Adolpho Lutz: sumário, glossário e índices

Jaime Larry Benchimol · Capítulo 2 de 7 · parte 1/5

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Adolpho Lutz: sumário, glossário e índices

Glossário

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.

 

A

Ácido carbólico [C H OH]: ácido genericamente conhecido como 6 5

fenol, e também como álcool fenílico ou ácido fênico. Ocorre na forma de cristais incolores que se liquefazem com a adição de água. Funciona como escarótico local na forma concentrada, e como anestésico em soluções de 3 a 4%. Internamente, é um poderoso corrosivo (sendo o azeite de oliva recomendado como antídoto). Usado como antisséptico e como desinfetante para fins médico-sanitários e cirúrgicos.

Fontes: Hawley, 1950; Houaiss, 2001; Murray, 1910; Stedman, 1979.

Ácido chalmógrico [C H O ]: ácido graxo não-saturado, de 18 32 2 aparência cristalina e incolor, solúvel em álcool, encontrado entre os produtos de hidrólise dos glicerídios do óleo de chalmugra. Em 1904, o químico e farmacologista Frederick B. Power, à frente dos Wellcome Chemical Research Laboratories, realizou experiências com sementes de chalmugra oriundas da espécie Taraktogenos kurzii (posteriormente denominada Hydnocarpus kurzii).

Power e seus colaboradores retiraram a casca das sementes, prensaram os caroços e extraíram deles um óleo que foi submetido a procedimentos químicos juntamente com a massa resultante da prensagem das sementes. Conseguiram isolar vários compostos, entre os quais o ácido chalmógrico. Realizaram, também, experiências com sementes das espécies Hydnocarpus wightiana e Hydnocarpus anthelmintica da mesma ordem da Taraktogenos kurzii, e Gynocardia odorata. Das duas primeiras espécies obtiveram um ácido homólogo inferior, denominado ácido hidnocarpo, cuja fórmula é C H O . Da Gynocardia odorata não 16 28 2 conseguiram extrair o chamado óleo de chalmugra, nem tampouco os ácidos chalmógrico e hidnocarpo. (Ver Chalmugra).

Fontes: Grant, 1944; Parascandola, 2003; Stedman, 1979.

Ácido clorídrico [HCl]: cloreto de hidrogênio ou, ainda, ácido muriático: em medicina, é utilizado como cáustico e em casos de acloridria (ausência de ácido clorídrico no suco gástrico). Em fins do XIX, era muito usado no tratamento de úlceras cutâneas, em casos de estomatite resultante do tratamento mercurial, em aftas, candidíase, dispepsia, atonia estomacal, tuberculose e afecções do fígado.

Fontes: Houaiss, 2001; Paulier, 1882; Stedman, 1979.

Ácido ginocárdico: substância constituída pela mistura de ácidos graxos extraídos por saponificação do óleo de chalmugra. De aspecto cristalino e pastoso, e coloração amarela, é solúvel em álcool, éter, clorofórmio, benzina etc. Foi empregado no início do século XX no tratamento da lepra, da psoríase, do eczema e do lúpus. Aplicado por meio de injeções subcutâneas, parecia ser mais eficiente do que o óleo e mais bem tolerado pelos pacientes. Segundo Cardenal, trata-se de um óleo extraído da Gynocardia odorata, espécie de planta pertencente à família das bixáceas. Hackh, por sua vez, apresenta-o como produto da mistura dos ácidos do óleo de chalmugra com ácidos não-saturados extraídos das sementes da Gynocardia odorata.

Fontes: Cardenal, 1954; Grant, 1944; Littré & Gilbert, 1908; Parascandola, 2003.

Ácido pícrico [C H (NO ) OH]: também conhecido como ácido 6 2 2 3

nitroxântico ou ácido carbazótico. Substância cristalina e amarela usada para tratar queimaduras, eczemas, erisipelas, prurido e, ainda, como vermífugo. Empregada também como corante, agente fixador e explosivo. É uma das substâncias utilizadas na composição da coloração de Van Gieson. (Ver Coloração de Van Gieson).

Fontes: Dorland, 1947; Stedman, 1979.

Ácido pirogálico [C H (OH) ]: o mesmo que pirogalol; substância 6 3 3 obtida através do ácido gálico. Tem múltiplas aplicações químicas e medicinais, sendo empregado como antipruriginoso e, externamente, no tratamento de psoríase, tinha microspórica e outras afecções cutâneas.

Fontes: Houaiss, 2001; Stedman, 1979.

Ácido salicílico [HOC H COOH]: ácido usado na medicina e nas 6 4

indústrias de fármacos e de corantes. Utilizado topicamente como agente ceratolítico (descamativo), antisséptico e fungicida. Consta em Murray (1910) que este ácido orgânico era também utilizado como antipirético.

Fontes: Houaiss, 2001; Stedman, 1979.

Ácido tânico [C H O ]: Ácido encontrado em vegetais, 76 52 46

especialmente na casca do carvalho e de outros membros da família das fagáceas. É muito usado como mordente em corantes de fotografia e na produção de papel, tintas e bebidas. Na medicina, é empregado como adstringente no tratamento de diarréias e queimaduras. Em fins do século XIX, o ácido tânico tinha ampla aceitação como tônico e adstringente, externa ou internamente. Neste último caso, destaca-se sua utilização contra inflamações crônicas da mucosa bucal ou faríngea e no tratamento da angina diftérica, da erisipela, das erupções herpéticas crônicas e da pitiríase. Em associação com o benjoim, abortava pústulas variólicas e atenuava cicatrizes disformes provocadas pela doença.

Fontes: Houaiss, 2001; Paulier, 1882; Stedman, 1979.

Acrodinia: doença infantil causada quase que exclusivamente pela intoxicação com o mercúrio, também conhecida como eritredema; eritema acrodínico; doença rósea; doença de Swift ou dermatopolineurite. Manifestase por eritema das extremidades, do tórax e do nariz, polineurite e sintomas gastrintestinais. Segundo Ferreira (1999), a acrodinia apresenta fenômenos circulatórios (hipertensão arterial, taquicardia) e neurológicos (hipomotilidade, dor nas mãos e nos pés, apatia, fotofobia). Em 1926, era definida como doença caracterizada por "formigueiros" dolorosos, causados por cereais e outros alimentos deteriorados (D'Elia).

Fontes: D'Elia, 1926; Ferreira, 1999; Stedman, 1979.

Adenite: inflamação de uma glândula ou dos gânglios linfáticos (pequeno órgão disposto em cadeias ou massas, especialmente no pescoço, axila e virilha, que concentra linfócitos e acompanha o trajeto de um vaso linfático). Segundo D'Elia (1926), esta inflamação causava uma descontinuidade da pele que dava passagem a germes infecciosos; estes penetravam pelos vasos linfáticos e iam ocupar uma glândula, determinando sua supuração.

Fontes: D'Elia, 1926; Houaiss, 2001.

