A garota do calendário: Dezembro

Audrey Carlan · Capítulo 10 de 15

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A garota do calendário: Dezembro

Capítulo 9

 

— Bate o sino do Batman menino, o Robin quer também. O Batmóvel perdeu a roda e o Coringa foi embora, hey! — Isabel gritou a plenos pulmões enquanto batia em todas as portas pelo corredor.

Eu gemi, girei e me sentei.

— Nós nunca vamos ter filhos.

Wes riu, me puxou pela cintura e se aconchegou em minhas costas. Ele estava deliciosamente quente. Senti-o cutucar minha bunda com uma ereção matinal considerável.

Com um sorriso maligno, deslizei para longe e saí da cama.

— De jeito nenhum! Nã-não! Vamos guardar isso para amanhã à noite. Vou vestir uma roupa especial pra você no Natal.

— E por que isso significa que nós não podemos transar agora? — Suas sobrancelhas se uniram.

Fui até o armário e peguei as roupas que usaria hoje. Um jeans skinny escuro, botas Ugg peludas caramelo e um suéter creme com decote V. Simples, mas bonito o suficiente para encontrar meus futuros sogros e comemorar o feriado com eles.

Suspirei.

— Porque eu quero esperar. Agora vamos, levanta. Vamos tomar banho e ajudar na cozinha. A sua família vai estar aqui em poucas horas, e eu quero que a casa esteja perfeita.

Wes tropeçou ao sair da cama. Tudo o que vi foi uma boxer bordô e um pau duro. Caramba, ele era realmente sexy.

Quando me pegou olhando para ele e umedecendo os lábios, envolveu o pau e as bolas com a mão através da cueca. Tenho certeza de que, nesse momento, um fio de baba escorreu pelo meu queixo.

— Rapidinha no chuveiro? — ele perguntou, puxando minha camiseta sobre a cabeça.

Engoli em seco ruidosamente.

— Ah, sim. Rapidinha no chuveiro — cedi.

Ele riu e me empurrou para dentro do boxe.

Música de Natal. Ok.

Decoração. Ok.

Guloseimas na mesa. Ok.

Tortas esfriando. Ok.

— Como estão o peru e o resto das coisas? — perguntei a Cyndi enquanto ela esguichava algum tipo de caldo na ave dourada.

— Tudo nos conformes. Deve ficar pronto em umas duas horas. Vamos fazer a caçarola de batata, a caçarola de vagem e os pãezinhos mais perto da hora de comer.

Olhei para a árvore e arrumei alguns enfeites, querendo deixar tudo perfeito.

— Linda, relaxa. A minha mãe vai adorar — Wes falou, me pegando no ato do TOC. Um traço de personalidade que não era característico meu.

Bom, eu esperava que Wes tivesse razão. Claire Channing podia ser rica, uma socialite da alta roda, mas também era uma mãe de verdade. Ela havia criado os filhos com valores e ética. Claire também cozinhava muito bem, razão pela qual Cyndi estava fazendo a maior parte dos pratos, e não eu. Embora eu planejasse conquistá-la com minhas incríveis sobremesas.

— Eu só quero que tudo esteja perfeito — eu disse, num tom abafado.

Wes me abraçou por trás e descansou o queixo no meu ombro. Nós dois olhamos para a árvore. Tive que dar o braço a torcer. Ela brilhava como se tivesse saído das páginas de uma revista de decoração. Pelo menos eu pensava assim. Era a combinação ideal de enfeites caseiros e daqueles bonitos e tradicionais que a família Channing possuía havia anos.

— Mia, está perfeito. A única coisa com que a minha mãe se preocupa é estar com a família no Natal. Tudo isso — ele apontou para a árvore, a decoração, os presentes que eu tinha arrumado cuidadosamente — é um bônus.

Inspirei e expirei lentamente.

— Se você diz... Eu só quero que ela saiba que eu sou capaz de cuidar bem de você. Que o nosso Natal vai ter um clima familiar maravilhoso.

Ele riu em meu ombro e beijou meu pescoço.

— E vai mesmo. Você fez um trabalho incrível. — Segurei seus braços e, em seguida, o apertei ao ouvir a porta se abrir, seguido por passos no hall de entrada. — Eles chegaram. — Wes sorriu e deu um beijo no meu pescoço antes de perseguir um foguetinho loiro pelo corredor para cumprimentar sua família.

Esperei alguns minutos, ajustando os enfeites da mesa de centro uma última vez, conforme todos eles entravam.

