A Nuvem Envenenada
6. O Grande Despertar
Estamos chegando ao fim desta extraordinária aventura, de incomparável importância não só no âmbito restrito das nossas vidas, mas sim no da história inteira da raça humana.
Como eu já disse ao começar o relato, quando esta história puder ser escrita de forma completa, destacar-se-á entre os demais acontecimentos como uma montanha cercada de pequenos morros. Só o futuro poderá dizer por quanto tempo permanecerão os seus efeitos, isto é até quando a humanidade saberá guardar a lembrança da humildade e sabedoria que lhe foram ensinadas pelo terrível golpe. A meu ver, acho impossível que possamos voltar completamente ao passado. Ninguém pode medir ao certo a extensão da sua própria ignorância e impotência, e até que ponto é mero joguete dominado por uma mão invisível, até esta mão aparecer para esmagá-lo e matá-lo.
A morte passou muito perto da gente, e sabemos que poderá voltar a qualquer momento. A sua indesejável presença deixa uma nota sombria sobre a vida; mas é possível que, devido a esta sombra ameaçadora, o sentido do dever, o sentimento da medida e da responsabilidade, a consciência da gravidade dos escopos da vida, o desejo de melhorar e desenvolver-se, tenham aumentado até se tornarem presentes numa medida nunca vista antes na nossa sociedade.
E isto é algo acima e além de qualquer crença ou dogma. É alguma coisa que lembra, digamos assim, uma mudança de perspectiva, uma melhora no nosso sentido das proporções, uma repentina constatação da nossa condição de criaturas insignificantes e evanescentes que podem ser varridas da terra por uma força desconhecida e insondável.
E se o mundo, depois disto, tornou-se mais sério, nem por isto tornou-se menos desejável. As diversões mais sóbrias e comedidas de hoje proporcionam sem dúvida alguma mais satisfação do que as ruidosas loucuras que antigamente chamávamos de divertimentos, naquele tempo que agora parece pertencer a outra época mas que na realidade ainda está muito perto de nós.
A vida, que costumávamos desperdiçar em vãs e fúteis visitas sociais, no contínuo desejo de cada vez maiores e nem sempre necessárias comodidades, no preparo e ingestão de comidas abundantes e monótonas, tornou-se agora mais saudável uma vez que é dedicada à leitura, à música, às simpáticas reuniões familiares segundo uma mais simples e sábia divisão do tempo. O povo, atualmente, não só é mais sadio e se diverte mais, como também é mais rico embora o preço da vida tenha-se tornado indubitavelmente mais caro.
Não há concordância no que diz respeito à hora exata do grande despertar. Por via de regra, e sem contarmos a diferença entre os relógios, acredita-se que houve causas locais capazes de influenciar de alguma forma o efeito do veneno.
Ao que tudo indica, a ressurreição foi praticamente simultânea em toda parte. Várias testemunhas afirmam que naquele momento os mais conhecidos relógios de Londres marcavam as seis e dez. O astrônomo real diz que em Greenwich eram as seis e doze. Outro famoso observatório, por sua vez, diz que eram as seis e vinte. Nas ilhas Hébridas, o despertar aconteceu às sete. Quanto ao nosso grupo, não há a menor dúvida, pois eu estava sentado no escritório de Challenger e tinha na minha frente o seu excelente cronômetro: eram exatamente as seis e quinze.
Uma grande depressão pesava sobre o meu espírito. Ainda estava me ressentindo das pavorosas cenas que tínhamos visto durante a viagem a Londres. Era uma novidade, para mim, pois a minha saúde sempre me permitira manter uma perfeita lucidez mental diante de qualquer circunstância. Como bom irlandês, sempre consegui ver algum aspecto cômico até mesmo nas situações mais graves. Naquela hora, no entanto, sentia-me de fato muito abatido.
