Um Dia Depois de Amanhã

Danielle R. G. Pedro · Capítulo 3 de 30

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Um Dia Depois de Amanhã

Naele O3

Naele

 

O3

Segunda quando sai da “CPC” não sentia os meus pés no chão, tão pouco a minha mente trabalhava a meu favor, praticamente fui rebocada de lá por Lucca e Nuli.

Até agora me pergunto o que foi aquilo.

Caramba!

Onde fui me meter?

Realmente a partir daquela aula passo a acreditar na lei do retorno.

A terça-feira surgiu e se despediu da minha vida como num sopro de mágica. Mal me dei conta do dia de ontem.

Acredito que as duas únicas coisas que fiz de úteis foram encaminhar um currículo a um escritório de advogacia e comprar o presente do carinha musculoso que tirei no amigo oculto.

A R$ 50,00 o que encontrei de bacana foi uma camisa social azul marinho com detalhes em vermelho na gola nas mangas, que custava R$129,90 e saiu por R$ 49,30 na promoção de Natal.

Estou acabando de me arrumar em frente ao espelho e Lucca que inacreditavelmente já terminou me observa atentamente da cama. Parece que invertemos os papéis.

–– Que foi?

Digo a encarando pelo espelho.

–– Nada, só estou olhando a transformação da gata borralheira em Cinderela.

–– O quê?

–– Sem bancar a desentendida pra cima de mim mocinha. Você sabe muito bem do que estou falando.

Desde a aula ela e Nuli não me deram trégua com o pedido do loiro alto, que segunda descobri chamar Maycon, para ser o meu par na festa confraternização.

Tão pouco com a minha sorte por ter tirado o Mister Músculos do Hiago no amigo oculto de hoje.

Além claro, que jamais deixariam de fora, o interesse que despertei na sala toda, inclusive no marido da minha prima Laura, professor Kyler River.

Isso vai dar uma merda digna de ser jogada no ventilador.

–– Menos Lucca, não tem vestido longo de baile aqui, muito menos sapatinho de cristal.

–– Verdade, nunca que a Cinderela iria usar um nada clássico vestido com decote em dourado destacando as costas perfeitas. Ou essas sandálias com tiras sensuais pretas que contornam os seus pés suplicando para que um cara ajoelhe-se te pedindo para levá-la a festa de confraternização da “CPC”.

Reviro os olhos porque a minha melhor amiga pode ser muito ridícula com os seus comentários quando quer.

–– Não é você que vive falando que não me arrumo direito?

–– Digo sim, e vou dizer sempre. Mas dessa vez confesso que fez bonito. Tanto que acho que talvez até roube o coração de um certo príncipe.

–– Tá falando do Maycon?

–– Não se faz de besta Naele, o Maycon já tá de quatro na sua e por mais que seja gatinho não tem realeza nenhuma. Estou falando do professor.

Fecho os olhos quando ela o cita. Realmente não tenho como negar que aquele professor sob a forma de pecado mexeu comigo.

Aqueles rosto másculo com ar de mal e os olhos negros fixos em mim, fizeram um estrago na minha calcinha.

Pena que o interesse foi provavelmente por ter me achado parecida com a Laura, sua esposa e minha prima, e mais pena ainda porque vou ter que usá-lo para me vingar dela.

–– Nada a ver, estou me produzindo porque… bem porque vamos sair.

–– Naele olha bem pra mim e me diz se tem uma placa escrito idiota fixada na minha testa. E não me diga que é pro Maycon porque ele caiu na sua até vestida de homenzinho.

Me ofendo com o comentário.

–– Eu não estava de homenzinho.

–– Será que é pro Hiago então a produção?

Ela está me sondando, quer perguntar do Kyler, pra falar da Laura.

Canso disso.

–– Manda logo Lucca nos sabemos porque Kyler me interessou além de ser um homão da porra.

–– Hã?

Viro e a encaro.

–– Você acha que ele vai levá-la hoje?

Lucca olha pro teto e respira fundo.

A chegada de Kyler sendo marido da minha prima traidora e paixão da minha melhor amiga trouxe um clima pesado as nossas horas até que possamos estar de frente com a maldita.

–– Não, pelo que ele disse acho que só na confraternização no dia 22.

