A Senhora Viscondessa

S. de Magalhães Lima · Capítulo 3 de 67

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A Senhora Viscondessa

Capítulo III

Mas de quem poderia ser? A quem attribuir aquellas palavras ardentes?

«Amo-te--escrevêra o anonymo.--Doidamente te amo. Tu decidirás da minha sorte. Sou pobre, sou operario. Embora! Hei de conquistar-te ainda mesmo atravez do sangue do meu rival.

--Sempre é muito atrevido!...--exclamava a viscondessa, despindo-se já.

Acendeu depois um charuto, um excellente charuto havano.

A pouco e pouco foram-se-lhe os olhos estreitando. Para um lado pendeu a cabeça abrasada, e para outro o braço, cuja mão deixava cahir o charuto, quasi apagado.

Languida, abatida, sensual a senhora adormeceu finalmente.

Virginia chegára pé ante pé e retirára a luz. O palacete, envolto em trévas, acompanhára o somno da sua rainha.

E assim se passava a vida da Viscondessa.

 

III