Adolpho Lutz: sumário, glossário e índices
Glossário
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.
Cloral hidratado ou hidrato de cloral [Cl CHO(OH) ]: substância 3 2 extremamente tóxica e irritativa das mucosas, empregada na fabricação de diclorodifeniltricloretano, inseticida mais conhecido pela sigla DDT. Descoberta em 1832, é obtida pela combinação de cloro com álcool. Quando acrescido de água, forma o hidrato de cloral, usado como soporífero.
Fontes: www.82; www.88; www.89.
Clorose: afecção anêmica que parece ser mais comum em mulheres jovens, evidenciada pela tonalidade amareloesverdeada da tez e relacionada a distúrbios na menstruação ou desânimo geral. Denominada Morbus virginum na Idade Média (conceito emprestado de Hipócrates), depois Morbus amatorium e Febris alba virginica. Também conhecida como anemia clorótica, cloranemia e cloremia.
Fontes: Larousse, 1971; Houaiss, 2001; Murray, 1910.
Cocainum muriaticum [C H NO HCl]: ou cloridrato de cocaína: 17 21 4 Composto químico obtido a partir do tratamento da pasta de coca, extraída das folhas da planta Erythroxylum coca, com ácido clorídrico. Apresenta-se em forma de cristais incolores ou pó cristalino branco. É solúvel em água e álcool, insolúvel em éter, podendo constituir droga venenosa e causadora de dependência. O alcalóide cocaína foi isolado pela primeira vez em 1859 pelo médico alemão Albert Niemann (18341861), da Universidade de Göttingen. Somente em 1880, as propriedades anestésicas da cocaína foram reconhecidas pelo russo Vassili von Anrep, da Universidade de Würzburg. Utilizada inicialmente como anestésico local em cirurgias oftalmológicas, o cloridrato de cocaína ganhou o apoio de médicos no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. Entusiasmado com os estudos de Theodor Aschenbrandt, que descreveu o reforço, propiciado pela substância, da resistência de soldados bávaros em manobras militares, o jovem neurologista Sigmund Freud (1856-1939) afirmou que pequenas doses regulares podiam ser bem-sucedidas no tratamento da depressão e da indigestão. Nesse período, a cocaína foi comercializada livremente para uso medicinal, sendo também administrada como tônico, em forma de supositórios e de pastilhas expectorantes.
Fontes: Turner, 1950; www.7; www.201; www.232.
Coccidioidomicose: doença causada por fungos da espécie Coccidioides immitis, também conhecida como doença de Posadas, doença de Posadas-Wernicke, micose de Posadas, doença de Posadas-Rixford, doença de Wernicke-Posadas, granuloma coccidioidal, doença da Califórnia, ou, ainda, reumatismo do deserto, febre do deserto, febre de São Joaquim, febre do Vale de São Joaquim e febre do vale. É causada por partículas de poeira contendo o artroconídio do Coccidioides immitis, fungo que viceja em regiões dos Estados Unidos (Arizona, Novo México, oeste do Texas e Vale de São Joaquim, na Califórnia), na parte baixa do Deserto de Sonora (que cobre as áreas do sudoeste do Arizona, sudeste da Califórnia, a maior parte da Baja California e a metade oeste do estado de Sonora, no México), em partes da América Central, Argentina, e no noroeste do México. Desastres naturais, como tempestades de vento e terremotos, contribuem para o aparecimento da doença. As áreas endêmicas estão restritas a regiões desérticas ou semi-áridas semelhantes ao Nordeste do Brasil, onde alguns casos também têm sido relatados. São mais suscetíveis à doença fazendeiros e trabalhadores que manipulam o solo, e que têm, assim, maior probabilidade de inalar os esporos do Coccidioides immitis. Grande parte dos indivíduos com a forma aguda primária não apresentam sintomas. Quando estes ocorrem, podem se manifestar de uma a três semanas após a infecção. Alguns indivíduos apresentam o chamado reumatismo do deserto, uma condição caracterizada por conjuntivite, artrite e eritema noduloso. A doença ocorre sob a forma aguda primária, isto é, como infecção pulmonar leve que desaparece sem tratamento, ou sob a forma progressiva, como infecção grave que se dissemina por todo o corpo (ossos, fígado, baço, rins, cérebro e meninges). Neste caso, é freqüentemente fatal. Os indivíduos com a forma progressiva são tratados com substâncias antimicóticas (anfotericina B intravenosa ou com fluconazol oral). Não se observou até hoje a transmissão do animal para o homem, nem do homem para o homem. A doença foi diagnosticada, inicialmente, na Argentina por Robert Johann Wernicke e Alejandro Posadas, em 1892. Esses médicos publicaram trabalhos independentes nos quais descreviam um quadro inicial de micose fungóide com psorospérmios. O cirurgião Emmet Rixford observou outro caso da doença, em 1893; novos casos foram registrados na Califórnia em 1894 e 1896, isolando-se o fungo a partir do solo das áreas desérticas do Vale de São Joaquim. O organismo causador da doença foi denominando Coccidioides immitis e definitivamente caracterizado por William Ophüls e H. C. Moffit (1871-1933) em "A new pathogenic mould formely described as a protozoan: Coccidioides immitis pyogenes: preliminary report", Philadelphia Medical Journal, 1900, n.5, p.1471-2.
