A Filha do Pastor das Árvores

Gillian Summers · Capítulo 5 de 6

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A Filha do Pastor das Árvores

T a a

— lo-ro-ro.

O pai gritou:

— Bom , fique longe deles.

Na cabine da cam inhonete, Knot se acom odara no banco do carona,

perto da j anela, com o se estivesse pronto para ir para Nova York. A

bandana do gato sum ira.

Keelie foi até ele.

— Ponha-se no seu lugar na nova cadeia alim entar, bichano. Sou eu

que vou perto da j anela. Se eu não for aí, vai m e dar enj oo e vou vom itar

em cim a de você.

Knot deitou-se no banco, pôs as pernas dianteiras debaixo do peito e

com eçou a ronronar. Pareceu um desafio.

Um cam inhão da Califórnia Airlines ia passando, então parou de

repente. Keelie sentiu um a onda de expectativa percorrer sua espinha. Sua

bagagem . Tinha que ser. Ela queria pular de alegria, m as se apoiou na

cabine da cam inhonete. Sabe-se lá se Sean andaria por ali.

O entregador da com panhia aérea desceu, e Keelie j á sabia, pelo j eito

com o ficou boquiaberto, que ele nunca vira nada parecido com o trailer.

Ele a olhou, depois observou de novo o chalé de m adeira na parte de

trás da cam inhonete.

— Isso parece um hotel de esqui sobre rodas.

— Eu sei — disse Keelie. — Pode cantar feito um alpícola se quiser.

Se Raven estivesse ali, as duas poderiam com eçar a cantarolar algo saído de A noviça rebelde, o m usical no qual Keelie e Laurie haviam

atuado na aula de teatro no ano anterior.

— Tenho um a entrega para Keelie Heartwood.

— Sou eu — disse ela com vontade de gritar "beleza!" e agitar o punho

cerrado no alto em sinal de vitória. A bagagem tinha chegado.

Zeke m eteu a cabeça para fora da j anela do trailer.

— É o que eu estou pensando?

O entregador tirou diversas caixas grandes com adesivos de vários

portos de escala, em seguida, pediu que ela assinasse sua prancheta ele-

trônica.

Keelie o fez sem tirar os olhos do pai, que observava a quantidade e o

tam anho das caixas. Ele ficou pálido. Hã! Era bem possível que tivesse de

trocar a casa sobre rodas por um a m otocasa Winnebago. Ela im aginou

um a sim ilar às usadas pelas celebridades do rock, com chuveiro e TV.

Perguntou-se se eram difíceis de dirigir.

O entregador apontou para o trailer.

— Cara, isso é um a obra de arte. Nunca vi tantos detalhes na m adeira.

A cor de Zeke voltou ao norm al. Ele se endireitou.

— Obrigado, m eu caro — disse o pai, fazendo um a reverência. O

suj eito o olhou de um j eito estranho.

As im agens suntuosas de televisão por satélite e de ônibus de

roqueiros esvaeceram conform e o pai solicitou que outros trailers lhes

arrum assem um lugar para as caixas.

Depois que o entregador foi em bora, Janice, Sir Davey e Scott che-garam em suas m otocasas e trailers para pegar parte da bagagem de Keelie

antes de partir. Sir Davey tinha um a Winnebago nova, bem legal. Ela

m ostrou-a ao pai.

— E disso aí que eu estou falando. Conforto m oderno.

Em resposta, Zeke arqueou a sobrancelha com desdém .

Janice dirigia um a cam inhonete, um Wagoneer. A expressão de Raven

era contrariada. Além disso, ainda eram as prim eiras horas da m anhã. A

am iga saiu do veículo.

— O que você tem ? — perguntou Keelie.

— A m am ãe. A gente vai para um a floresta aí pegar ervas silvestres.

Caram ba, vou ficar um a sem ana parada na floresta, catando um a planta

azeda para preparar um extrato fedorento.

Keelie tentou não rir. Era difícil im aginar Raven fazendo isso.

— Olha — disse ela. — A Cam eron, com Ariel e Louie. Ela conseguiu

todas as licenças para poder transportar as aves pelos estados.

Cam eron dirigia um a m otocasa enorm e, bem parecida com a de Sir

Davey , sendo que a dela tinha aves de rapina em voo pintadas nas laterais.

Ela parou. Keelie ficou na ponta dos pés, espiando, esperando conseguir

ver o falcão.

— Com o está Ariel?

— Sentindo sua falta, m as ficará bem . Então, garota, a gente se vê em

Nova York.

Zeke aproxim ou-se.

— Cam eron, nós nos encontrarem os no Festival de Wildewood.

— Ah, então até lá.

Keelie e Zeke recuaram .

— Tchau, Cam eron. Tchau, Ariel. Tchau, Louie — gritou a garota, e o

veículo das aves de rapina sum iu em m eio a um a nuvem de poeira. Ela

tentou não ficar triste; veria o falcão dali a alguns dias.

O pai j á guardara boa parte das caixas, exceto a m enor, que pôs no

Chalé Suíço. Keelie m al podia esperar para pegar as fotografias da m ãe e o

coelhinho de pelúcia.

Sir Davey observou o trailer entulhado do am igo. Acariciou o

cavanhaque com o indicador e o polegar.

— Sabe, Zeke, talvez sej a m elhor você conversar com aquele m eu

am igo de quem com prei o Winnebago quando chegar a Nova York. Você

tem que adm itir que Keelie precisará de m uito espaço.

A garota inclinou-se e abraçou Sir Davey .

— Ah, obrigada. Eu realm ente não quero dividir o beliche com Knot.

Ele solta pelos. E, pior, baba.