Weston Channing Segundo apareceu primeiro, os braços abertos quando me puxou para um enorme abraço de urso.

— Mia, feliz Natal. Onde está a bebida? Vamos precisar depois dessa aterrisagem. Juro por Deus, o piloto deve ter tirado o brevê por correspondência, a julgar pela maneira como manobrou na turbulência. Miserável.

Max levantou uma garrafa de vinho e uma cerveja.

— Está na mão, sr. Channing — falou.

— Essa é a minha deixa — Weston Segundo disse, depois de beijar meu rosto e sair para encontrar meu irmão. Não havia necessidade de fazer as apresentações. Max podia se virar sozinho.

Claire entrou na sala, empurrando o cabelo loiro-claro para trás.

— Mia, que bom ver você. — Ela se aproximou e me abraçou. O cabelo dela estava frio em meu nariz, e eu inspirei seu cheiro familiar de pêssego, damasco, rosa e musk. Quando se afastou, seus olhos estavam arregalados. Lentamente, ela caminhou pela sala. Seus dedos delicados tocaram um laço brilhante, acariciaram a guirlanda acima da lareira, até que ela parou abruptamente na frente da árvore, pegando um enfeite caseiro. — Incrível. O chalé não ficava assim, tão alegre, há anos. Onde você arranjou tempo para fazer tudo isso? — ela perguntou.

A tensão que eu estava sentindo aumentou e entrou em erupção quando contei a ela que Wes tinha me levado para cortar minha primeira árvore.

— Sua primeira árvore de Natal? Não acredito.

Mordi o lábio e desviei o olhar, sem saber como lidar com minha criação fajuta. Maddy se aproximou, passou o braço ao redor do meu ombro e estendeu a outra mão.

— A nossa família não ligava para o Natal, mas nós duas ligamos. Eu sou a Madison, irmã da Mia. Ouvi tantas coisas maravilhosas sobre você, sra. Channing.

Madison Saunders, sua amiga, vai salvá-la do perigo! A velha música do Super Mouse soou em minha mente. Apertei a cintura da minha irmã, agradecendo-lhe em silêncio pela mudança de assunto. Eu não gostava de falar sobre o que não tivemos na infância, especialmente com alguém que sempre teve tudo. Isso me fazia sentir diminuída, embora eu soubesse que não deveria. Eu nunca tive escolha.

Claire e Maddy trocaram algumas palavras, até minha sogra olhar mais de perto para a prateleira acima da lareira. Ela tocou os castiçais de prata com a ponta dos dedos.

— Meu Deus, era aqui que eles estavam! — Ela ofegou. — Weston, lembra desses castiçais? — falou, alto o suficiente para o grandalhão ouvir.

Ele veio para o lado da esposa e colocou o braço em volta da sua cintura.

— Presente de casamento dos meus pais. Eu me perguntava por que nunca mais os tinha visto. Agora me lembro. Nós os trouxemos pra cá para celebrar o nosso primeiro Natal com as crianças, lembra?

Ela levou a mão à testa.

— Ah, querido, agora me lembro. Passamos anos procurando e eles estavam aqui o tempo todo.

— Eu encontrei esses castiçais com alguns outros enfeites numa caixa de torradeira. — Sorri.

— Bem, isso explica tudo. — Ela revirou os olhos e encarou o marido. — Quem poderia imaginar que castiçais inestimáveis estariam em uma velha caixa de torradeira? — Riu e bateu no ombro dele, claramente o culpando pelo contratempo.

— Você acha que fui eu que fiz isso? — ele riu, a culpa nítida em seu tom.

— Quem mais? As crianças eram bebês. — Ela balançou a cabeça e olhou para os objetos decorativos. — Independentemente de como aconteceu, estamos muito felizes por você ter encontrado esses castiçais.

— Eu acho que eles deviam ficar expostos o ano todo. Se são tão importantes para vocês, fazem vocês se lembrarem de um dia ou de pessoas especiais, por que não enfeitar a casa com eles o tempo todo? — Dei de ombros, seguido por uma sensação instantânea de calor que deslizou pela minha coluna quando percebi o que havia dito. Merda. Mia sem filtro, a seu dispor. — Quer dizer... hum, se vocês quiserem.

Fechei os olhos e senti o rubor invadir meu peito, pescoço e bochechas.

— Você tem toda razão. Quando nós formos embora, vamos levar os castiçais e colocá-los em cima da lareira em casa, Weston.