–– Tá pronta pra vê-la?

–– Não, e você?

Lucca desvia o olhar do teto e rola pra fora da cama. Ela está linda num vestido vinho.

–– Águas passadas, ela casou não foi? Fez a merda com o seu relacionamento e deu as costas para nós duas sem nunca admitir que errou.

–– Verdade, agora você tem a Nuli.

Começo a rir.

–– Ai cala boca.

Uma almofada voa na minha direção acertando as minhas costas.

–– Ei! Vou borrar tudo aqui, ao invés da Cinderela você vai ter que ir acompanhada da noiva do Chucky.

Começamos a rir e o clima ruim que pairava no ar vai embora. O que não dura muito, porque voltamos a falar do passado em sequência.

–– Naele?

–– Oi.

–– Você vai usar o Kyler para se vingar da Laura, não vai?

Suspiro porque sei que nunca vou conseguir enganar Lucca. Ninguém me conhece como ela.

–– Com muito pesar, realmente gostei dele, apesar de não deixar a notória química entre nós ir adiante por ele ser casado, isso se não tivesse a Laura na jogada, lógico.

–– Tenho medo que você se machuque Naele.

–– Estou disposta a pagar o preço.

–– Tem certeza, depois de hoje à noite não tem volta. –– Lucca, é a chance perfeita de dar o troco pelo que ela fez comigo, com nós duas. Laura te usou como um objeto sem valor. E me traiu fodendo com o meu namorado. Vou mostrar a minha priminha como doí quando é consigo, trepando com o marido dela.

(…)

Lucca e eu chegamos ao barzinho com uma placa do tipo tradicional americana com direito a lâmpadas e tudo escrito “Última Aula”.

O prédio do curso é cercado de instituições de ensino daí o nome bem bolado do bar.

Nuli estava sentada ao lado de uma morena alta com olhos cor de mel em um papo bem descontraído, mas quando nos viu correu em nossa direção.

–– Foi aquela ali que você tirou?

Pergunto baixinho a Lucca.

–– Não. Foi a morena baixinha com cara de árabe. –– Vai dar aquela blusa decotada para uma árabe? –– Hum, hum.

–– Você não presta.

–– Nunca disse o contrário.

Quando Nuli com o seu vestido amarelo chegou até onde estávamos Lucca encarava a morena que conversava com ela.

–– Só falta o professor agora.

Nuli diz batendo palminha.

–– Ele ainda não chegou?

–– Não.

Sentamos na grande mesa montada colando várias outras formando um L no centro do barzinho.

Um sujeito barbudo e com cabelo num rabo nas costas cantava Seja Pra Mim (Maneva) ao vivo.

Maycon saiu da companhia da morena de cabelo curtinho e desfiado na nuca que ficou perto da porta no curso e veio sentar ao meu lado.

Hiago já havia corrido para sentar do meu outro lado. Notei que além da que conversava com Maycon, que outras mulheres me olhavam com cara feia.

Liguei o foda-se.

Tenho coisas maiores para me preocupar do que com um bando de vadias mal amadas e invejosas.

–– Então animada?

Maycon diz ao ajeitar-se na cadeira ao meu lado.

Gente… ele é uma coisa… lindo e gostoso… talvez depois que eu terminar o meu lance de vingança com Kyler possa degustar dessa gracinha.

–– Muito. Você…

A frase ficou no ar, pois as palavras fugiram da minha mente quando Tyler entrou usando uma calça preta com uma blusa branca e uma jaqueta vermelha por cima.

Suspiros femininos e gays foram inevitáveis.

–– Desculpe o atraso, fiquei preso no trânsito.

Ele falou pra todos, mas olhou pra mim. Encarando Maycon ao meu lado direito assim como Hiago no esquerdo.

(…)

Kyler senta entre a loira com cabelo chanel e a morena que quase se jogou em seus braços na aula. Infelizmente não consigo evitar o desprazer em vê-lo perto delas.

O clima é agradável. A música é boa. As pessoas conversam tranquilamente com alguns flertes envolvidos.

Depois de algum tempo casais vão dançar num canto destinado a isso. O local é pequeno mas aconchegante. Tem mesas perto das janelas antigas em madeira. Aliás muitas janelas. A grande maioria do pessoal que veio aqui hoje acomodou-se próximo a estas.