Ágar: polissacarídeo mucilaginoso, também conhecido como ágar-ágar ou gelose, usado para dar consistência gelatinosa a meios de cultura de microrganismos. É também utilizado na indústria de alimentos, cosméticos, farmácia, pilhas secas etc. Substância derivada da alga vermelha originária das costas tropicais asiática e australiana, especialmente de Java e do Sri Lanka. Em fins da década de 1880, o ágar começou a ser importado pela Europa, para atender à demanda dos bacteriologistas, que passaram a usá-lo como meio para as culturas microbianas. Na década de 1920 era empregado, também, como excipiente de várias preparações farmacêuticas.

Fontes: Houaiss, 2001; Stedman, 1979.

Anasarca: patologicamente, é um edema generalizado devido à infiltração de líquido seroso no tecido celular subcutâneo de todo o organismo. Segundo D'Elia (1926), este estado pode ter origem num resfriamento, sem doença orgânica constituída, sobrevindo com freqüência, no decurso da erisipela, no período da escamação do sarampo e da escarlatina. Aparece constantemente na albuminuria, ou doença de Bright, e no último período das doenças do coração. Anasarca também é definida como o resultado de doenças que acabam em caquexia e que tornam o sangue pobre, debilitando o corpo. A pele torna-se luzidia, quase sempre fria e de cor leitosa. O tratamento consistia no uso de diuréticos, sudoríficos, purgativos e regime lácteo. No campo da veterinária, anasarca é uma doença de cavalos, geralmente causada por infecção e caracterizada por edemas, que são reabsorvidos na forma subaguda e progressivos na forma hiperaguda. A doença também ocorre em cães, porcos, bois e carneiros.

Fontes: D'Elia, 1926; Houaiss, 2001.

Anastomose: nome dado às comunicações entre dois nervos, à época em que se acreditava serem canais onde circulava um fluido nervo. Em anatomia geral, usa-se o termo para designar a comunicação natural direta ou indireta entre dois vasos sangüíneos, entre dois canais da mesma natureza, dois nervos ou duas fibras musculares. Em patologia, consiste na junção ou ligação mórbida entre dois espaços ou órgãos normalmente separados.

Fontes: Houaiss, 2001; Littré & Gilbert, 1908.

Anidrose: ausência ou diminuição do suor.

Fontes: Houaiss, 2001; Landouzy & Jayle, 1902; Littré & Gilbert, 1908.

Arning, Edward Christian: filho de um mercador alemão estabelecido na Inglaterra, Arning nasceu em Manchester, em 9 de junho de 1855. Enviado para Hamburgo com 12 anos de idade, ingressou no Gymnasium Johanneum, onde permaneceu até 1874. Nos dois anos seguintes freqüentou a Universidade de Heidelberg como estudante de medicina, doutorando-se na Universidade de Estrasburgo em 1879. Iniciou a carreira como ginecologista em Berlim, mas logo passou a se dedicar à dermatologia e à venereologia, tornando-se membro do Instituto Dermatológico de Breslau em 1881. Dois anos depois, recebeu do Instituto Humboldt, ligado à Academia Real Prussiana de Ciência, a incumbência de viajar para o Havaí para realizar estudos sobre a lepra e investigações etnográficas que redundassem em novos materiais para as coleções da instituição prussiana. Arning chegou a Honolulu em 8 de novembro de 1883, e organizou um laboratório no Branch Leper Hospital, em Kakaako. Dois episódios de grande repercussão marcaram sua estada naquele arquipélago. O primeiro foi a experiência realizada com o havaiano Keanu, que teve sua pena de morte comutada para prisão perpétua sob a condição de autorizar a inoculação de material leproso em seu organismo. Vinte e cinco meses após a experiência, em outubro de 1886, apresentou manchas características da lepra nodular em todo o corpo, tendo sido afetados também os nervos e as glândulas linfáticas próximos ao local da inoculação. O segundo episódio envolvendo Arning foi o exame e diagnóstico de lepra no sacerdote católico belga Joseph Damien de Veuster, que, no entanto, não quis se tratar com o médico inglês no Hospital de Kakaako. Divergências com Walter M. Gibson, ministro das Relações Exteriores e presidente do Board of Health do reino do Havaí, levaram Arning a deixar o arquipélago em meados de 1887. Em Hamburgo, deu prosseguimento às atividades como dermatologista, chegando a tornar-se professor da especialidade na Universidade dessa cidade. Edward Christian Arning faleceu em Munique a 21 de agosto de 1936.

Fontes: Tronca, 2000; www.204.

Asma: segundo Stedman (1979), o termo era usado originalmente para indicar "respiração difícil", mas hoje designa a asma brônquica, rejeitando-se outros usos, como asma cardíaca, asma renal etc. Refere-se, assim, a uma condição dos pulmões em que há estreitamento das vias aéreas em virtude de diferentes graus da contração (espasmo) da musculatura lisa, edema da mucosa e muco na luz dos brônquios e bronquíolos, alterações essas provocadas pela liberação, no decurso de processo alérgico, de espasmogênios e substâncias vasoativas - histamina ou substância de reação anafilática lenta, por exemplo. Ocorrem crises de dispnéia paroxística sibilante, acompanhadas de edema e hipersecreção das mucosas das vias aéreas, em virtude de súbita contração dos músculos que comandam a abertura e fechamento dos brônquios. Os acessos são acompanhados de tosse e sensação de constrição, surgindo, em geral, à noite, e persistindo horas, às vezes dias e semanas. O tipo mais comum de asma é a bronquial alérgica, causada por reação específica a substâncias comuns como poeiras, pólen, ácaros etc. Os ataques de asma ocorrem muitas vezes depois de períodos de exercício intenso ou de tensão emocional, ou associados à infecção de nariz e garganta, ou, ainda, a uma mudança climática. A maioria dos asmáticos tem ataques periódicos, o ano inteiro. A asma grave é a mais nociva das alergias respiratórias, e a que mais incapacita o doente, dificultando a assiduidade no trabalho. O tratamento da doença envolve o uso isolado ou simultâneo de adrenalina, aminofilina e efedrina, do HACT (hormônio adrenocorticotrópico) e de cortisona, nos ataques mais graves. Na fase crônica, o médico procura identificar os fatores alérgicos e infecciosos para tornar o paciente menos sensível a eles. (Ver Asma sintomática).

Fontes: D'Elia, 1926; Ferreira, 1999; Houaiss, 2001; Koogan-Houaiss, 2004; Stedman, 1979.

Asma sintomática: o mesmo que asma reflexa ou pseudoasma, ocorrendo como reflexo em doenças das vísceras, do nariz ou de outras partes do corpo. Pode designar qualquer variedade de asma distinta da brônquica (asma verdadeira), como asma diabética, artrítica, herpética, tóxica ou urêmica. (Ver Asma).

Fontes: Cardenal, 1960; Stedman, 1979.

