A garota do calendário: Dezembro

Audrey Carlan · Capítulo 12 de 15

Páginas do PDF

A garota do calendário: Dezembro

Epílogo

 

 

Weston

No momento em que você olha nos olhos da pessoa com quem vai passar o resto da vida, a ficha cai. Essa é a última mulher que você vai beijar. A última com quem você vai se deitar em uma cama com lençóis macios. Aquela que vai seguir a seu lado por todos os dias que te restam neste mundo. Há algo muito definitivo nisso. Só que não parece o final. É mais um alívio. Como se você tivesse trabalhado por um milhão de dias seguidos e finalmente percebesse que alcançou seu objetivo. Esse é o objetivo. Esse momento é o final feliz. Para nós dois.

Mia. Quando ela pisou no deque de madeira, de braços dados com o irmão, tudo desapareceu...

O som das ondas do mar... não estava mais lá.

Os convidados olhando para ela, vestida de branco, descendo as escadas descalça e iniciando a caminhada pelas pedras... não estavam mais lá.

Minha irmã parada ao meu lado... não estava mais lá.

O padre... não estava mais lá.

Não havia nada além da Mia. Nunca vai haver nada além dela. Ela é a minha razão de existir. Eu não estaria aqui hoje se não fosse por ela.

Seus passos eram determinados, acompanhando a música, que eu já não podia ouvir. Um passo à frente do outro. Seu vestido era simples e elegante. Não muito diferente da mulher que o vestia. Tinha alças finas que delineavam o V do decote e uma linha de cristais nas bordas. Eu amava o porte dela. A forma de ampulheta com curvas suculentas. O vestido se ajustava à cintura fina e descia abrindo, ondulando na brisa de janeiro. O tempo em Malibu estava ameno, um dia incrivelmente bonito e ensolarado, com vinte e cinco graus. O dia mais importante da nossa vida.

Seus ombros, braços, pernas e pés estavam à mostra. Os únicos pontos de cor eram as ondas negras do cabelo, o cor-de-rosa das unhas e o vermelho dos lábios deliciosos. E, claro, havia os olhos.

Meus amigos brincavam dizendo que era o corpo da Mia que me deixava de quatro, mas não era. Eram seus olhos. O tom mais claro de verde, como ametista, se eu tivesse que escolher uma pedra para comparar.

Aqueles olhos me hipnotizaram desde o primeiro dia, assim que ela tirou o capacete sobre a moto e o sol atingiu suas íris. Eu soube então que ela poderia ser o meu fim. O que eu não sabia, porém, era que ela também era o início e o meio. Eu não queria viver num mundo em que a Mia não existisse. Ela iluminava os dias sombrios, transformava os difíceis em fáceis e os bons em maravilhosos. Não havia nada que eu não fizesse pela mulher que caminhava em minha direção, pronta para me aceitar em sua vida, como seu marido. Eu só podia esperar ser tudo que ela precisava. Agora e em todos os dias que estavam por vir.

— Weston Charles Channing Terceiro, você... — o padre começou e Mia repetiu “Terceiro” com os lábios. Disfarcei o riso fingindo tossir enquanto o sacerdote continuava.

— Comporte-se — sussurrei, baixo o suficiente para que só ela pudesse ouvir.

Ela piscou para mim quando o padre chegou à minha parte.

Olhei fixo nos olhos da minha garota e disse a palavra do fundo do coração:

— Aceito.

Assim que terminei, ela me presenteou com um de seus largos sorrisos. Do tipo que não é planejado ou pensado. Eu vivia para testemunhar esses sorrisos inesperados e maravilhosos.

— Mia Saunders, você... — o padre repetiu a pergunta, agora para ela, mas era um ruído de fundo. Até que a boca da Mia se moveu.

— Aceito — ela disse, umedecendo os lábios e mordendo o inferior.

Eu queria apressar o homem para chegar à parte boa. A parte em que ele a fazia minha. Legalmente.

Como prometido, trocamos alianças simples de platina. Mia não era o tipo de mulher que gosta de exibir diamantes. Não. A minha garota queria viver com o vento no rosto e o velocímetro se elevando a níveis assustadores. Como eu era o tipo de homem que dá à sua mulher o que ela quer e não deseja nada além de fazê-la feliz, seu presente de casamento estava estacionado na calçada.

Não economizei e comprei a MV Agusta FCC na qual ela vivia babando. Sim, eu fucei o histórico dela na internet. Uma coisa engraçada sobre essa mulher. Você esperaria ver links para sites como Victoria’s Secret e Bloomingdale’s, mas a minha garota não. A maioria de suas pesquisas era sobre destinos de lua de mel e motos.

Sorri conforme o padre continuava falando. Meus dedos tremiam de antecipação enquanto eu segurava as mãos dela, esperando a parte que selaria o nosso “para sempre”.

— Pode beijar a noiva.

Ele nem bem terminou de falar e eu já estava segurando as bochechas da minha garota e devorando sua boca. Tinha gosto de menta e champanhe. Absolutamente deliciosa. Inclinei a cabeça e lambi seus lábios, brincando com sua língua na minha. Um gemido suave lhe escapou conforme ela derretia com o beijo, agarrando meus ombros, se aproximando mais. Eu vivia para experimentar o momento em que ela me agarrava forte. Provava que cada beijo significava tanto para ela quanto para mim.

Eu não queria soltá-la nunca mais. E a melhor coisa de se casar com a mulher que você ama é saber que nunca vai precisar fazer isso.

Durante o ano que se passou, ao lado da Mia e com a influência dela, eu também aprendi a confiar na jornada. Só que, pensando bem, a jornada nunca termina de fato. Cada dia pode ser o início de uma nova jornada. Uma nova vida. Com Mia, nossa família e os amigos que fizemos ao longo do caminho... nossa jornada estava apenas começando.

 

Fim

Mais ou menos...