O piso é em cerâmica vermelha e tem pequenas luminárias pra tudo quanto é canto. Está todo decorado com o tema do Natal, incluindo uma enorme árvore no canto.

–– Quer dançar?

Maycon estende a mão pra mim.

Levo a minha mão ao encontro da dele e seguimos pra junto de tantos outros casais espremidos em um pequeno espaço.

–– Você tem namorado Naele?

A vontade que tenho é de bater na testa de Maycon. Eu me expus na aula inaugural de segunda e contei sobre ser traída.

–– Digo depois do que passou. Conseguiu voltar a ter relacionamentos?

De repente a ficha cai.

Oh merda!

Ele está se abrindo pra mim, possivelmente por ter passado pela mesma coisa.

–– Relacionamentos não. Fiquei com alguns caras depois do Josme.

Ele ri e devo dizer que tem um sorriso lindo.

–– Josme? A criatura já nasceu fadada ao fracasso. Que nome horrível.

Gargalho porque foi o que pensei quando conheci o meu ex namorado.

–– Era o nome do avô dele.

Dei de ombros.

–– Isso explica tudo.

–– Pois é.

Sinto que ele quer me contar algo. O seu corpo é quente e tem um cheiro bom. Ele realmente é muito gostosinho.

–– Diga-me.

–– O quê?

–– Diga logo Maycon. Quem foi a cadela que te fez sofrer?

Ele suspira.

–– A minha ex noiva.

Arregalo os olhos.

–– Ex noiva? Que merda cara.

–– Sim. Namorados de infância. Corno com a contribuição do meu próprio irmão.

Olho pra ele sem saber o que dizer.

–– Maycon.

Ele me abraça forte.

–– Está tudo bem. Passado. Só estou contando pra você saber que te entendo e que temos muito em comum.

(…)

Quando voltamos a mesa foi a vez de Hiago me chamar

pra dançar. Assim como aconteceu com Kyler e as vadias. Ele dançou com muitas.

Algum tempo depois iniciaram as trocas de presentes do amigo oculto.

Eu tirei Hiago, Maycon me tirou, a loira chanel tirou Maycon, Lucca tirou a tal de Maíra, que tirou Rafael, que tirou Nuli, que tirou Afonso, que tirou Roberta, que tirou Kyler, que tirou Bárbara…

Por fim ganhei um estojo de perfume do Boticário do Maycon que com toda certeza custou vezes mais do que R$50,00.

Observei que Kyler ganhou da Bárbara uma caixa contendo alguns produtos e brinquedos eróticos e algumas cuecas do tipo boxer da Tonny Hilfiger.

Bom… R$50,00 passou longe do que ela pagou por tudo aquilo.

Amei e odiei na mesma proporção quando Kyler disse que a esposa dele iria curtir bastante usufruir do presente.

(…)

O cantor volta do intervalo e reinicia com Meu Abrigo (Melin), quando Kyler me convida para dançar.

Claro que aceito, deixando-o me conduzir de mãos dadas pela pequena pista. Seu caminhar é manso e sedutor. Ele sabe o poder letal que tem junto as mulheres.

Quando nossos corpos se fundem, fecho os olhos porque é demais pra mim. Não consigo fingir indiferença. Mas no momento em que eu abro os meus olhos, vejo que os dele ainda estão fechados.

Ele sentiu o mesmo que eu. A eletricidade que percorreu o meu corpo veio do dele. Estamos no mesmo compasso. A conexão é inegável

Seus olhos têm um efeito hipnótico sob mim, que terminam quando o sinto apertar o seu corpo rijo contra o meu, um calafrio me percorre quando percebo que o seu pau está duro encostado a minha pele. Se as roupas agora fossem ao chão, em um único impulso ele me penetraria.

Nosso corpo tem um encaixe perfeito. A sua fervura alivia a minha pele gélida. Assim em minutos estamos na mesma temperatura.

Ele me abraça ainda mais forte e leva os braços a minha cintura em um aperto mais bruto. Então eu também intensifico o aperto dos meus braços em torno do seu pescoço. O que faz com que não haja mais nenhum espaço entre os nossos corpos.