Os companheiros estavam no andar de baixo, conversando sobre os planos de cada um para o futuro. Sentei-me ao lado da janela aberta, com o queixo apoiado na mão e a mente ocupada a avaliar a gravidade da situação. Seria possível continuar a viver? Esta pergunta parecia não querer parar de martelar na minha cabeça. Seria possível continuar existindo num mundo morto?
Assim como na física um corpo menor é atraído por um corpo maior, não seria possível que o nosso pequeno grupo fosse atraído de forma irresistível por toda a humanidade passada para o desconhecido? Como é que o nosso fim chegaria? O veneno iria voltar? Ou então a terra tornar-se-ia inabitável devido aos miasmas pestilentos? Poderia a nossa situação única acabar afetando a nossa mente? Imaginem só um grupo de loucos à solta num mundo sem habitantes!
O meu raciocínio estava esmiuçando esta última idéia aterradora quando um leve ruído fez com que eu observasse a estrada perto da casa. Pois bem: o velho pangaré estava mais uma vez se mexendo e subia agora lentamente pela colina!...
Na mesma hora percebi que os pássaros haviam recomeçado a esvoaçar e que alguma coisa estava se mexendo no pátio e nos campos. Mas o que mais ficou gravado na minha memória foi o velho cavalo ossudo que mais uma vez puxava a carruagem colina acima.
Dirigi então a minha atenção para o cocheiro na boleia e para o jovem debruçado na janela. Este parecia bastante agitado, quase estivesse tentando dar alguma explicação ao homem com as rédeas. Não havia dúvidas: estavam todos vivos, no verdadeiro sentido da palavra!
Teria sido tudo aquilo apenas ilusão? Seria então possível que toda aquela história de nuvem mortífera não passasse de mero, embora bastante complexo, sonho?
Por um instante o meu cérebro cansado quase chegou a acreditar nisto. Mas aí olhei para a minha própria pessoa, e reparei na longa marca lívida deixada pela corda do sino da igreja de Holy Mary. Quer dizer que os fatos haviam realmente acontecido. E por outro lado, lá estava a vida a ressurgir à minha volta, lá estava o mundo ressuscitando.
Os meus olhos percorriam todo o amplo cenário, e cada coisa recomeçava a mexer-se e a viver! Eis ali, por exemplo, os jogadores de golfe. Possível que estivessem, novamente dando as suas tacadas, como se nada tivesse acontecido? Podia ver os movimentos deles, e a babá já estava segurando pela mão a menina, e empurrava mais uma vez o carrinho. Em resumo, cada um voltara às ações que haviam sido interrompidas pelo inesperado halo venenoso.
Desci correndo para o térreo; mas a porta já estava escancarada e ouvi as vozes dos companheiros–vozes festivas–no pátio. Nem vou lhes contar os apertos de mão e as alegres risadas quando ficamos juntos! Levada pela emoção, a senhora Challenger beijou todo o mundo antes de deixar-se cair nos braços do marido.
“Não posso acreditar que todas aquelas pessoas que vimos estivessem apenas dormindo”, exclamou Lord John. “Olhe para mim, Challenger: não vai querer convencer-me de que aquele pessoal todo que vimos estava somente adormecido, quando na verdade mostrava todos os sinais típicos da morte...”
“Poderia ser o fenômeno conhecido como catalepsia”, disse Challenger. “Trata-se de um fenômeno relativamente raro e que antigamente costumava ser confundido com a morte. Quando acontece, a temperatura do corpo precipita, a respiração fica inaudível assim como o batimento cardíaco; tem de fato toda a aparência da morte, mas não se trata, no entanto, de uma morte definitiva. Nem mesmo a mente mais aberta”, e aqui suspirou fechando os olhos, “pode conceber a possibilidade de uma catalepsia que afete ao mesmo tempo toda a humanidade...”