(Ver Psorospermose; Blastomicose sul-americana).
Fontes: Houaiss, 2001; www.19; www.29; www.34; www.38.
Coccídios: gênero de protozoários que parasitam vertebrados e invertebrados. Atacam o epitélio intestinal, as células sanguíneas e outras células do hospedeiro. São seres unicelulares destituídos de organelas especiais de locomoção. Fazem parte do filo dos apicomplexos, uma das subdivisões do reino dos protistas, que reúne outras espécies parasitas de animais, cujos ciclos de vida incluem estágios de esporo ou cisto.
(Ver Psorospérmios; Psorospermose).
Fontes: Houaiss, 2001; Koogan-Houaiss, 2004.
Cogumelo: corpo de frutificação relativamente grande de fungos da classe dos Basidiomycetes, fungos filamentosos, providos de hifas septadas, com reprodução sexuada por basidiósporos. Esses fungos pluricelulares, destituídos de clorofila, são constituídos de duas partes: a que fica dentro da terra, o micélio, vive da matéria em que está imersa e que lhe fornece alimento; a parte acima da terra, chamada corpo de frutificação ou basidiocarpo, produz células chamadas basidiósporos, a partir dos quais desenvolvem-se novos seres. O chapéu, que as pessoas habitualmente chamam de cogumelo, é, na realidade, o otalo ou estipe que brota do micélio. (Ver Esquizomiceto; Fungo; Hifa).
Fontes: Houaiss, 2001; Silveira, 1981.
Colódio: líquido pesado e incolor, obtido através da dissolução da poroxilina, ou algodão-pólvora, em éter e álcool. Quando estendido sobre uma superfície, esse líquido viscoso forma uma película protetora depois que evapora o solvente, o que explica a expressão "colódio sublimado" empregada por Adolpho Lutz. É usado como veículo para a aplicação local de substâncias medicinais, para revestir feridas, queimaduras e úlceras de modo a impedir a ocorrência de infecção, e ainda, como protetor de lâminas, na fabricação de tampões impermeáveis ao ar e de filtros especiais para estudos sobre vírus.
Fontes: Cardenal, 1960; Larousse, 1971; Koogan-Houaiss, 2004; Stedman, 1979.
Coloração: técnica de preparação de cortes microscópicos; consiste em embebê-los em corantes que se fixam eletivamente em tais ou quais elementos, tornando mais fácil sua observação. Para os tecidos animais, emprega-se a hematoxilina, a eosina e o azul-de-metileno, a água iodada etc; em bacteriologia, usa-se especialmente a fucsina amoniacal (método de Gram), que divide as bactérias em grampositivas e gram-negativas, conforme fixem ou não o corante. (Ver Fucsina; Método de Gram).
Fontes: Larousse, 1971.
Coloração de van Gieson: método de corar preparações histológicas com o mais antigo corante em uso, o de van Gieson, constituído por 0,05 parte de fucsina ácida e cem partes de solução de ácido pícrico saturado. Em presença do ácido pícrico, a fucsina ácida cora o tecido colágeno em vermelho intenso, muito eletivo. O método tem o defeito de dar coloração muito pálida aos citoplasmas suscetíveis ao ácido pícrico. (Ver Ácido pícrico; Fuscina).
Fontes: Cardenal, 1947; Fernandes, 1943.
Condiloma: designação de vários tipos de lesões, cutâneas ou das mucosas, sexualmente transmissíveis, causadas por vírus e bactérias, entre as quais destaca-se a pápula úmida e plana da sífilis secundária, também conhecida como condiloma latum. Tem a forma de um tumor benigno arredondado, de uma verruga molusciforme ou de uma excrescência papiliforme, ocorrendo, em geral, no ânus, na vulva ou sobre a glande do pênis. Segundo Murray (1910), os condilomas eram comumente encontrados em conexão com a umidade e irritação devidas às secreções corrosivas, especialmente as resultantes de infecções venéreas. D'Elia (1926) diferenciava os condilomas acuminado e plano.