Como sou alta e estou de saltos, ficamos quase da mesma altura. Nossos corações batem colados um no outro. Há a troca da nossa respiração.

Ele olha para os meus lábios e eu para os dele. Imagino que o seu gosto seja tão bom quanto o seu toque.

Droga!

Algo me diz que estou fodida.

–– Tive medo que a essa altura você já iria estar cansada de dançar.

Ele sussurra no meu ouvido.

O seu hálito é quente e tem cheiro de menta.

–– Eu? De longe você dançou muito mais do que eu. –– Você estava me observando durante esse tempo todo?

Merda!

Ele é bom em reverter as perguntas.

Convencido e lindo pra caralho, mas lógico que teria que ser perspicaz, caí na sua armadilha.

–– Difícil não notar, as alunas praticamente estavam se estapeando pela próxima dança com o professor pecado.

–– Professor Pecado?

Ele ergue a sobrancelha e leva os lábios a um sorriso sexy de lado.

Oh! Ferrada estou!

–– Senhor Pecado então?

Ele ri.

–– Tipo… você é o meu professor… respeito é bom e você deve gostar.

Bato os cílios.

–– Ouch! Senhor? Estou tão velho assim? Jurava que hoje pela manhã ainda não tinha nenhum cabelo branco ou rugas.

Rio do comentário debochado.

–– Velho não é a palavra que escolheria para descrevê-lo, professor River. Como eu disse, só é uma questão de respeito.

–– E me chamar de pecado não é uma falta de respeito?

Ele inclina a cabeça de lado me observando muito de perto.

Chame o bombeiro!!!

Estou em chamas.

Mordo o meu lábio.

–– Não é desrespeito chamá-lo de pecado, só uma constatação.

Ele balança a cabeça achando graça. Rá muito engraçado. Só que não. Fica no meu lugar pra você ver.

–– Professor River é menos ruim, sinto que remocei uns 20 anos, depois daquele seu “senhor”.

–– E como devia chamá-lo então?

Delícia? Gostoso? Tesudo?

Lol!!!

O cara me torna cada vez mais tarada. Quanto mais perto, pior é o diagnóstico.

–– Kyler está ótimo. E qual é a palavra?

–– Palavra?

–– Isso, a palavra que você usaria para me descrever.

Penso.

Hora de colocar o meu plano em ação.

É agora ou nunca.

–– Meu Pecado.

Meu????

Sério que eu disse isso?

Arregalo os olhos.

Merda, merda, merda!!!

Era pra eu dizer delícia de pecado.

Escondo o rosto no peito dele.

Me escapou pelos lábios, sem chance de segurar ou voltar atrás. Sinto calor emanando do rosto, tamanha vergonha que sinto.

Ferrei tudo?!

Fui direta demais.

A expressão no rosto dele confirma a minha suspeita. Ele parece desorientado, como se tivesse acabado de ter levado um soco no estômago. Olha para os lados para ver se alguém ouviu a minha cantada mais do que direta.

–– Isso não está certo.

Kyler segue me segurando, mas afasta seu corpo do meu, que instintivamente tenta acompanhá-lo, em vão.

Sua face é carrancuda e ele me fuzila com os olhos. É um péssimo sinal de que dei um fora dos grandes.

–– Meu Pecado é errado… são duas palavras, pedi que me descrevesse com uma.

Ainda estou com o rosto encostado nele, assim o seu peito treme junto ao meu rosto

Ele está rindo?

De mim?

Filho da puta!

Um maldito filho da puta!

Caí de novo.

Bato no ombro dele com força contida. Nossa risada é alta quando voltamos a dançar. Do nada ele toca o meu queixo e ergue o meu rosto para que eu possa olhá-lo.

–– Você também mexe comigo.

A minha respiração falha e começo a ficar ofegante.

–– Muito.

Ele fecha os olhos.

–– Você não faz ideia o quanto.

Ele completa sem desviar os olhos dos meus. Há muita verdade em suas palavras e intensidade em seus olhos.

Estou sem palavras, especialmente pela sua coxa grossa que agora faz força entre as minhas que estão bambas e praticamente rendidas.

–– Talvez eu queira exatamente isso.

Ele diz.