“Dê-lhe o nome que bem quiser”, comentou Summerlee, “mas desta forma o senhor estará simplesmente dando uma definição, e nós continuaremos sem nada saber do resultado, assim como nada sabemos do veneno que provocou isto tudo. Só podemos afirmar que o ar poluído provocou uma morte temporária...” 1
Agostinho estava sentado no estribo do carro e parecia não conseguir parar de bocejar. Até agora tinha ficado calado, mas de repente começou a falar sozinho examinando cuidadosamente o veículo.
“Macacos me mordam!”, exclamou resmungando. “Será possível que não me possa afastar nem um momento sem que apareça algum estrago?”
“O que foi, Agostinho?”
“Há uma peça que não está funcionando, senhor. Alguém mexeu no carro. Deve ter sido um garoto, e acho que já sei quem é.”
Lord John tinha a culpa estampada no rosto.
“Não sei o que houve comigo”, continuou Agostinho quando ficou de pé. “Para dizer a verdade, já não me sentia muito bem quando me aproximei do automóvel, mas sei com certeza que não mexi na peça que agora não funciona.”
Relataram da forma mais concisa possível o que havia acontecido a Agostinho e ao resto da humanidade. Também encaixaram na explicação o mistério da peça enguiçada.
Ao ouvir que um amador tinha dirigido o seu carro, o motorista mostrou-se totalmente desgostoso, mas não soube esconder o seu interesse quando lhe contaram o que haviam visto em Londres. Lembro que no fim perguntou:
“Passaram por perto do Banco da Inglaterra?”
“Passamos.”
“Com todos os milhões que há lá dentro, e com todo o mundo dormindo?”
“Isso mesmo.”
“E eu não estava lá!”, resmungou. Aí voltou a dedicar a sua atenção ao automóvel.
Ouviu-se então o ruidoso ranger de rodas no cascalho. O velho carro puxado pelo pangaré tinha finalmente chegado à casa de Challenger. Vi um jovem que saía apressadamente da viatura e, logo em seguida, ainda abobalhada como se estivesse acordando após um longo sono, a criada chegou com um cartão de visita sobre uma bandeja.
Ao ler o pedacinho de papel, Challenger ficou uma verdadeira fúria: quase parecia que a sua floresta de cabelos negros quisesse eriçar-se para formar uma ameaçadora juba na sua cabeça.
“Um repórter!”, rugiu. Mas aí, com um sorriso forçado, acrescentou: “Bom, afinal de contas é normal que venham logo correndo para saber o que penso sobre o acontecido”.
“Não creio que seja esta a finalidade daquele jovem”, observou Summerlee, “pois já estava a caminho quando a crise começou...”
“Dei uma olhada no cartão. Pude ler: “James Baxter, correspondente londrino do New York Monitor”.
“Vai recebê-lo?”, perguntei.
:’Nunca!”
“Ora, querido! Procure ser um pouco mais gentil com os outros, pois o que aconteceu certamente deve ter-lhe ensinado alguma coisa.”, comentou a senhora.
Ele sacudiu a cabeça.
“O que pretendem, estes jornalistas? Nunca mostraram simpatia alguma por mim...”
“E quando foi que o senhor mostrou simpatia por eles?”, perguntei sorrindo. “Vamos lá, meu bom amigo: temos aqui um estrangeiro que fez uma longa viagem só para entrevistá-lo, e o senhor não tem o direito de mostrar-se indelicado.”
“Está bem”, resmungou. “Venha comigo. O senhor mesmo poderá falar. Protesto desde já contra estas inqualificáveis invasões da minha privacidade.”
Aí, sempre resmungando e bufando, acompanhou-me.
O jovem americano tirou o caderninho do bolso e foi logo ao assunto.
“Vim até aqui, meu senhor”, disse, “porque na América todos gostariam de saber algo mais preciso acerca do perigo que, segundo aquilo que o senhor mesmo afirmou, estaria ameaçando o mundo.”
“Que eu saiba”, respondeu Challenger, ainda irritado, “não há perigo algum que esteja ameaçando o mundo neste momento!”
O olhar do repórter demonstrou uma evidente surpresa.