— Como você quiser, querida. — Ele beijou sua testa.

Ufa! O tiro desviou.

Claire se virou e entrelaçou o braço no meu.

— Você é uma moça muito inteligente. Agora, será que essa moça esperta pode conseguir uma taça de vinho para esta velha aqui? O voo foi um pesadelo absoluto. — Ela fez uma careta. Até sua carranca era refinada e bonita. Provavelmente porque era de brincadeira e não durou muito.

Wes estava certo. Eu tinha me preocupado em impressioná-los, o que consegui, mas não foi isso que eles vieram procurar aqui. Eles queriam conhecer nossa família, tanto quanto nós queríamos nos conectar com a deles.

 

Duas horas e algumas taças de vinho mais tarde, o jantar foi servido. Cyndi e Max se superaram. Um prato estava melhor que o outro. O peru estava suculento, e o molho, sublime. Tenho certeza de que comi meu peso em peru recheado.

A mesa estava alegre e animada. Exatamente do jeito que eu queria. Eu me sentei entre Maddy e Wes. Juntos, vivemos a magia de estar com os entes queridos.

— Temos uma família agora, Mads — sussurrei para ela.

Sua voz soou baixinha quando ela se inclinou para mim.

— Eu nunca pensei que teríamos algo tão bonito. Nunca vou esquecer.

Apertei sua mão.

— Nem eu.

— Ei, o que vocês duas estão cochichando aí? — Wes perguntou, brincando.

Balancei a cabeça.

— Nada. Só estamos adorando a noite.

Ele se inclinou e roçou os lábios nos meus. Cada beijo de Wes queria dizer alguma coisa. Este, porém, foi o melhor. Porque foi durante a ceia de Natal, com nossas famílias reunidas pela primeira vez.

Peter, o marido de Jeananna, pigarreou alto e ficou de pé, segurando sua taça de vinho, então bateu gentilmente com a faca no cristal.

Todos os olhares se voltaram para ele, que colocou a taça sobre a mesa e a mão no ombro de Jeananna.

— Nós queremos fazer um anúncio.

Os olhos de Claire imediatamente se encheram de lágrimas. Jeananna abriu um sorriso tão grande que deu para ver sua gengiva.

— Vá em frente — sugeriu ao marido, com a voz embargada, enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto.

— Nós estamos esperando um bebê! — Peter disse.

Antes de a palavra “bebê” ser totalmente pronunciada, Wes e Claire se levantaram e correram até o outro lado da mesa.

— Que legal! — Maddy falou, erguendo o champanhe. Encostei a taça na dela e nós duas bebemos.

— Parabéns, pessoal. Isso é incrível! — eu disse.

Wes abraçou a irmã e a levantou do chão.

— A Mia e eu estamos muito felizes por você.

Naquele momento, percebi todo o significado do “Mia e eu”. Nós não estávamos apenas juntos. Éramos parte de um nós, uma equipe. Assim que nos casássemos, na próxima semana, seríamos referenciados como “os Channing”. Eu nunca tinha sido parte de algo assim. E precisava admitir, enquanto observava Wes abraçar sua família e acariciar a barriga, ainda lisa, da irmã, que ser parte de algo maior, uma família amorosa, realmente era o que importava. Eu entendia agora.

Na véspera de Natal, estar com Max e sua família, Maddy com o noivo e a família de Wes, me abriu os olhos. Eu já não estava nadando em uma lagoa pequena com apenas duas pessoas para alcançar. Agora eu estava num oceano de possibilidades, e todos ao meu redor estavam dispostos a dar uma mão ou jogar uma boia salva-vidas quando as águas ficassem muito difíceis de atravessar.

Eu estava feliz. Verdadeira, maravilhosa e absolutamente feliz.

 

Na manhã seguinte, todos nos sentamos ao redor da árvore de Natal, vendo Isabel enlouquecer com a montanha de presentes que o Papai Noel tinha trazido. Isso para não falar daqueles que Maddy e eu havíamos comprado para ela, assim como Claire e Jeananna. Elas estavam loucas para ter um pretexto para comprar presentes para uma garotinha, e mergulharam nisso de cabeça.

— Ainda bem que você tem um avião particular, Max. — Eu ri, vendo Isabel abrir mais uma parafernália da Barbie e gritar de alegria, do mesmo jeito que fez com cada presente.

Max soltou um longo suspiro.