Aspidosperma: designação comum do gênero Aspidosperma, da família das apocináceas, nativas de regiões tropicais das Américas, com oitenta espécies, a maioria da América do Sul, algumas de madeira nobre, muitas com alcalóides e antimicrobianos. Produzem madeiras de utilidade industrial, como a peroba-rosa e o pau-cetim. A casca seca do Aspidosperma quebracho blanco contém o princípio ativo do quebracho, empregado como estimulante da respiração, no tratamento da asma e da dispnéia cardíaca. (Ver Aspidospermina; Quebracho).

Fontes: Cardenal, 1960; Ferreira, 1999; Houaiss, 2001; Stedman, 1979.

Aspidospermina [C H N O ]: alcalóide indólico pentacíclico 22 30 2 2 encontrado em plantas do gênero aspidosperma, com ação vomitiva, irritante e antitérmica. (Ver Aspidosperma).

Fontes: Cardenal, 1960; Ferreira, 1999; Stedman, 1979.

Ateroma: lesão muito comum da fase avançada da arteriosclerose, formada por uma placa fibrosa e gordurosa situada na íntima (tecido que serve de revestimento a uma estrutura anatômica). Fonte da época de Lutz (D'Elia, 1926) definia-o como "tumor de retenção" caracterizado pela obstrução do canal evacuatório de um folículo piloso, "com participação das glândulas sebáceas" que deságuam no folículo. Alimentação excessiva e distúrbios endócrinos são fatores que podem favorecer o aparecimento do ateroma.

Fontes: Cardenal, 1947; D'Elia, 1926; Encyclopædia Britannica, 2001; Larousse, 1971; Houaiss, 2001; Stedman, 1979; Wilson & Reeder, 1993; www.86; www.104; www.106; www.142.

Atropina [C H NO ]: fármaco alcalóide cristalino extraído de 17 23 3

plantas da família das solanáceas (Atropa) como, por exemplo, a beladona, empregado como agente obstrutor da ação fisiológica da acetilcolina (molécula neurotransmissora que atua na passagem do impulso nervoso das células do sistema nervoso para a dos músculos), como antispástico e dilatador da pupila. Por ser extremamente tóxico, só pode ser ingerida em doses mínimas, de 0,001 a 0,003g, na maior parte das vezes como sulfato de atropina. Quantidades mais elevadas podem provocar estado excitativo conhecido como "delírio atropínico", cujos sintomas são bloqueio do sistema nervoso vegetativo, agitação do sistema nervoso central acompanhado de alucinações, depressão, dificuldade de deglutição, ressecamento das mucosas, taquicardia etc., podendo evoluir até o óbito.

Fontes: Cardenal, 1947; Cardenal, 1960; Larousse, 1971; Houaiss, 2001.

Azevedo Lima, José Jerônimo de: médico brasileiro nascido em Campos (RJ), em 1849, e falecido em 1912. Em 1879 ingressou no Hospital dos Lázaros do Rio de Janeiro, onde chefiou o serviço clínico por vários anos. Por sugestão sua, foi criado nessa instituição, em 1893, um laboratório para estudos anatomopatológicos e bacteriológicos relativos à lepra. Após solicitar aposentadoria, foi substituído por João Pizarro Gabizo, catedrático de dermatologia na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Em "A lepra no Brasil" - trabalho que enviou à Primeira Conferência Internacional de Leprologia, realizada em Berlim, em outubro de 1897, mas que não chegou a ser publicado em seus anais -, Azevedo Lima manifestou-se favorável à tese da contagiosidade da doença a pessoas sadias em "estado de receptividade mórbida".

Fontes: Lello, 1942; Souza Araújo, 1956.

 

B

Bacilos: designação comum de bactérias em forma de cilindro ou bastão pertencentes ao gênero Bacillus. Suas espécies, normalmente móveis, são gram-positivas, aeróbicas ou, sob certas condições, anaeróbicas. Encontradas em geral na terra e na água, não produzem seu próprio alimento e nutrem-se de outros organismos. Os bacilos têm como uma de suas principais características a formação de esporos dormentes sob condições ambientais adversas. Tais endósporos permanecem viáveis na natureza, principalmente no solo, por longos períodos, pois são resistentes ao calor, a substâncias químicas e à luz do sol. A espécie padrão do gênero Bacillus é o B subtilis. Descrito em 1872 por Ferdinand Cohn (1828-1898), é o responsável mais comum pela contaminação de culturas de laboratório, sendo encontrado com freqüência na pele humana. Entre as poucas espécies patogênicas destaca-se o B. anthracis, causador do antraz em humanos e animais domésticos. Outras espécies, como o Bacillus cereus, são muitas vezes responsáveis pelos estragos de alimentos em conserva. Alguns antibióticos utilizados pela medicina são produzidos a partir desses microrganismos como a bacitracina (B. subtilis) e a polimixina B (B. polymyxa). (Ver Bactéria).

Fontes: Encyclopædia Britannica, 2001; Houaiss, 2001; Stedman, 1979. See Bacteria.

Bactéria: as bactérias fazem parte do reino Monera, juntamente com as algas azuis ou cianofíceas, grupo que compreende seres unicelulares e procariontes (uma única célula desprovida de núcleo). Desde a época de Adolpho Lutz, eram geralmente divididas em quatro grupos, segundo um critério morfológico: em forma de bastão chamavam-se bacilos; em forma de bastão encurvado, vibriões; de espiral, espirilos; um tipo especial de espirilos eram as espiroquetas; as bactérias arredondadas ganharam o nome de cocos. Estas podem estar agrupadas em colônias: de dois cocos são diplococos; de quatro, tétrade; cocos em fileira, chamam-se estreptococos; e dois cocos em forma de chamas de velas unidas pela base e em direções opostas, pneumococos. Atualmente, as bactérias são agrupadas com base em novos critérios: reações bioquímicas, composição química, estrutura celular e, à luz da biologia molecular, segundo suas características genéticas e imunológicas. Muitas bactérias causam doenças em plantas, no homem e em outros animais. Certas bactérias causam grave intoxicação: botulismo, quando se ingerem alimentos mal enlatados ou conservados; e a salmonelose, causada pela ingestão de alimentos contaminados. Microrganismos de vida livre ou parasita, as bactérias também são essenciais para o processo de decomposição de matéria orgânica no corpo, no solo e em outros meios. Até o início do século XX, bactéria era praticamente sinônimo de microrganismo, sendo a palavra, portanto, aplicada com freqüência para designar qualquer organismo vivente de dimensões microscópicas. A chamada "era bacteriológica" inicia-se com Louis Pasteur (1822-1895) e Robert Koch (1843-1910), mas fontes do início do último quarto do século XIX indicam que havia muitas controvérsias a respeito da classificação das bactérias, que, no século XX, eram qualificadas como grupo de vegetais inferiores ou como pertencentes à família das algas, fazendo parte do grupo dos esquizomicetos. (Ver Esquizomiceto; Fungo).

Fontes: Houaiss, 2001; Koogan-Houaiss, 2004; Landouzy & Jayle, 1902; Littré & Gilbert, 1908; Murray, 1910; www.31; www.32.