“Estou me referindo, senhor, à possibilidade de o mundo ser tragado por uma enorme nuvem venenosa.”
“Neste momento, não receio minimamente esta eventualidade!”, disse Challenger, todo empertigado.
O repórter parecia cada vez mais perplexo.
“Mas o senhor é o professor Challenger, não é?”, perguntou num tom hesitante.
“Sim senhor, é assim que me chamo.”
“Não posso entender, então, como pode dizer que tal perigo não existe. Estou falando da carta que o senhor mandou ao Times de Londres, e que foi publicada hoje de manhã.”
Quem ficou surpreso, desta vez, foi Challenger.
“Hoje de manhã?”, perguntou. “Nenhuma edição do Times chegou às bancas, hoje de manhã.”
“Claro que sim!”, exclamou o americano, um tanto ofendido. “O senhor deve admitir que o Times é um jornal diário, e que portanto hoje também foi publicado.”
Nesta altura tirou um exemplar do jornal do bolso interno do casaco: “Aqui está a carta à qual estou-me referindo.
“Acho que estou começando a entender”, disse Challenger. “Quer dizer que o senhor leu a carta hoje de manhã?”
“Sim senhor.”
“E veio logo procurar-me.
“Exatamente.”
“Reparou em alguma coisa diferente, em algo fora do comum, durante a viagem?”
“Para dizer a verdade, as pessoas que encontrei pareciam muito mais cordiais do que de costume. O homem que carregou a minha bagagem na estação, por exemplo, quis de qualquer forma contar-me uma alegre anedota; e confesso que é a primeira vez que uma coisa dessas me acontece neste país.”
“Notou mais alguma coisa?”
“Não senhor, nada de que possa lembrar-me.”
“Vamos tentar reconstituir os fatos. A que hora o senhor partiu da Estação Vitória?”
O americano sorriu.
“Vim para cá a fim de entrevistá-lo, professor”, disse então, “mas agora já não sei se o senhor está querendo zombar de mim, ou se quer assumir o controle da entrevista.”
“Trata-se de particulares de extremo interesse, pelo menos para mim. Está se lembrando da hora?”
“Claro. Era meio-dia e meia.”
“E a que horas chegou?”
“.Às duas e quinze.”
“E pegou uma carruagem de aluguel...”
“Isto mesmo.”
“Que distância acredita haver entre aqui e a estação?”
“Diria mais ou menos duas milhas.”
“E quanto tempo acha que demorou para percorrer esta distância?”
“Cerca de meia hora, talvez um pouco mais, uma vez que o cavalo era um tanto asmático.”
“Quer dizer, então, que agora são as três?”
“Por aí.”
“Controle no relógio.”
O americano obedeceu e depois ficou olhando para nós, perplexo.
“Que diabo!”, exclamou. “São seis e vinte! Aquele cavalo passou de qualquer limite imaginável. Quatro horas para vir até aqui da estação! Mas não é possível. Pensando bem, vejo que o sol já está um tanto baixo. Há alguma coisa que não consigo entender...”.
“Não reparou em coisa alguma anormal, enquanto subia pela colina?”
“Bom, para dizer a verdade sentia-me bastante sonolento. Lembro, também, que queria dizer alguma coisa ao cocheiro, sem entretanto conseguir. Devia ser o calor. Quase me parecia estar a ponto de desmaiar.”
“Foi justamente o que aconteceu com toda a raça humana!”, disse Challenger falando comigo. “Todo o mundo, em certa altura, achou que estava a ponto de desmaiar. Ninguém, por enquanto, dá-se conta claramente daquilo que aconteceu. Cada um voltou às suas tarefas, exatamente como Agostinho voltou ao carro e os golfistas às suas tacadas. O seu diretor, meu caro Malone, continuará ocupado com a edição do jornal, e ficará bastante surpreso ao descobrir que pulou um dia. Pois é, meu bom amigo”, acrescentou em seguida, dirigindo-se ao jovem americano, “talvez lhe interesse saber que o mundo passou pela nuvem envenenada que se movia no éter. Queira, portanto ter a bondade de botar na cabeça que hoje não é sexta-feira 27 de agosto, mas sim sábado 28, e que o senhor ficou desacordado no coche por mais de vinte e oito horas!”