— Mana, você tem razão. Vamos lotar o compartimento de bagagens só com os presentes dela.

Em seguida, fomos surpreendidos por um grito alto.

— Papai! Eu ganhei uma coroa de verdade, que nem a da princesa! — Isabel correu e exibiu seu mais novo presente.

— Uau, é muito bonita, Bell. — Os olhos de Max se estreitaram. — Espere um minuto, me deixe ver isso. — Ele pegou o objeto. Era uma tiara, não uma coroa, mas isso não fazia diferença para uma criança de quatro anos. Max a estudou à luz das janelas. — Quem te deu isso, meu amor?

Balancei a cabeça, porque eu tinha dado as coisas barulhentas da banda de rock da Barbie. Maddy apontou para o cavalete de pintura e as aquarelas. Claire indicou um presente ainda fechado, assim como Jeananna.

— Me deixe ver, lindinha — eu disse, e ela me entregou a tiara, dando pulinhos em seu macacão de dormir.

A tiara era incrustada de cristais. Olhei para o interior e notei a marca. Swarovski. Puta merda. Eram cristais verdadeiros. Mulheres ricas usam tiaras desse tipo em casamentos ou em bailes à fantasia; não era uma daquelas de mentira que se encontram na área de fantasias infantis de lojas de departamentos.

— De quem era o nome no pacote, meu amor? — perguntei.

Isabel deu de ombros e colocou a tiara na cabeça, os dentes de metal afundando em seus cachos. Ela levou as mãos ao peito e girou, como só uma princesa de verdade pode fazer. Se ela estivesse usando um vestido de baile, eu mesma teria acreditado.

Wes se sentou no braço do sofá e me entregou uma xícara de café. Ele estava delicioso de calça de flanela xadrez e camisa térmica branca. Se eu não o tivesse devorado na noite passada, estaria babando agora. A pontada de dor entre minhas pernas me fez lembrar da força com que ele me tomou, mas isso não mudava nada em meus planos. Ele podia ter conseguido me fazer desistir de tentar banir o sexo até esta noite, mas hoje eu sairia vencedora.

— Estou vendo que você encontrou o meu presente. Ficou linda em você, Bell — ele disse para nossa sobrinha.

Max e eu olhamos feio para Wes. Maddy riu e balançou a cabeça. Claire sorriu docemente.

— Que foi? — Wes perguntou, absolutamente alheio ao choque que seu presente ridiculamente caro tinha causado.

— Você comprou uma tiara de cristal Swarovski original para uma menina de quatro anos? — perguntei.

Ele olhou de um lado para o outro. Ninguém falou nada.

— Bom, sim... Ela adora ser princesa. E uma princesa de verdade precisa de uma coroa apropriada. As das lojas de brinquedos eram medonhas. Dava até pra ver a cola. Já essa — ele apontou para a tiara brilhante da Bell —, o joalheiro me garantiu que não desmonta. Foi feita pelo artesão mestre.

— Você não tem jeito. — Eu ri e balancei a cabeça. Podia apostar que a coroa custava mais do que uma passagem de ida e volta para a Europa.

Ele deu de ombros, não concordando muito.

— Olha pra Bell. Ela adorou. Você só está com inveja porque o meu presente é mais legal que o seu.

Dei um tapinha na coxa dele.

— Isso mesmo, baby. Eu estou com inveja — falei, em tom apaziguador.

Wes sorriu, ficou de joelhos e remexeu entre os presentes. Encontrou o restante do que havia comprado e passou um para cada pessoa. Achei que os presentes que eu comprei fossem de nós dois, mas aparentemente não. Ele resolveu fazer suas próprias compras. Anotação mental: discutir as compras de Natal com o marido no próximo ano, para não comprarmos dois presentes para a mesma pessoa.

— Não fique com ciúme. Eu comprei uma coisa brilhante pra você também.

Levantei a mão direita, mostrando meu anel de noivado.

— Eu já tenho uma coisa brilhante.

— Esse aí não foi presente de Natal. Vamos, abra.

A caixinha estava embrulhada em papel vermelho e dourado. Eu o rasguei e encontrei um estojo de joia. Olhei para Wes e franzi a testa. Ele sabia que eu não sou o tipo de garota que espera um monte de joias, nem as deseja.

— Confie em mim. — Ele traçou a lateral do meu rosto com o dedo e ajeitou meu cabelo atrás da orelha, como sempre fazia.