Fontes: D'Elia, 1926; Larousse, 1971; Houaiss, 2001; Koogan-Houaiss, 2004; Murray, 1910; Stedman, 1979.
Condroma: tumor benigno ou crescimento semelhante a um tumor de células mesodérmicas que formam a cartilagem.
Fontes: Houaiss, 2001; Stedman, 1979.
Condurango: designação comum de determinadas espécies de plantas trepadeiras nativas das Américas do Sul e Central. A casca da espécie Gonolobus condurango, também conhecida como Marsdenia condurango (família Asclepiadaceae), era utilizada, no passado, no tratamento de câncer. A espécie de condurango nativa do Brasil, pertencente à família das vitáceas (Vitis sulcicaulis) -conhecida popularmente como chupão, cipó-d'água, cipó-mãe-boa, mãe-boa - tem caule sarmentoso, seiva potável, folhas adstringentes, flores esverdeadas e fruto comestível em forma de baga ovóide e preta, com semente.
Fontes: Cardenal, 1960; Ferreira, 1999; Grant, 1944; Houaiss, 2001; Stedman, 1979.
Cornil, André Víctor: médico e político francês, nascido em Cusset, em 1837, e falecido em Menton, em 1908. Deputado, professor da Faculdade de Medicina de Paris, é autor de trabalhos sobre histologia e bacteriologia. Em 1875, relatou o uso de tinturas de anilina para reconhecer os amilóides, substância glicoprotéica que ocorre como depósitos patológicos extracelulares abaixo do endotélio de capilares ou sinusóides, nas paredes de arteríolas e em vários órgãos. Com um método de coloração metacromático, baseado no violeta de metila, Cornil pôde reconhecer a natureza extracelular dessas formações anormais. Em colaboração com Victor Babes (1854-1926), publicou, em 1885, Les bactéries et leur rôle dans l'anatomie et l'histologie pathologiques des maladies infectieuses (As bactérias e sua relação com a anatomia e histologia patológica das doenças infecciosas). Com Louis-Antoine Ranvier (1835-1922), Cornil escreveu Manuel d'histologie pathologique, um manual de histopatologia que é considerado um dos marcos da medicina do século XIX.
Fontes: Larousse, 1971; www.26; www.27; www.28.
Creosoto: líquido oleoso, volátil, pirogêneo e de odor penetrante, obtido pela destilação de alcatrão da madeira de algumas espécies vegetais. Constituído por uma mistura de diversos fenóis (principalmente de metilguaiacol, guaiacol e creosol), é solúvel em água, álcool, éter ou clorofórmio. Na medicina, foi utilizado como antisséptico, anestésico local e cáustico. Era também usado como expectorante e contra a cárie dentária. (Ver Guaiacol).
Fontes: Grant, 1944; Houaiss, 2001; Koogan-Houaiss, 2004; Stedman, 1979.
Criptococose: no passado, conhecida como blastomicose européia, doença de Buschke ou doença de Busse-Buschke; também foi chamada de torulose porque o agente causador teve como sinonímia o nome "torula histolítica". Trata-se de uma infecção aguda, subaguda ou crônica relacionada a uma micose pulmonar, sistêmica ou meníngea. O agente é o Cryptococcus neoformans, levedura encapsulada que existe em toda parte e que, em geral, é inalada. A infecção pulmonar primária é freqüentemente assintomática, e pode permanecer no pulmão ou desenvolver uma forma crônica com lesões em outros órgãos do corpo.
A criptococose é considerada uma infecção oportunista, pois afeta principalmente indivíduos que sofrem de imunossupressão.
O gênero Cryptococcus compreende 37 espécies, mas o maior patógeno humano é o C. neoformans. A literatura médica relata poucos casos de criptococose causados por outras espécies (C. albidus e C. laurentii).
A doença foi descrita pela primeira vez em 1893, por Otto Busse e Abraham Buschke, na Alemanha. Na perna esquerda de uma paciente de 31 anos, reconheceram, inicialmente, um tumor, mas ao retirarem pus da lesão óssea, os dois médicos identificaram o parasito no exame miscroscópico e em culturas, daí resultando a identificação do primeiro caso de criptococose. A doença já foi observada, esporadicamente, em todos os mamíferos domésticos, mas ocorre, sobretudo, em gatos e cães; poucas vezes foi assinalada em eqüinos. Pode causar o aparecimento de massas tumorais de aspecto mucóide, ou lesões sem aumento de volume, mas de consistência gelatinosa em qualquer parte do organismo, com acentuada preferência pelo cérebro e pelas meninges. Não obstante a criptococose seja chamada de blastomicose européia, Rhoda Behnam demonstrou, em 1934, que é diferente da blastomicose. (Ver Cryptococcus neoformans).