–– O quê?

Pergunto.

–– Ser seu e que você seja minha.

–– Não acha que estamos indo rápido demais Kyler. –– Acho.

–– E?

–– E… não consigo evitar.

–– O quê faremos então?

–– Uma única noite para matar esse desejo que está nos consumindo?

Ele propõe.

–– Mesmo você sendo casado?

Ele faz uma careta, leva a mão ao cabelo e olha para um ponto qualquer na parede.

–– Nunca fiz isso Naele. Entendo se você não acreditar, dada as circunstâncias. Mas é verdade. Nunca precisei trair a minha esposa e tenha certeza de que ela não merece isso, mas preciso provar o seu sabor. Se eu não estiver dentro de você no final dessa noite vou enlouquecer.

A menção de Laura não merecer uma traição me faz voltar a ter coragem de seguir em frente com o meu plano. O desejo de vingança é restaurado.

Estava começando a fraquejar por ele e o que desperta em mim. As últimas palavras dele foram o incentivo que eu precisava para voltar ao jogo.

–– Uma única noite.

Confirmo.

–– Não posso te oferecer mais do que isso Naele, queria eu poder. Juro por Deus, que tudo em mim deseja que eu tivesse conhecido você a 1 ano atrás, mas essa não é a minha realidade.

–– Acho que ficaremos com uma única noite então, porque quero muito que você esteja dentro de mim no final dessa noite.

Repito as suas palavras anteriores.

–– Você aceita então?

Ele me avalia inseguro.

–– Sim.

–– Tem certeza?

–– Já disse que sim.

Kyler me olha desconfiado.

–– Entendeu bem o que eu propus?

–– Uma única noite. No dia seguinte não seremos nada mais do que professor e aluna.

–– Exatamente.

–– É o certo, você é um homem casado e eu uma mulher livre. Depois dessa noite talvez eu dê uma chance ao Maycon. Ele parece ser um cara legal.

Sinto o seu corpo tensionar junto ao meu. As suas duas mãos apertam cada lado da minha cintura. E por incrível que pareça ele consegue ficar ainda mais quente. Seus olhos são esferas de fogo quando digitalizam o meu rosto.

–– Tem o costume de fazer isso?

–– Fazer o quê?

–– Trepar aleatório com caras desconhecidos?

–– Não.

–– Nunca?

–– Assim como acredito que você nunca tenha traído a sua esposa, espero que acredite que jamais fiz isso antes, mas pra tudo tem uma primeira vez.

–– E se eu disser que será a sua primeira e única vez a fazer isso?

–– Eu diria que tem o dom de prever o futuro. De outra forma como poderia saber disso?

–– Não permitindo que volte a acontecer.

–– Por que? O quê você tem a ver com isso?

–– Prevejo que a partir do momento em que eu penetrar em você… eu tenha tudo a ver com isso. –– Você está sendo contraditório.

–– Eu sei, estou ciente disso.

–– Foi você que propôs uma única vez.

–– Jamais pensei em ter uma amante.

–– Nunca me vi como uma amante.

–– Não quero que outros homens toquem em você. –– Não quero que outras mulheres te toquem também. –– Não vão.

–– Incluindo a sua esposa.

–– Isso é loucura Naele, não faz nenhum sentido. –– Pois é.

Desvencilho dos seus braços, mas ele me traz de volta.

–– Eu preciso de você.

–– Entendo bem o que diz, porque também preciso de você.

–– Vamos dar um jeito no nosso desejo insano primeiro, o resto vemos como fica depois.

–– Pra onde vamos?

Seus lábios úmidos tocam a minha orelha quando diz.

–– Quero ir pra um lugar onde possamos estar à sós e resolvermos o nosso problema.

–– Sou um problema para você?

–– Somos um problemão um para o outro Naele.

Não tenho como negar isso. Assim como fica evidente o que vamos fazer quando voltamos para a mesa onde estão todos e eu pego a minha bolsa na cadeira e Kyler a sua jaqueta, com a desculpa esfarrapada de que ele me dará uma carona.

Sinto os olhos preocupados de Lucca em mim e os incrédulos de Nuli. Tal como os invejosos das outras mulheres e os de cobiça dos outros homens.

