)
Logo ele desvia o olhar, vira e escreve os dias e horários das aulas, assim como os portais virtuais de acesso do curso.
E rapaz… quando faz isso os xingamentos femininos são muitos. Simplesmente porque o cara tem uma bunda abraça calça do caralho. Grandinha, redondinha e de certo durinha. Deve ser para combinar com as coxas grossas que a calça não conseguiu esconder.
–– Eu sei que provavelmente vocês têm tudo isso já por via virtual, mas eu sou um cara à moda antiga, prefiro o
cara crachá.
–– Sabia que tinha um defeito!!!
Lucca bufa.
–– Oi? Defeito? Onde? Só se for pra você que come a mesma fruta que ele.
Nuli saca essa.
–– Rá, rá, rá. Pra seu governo este me arrastava pra cama.
–– Então qual o citado defeito?
Empino o nariz desafiadora aguardando a resposta.
–– Olhe para a mão dele e terá a resposta.
É então que eu olho e lá está uma grossa aliança de casamento e a resposta para a sua imunidade aos flertes e cantadas estúpidas.
Ele não é só comprometido como num namoro ou noivado. Não. Ele é casado.
Encaro a aliança dele com o meu coração batendo sem pausas e com um nó formando na minha garganta.
–– Quem liga?
Nuli gargalha.
Desvio o olhar da sua mão para avistar incrédula a expressão safada de Nuli. Contudo não consigo evitar e volto a fixar os meus olhos na aliança.
–– Disfarça porra!!!
Sinto uma cotovelada de Lucca na minha costela e dou um pulo.
–– Ai, mas que merda! Por que fez isso?
Rosno para a minha melhor amiga, mas logo entendo o que a levou a fazer isso quando ela ergue o queixo sinalizando à frente da sala.
O professor Kyler está com as mãos na cintura olhando pra mim com uma expressão questionadora, assim como parece ter faíscas nos olhos de tanta raiva.
O quê?! A mulherada só faltou violentá-lo na sala e ele está bravo comigo? Sério? Só por eu encarar… bastante assumo… a sua aliança? Qual é a dele?
–– Algo que eu possa ajudar?
A turma toda vira a me encarar. A minha vontade é responder que sim. Na minha cama, a qualquer hora que queira.
Porém nem em sonho faria isso. Bem… pra ser sincera talvez em sonho. Bom… provavelmente vai acontecer depois que o conheci. Sem chances de não usá-lo de avatar para os meus lances com o vibrador.
Quem pode me culpar, hein?
Julgue-me se for capaz!
Entretanto fica por aí, só no pensamento mesmo infelizmente.
Creio que muitas não ligariam para a aliança em seu dedo. Mas eu ligo. Já estive do outro lado e jamais faria outra mulher passar pelo que eu sofri com a traição de Josme.