Fontes: Stedman, 1979; www.17; www.59.
Criptógama: designa originalmente um dos dois grupos incluídos por Carl von Linné 1707-1778) no reino vegetal, o qual incluía algas, fungos, musgos e fetos. Atualmente, não existe mais como grupo sistemático, com a transferência de seus componentes para outros grupos. O termo continua sendo utilizado, porém, para designar qualquer vegetal que não possui órgão sexual aparente e que se reproduz por meio de esporos ou gametas, em vez de sementes.
Fontes: Ferreira, 1999; Houaiss, 2001; www.158.
Crisarobina: mistura de substâncias do angelim-araroba (Vataireopsis araroba), árvore frondosa nativa do Brasil. Ela produz flores róseas e vagens ovóides, e da casca que reveste sua madeira de qualidade obtém-se, por trituração, o pó de araroba. Também conhecida como extrato de pó de Goa, a crisarobina é uma mistura complexa de produtos de redução de ácido crisofânico, emodina e éter monometílico de emodina. Era usada como antissépico e purgante, sendo também eficaz no tratamento da psoríase, de eczemas e de doenças cutâneas, especialmente aquelas de caráter parasitário, como pitiríase versicolor, tinha tonsurante e eczema marginado.
Fontes: Dorland, 1947; Houaiss, 2001; Stedman, 1979; www.64.
Cristais de Charcot: coleções de cristalóides octaédricos formadas pela proteína de membrana do eosinófilo, um granulócito que estabiliza e preserva corantes ácidos e que está associado a processos defensivos e inflamatórios do organismo. São encontrados no escarro de indivíduos com bronquite asmática, nas fezes de pacientes com colite ulcerativa e no sangue de leucêmicos. Friedrich Albert von Zenker (1825-1898) foi o primeiro a observar esses cristais em 1851; dois anos depois, foram descritos, concomitantemente, por Jean-Martin Charcot e Charles-Philippe Robin (1821-1885). Em 1872, Ernst Viktor von Leyden (1832-1910) estudou-os, e por isso são chamados de cristais de Charcot-Leyden. Outras denominações são cristais de Charcot-Robin, cristal da asma e cristal de Arthus (Nicolas Maurice Arthus, 1862-1945). (Ver Charcot, Jean-Martin).
Fontes: D'Elia, 1926; Larousse, 1971; www.87; www.118.
Croococáceas: designação comum das algas cianofícias da ordem Chroococcales. São constituídas por células simples independentes, não diferenciadas na base e no ápice. Multiplicam-se por divisão celular simples, podendo, em seguida, permanecer reunidas em colônias de forma característica (laminar, esférica). Incluem espécies bênticas ou planctônicas, algumas aerofíticas, outras formando parte de líquens.
Fonte: Joly, 1977; Quer, 1965.
Crudeli, Corrado Tommasi: médico italiano nascido na Toscana, em 1834, e falecido em 1900. Discípulo de Rudolf Virchow (1821-1902), Tommasi Crudeli é conhecido sobretudo como um dos primeiros citologistas do século XIX, fundador de duas faculdades de medicina na Itália, do Instituto Nacional de Higiene em Roma e de um hospital na Sicília. Foi, também, autor da primeira reforma sanitária da Itália unificada. Professor de anatomia patológica em Roma, descreveu, em 1879, juntamente com o bacteriologista alemão Edwin Klebs, o Bacillus malariae, microrganismo que encontraram no solo da campanha romana e que consideraram o causador da malária. Encontrado em solo úmido e no ar de baixas altitudes, seria cultivável em gelatina de peixe. De acordo com os dois pesquisadores, a injeção de solo infectado com tal microrganismo em coelhos produzia, nestes, febre malárica e dilatação do baço, reações distintas daquelas notadas em experimentos com solo de regiões livres de malária. Consta, ainda, que teriam verificado que humanos submetidos a uma injeção de cultura pura do Bacillus malariae desenvolviam os sintomas característicos da doença. (Ver Klebs, Edwin).
Fontes: www.127; www.180; www.224; www.203.