Todavia é o olhar de Maycon que mais me incomoda. Decepção está estampada na sua face bonita.

(…)

Kyler entrega o canhoto para um dos valets e alguns minutos depois chega uma caminhonete Nissan Frontier em um lindo azul metalizado.

Os olhares de meus colegas de turma continuam travados em nós durante os momentos finais de nossa apresentação pública.

Sinceramente, me sinto em um teatro, onde somos os protagonistas de uma peça em cartaz.

Kyler respeitosamente abre a porta e me dá a mão, ajudando-me a alcançar o estribo e por fim entrar no carro.

Ele ainda acena uma despedida para o pessoal que pelo jeito permanecerá no “Última Aula”, antes de se arrepender e recolher o braço.

Acomodada no lado do carona o vejo colocar o cinto de segurança e arrancar com o carro para algum lugar que não faço ideia de onde fique.

–– Cabine dupla, mais um pouco dava pra morar aqui dentro, acho que vou desistir dos concursos e virar professora de curso preparatório.

Gosto do jeito franco e espontâneo como ele ri.

–– Paga relativamente bem, melhor do que eu esperava para falar a verdade, mas ganhava mais dinheiro no escritório de advocacia no Rio.

–– Aqui você vai ficar só por conta do curso ou vai abrir algum escritório?

–– Na verdade reinicio na filial daqui na próxima segunda-feira.

–– São os mesmos proprietários?

–– São. Todos da mesma família. Aqui estão o genro e o filho do Sr. Brás.

–– Maurício Brás?

–– Sim. Conhece?

–– Hum, hum.

–– Sério? De onde?

–– Maurício é o responsável por eu optar por fazer a faculdade de direito.

–– Posso saber por que?

–– Tivemos um lance por 1 ano.

–– Um lance?

–– É, eu não chamaria o que tivemos de namoro, éramos muito jovens.

–– Oh caralho! Ele foi o namorado que te traiu?

–– O quê? Não, o conheci antes do Josme, se eu soubesse o que iria passar, teria permanecido com ele. –– Foi você que deu um chute na bunda do Maurício? –– Mais ou menos isso.

–– Qual o motivo?

–– Apaixonei-me por um babaca, daí pra não sacanear um cara legal como o Maurício, eu separei.

–– Traição é uma merda mesmo. Não acredito que estou fazendo isso com a minha esposa, ela não merece. –– Não posso dizer o contrário. Você já disse o quanto está se sentindo culpado antes, se quiser pode me deixar em casa, certamente vou entender.

–– Desculpa, você tem razão.

–– Ok, basta virar a direita e…

–– Ei! Você entendeu errado, não tenho forças para desistir de nós Naele. Você me tem pelas bolas. Só estou dizendo que nunca pensei que trairia Laura. –– Você a ama?

–– Do meu jeito.

–– O que isso quer dizer.

–– Existem muitas formas de amar Naele.

–– E a grande maioria é pura falsidade.

–– Se não for abusar… pode me contar o que aconteceu no seu namoro com esse tal de Josme?

–– Ele me traiu.

–– Isso ficou muito claro.

–– Ele me traiu com a minha prima. A que eu mais amava e considerava mais do que uma irmã.

–– Que merda!

–– Uma grande merda.

–– Vocês moravam juntas?

–– Não. Ela veio me visitar.

–– Você o perdoou? E a ela? Quer dizer… meio que sei a resposta sobre ele.

–– Não para ambos.

–– Como conheceu a sua esposa?

–– Amigos em comum.

–– Você disse que está casado a 8 meses, mas se conhecem a apenas 1 ano. Foram rápidos, heim? –– Fomos assim como nós estamos sendo, as vezes o tempo não conta muito.

–– Como ela é?

–– Muito parecida com você. Por esse motivo mais o sobrenome que cheguei a pensar que eram parentes. –– Não somos, não tenho nenhuma Laura como membro da minha família.

–– Sim, você esclareceu isso antes.

–– A minha esposa é ruiva natural… você é?

–– Voltamos a pergunta da sala de aula?

–– Nem me fala, fiquei muito puto com aquilo.

–– Notei, só não entendi o motivo.

–– Não, fala sério Naele, precisa que eu desenhe? –– Bem… talvez.