Dentro do estojo havia um colar com um coração de platina. O pingente não era completamente reto, mas inclinado nas bordas. O centro era vazado, de modo que a pele ou a roupa ficava visível. A peça era deslumbrante.

— Vire e leia o que está escrito. — Seu joelho balançava para cima e para baixo, por animação ou nervosismo. Eu me atreveria a apostar que era animação.

Você é a dona do meu coração.

 

A frase fluía ao longo da linha fina do coração. Simples, mas com um significado muito profundo. Engoli em seco, e meu coração de verdade ficou apertado.

— Gostou? — ele perguntou.

Fechei os olhos e tentei não chorar. Eu não queria que o restante da família me visse em lágrimas, toda sentimental. Em vez disso, me levantei, segurei suas bochechas e grudei a boca na dele. Por alguns minutos, nós nos beijamos na frente de uma sala cheia de gente. Nossa família. E foi bom para eles irem se acostumando, porque Wes e eu ainda iríamos fazer muitas demonstrações públicas de afeto. Em momentos como aquele, eu não era capaz de me segurar.

— Guardem isso para o casamento! — Max gemeu, alto o suficiente para me lembrar de onde eu estava.

Eu me afastei. Os olhos de Wes estavam num tom de verde brilhante.

— Ela gostou — ele sussurrou.

Tentando controlar as emoções, pedi ajuda a Isabel para encontrar, entre o monte de embrulhos, o presente de Wes.

Entreguei a ele a caixa um pouco maior do que a que tinha me dado. Ele sorriu e rasgou o papel da mesma forma que Isabel fizera. Isso me esclareceu algo mais sobre aquele homem: ele adorava ganhar presentes. Tomei nota disso para referência futura, já que planejava mimá-lo absurdamente em seu aniversário, se isso lhe proporcionasse aquele nível de alegria.

Ele abriu a caixa e encontrou um relógio banhado a ouro branco com pulseira marrom grossa.

— Mia, que incrível. Vou usar muito! — ele falou, entusiasmado.

— Vire — ordenei.

Na parte de trás, em uma letra caprichada, havia três linhas de texto.

Porque você se lembrou de mim...

Eu sou sua.

Mia

 

Ele engoliu tão lentamente que eu não tinha certeza de como interpretá-lo.

— Só ganhei um presente até hoje que considero melhor do que este. — Ele inspirou e levantou a cabeça. Seus olhos estavam suaves e cheios de alegria. — O presente do seu amor.

Sorri e o beijei novamente.

 

Muito mais tarde naquela noite, abri a porta do banheiro, vestindo o último presente de Natal de Wes. Meus seios estavam envoltos num sutiã meia-taça de veludo vermelho com bordas brancas e felpudas. A parte de baixo era uma saia minúscula com pelinhos brancos que não cobriam minha bunda completamente. Enfiei as pernas em uma meia-calça sete-oitavos vermelha e calcei sapatos pretos envernizados de salto agulha. Não eram sapatos para caminhar, e sim para trepar. Meu cabelo era um aglomerado de cachos negros caindo pelas costas, chegando quase até a lombar. Para completar o visual, eu havia colocado um gorro de Papai Noel.

Encostei na porta do banheiro, a luz atrás de mim brilhando sobre a cama. Wes estava deitado ali, completamente nu, com o pau já duro e úmido.

Porra! Eu queria lamber aquela ereção da base à ponta. Levá-la fundo dentro de mim e mostrar quanto o dia de hoje tinha significado para mim. Quanto ele havia mudado minha vida para melhor. Fazê-lo sentir isso com cada impulso, cada beijo, cada toque, do mesmo jeito que eu o sentia até a medula.

Tentando me manter sã, arqueei as costas de um jeito provocante.

— Você foi um menino bonzinho ou levado este ano? — baixei a voz, me certificando de que ele ouvisse o desejo em cada palavra.

Ele ofegou ao me ver.

— Puta merda...

— Hummmm... se comportou mal, então? — sorri, maliciosa.

Ele estendeu os braços e cerrou os punhos, como se não conseguisse se conter.

— Os dois! Agora venha aqui que eu quero desembrulhar o meu presente — ele grunhiu enquanto acariciava seu pau grosso. Eu queria ficar de joelhos e engatinhar até ele, então fiz exatamente isso. Ele perdeu a cabeça... e eu perdi a minha.

No fim das contas, meu namorado era definitivamente levado, mas, ah... tão bom.