Bary, Heinrich Anton de: botânico alemão nascido em Frankfurt, em 26 de janeiro de 1831, e falecido em Estrasburgo, em 19 de janeiro de 1888.

Doutor em medicina pela Universidade de Berlim, em 1853, de Bary notabilizou-se por seus estudos sobre algas, mixomicetos e, sobretudo, fungos, que lhe granjearam o epíteto de fundador da moderna micologia. Interessado principalmente na reprodução, sexualidade, morfologia e fisiologia dos fungos, afirmou em seu primeiro e prestigiado livro - Untersuchungen über Die Brandpilze und die durch sie verursachten Krankheiten der Pflanzen mit Rücksicht auf das Getreide und andere Nutzpflanzen (1853) - que esses organismos eram os causadores de muitas doenças de plantas, e não excrescências delas, como se pensava. Profundo conhecedor do ciclo e das características parasitárias dos fungos, de Bary foi um dos primeiros a estudar a interação parasita-hospedeiro, tendo efetuado valiosas pesquisas sobre a requeima da batata, a ferrugem do colmo do trigo, a ferrugem da cevada e da aveia. Criador de diversos termos utilizados nos estudos sobre fungos e líquens - heteróico, esporídio, saprófitos, parasitos facultativos, simbiose etc. -, boa parte da classificação que desenvolveu permanece em vigor nas pesquisas dos micologistas modernos. De seus poucos estudos acerca das bactérias, resultou a descoberta do esporo do Bacillus magaterrium e a comprovação de que cianobactérias não eram algas, o que contribuiu para que as bactérias fossem retiradas no reino Fungi. Dedicado ao magistério, de Bary ensinou botânica nas universidades de Tübigen (1854), Freiburg (1855-1869), Halle (18671872) e Estrasburgo (1872-1888), tendo sido o primeiro reitor desta última (1872).

Fontes: Encyclopædia Britannica, 2001; Moura, 2002.

Baunscheidtismo: método terapêutico desenvolvido por Karl Baunscheidt (1809-1874), mecânico e construtor de carruagens nascido em Endenich, perto de Bonn. Sua terapêutica consistia na introdução superficial de pequeno feixe de agulhas e, em seguida, na fricção das áreas espetadas com óleo de cróton ou outro irritante. O objetivo era diagnosticar e curar doenças através da erupção cutânea purulenta que melhorava rapidamente. O Baunscheidtismo é uma versão bastarda da acupuntura, técnica terapêutica praticada originalmente por chineses e japoneses, fundada na correspondência de certos órgãos com determinadas áreas cutâneas. Esses pontos são reunidos por linhas imaginárias, os meridianos. As indicações da acupultura são antes de tudo as perturbações funcionais e as diversas manifestações dolorosas.

Fontes: Der Grosse, 1952-1960; Larousse, 1971; Stedman, 1979.

Beurmann, Charles Lucien de: médico francês (1851-1923) que descreveu a Doença de Beurmann, a forma gomosa disseminada da esporotricose. Doutorou-se em Paris e, em 1889, tornou-se chefe de serviço do hospital de Lourcine, transferindo-se, depois, para o hospital Saint-Louis, onde permaneceu até 1916. As numerosas viagens que fez ao exterior, sobretudo à Pérsia, à Índia e ao Japão, deram-lhe a oportunidade para estudar as doenças ditas exóticas, em particular a lepra e a sífilis tropical. Beurmann distinguiu-se, principalmente, por suas contribuições ao conhecimento da esporotricose, realizadas em colaboração com os discípulos Louis Ramond e Henri Gougerot. Publicou com Gougerot, em 1912, Les sporotrichoses (Paris, F. Alcan), e, com Gougerot e Vaucher, trabalhos sobre o Mycoderma cutaneum.

(Ver Esporotricose).

Fontes: Stedman, 1979; www.55.

Biermer, Michael Anton: médico alemão (1827-1892) que deu nome à doença de Addison-Biermer, também conhecida como anemia de Addison-Biermer, anemia de Biermer-Ehrlich, anemia de Hunter-Addison, anemia essencial de Lebert, anemia perniciosa progressiva, doença de Biermer, anemia de Biermer e ainda anemia aquílica macrocítica. A evolução outrora fatal deu lugar ao prognóstico benigno depois do advento da vitamina B 12 (cianocobalamina), usada sob a forma de injeções intramusculares. A causa da doença é a insuficiente absorção dessa vitamina provocada pela falta de um fator produzido pela mucosa gástrica normal. Acredita-se, assim, que resulte de um defeito do estômago, com atrofia ou associação de carência desse fator 'intrínseco'. A doença é um tipo de anemia crônica progressiva que ocorre com maior freqüência dos cinqüenta anos em diante, em adultos e idosos de ambos os sexos. Manifesta-se através de dormência e formigamento, fraqueza, língua sensível e lisa, tonturas, palidez da pele e das mucosas, anorexia, diarréia, perda de peso, febre, perturbações digestivas e, muitas vezes, neurológicas. Os estudos de laboratório em geral revelam muita diminuição da hematimetria, baixos níveis de hemoglobina, numerosos eritrócitos macrocíticos, em associação com o número predominante de megaloblastos e relativamente poucos normoblastos na medula óssea; a leucometria no sangue periférico pode ser menor do que a normal, com relativa linfocitose e neutrófilos multissegmentados. James Scarth Combe (1796-1883) relatou um caso de anemia perniciosa em 1822.

Outras descrições de casos isolados foram realizadas por Sir Thomas Addison e Hermann Lebert, em 1849, mas foi Michael Anton Biermer o autor de descrição clássica, em 1868-1872. Paul Ehrlich (1854-1915) distinguiu depois o tipo aplástico de anemia.

Fontes: Larousse, 1971; Stedman, 1979; www.70.

Bizzozero, Giulio: membro do Instituto Vienense para a História da Medicina. Giulio Bizzozero (Varese, 1846 - Turim, 1901) foi professor de medicina geral na Universidade de Turim, fazendo desta um dos mais importantes centros de estudos médicos da Europa. Estudaram ou trabalharam em seu laboratório Edoardo Bassini, cirurgião que aperfeiçoou a operação para a hérnia inguinal (operação de Bassini); Carlo Forlanini, que introduziu o pneumotórax como tratamento da tuberculose pulmonar; e Antonio Carle e Giorgio Rattone, que demonstraram a transmissibilidade do tétano. Bizzozero também produziu trabalhos nas áreas da histologia e da saúde pública, do controle da malária e da tuberculose. Seus trabalhos mais destacados dizem respeito à descoberta das plaquetas sanguíneas e ao seu papel na hemostasia, bem como à identificação da medula óssea como o centro de produção celular.

Fontes: Encyclopædia Britannica, 2001; Larousse, 1971; www.6; www.14.