— Com certeza. Ninguém quer com partilhar nada com esse gato. —

Sir Davey agitou a sobrancelha para cim a e para baixo. — E com partilhar

tam pouco é o forte dele.

Zeke revirou os olhos.

— Posso reform ar o trailer para aum entar o espaço interno.

Janice enlaçou Keelie com um dos braços.

— Zeke, ao m enos considere conversar com o am igo de Sir Davey em

Nova York. — Ela abraçou Keelie com m ais força e, em seguida, sussurrou: — Nos vem os em breve.

Raven tam bém revirou os olhos.

— Pense em m im no m eio da natureza. A gente com certeza vai fazer

com pras quando eu voltar para o m undo real.

Keelie anuiu.

Janice suspirou.

— Entre no carro, Raven.

— Não quero um a caverna sobre rodas — com entou Zeke.

Keelie parou. Precisou refletir sobre aquele últim o com entário.

O pai realm ente quisera dizer aquilo? Os anões gostavam da Terra.

Será que o interior da Winnebago de Sir Davey parecia um a caverna? Ela

fitou a m otocasa, louca para dar um a espiada dentro.

— Ele tem trailers em oferta em Forest Glades, com todas as regalias

m odernas — insistiu o anão.

O pai de Keelie ergueu as m ãos, rendendo-se e, em seguida, olhou de

soslaio para a m enina.

— Vam os conversar sobre isso no cam inho.

A filha foi até ele e lhe deu um beij o no rosto.

— Valeu, pai.

Janice buzinou, e Raven se inclinou para fora da j anela a fim de

acenar enquanto a m ãe dirigia.

Keelie retribuiu o aceno.

Sir Davey colocou três caixas da m enina em sua m otocasa, e ela notou

que ele estava com os olhos m arej ados.

— A gente se encontra no Festival — com entou a garota, inclinando-se

de novo para beij á-lo na face.

O anão sorriu.

— Cuide-se e cuide do seu pai. Zeke tam bém lam enta a m orte de sua

m ãe. Ele a am ava, e não deixe que ninguém , com o alguns elfos arrogantes

que eu conheço, diga para você que não foi assim .

— Sir Davey , foi neste trailer que ele e m inha m ãe m oraram quando eu

era pequena?

Ele anuiu.

— É por isso que seu pai está com dificuldade de se desfazer dele. Sua

m ãe adorava o enfeite de biscoito de gengibre.

Sir Davey entrou na Winnebago, ligou o m otor e partiu.

Keelie contem plou o trailer esquisito de Zeke. Observou-o trancar a

porta de trás e sorriu. Ela j á m orara naquele chalé com a m ãe e o pai,

com o um a fam ília. Podia continuar a fazê-lo por m ais um tem po.

— Ei, pai, então o que podem os fazer para aum entar este chalé

am bulante?

Sua recom pensa foi um sorriso e um a expressão de alívio. Eu poderia

tê-lo convencido a com prar um a Winnebago, pensou a filha, olhando para

o pai. Quase consegui o trailer novo.

Zeke aproxim ou-se dela.

— Eu tenho um a coisa para você. Lem bra quando pediu que eu

guardasse? — Ele pegou um galho de álam o na parte de trás do veículo. —

Achei quando Scott estava fazendo as m alas. Sobrou quando fizem os a cadeira.

Ela agradeceu. O graveto fino estava seco e inútil, porém Keelie tinha

algo em m ente. Era perfeito para o experim ento no qual pensava.

— Pai, preciso de uns m inutinhos.

Ele assentiu.

— Estarei aqui.

Keelie rum ou, depressa, para o prado. A cratera provocada pela

descarga do raio fora fechada pela adm inistração, o que deixara um

enorm e rem endo na gram a. Ela foi até a parte central da área m arrom -

escura, tão estranha em m eio a todo aquele verde. Sentiu as árvores

observando-a, bem com o os outros habitantes da floresta. Meteu o graveto

na terra, afundando-o o bastante para que ficasse à altura de sua coxa.

— Hrok, trouxe um a com panheira. Espero. — Com um a das m ãos ela

segurou o graveto sem vida e, com a outra, o coração cham uscado, o qual

levava pendurado no pescoço. Sean lhe dera um a nova corrente ao se

despedir antes de ir em bora. Ele a beij ara e lhe dissera para m anter o beij o

no fundo do coração até se encontrarem de novo.

— Keelie pensou no sacrifício da rainha Álam o. Será que a soberana

atraíra o tornado e o relâm pago para si?

O coração da árvore esquentou em sua m ão. A garota atraiu a energia

até o braço. Fazia-o cada vez com m ais facilidade. A m ão que segurava o

graveto form igou conform e a energia geradora de vida passou chiando por

ela em direção ao ram o e ao solo. A terra ao redor do graveto m oveu-se, e

surgiram centenas de brotos enrolados, que se estenderam , form ando gram a.

Keelie ficou decepcionada. Queria que o graveto criasse raízes e se

tornasse um com panheiro para Hrok, um fragm ento ressuscitado da rainha

Álam o. Ao m enos a garota tornara aquela área m ais verde. O rem endo de

terra parecia um a crosta de j oelho, feio e penoso de ver.

Ela saiu dali e parou para afagar a casca do tronco de Hrok. Tchau,

m eu am igo. A gente se encontra no ano que vem .

Até m ais ver, Keliel que Fala com Árvores. Que seus anéis de idade

sem pre aum entem .

Keelie sentiu a presença do álam o em sua m ente, a energia da seiva,

os galhos voltados para o sol e o farfalhar das folhas em m eio à brisa. E, ao

redor dele, dos dem ais da floresta. E, de m ais um , em bora não um novo