Quanto a mim, poderia acabar aqui o meu relato.
Como já devem ter percebido, esta é apenas uma versão mais completa e detalhada do artigo que apareceu no Daily Gazette, uma matéria que todos consideraram o mais espetacular “furo” de reportagem de todos os tempos, e que fez vender mais de três milhões e meio de exemplares do meu jornal.
Emoldurada na parede do meu quarto, ainda guardo esta pequena coletânea de manchetes excepcionais que apareciam no cabeçalho do artigo:
O mundo em estado de coma durante vinte e oito horas. Um acontecimento sem
igual na história: Challenger estava ceifo! Como este enviado pôde salvar-se. Um
relato impressionante. A câmara do oxigênio. Um incrível passeio de carro. Londres
morta. Grandes incêndios e inúmeras mortes. Voltará a acontecer?
Sob este mostruário de manchetes desenvolviam-se nove colunas e meia de fatos que representavam o primeiro, último e único relato da aventura que o mundo tinha vivido. Numa outra página, Challenger e Summerlee tratavam o grandioso assunto do ponto de vista científico; mas só a mim tinha sido entregue a tarefa de contar ao público o que acontecera.
Depois de uma sorte grande como esta, bem que eu poderia da o assunto por encerrado, pois o que mais poderia acrescentar um jornalista? Mas peço vênia para não terminar com manchetes tão reboantes, e com a menção de um sucesso meramente pessoal. Permitam-me então reproduzir os trechos com que o maior entre todos os diários encerrava o seu magnífico editorial que todos poderão procurar e reler.
Foi uma prova irrefutável–dizia o Times–da completa fraqueza da raça humana
diante das forças indefinidas que nos cercam. Os profetas da antiguidade e os
filósofos dos nossos dias já nos haviam falado a respeito do assunto num tom de
advertência. Mas como sempre acontece com as verdades repetidas demais, esta
também perdera uma parte do seu valor e da sua eficácia. Precisávamos de uma
lição ao vivo para voltarmos à realidade das coisas. E é justamente a esta saudável,
mas terrível aula que nós fomos forçados a assistir, ficando agora com a mente
aturdida pelo golpe inesperado, e com o espírito muito mais consciente dos nossos
limites e da nossa impotência. O mundo teve de pagar um preço muito alto para
poder aprender!
Por enquanto, o conhecimento que temos da extensão do desastre é apenas
parcial; mas a destruição de Nova Iorque, Orleans e Brighton já representa por si só
uma das maiores tragédias da história da nossa raça. Quando a estatística dos
acidentes navais e ferroviários que aconteceram durante a crise ficar completa,
teremos certamente motivos para ficarmos apavorados, embora possamos
razoavelmente pensar que na maioria dos casos os responsáveis pela condução de
navios e comboios ferroviários tenham tido o tempo de parar as máquinas antes de
serem vencidos pelo veneno.
Mas os prejuízos materiais, sejam eles vidas humanas ou propriedades
arruinadas, não constituem o motivo dominante dos nossos pensamentos neste
momento. Tudo isto poderá ser apagado pelo tempo: mas o que não podemos
esquecer, o que continuará e deverá continuar a angustiar o nosso espírito, é a
revelação das possibilidades do universo, a destruição da nossa vaidosa ignorância,
esta demonstração clara da efemeridade da nossa existência material, com os
abismos que a qualquer momento podem abrir-se à nossa volta.
Neste momento todas as nossas emoções estão imbuídas de solenidade e
humildade. Queira Deus que sejam estes os alicerces sobre os quais uma raça mais
inteligente e menos orgulhosa possa um dia construir um templo mais digno.
FIM