Blastomicetos: grupo de fungos patogênicos que se desenvolvem como os levedos, por gemação. Em meio artificial, produzem, às vezes, micélio e conídios. No passado, blastomicetos e sacaromicetos eram considerados sinônimos, mas hoje os primeiros são classificados entre as moniliares. A este grupo pertence o Blastomyces dermatidis, agente da blastomicose norte-americana, e o Paracoccidioides brasiliensis, causador da blastomicose sul-americana. (Ver Blastomicose norte-americana; Blastomicose sul-americana).

Fontes: Larousse, 1971; Stedman, 1979.

Blastomicose: termo que designa várias doenças infecciosas que acometem os homens e outros animais, produzidas pelo desenvolvimento de fungos de diversas espécies, entre eles o Blastomyces dermatidis e o Paracoccidioides brasiliensis. (Ver Blastomicose européia; Blastomicose norte-americana; Blastomicose sul-americana; Micose).

Fontes: Houaiss, 2001; Stedman, 1979.

Blastomicose européia: nome usado, no passado, para designar a criptococose. (Ver Criptococose).

Fonte: www.17.

Blastomicose norte-americana: causada pelo fungo Blastomyces dermatitidis, caracteriza-se por tumores supurados da pele (forma cutânea) e por lesões pulmonares, ósseas, do tecido subcutâneo, do fígado, baço e rins (forma sistêmica). É encontrada nos homens, em cães e em outros animais. Não é transmissível de pessoa a pessoa. Os esporos do Blastomyces provavelmente penetram no organismo através do trato respiratório, quando inalados. A doença começa gradualmente com febre, calafrios e sudorese profusa. O indivíduo pode apresentar tosse produtiva ou não, dor torácica e dificuldade respiratória. A doença é tratada com antibióticos antifúngicos (anfotericina B) que começam a dar resultados em uma semana, desaparecendo rapidamente o fungo.

Sem tratamento, a infecção piora lentamente e leva à morte. É comum nos Estados Unidos, mas raríssima na América do Sul. Foi descrita por Thomas Gilchrist em 1894, o que a torna conhecida, também, como micose ou doença de Gilchrist. (Ver Blastomicetos).

Fontes: Larousse, 1971; www.30; www.34; www.58.

Blastomicose sul-americana: causada pelo fungo Paracoccidioides brasiliensis, também é conhecida como doença de Lutz ou doença de LutzSplendore-Almeida. O processo inflamatório localiza-se na submucosa, e apresenta-se na forma de infiltrado crônico inespecífico, revelando microabscessos e granulomas de células epitelióides gigantes. Atinge a traquéia e o linfonodo. Muitas vezes, ocorrem lesões na mucosa oral, laringe e faringe. As lesões cutâneas resultam de disseminação hematogênica do fungo, e, em geral, estão relacionadas a processo infeccioso de maior gravidade. Estas lesões, de aspecto polimórfico, aparecem na face e em torno de orifícios naturais do corpo, como boca, nariz e ânus. Antibióticos associados a repouso, dieta hiperprotéica e hipercalórica com suplementação vitamínica, são importantes para o tratamento, ainda que a "cura" total seja ainda inalcançável para portadores de paracoccidioidomicose, em razão da impossibilidade de erradicar-se o seu agente causador. As diferentes modalidades terapêuticas apenas diminuem a quantidade de fungos no organismo, permitindo a recuperação da imunidade celular e restabelecendo o equilíbrio entre parasita e hospedeiro. A paracoccidioidomicose é uma micose sistêmica autóctone da América Latina. De caráter endêmico entre as populações da zona rural, acomete principalmente indivíduos do sexo masculino entre 30 e 60 anos, sendo rara a incidência antes dos 14 anos de idade. Tem importância no âmbito da saúde coletiva por incidir sobre a população economicamente ativa e por causar, com freqüência, seqüelas graves, que impedem a volta ao trabalho. Quando não é tratada, geralmente evolui para o óbito. Por muitos anos, prevaleceu o conceito de que a infecção ocorria por implantação do fungo na mucosa oral através de traumas ocasionados pelo hábito de mascar diferentes tipos de vegetais. Atualmente, a via inalatória é considerada a principal porta de entrada da infecção. Em 1908, Adolpho Lutz publicou observações que inauguraram os estudos sobre a blastomicose sul-americana, também conhecida como blastomicose brasileira ou paracoccidioidomicose. Nesse primeiro trabalho, Lutz já separava esta doença daquela descrita por Posadas e Wernicke - a coccidioidomicose. (Ver Coccidioidomicose).

Fontes: www.3; www.33; www.56.

Boeck, Carl Wilhelm: Médico norueguês nascido em Kongsberg, em 15 de dezembro de 1808. Após freqüentar o Christiania Kathedralskole e o Mollers Institut, estudou medicina na Universidade de Cristiânia, graduando-se em 12 de outubro de 1831. De suas atividades como médico e professor, destacam-se os estudos sobre doenças de pele e sífilis. Boeck inaugurou sua clínica dermatológica em 1850. Dois anos depois, iniciou lá o tratamento da lues por meio da sifilização. Desenvolvido por Joseph Alexandre Auzias-Turenne (1812-1870) a partir de experiências com animais, esse método teve no médico norueguês um ardoroso defensor. Consistia, basicamente, em repetidas inoculações com material extraído de lesões cutâneas iniciais provocadas pela sífilis, até que o procedimento não suscitasse mais nenhuma reação. No que se refere à lepra, destacam-se as pesquisas realizadas por Boeck em conjunto com Daniel Cornelius Danielssen (18151894), que resultaram no epônimo doença de Danielssen-Boeck, uma forma de lepra caracterizada por hiperestesia seguida de anestesia, ulceração, gangrena e mutilação Em fins da década de 1860, Boeck viajou para a América a fim de estudar a prevalência dessa doença entre os imigrantes noruegueses. Lente em cirurgia, doenças de pele e sífilis na Kongelige Frederiks Universitet a partir de 1846, foi nomeado professor titular de medicina na mesma instituição em 1851. Faleceu em Cristiânia (atual Oslo) em 10 de dezembro de 1875, um ano após ter ingressado no departamento de pele do Rikshospitalet - Hospital Nacional de Pesquisas da Noruega. (Ver Danielssen, Daniel Cornelius; Lepra).

Fontes: www.230.

Bolor: nome comum do mofo, freqüentemente encontrado nas superfícies das matérias orgânicas em geral, proliferando fungos dos gêneros Mucor, Penicillium, Aspergilus etc. (Ver Fungo).

Fontes: Cardenal, 1960; Stedman, 1979.