Cryptococcus neoformans: uma das 37 espécies do gênero Cryptococcus, que se reproduz por brotamento e que não desenvolve esporos. O Cryptococus neoformans é um fungo encapsulado, que mede de 4 a 6 mícrons, envolto por uma cápsula de polissacarídio, cuja espessura varia de 1 a 30 mícrons. Principal agente causador da criptococose (também conhecida como blastomicose européia ou torulose), ataca a pele, os pulmões e, principalmente, o cérebro e suas membranas. O C. neoformans foi primeiramente isolado a partir do suco de pêssego, na Itália, em 1894, por Francesco Sanfelice. Quase na mesma época, dois médicos alemães, Abraham Buschke e Otto Busse, isolaram o fungo a partir de lesões que tinham a aparência de um sarcoma. Sanfelice chamou essa levedura criptógama de Saccharomices neoformans; Busse denominou-a Saccharomyces hominis. A doença causada pelo fungo seria chamada de sacaromicose. Em 1895, o patologista francês Ferdinand Curtis descreveu aquele fungo como parasita vegetal pertencente à espécie das leveduras que causavam tumores macios nos tecidos, alguns deles de aparência mixomatosa. Curtis deu a essa levedura encapsulada o nome de Megalococcus myxoides. Em 1901, o micologista francês Jean-Paul Vuillemin reclassificou-a no gênero Cryptococcus (do grego, kryptos: escondido), em virtude da ausência de endosporos. (Ver Criptococose; Saccharomyces).
Fontes: Stedman, 1979; www.17.
D
Danielssen, Daniel Cornelius: médico norueguês nascido em 4 de julho de 1815, em Bergen. Após graduar-se em medicina pela Universidade de Cristiânia (hoje, Oslo), em 1839, fez estudos de aperfeiçoamento em fisiologia, química e doenças de pele, dando início às investigações sobre a lepra no St. Jorgens Hospital. Nessa instituição conheceu Carl Wilhelm Boeck, em julho de 1840, com quem passou a trabalhar em colaboração nas pesquisas sobre a morféia. Com a chancela do governo norueguês, publicaram em 1847 Om Spedalskhed (Sobre a Lepra) obra de referência na moderna literatura sobre a doença. Sogro de Gerhard Armauer Hansen (1841-1912), Danielssen divergiu do genro no tocante à transmissão da lepra. Da mesma maneira que Boeck, defendia o caráter hereditário da doença, o que não os impediu de investigar outras possibilidades de transmissão, ao passo que Hansen, o descobridor do bacilo da lepra, foi decidido defensor de sua contagiosidade. Danielssen faleceu em Bergen em 13 de julho de 1894. (Ver Boeck, Carl Wilhelm; Lepra).
Fontes: www.231.
Dematiacea: família de fungos imperfeitos, ordem Moniliales, que produz conidióforos (hifa em cuja extremidade se formam esporos) simples. (Ver Fungo; Hifa).
Fontes: Stedman, 1979.
Dermatomicose: infecção da pele produzida por fungos parasitas. O mesmo que dermatofitia.
Fontes: D'Elia, 1926; Houaiss, 2001.
Digitalis: designação comum às ervas do gênero Digitalis, da família das escrofulariáceas, com cerca de 19 espécies, nativas da Europa e da região que se estende do Mediterrâneo à Ásia central. Suas flores têm a forma de dedos de luva, dispostos em cachos levantados. Daí provêm os nomes vulgarmente dados a diversas ervas desse gênero: dedaleira, erva-dedal, luvas de pastora, luvas-delicadas etc.
A espécie mais comum, Digitalis purpúrea, dos terrenos silicosos, tem flores purpúreas; a dos terrenos calcários, flores amarelas. As plantas dessa espécie são conhecidas pelo nome "digital", e o pó feito a partir de suas folhas é um tonicardíaco que diminui o ritmo do coração, regulariza e reforça suas contrações. Tais propriedades são devidas aos glicosídeos que contêm (em particular a digitalina). Da espécie Digitalis lanata são extraídos os cardiotônicos digoxina e o lanatosídeo C. Os derivados digitálicos são empregados em terapêutica por via oral (comprimidos, gotas) ou injetável (intramuscular ou endovenosa). O uso da digitalina em doenças do coração foi introduzido em 1785 pelo médico britânico William Withering.
Fontes: Houaiss, 2001; Larousse, 1971; Koogan-Houaiss, 2004; Stedman, 1979.
Diplococo: bactéria em forma de coco cujos elementos se apresentam unidos em pares. (Ver Bactéria).
Fontes: D'Elia, 1926; Houaiss, 2001; Landouzy & Jayle, 1902; Littré & Gilbert, 1908; Stedman, 1979.
