A Senhora Viscondessa

S. de Magalhães Lima · Capítulo 47 de 67

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A Senhora Viscondessa

Capítulo XXX

Santas e doces lagrimas, que tantas vezes tendes suavisado sobre a terra os intimos e dolorosos soffrimentos, como é grandioso o vosso poder!

E vós mesmos, ó scepticos mascarados, que tão estupida e egoistamente sabeis illudir as pobres victimas da vossa stulticia--dizei-nos--em quantos escriptos, arrancados a corações honestos e indefesos, não tendes vós encontrado o vestigio de uma lagrima?

Não ha sympathia que pela lagrima não brote e se enraize.

A lagrima é como um lago, na serenidade do seu correr e no reflectir das suas imagens.

Para esse sangue d'alma--na suave expressão de um poeta--apenas ha um remedio--a consolação.

A Viscondessa chorava e continuava indecisa.

Semelhante a um arbusto, que, açoutado pelo vento, deixa cahir sobre a terra o orvalho; assim a Viscondessa, ao dar accôrdo de si, deixou cahir no seu candido seio as perolas consoladoras do seu espirito.

Bemaventuradas perolas! e oxalá que todos assim as tivessem!...

 

XXX