Bouba: também conhecida como buba, piã, rupia, botão de Amboína, framboesia, micose framboesióide, polipapiloma, granuloma tropical, papiloma zimótico ou, ainda, doença de Breda. Doença tropical contagiosa causada pelo espiroqueta Treponema pertenue, caracteriza-se por lesões cutâneas seguidas de erupção granulomatosa generalizada e, por vezes, de lesões destrutivas tardias da pele e dos ossos. A doença pode destruir a cartilagem do nariz, os ossos e as juntas, a ponto de tornar inválido o paciente. A bouba pode ser curada com injeções de penicilina. O uso generalizado dessa droga, desde a década de 1950, reduziu consideravelmente o número de casos em todo o mundo. Os espiroquetas da bouba, parecidos com os que causam a sífilis, penetram no corpo através de corte ou arranhão na pele, contraindose a doença na maioria das vezes pelo contato com uma pessoa já infectada. Do ponto de vista morfológico, é praticamente impossível diferenciar o Treponema pertenue do treponema da sífilis. Entretanto, ao contrário deste, o da bouba não afeta o sistema nervoso central ou cardiovascular. Endêmica no início do século XX, a doença atingia principalmente as regiões tropicais da África e das Américas, as ilhas Polinésias, o Ceilão (Sri Lanka), a Malásia e outras partes dos trópicos orientais. Nas regiões onde ocorria de forma endêmica, tornava-se freqüentemente epidêmica. (Ver Espiroqueta pertenue).

Fontes: Cardenal, 1947; D'Elia, 1926; Houaiss, 2001; Koogan-Houaiss, 2004; Murray, 1910; Stedman, 1979; Veronesi, 1982.

Breda, Achille: dermatologista italiano (1850-1947), foi pupilo de Ferdinand von Hebra, membro do Instituto Vienense para a História da Medicina e presidente do Instituto Veneto di Scienze, Lettere ed Arti no período de 1926 a 1928. Estudou a bouba que, por isso, é chamada também de doença de Breda. (Ver Bouba).

Fontes: Cardenal, 1947; www.14; www.15.

Brocq, Louis-Anne-Jean: dermatologista francês nascido em Laroque-Timbaut no dia 1º de fevereiro de 1856. Concluiu o curso de medicina em 1878 e recebeu o título de doutor no ano de 1892, em Paris. Prosseguiu seus estudos com Jean Alfred Fournier (1832-1915), Jean Baptiste Emile Vidal (1825-1893) e Ernest Henri Besnier (1831-1909). Em 1891, tornou-se médico do Hospício la Rochefoucauld e, cinco anos mais tarde do Hospital Broca, onde, com muito esforço, estabeleceu um departamento de pesquisa dermatológica abundantemente equipado. De 1906 até sua aposentadoria em 1921, trabalhou no Hospital Saint-Louis, instituição em que exerceu intensa atividade como professor. Líder da escola dermatológica francesa em seu tempo, Brocq foi membro da Academia de Medicina e autor do primeiro tratado de dermatologia em idioma francês, Pratique dermatologique. Emprestou seu nome a um grande número de enfermidades, entre as quais a doença de Brocq-Duhring ou Duhring-Brocq e a síndrome de Brocq-Pautrier. Faleceu na cidade de Paris em 18 de dezembro de 1928.

(Ver Doença de Duhring; Duhring, Louis Adolphus).

Fontes: www.123.

Buschke, Abraham: dermatologista alemão (1868-1943), estudou em Breslau, Greisswald e Berlim, doutorando-se nesta última cidade em 1891. Tornou-se professor titular da Universidade Friedrich-Wilhem, em Berlim, em 1908, e professor extraordinário, em 1920, aposentandose em 1933. Foi assistente na clínica cirúrgica chefiada por Heinrich Helferich (1851-1945), em Greisswald; na clínica dermatológica de Albert Neisser (1855-1916), em Breslau; e ainda na de Edmund Lesser (18521918), em Berlim. Em 1904, assumiu a chefia do departamento de dermatologia em Urban-Krankenhaus, e, a partir de 1906, foi chefe de dermatologia do hospital Rudolf-Virchow, com 400 leitos destinados a pacientes com doenças dermatológicas. Essa vasta experiência clínica nutriu a elaboração de numerosos artigos. As doenças venéreas foram uma das principais áreas de interesse de Buschke, sobretudo a sífilis e a gonorréia. Vítima dos nazistas, foi, juntamente com sua esposa, encarcerado no campo de concentração Theresienstadt (Terezín), no norte da Boêmia, Tchecoslováquia, onde morreu de inanição em 1943. (Ver Blastomicose européia; Criptococose; Cryptococcus neoformans).

Fontes: www.16; www.18.

Busse, Otto: médico alemão nascido em 1867, em Gühlitz, e falecido em 1922, em Zurique, Suíça. Doutorou-se em medicina em Greifswald (Alemanha), em 1892. Dez anos depois, nessa mesma cidade, tornou-se assistente do Instituto Patológico, sob a orientação de Paul Otto Grawitz. Em 1904, Busse assumiu a chefia do Departamento de Anatomia Patológica do Instituto Higiênico existente em Posen. Tornou-se professor de anatomia patológica em Zurique em 1911. Busse é conhecido principalmente por suas investigações sobre fungos patogênicos, tendo publicado Die Hefen als Krankheitserreger (As leveduras como fungos patogênicos) em Berlim, em 1897. Estudou a blastomicose européia que, por isso, é chamada também de doença de Busse-Buschke. (Ver Blastomicose européia; Criptococose; Cryptococcus neoformans).

Fontes: www.25; www.55.

 

C

Canaca: natural ou habitante do Havaí. Designa também os nativos da Nova Caledônia e de outras ilhas da Melanésia, no Oceano Pacífico.

Fontes: Ferreira, 1999; Houaiss, 2001; Webster, 1971.

Cancro duro: lesão típica da sífilis primária, caracterizada por ulceração dura e indolor, geralmente localizada na região genital. Constitui a primeira fase da doença, que vai desde o desenvolvimento do cancro até o surgimento da erupção. Inicia-se, geralmente, cerca de um mês após o contágio e involui espontaneamente em três a cinco semanas. Durante muito tempo, as manifestações clínicas da sífilis foram identificadas às da gonorréria. Em 1838, o dermatologista francês Phillippe Ricord (1800-1889) estabeleceu as diferenças entre elas e definiu os estágios primário, secundário e terciário da sífilis. Também chamado cancro sifilítico ou lesão primária. (Ver Sífilis).

Fontes: Bier, 1957; Houaiss, 2001; Landouzy & Jayle, 1902; Littré & Gilbert, 1908; Stedman, 1979; Veronesi, 1982; Wyngaarden, 1992; www.164.