Doença de Duhring: afecção dermatológica crônica caracterizada por graves lesões pruriginosas e extensas erupções pápulo-vesiculares que atingem principalmente cotovelos, couro cabeludo, joelhos, nádegas, nuca e parte superior das costas. Afeta indistintamente homens e mulheres numa proporção de uma a cada cem mil pessoas, sendo mais comum entre brancos do que em negros, e pouco freqüente em asiáticos. A cura espontânea dificilmente ocorre, à exceção das crianças. A taxa de reincidência da enfermidade é bem alta, mas o tratamento com associação de sulfonas e dieta alimentar isenta de glúten produz resultados satisfatórios. Alguns estudiosos consideram a doença de Duhring como uma variação da doença celíaca, cujo traço mais evidente é a sensibilidade a aveia, centeio, cevada, trigo e outros cereais, em todos os seus portadores. Também conhecida como bolha herpetiforme circinada, doença de Brocq-Duhring ou Duhring-Brocq, dermatite herpetiforme, dermatite multiforme e hidroa herpetiforme. (Ver Brocq, Louis-Anne-Jean; Duhring, Louis Adolphus).
Fontes: Cardenal, 1947; Dorland, 1947; Stedman, 1979; www.92; www.93; www.123; www.129.
Duhring, Louis Adolphus: dermatologista norte-americano nascido a 23 de dezembro de 1845, na Filadélfia, graduado e doutorado (1867) pela Universidade da Pensilvânia. Antes de embarcar para a Europa (Paris, Londres e Viena), onde se especializou em dermatologia, trabalhou no Hospital de Bockley. Em 1871, tornou-se professor de doenças de pele na Universidade da Pensilvânia. Teve papel muito importante na descrição da dermatite herpetiforme (1884) ou doença de Duhring, também estudada por William Tilbury Fox e Louis-Anne-Jean Brocq (1888). Morreu em 8 de maio de 1913, na Filadélfia. (Ver Brocq, Louis-Anne-Jean; Doença de Duhring).
Fontes: Cardenal, 1954; Cardenal, 1960; Dorland, 1947; Stedman, 1979; www.92; www.93; www.122; www.123.
E
Ectima: dermatite de cunho erosivo e ulcerativo causada por estreptococos. É mais comum em indivíduos desnutridos que sofrem de diabetes ou que se encontram com o sistema imunológico comprometido. Também ocorre em situações precárias de higiene ou como conseqüência de pequenos traumas, apresentando-se na forma de úlceras bacterianas únicas ou múltiplas cobertas por crostas com localização preferencial nas pernas. D'Elia (1926) revela que o termo "ectima" era empregado pelos antigos para designar afecções dermatológicas variadas ou com definição incerta (furúnculo, sarna etc.). Murray (1910) e Landouzy & Jayle (1902) já concebiam o termo em seu significado atual.
Fontes: Cardenal, 1960; D'Elia, 1926; Dorland, 1947; Houaiss, 2001; Landouzy & Jayle, 1902; Murray, 1910; Stedman, 1979; www.94; www.130.
Eczema: termo genérico que designa afecção alérgica da pele, aguda ou crônica, caracterizada por eritemas, edemas, pápulas, vesículas e reação inflamatória com formação de crostas, seguidas de liquenificação, descamação e, ocasionalmente, escurecimento do eritema. A hiperpigmentação é pouco freqüente, mas não raro há sensação de prurido e queimação. Coloquialmente, usam-se as expressões dermatose seca ou dermatose escamosa como sinônimos de eczema. À época de D'Elia, (1926), admitia-se uma origem microbiana para a doença, conquanto não se houvesse ainda identificado o germe produtor; considerava-se, então, que seu desenvolvimento era favorecido por alteração constitucional (linfatismo, escrópulas na infância, diátese úrica, e outras "discrasias" na idade adulta); por estorvos do estômago, do fígado, dos rins, que ocasionavam modificações na constituição química do sangue e dos humores; e provavelmente por "desconcerto" do sistema nervoso. Com muita freqüência - lê-se, ainda em D'Elia (1926) - a doença tinha como "causa determinante" a influência de agentes externos (substâncias químicas irritantes, irritações térmicas ou mecânicas, trabalhos insalubres etc.) e estorvos locais da circulação (varizes).
Fontes: D'Elia, 1926; Stedman, 1979.
Eczema papuloso: dermatite caracterizada por erupção de pápulas vermelhas isoladas ou agregadas, com intenso prurido.
Fontes: Cardenal, 1960; Stedman, 1979.
Edema (ou doença, síndrome) de Quincke: enfermidade cutânea que se desenvolve de forma esporádica ou hereditária e atinge ambos os sexos. Tem início com o aparecimento repentino de dor e inchaço na região do rosto, língua, pés e órgãos genitais, persistindo por dois ou três dias quando, enfim, desaparece. Também pode causar fortes dores abdominais e até mesmo complicações respiratórias fatais. Marcello Donati foi o primeiro a descrever esse tipo de edema, em 1586, mas só no século XIX a urticária edematosa, como a doença também é conhecida, foi estudada pelo cirurgião e dermatologista britânico John Laws Milton (1820-1898). Em 1882, Heinrich Irenaeus Quincke também a descreveu; doze anos mais tarde foi estudada por Henry Martyn Bannister (1844-1920). (Ver Quincke, Heinrich Irenaeus).