–– Fiquei louco por você logo que pousei os meus olhos no fundo da sala.

–– Foi assim com ela?

–– Laura?

–– Sim.

–– Não. O meu lance com Laura é outro.

–– Como assim?

–– Iniciamos como amigos. Pra falar a verdade permanecemos assim. Laura é a minha melhor amiga além de esposa. É a pessoa mais digna que conheço. –– Tudo bem?

–– Claro, por que?

–– Não sei, você virou o rosto quando falei dela. –– Normal, não acha?

–– Acho, mas a sua expressão foi muito estranha, parecia raiva.

–– Pra falar a verdade pode até ser. Está indo trepar com um cara que no caminho faz esse discurso de como a esposa é perfeita não estava nos meus planos.

–– Eu em momento algum disse que ela é perfeita. Mas você tem um ponto aqui. Vamos mudar de assunto. –– Concordo.

–– Você não respondeu a minha a pergunta.

–– Sobre eu ser ruiva natural?

–– É.

–– Acho que você logo vai descobrir.

(…)

–– Você não tem aquele sotaque de pneu furado “shhh” como via na TV.

–– E você não termina toda frase com “porra meu” como eu via na TV.

Caímos na gargalhada, me sinto à vontade e ao mesmo tempo perturbada com ele ao meu lado.

As ruas vem e vão, como a sua mão pela minha coxa a cada reduzida e parada no sinal. No tempo do cambio manual devia ser bem mais divertido.

Pegamos o acesso para uma das rodovias que cruzam os limites da cidade sentido a Sumaré e logo paramos na entrada do motel “Olímpios”.

–– Pra quem não é daqui e não trai a esposa bem que você achou o caminho direitinho.

–– Na verdade eu sou Campineiro e Paulista por nascimento, morei aqui até os 12 anos, quando me mudei para o Rio e me “naturalizei” carioca por opção. –– E por que voltou?

–– Problemas de família. Mas vamos lidar com um problema por vez. Agora é hora do nosso problema.

Entramos pelo portão imitando bronze e estacionamos na garagem da casa 9. Um botão na parede faz o portão automático se fechar atrás de nós. Se era para desistir estou alguns minutos atrasada.

–– Quer mudar de ideia? Ainda dá tempo de voltar pro Maycon.

Ele parece ver através de mim, me alfinetando com essa provocação.

–– Verdade, e você ainda pode voltar para a sua esposa com a consciência tranquila por nunca a tê-la traído.

(…)

Mal entramos direito no quarto e as suas mãos estão por toda parte do meu corpo. A sua respiração é forte e permanece com sabor de menta.

Suas mãos me agarram pela cintura e me puxam para laçar o seu corpo com as minhas pernas, segurando a minha bunda em duas conchas. Entrelaço as minhas mãos na sua nuca e colo os meus seios no seu peitoral.

O nosso primeiro beijo é como o esperado, feroz e ardente. As nossa bocas chocam-se sem cerimônia. Não existe qualquer delicadeza. Ele chega a ser bruto. Do jeito que eu gosto quando estou com muito tesão. E com certeza esse é o caso agora.

–– Naele…

–– Oi?

–– Porra! Você tem um beijo incrível, mal posso esperar para saber como é o gosto da sua boceta.

Ao voltar a me beijar, ele suga os meus lábios, primeiro o de cima e depois o de baixo, onde deixa uma mordida. Nossas línguas procuram uma pela outra e não posso dizer que já vivi isso antes.

Com muito pesar afasto as nossas bocas para instintivamente tirar a sua jaqueta, o que ele me ajuda, facilitando o meu serviço.

A camisa de botões já é outra história, ela está tempo por demais no meu caminho. Assim faço os botões voarem feito tiros quando a escancaro aberta, expondo parte do seu peitoral.

–– Você é louca mulher!

–– Fala que não gosta?

Kyler não fala nada, senta na beirada da cama e me agarra com um braço pela cintura me puxando com força pro seu colo. Feito uma cowgirl habilidosa o monto sentindo o seu pau duro através do tecido grosso do jeans.

Com o outro braço alcança meu cabelo e novamente puxa minha boca sem fôlego de volta pra sua. Engolindo meus gemidos de prazer.