Cancro mole: também conhecido como cancróide, cancro venéreo simples, úlcera de Ducreyi, úlcera mole, úlcera venérea simples, ou, popularmente, como "cavalo". Trata-se de uma infecção aguda, tipicamente humana e de transmissão sexual, causada pelo Haemophilus ducreyi, um cocobacilo gram-negativo, com as extremidades arredondadas, de difícil crescimento em meios de cultura (mesmo em condições ideais, apenas 65% têm o crescimento esperado). Somente em 1900 Fernand Bezançon conseguiu cultivar esse microrganismo em meios à base de gelose e sangue de coelho. A etiologia do cancro mole foi objeto de intensa disputa até a segunda metade do século XIX. Enquanto alguns autores sustentavam sua identidade com o cancro sifilítico, outros afirmavam tratarse de nova patologia, originada de um germe singular. As características específicas da doença foram estabelecidas por Léon Bassereau (1810-1887) em Traité des affections de la peau symptomatiques de la syphilis (Tratado das afecções sintomáticas da sífilis na pele), e por Phillippe Ricord (1800-1889), em "Lettres sur la syphilis" (endereçadas ao editor chefe da Union Médicale), ambos publicados em Paris, em 1852. Em 1889, o médico italiano Augusto Ducrey (1860-1940) isolou o agente causador do cancro mole e conseguiu reproduzir no homem a ulceração típica e todos os estágios da enfermidade. Ainda nesse ano, a experiência de Ducrey foi reproduzida por Charles Nicolle (1866-1936), em macacos. A existência do bacilo foi comprovada também por Primo Ferrari e Mannino De Luca, em 1889, e por Paul Gerson Unna (1850-1929), em 1892. A doença ataca principalmente a genitália externa, mas pode comprometer o ânus e, mais raramente, os lábios, a boca, a língua e a garganta. Caracterizada por ulceração acompanhada de adenite infecciosa e abscesso ganglionar, a afecção tem nítido predomínio no sexo masculino, mas ocorre também em mulheres. Contagiosa por inoculação, disseminase por meio do pus gerado no local da infecção. De quatro a cinco dias após o coito, surge uma pápula inflamatória que evolui, em dois a três dias, para uma ulceração típica bastante dolorosa, que pode ser múltipla, mas na maioria dos casos é única. Embora haja uma associação entre cancro mole e sífilis em cerca de 10% das úlceras genitais, no caso do cancro mole estas apresentam-se com uma consistência não endurecida (mole), bordos avermelhados e bem definidos, a pique, fundo sujo e purulento e odor fétido. Diferentemente da úlcera sifilítica, o cancróide não cicatriza espontaneamente. Não existe teste sorológico que permita o diagnóstico deste; o diagnóstico se faz clinicamente pela identificação da úlcera característica surgida logo após o contato sexual suspeito. Com o uso precoce de antibióticos, não ocorre progressão da adenopatia, mas em casos não-tratados pode evoluir para supuração e fistulização por um único orifício. As primeiras medicações usadas, já na era dos antibióticos, foram as sulfas, depois, as tetraciclinas. O custo é alto em virtude do emprego de medicamentos caros, o que dificulta o tratamento em países pobres, como o Brasil.

O uso de eritromicina fornecida pelo sistema de saúde pública é uma opção boa para todos os casos da doença. Em razão de sua natureza, os parceiros sexuais devem ser tratados conjuntamente. Vacinas para cancro mole estão em fase de desenvolvimento. Considerada a principal doença sexualmente transmissível antes do advento dos antibióticos, continua a ser a causa mais comum de úlceras genitais nos países em desenvolvimento. Após a introdução das sulfonamidas houve queda vertiginosa de sua incidência, mas voltaram a aumentar os casos registrados em certos países a partir do final da década de 1960. A doença permanece endêmica em muitas regiões onde as condições sócio-econômicas são precárias, tendo a prostituição importante papel em sua disseminação. (Ver Cancróide; Sífilis).

Fontes: Bier, 1957; Brouardel & Gilbert, 1896; Cardenal, 1960; Dorland, 1947; Houaiss, 2001; Murray, 1910; Stedman, 1979; Veronesi, 1982; Wyngaarden, 1992; www.78; www.79; www.80; www.175.

Cancróide: que se assemelha ao câncer, possuindo grau menor de malignidade. Termo usado, também, para caracterizar um epitelioma (tumor de natureza epitelial), com tendência ao endurecimento, também referindo-se a neoplasia maligna (por exemplo, carcinoma de célula basal e outros). O termo cancróide também é utilizado como sinônimo da doença cancro mole. (Ver Cancro mole).

Fontes: Cardenal, 1960; Houaiss, 2001; Stedman, 1979.

Caquexia: termo que hoje define o grau extremo de enfraquecimento ou a falta geral de nutrição e o desgaste que ocorrem durante doença crônica ou distúrbio emocional. Em Cardenal (1947), é definido como estado de transtorno constitucional profundo e progressivo, originado por diversas causas; e, segundo Murray (1910), o termo era utilizado para caracterizar pacientes que sofriam de tumores malignos ou estados doentios causados por sífilis, disenteria e outras doenças crônicas (a malária, por exemplo, na chamada caquexia palustre). Os indivíduos nessa condição ficam anêmicos e debilitados; a pele se enruga e perde a elasticidade, passando a ter uma aparência amarelada; há perda ou alteração de apetite. A Encyclopædia Britannica (2001) indica que, na década de 1990, descobriu-se a eficácia do uso da talidomida no tratamento da caquexia em pacientes com doenças como Aids, tuberculose e lepra, e que a caquexia seria causada, aparentemente, pela superprodução, pelo corpo, de TNF (tumor necrosis factor - fator de necrose tumoral), proteína naturamente produzida pelas células fagocitárias do organismo humano, que podem englobar e destruir bactérias, vírus e outras substâncias estranhas.

Fontes: Cardenal, 1947; Cardenal, 1960; Dorland, 1947; Encyclopædia Britannica, 2001; Littré & Gilbert, 1908; Murray, 1910.

Carbol sublimado (C H OH): composto cristalizado incolor obtido 2 5

pela destilação do breu de carvão. Pela adição de 10% de água, converte-se num líquido claro, de odor peculiar e sabor ardente. É um germicida poderoso, mas muito tóxico. Em solução a 2,5%, era usado externamente no tratamento de feridas e úlceras; e, internamente, em casos de difteria e bronquite fétida. É empregado, também, a 5%, como desinfetante do ambiente e dos instrumentos cirúrgicos, bem como das mãos do cirurgião. Em estado puro, é cáustico e anestésico local. Era usado, ainda, sob a forma de pomada (a 10%).

Fontes: Cardenal, 1960.

Carcinoma: qualquer dos vários tipos de neoplasia maligna relacionados ao tecido epitelial, opondo-se, assim, aos sarcomas, tumores cancerosos conjuntivos. Em ambos os sexos, ocorre principalmente na pele e no intestino grosso; no homem, no brônquio, estômago ou próstata; e na mulher, na mama e cérvix. Os carcinomas são identificados, histologicamente, pela capacidade invasiva e por alterações que indicam anaplasia, isto é, perda da polaridade dos núcleos, perda da maturação ordenada das células, variação no tamanho e forma delas, acúmulo de cromatina nos núcleos e aumento na reação nuclear/ citoplasmática. Os carcinomas podem ser indiferenciados ou podem se assemelhar a um dos tipos de epitélio normal. Tendem a invadir tecidos circundantes, originando metástases.

Fontes: Larousse, 1971; Houaiss, 2001; Stedman, 1979.