Fontes: Landouzy & Jayle, 1902; Stedman, 1979; www.132; www.141.
Eflorescência: lesão elementar da pele; pode ser primária (manchas vasculares, pigmentárias, purpúreas, exantemas, pápulas, placas de urticárias, tubérculos, gomas, tumorações, vesículas, bolhas, pústulas) ou secundária (erosões, fissuras, rágades, liquenificações, ulcerações, crostas etc.).
Fontes: Larousse, 1971.
Eichstedt, Carl Ferdinand: médico alemão (1816-1892), reconheceu a natureza contagiosa da pitiríase versicolor ao identificar, em 1846, nas escamas das lesões dessa doença, o seu agente: um fungo, posteriormente chamado de Microsporum furfur. Essas investigações, realizadas na Universidade de Greifswald, Alemanha, tiveram início em 1842 e fazem parte das primeiras pesquisas micológicas aplicadas à medicina. (Ver Pitiríase vesicular).
Fontes: www.60; www.63.
Empiema: acúmulo de pus em uma cavidade qualquer do organismo, como, por exemplo, a cavidade pleural, a vesícula biliar, o apêndice cecal e o antro maxilar. Quando utilizado sem qualificação, refere-se a piotórax (pus na cavidade pleural).
Fontes: Ferreira, 1999; Houaiss, 2001; Koogan-Houaiss, 2004; Stedman, 1979.
Enfisema pulmonar: doença caracterizada pelo aumento permanente do volume dos espaços aéreos localizados além dos bronquíolos terminais, seja por dilatação, seja por destruição das paredes alveolares. A lesão dos pequenos sacos aéreos, através de cujas paredes o oxigênio penetra no sangue e o gás carbônico é liberado, faz com que alguns pacientes tenham a pele azulada, já que o teor de oxigênio no sangue se torna menor que o normal. O enfisema pode anular até a metade da capacidade funcional dos pulmões antes que o indivíduo perceba que algo está seriamente alterado em seu organismo. Na maioria das vezes, a doença começa como uma infecção pulmonar, chamada bronquite crônica, e é descoberta através de exame radiográfico do tórax para se ver o estado do coração ou dos pulmões. O paciente apresenta, principalmente, dificuldade de expirar. Outros sintomas são resfriados freqüentes, tosse, excesso de muco na garganta, indigestão e pouco fôlego. A doença afeta sobretudo pessoas do sexo masculino, com 40 anos de idade ou mais.
O enfisema ocasiona perda de elasticidade do tecido pulmonar e permanência nos pulmões, depois de cada respiração, de resíduos de dióxido de carbono que intoxicam o organismo e roubam espaço ao oxigênio inalado; o coração tem de trabalhar mais para que uma quantidade suficiente de oxigênio se incorpore ao sangue, o que, em muitos casos, gera uma afecção cardíaca capaz de levar o paciente à morte. O número de afetados entre fumantes é treze vezes maior que entre não fumantes. A poluição do ar também influi, tendo-se registro de epidemias de enfisema em Londres e nos vales industriais da Bélgica e da Pensilvânia, nos Estados Unidos. A hereditariedade também pode ser um fator etiológico, sabendo-se, hoje, que cerca de um quarto dos pacientes apresenta falta de uma enzima chamada antitripsina alfa, que protege os pulmões contra infecções. O enfisema não tem cura, mas os que começam a se tratar logo que ele se inicia têm vida longa e razoavelmente ativa. Os recursos da medicina para esses casos são medicamentos, hormônios, bombas para introduzir oxigênio sob pressão nos pulmões e, em situações extremas, cirurgia pulmonar. Segundo D'Elia (1926), um dos mais ativos remédios utilizados na época para atenuar a dificuldade respiratória era o iodureto de potássio (0:50 a 1, por dia) associado ou não ao arsênico.
Fontes: D'Elia, 1926; Ferreira, 1999; Houaiss, 2001; Koogan-Houaiss, 2004.
Entozoários: animais pertencentes à classe dos helmintos. Em classificações antigas, táxon que reúne diversos animais endoparasitas, especialmente vermes intestinais, como as tênias, triquinas e áscaris.
Fontes: D'Elia, 1926; Houaiss, 2001; Koogan-Houaiss, 2004.