Cardol: líquido oleoso, amarelado, irritante e vesicante, extraído do pericarpo da castanha do caju, fruto encontrado em árvores e arbustos da espécie Anacardium occidentale. Ao final do século XIX, alguns médicos recomendavam seu uso externo em casos de lepra e úlceras cutâneas graves. Em uso interno, foi empregado como vermífugo, não apresentando ação vesicante sobre o tubo digestivo. Utiliza-se o termo cardol, ainda, para designar uma substância obtida pela combinação química da solução de bromo ou hipobromito de sódio com a solução de salol. Também conhecido como tribromosalol - pó cristalino, incolor, insípido, insolúvel em água, dificilmente solúvel em álcool, ácido acético e clorofórmio -, foi preconizado, no passado, como antisséptico intestinal, hipnótico, analgésico e hemostático.

Fontes: Cardenal, 1960; Dorland, 1947; Littré & Gilbert, 1908.

Cavacava: nome popular de uma erva da família Piperaceae, cuja designação científica é Piper methysticum. De suas raízes é preparado um pó com propriedades afrodisíacas, analgésicas, anestésicas (local), tranqüilizantes, anticonvulsivantes, antidepressivas, antiinflamatórias, espasmolíticas, narcóticas e relaxantes. Proibida em certos países (por exemplo, a França), é indicada para estados de agitação, angústia, ansiedade, depressão, estresse, insônia e tensão. O uso da cavacava deve ser evitado em caso de mal de Parkinson, gravidez e amamentação. Também devem evitá-la os usuários de antidepressivos, ansiolíticos, antipsicóticos ou outras substâncias que causem abatimento do sistema nervoso central (hipnóticos, sedativos etc.). O uso prolongado em altas doses pode resultar em inflamações no corpo e nos olhos. Inicialmente, tem efeito estimulante, mas leva a depressão e até mesmo à paralisia do sistema respiratório. Também pode provocar graves prejuízos ao fígado. Foi durante muito tempo prescrita para o tratamento da gonorréia, da incontinência, das vaginites e outras doenças.

Fontes: www.103; www.131.

Chalmugra: óleo amarelo retirado das sementes de Taraktogenos kurzii (família Bixaceae). Contém os ácidos chaumógrico, ginocárdico e hidnocárpico. Há muitos séculos utilizado no Oriente para o tratamento da lepra e de outras doenças de pele, o óleo de chalmugra foi incorporado à medicina ocidental somente no século XIX, quando o médico britânico Frederic John Mouat, do Medical College Hospital de Calcutá, passou a empregá-lo (1854). Originalmente, o óleo era ingerido ou aplicado topicamente nas áreas leprosas do corpo. Embora a administração oral fosse mais eficiente, causava intensas náuseas nos pacientes. Para diminuir as reações adversas, Isadore Dyer, do Louisiana Leper Home, em Carville, passou a utilizar, em 1901, o óleo de chalmugra em forma de pastilhas. Posteriormente, outros médicos tentaram encapsular a substância ou mesmo adicionar água para diminuir as náuseas, mas não foram bem-sucedidos. Pouco antes, em meados da década de 1890, o óleo começou a ser administrado por meio de injeções intramusculares e subcutâneas. Esse método atenuava as náuseas mas era doloroso e produzia fortes reações locais e febre. Por volta de 1913, Victor Heiser e Elidoro Mercado experimentaram no San Lazaro Hospital, em Manila, injeções hipodérmicas contendo chalmugra e uma solução de cânfora e resorcina, para facilitar a absorção da substância. Ainda na década de 1910, começaram a ser utilizados alguns derivados do óleo de chalmugra, como o ácido ginocárdico e os ésteres etílicos. Na década de 1940, foram gradualmente substituídos, mas não sem resistências, pela sulfona e seus derivados no tratamento do mal de São Lázaro. A toxidez desses antibióticos, somada ao elevado custo de sua utilização em massa, assegurou, contudo, o uso por mais alguns anos do óleo de chalmugra, até mesmo como complemento das novas terapias. Em 1953, um comitê de especialistas da Organização Mundial de Saúde deu unânime sanção à superioridade das sulfonas no tratamento da hanseníase, sanção corroborada no Sexto Congresso Internacional de Lepra, reunido em Madri naquele mesmo ano. Durante o século XIX acreditou-se que o óleo de chalmugra fosse extraído das sementes da Gynocardia odorata. Tal engano deve-se, provavelmente, aos estudos de William Roxburgh, cirurgião e naturalista que foi o primeiro (ou um dos primeiros) a descrever, no Ocidente, o medicamento e seu uso contra a lepra. No catálogo de plantas que publicou em 1815, Roxburgh identificou equivocadamente como sementes de Gynocardia odorata as que provinham da Kalaw, uma árvore indicada pelo folclore birmanês e indiano como capaz de curar a lepra. Somente em 1901 David Prain relacionou sementes do óleo de chalmugra vendidas em Calcutá à verdadeira espécie, a Taraktogenos kurzii. Experiências realizadas por Frederick B Power, em 1904, comprovaram que a Gynocardia odorata não produzia o óleo de chalmugra. Os primeiros textos aiurvédicos escritos no sul da Índia também associam o chalmugra à espécie posteriormente denominada Hydnocarpus wightiana (família Flacourtiaceae).

(Ver Ácido chalmógrico; Lepra).

Fontes: Grant, 1944; Obregón, 2002; Parascandola, 2003; Stedman, 1979.

Charcot, Jean-Martin: médico francês nascido em Paris a 29 de novembro de 1825, no seio de uma família originária de Champagne. Considerado o precursor da patologia nervosa moderna, foi o primeiro professor da matéria, assumindo em 1872 a cátedra da Faculdade de Medicina da Universidade de Paris. Foi, também, um dos fundadores de famosa clínica neurológica na França, em La Salpêtrière, hospital assim chamado por ter sido inaugurado em local onde antes funcionara o depósito de armamentos e pólvora de Luís XIII. O nome de Charcot está ligado a grande número de descobertas, principalmente na área dos estudos do sistema nervoso. Seus experimentos com a hipnose para a investigação da histeria atraiu a suas aulas enorme quantidade de alunos. Entre os discípulos que se tornaram famosos estavam Desiré-Magloire Bourneville, Joseph Jules Babinski, Pierre Marie e Sigmund Freud, o qual utilizou as técnicas de hipnose para investigar as origens psicológicas da neurose. Charcot interessou-se pela doença de Parkinson, a esclerose lateral amiotrófica -conhecida como "doença de Charcot" -, a poliomielite, a tabes; estabeleceu a diferença entre as convulsões histéricas e epiléticas e o papel motor da circunvolução frontal ascendente do cérebro. Jean-Martin Charcot foi também vice-presidente da Sociedade de Biologia (1860), membro da Academia de Medicina (1872), da Academia de Ciências (1883) e de várias outras sociedades científicas. A partir de 1890, seu estado de saúde deteriorou-se, e Charcot sofreu vários ataques de angina até falecer, repentinamente, de edema pulmonar, a 16 de agosto de 1893, em Lac des Settons, Nièvre.

(Ver Cristais de Charcot).

Fontes: D'Elia, 1926; Larousse, 1971; Larousse, 1998; www.87; www.118.

Continuar: parte 2 de 5