Erisipela: também chamada mal-do-monte, mal-da-praia, maldita e esipra; doença infecciosa em geral causada pelo Streptococcus pyogenes grupo A, envolvendo, em casos mais graves, outros tipos de bactérias (Staphylococcus, Pseudomonas). O agente etiológico penetra no organismo através de lesões causadas por micose nas unhas (onicomicose) ou entre os dedos dos pés (frieira, pé-de-atleta), arranhões e bolhas na pele, coçadura motivada por picada de inseto etc. A bactéria prolifera principalmente nos vasos linfáticos da pele, podendo atingir o tecido celular subcutâneo. O agente da erisipela foi observado em fins da década de 1870 por Luis Pasteur, na França, e Robert Koch, na Alemanha, no pus de lesões profundas. Culturas puras foram obtidas em 1883 por Friedrich Fehleisen (1854-1924) e, no ano seguinte, por Anton Julius Friedrich Rosenbach (1842-1923) a partir de materiais extraídos de doentes com erisipela. Foi a primeira demonstração de um germe específico a uma infecção cirúrgica. Foi, também, um cirurgião vienense, Theodor Billroth (1829-1894), o autor do termo estreptococo. Rosenbach deu à variedade isolada de lesões supurativas o nome de Streptococcus pyogenes. A classificação foi aperfeiçoada em 1903 por Hugo Schottmüller, graças à técnica de cultivo em placas com ágar e sangue por ele desenvolvida. Em estudos realizados a partir de 1918, no Rockefeller Institute for Medical Research, Rebecca Craighill Lancefield (1895-1981) demonstrou que o grupo A (S. pyogenes) é específico a enfermidades humanas, e que o grupo B está associado a doenças neonatais. Demonstrou, também, que a grande variedade de sorotipos no âmbito do primeiro grupo se deve a variações antigênicas de uma proteína da parede celular que denominou proteína M. O Streptococcus pyogenes é um dos mais freqüentes patógenos de humanos. Estima-se que entre 5 a 15% de indivíduos normais o hospedem, sem apresentar sinais de doença. Quando a bactéria é introduzida em tecidos vulneráveis, podem ocorrer vários tipos de infecção supurativa no trato respiratório, na corrente sanguínea e na pele, infecções que, à época de Adolpho Lutz, foram responsáveis por muitas mortes. Além de ser o principal agente da erisipela, o Streptococcus pyogenes está relacionado à febre puerperal, à escarlatina, à faringite, à tonsilite, ao impetigo, à celulite e a outras infecções, que podem resultar em seqüelas pós-estreptocócicas, como febre reumática e glomerulonefrite agudas. Pacientes com insuficiência venosa crônica ou diminuição do número de vasos linfáticos têm predisposição maior a adquirir a erisipela, como é o caso de mulheres submetidas à mastectomia ou portadoras de linfedema. Surtos repetidos de erisipela podem causar a elefantíase nostra, com aumento de volume do local afetado em virtude de edema duro e persistente, adquirindo a pele aspecto verrucoso. A localização mais comum da erisipela é na face ou no couro cabeludo, mas ela acomete outras partes do corpo, inclusive as meninges, segundo D'Elia (1926). Clinicamente, caracteriza-se por febre forte, inflamação da cútis, com calor, vermelhidão e inchação da pele e das glândulas linfáticas vizinhas, abundante suor seroso depositado na epiderme, no tecido conectivo subcutâneo, chegando à supuração. O paciente pode apresentar perda de apetite, agitação e dores nas juntas. O tratamento consiste, principalmente, no uso da penicilina e de sulfas. Fontes mais antigas atribuem a doença ao Streptococco erysipelatis, que D'Elia (1926) qualificava como micrococo facultativamente anaeróbio, e que normalmente era encontrado no ar, na água e no solo, e ainda sobre a pele, na boca e no duodeno. Epidemias de erisipela, bastante comuns no passado, tornaram-se raras graças aos progressos do saneamento e ao advento dos antibióticos. Contudo, recentemente, e por razões que ainda estão pouco claras, houve um ressurgimento de infecções graves por Streptococcus pyogenes, que às vezes deixam sérias seqüelas.
(Ver Estreptococo).
Fontes: D'Elia, 1926; Ferreira, 1999; Houaiss, 2001; Koogan-Houaiss, 2004; Stedman, 1979.
Eritema ou dermatite eritematosa: vermelhidão da pele devida à vasodilatação dos capilares cutâneos conseqüente a diversas causas. Via de regra, é temporária e desaparece momentaneamente à pressão do dedo.
Fontes: Ferreira, 1999; Larousse, 1971.
Eritema nodoso: inflamação aguda do tecido subcutâneo que acomete preferencialmente as extremidades inferiores. Caracteriza-se pela presença de nódulos dolorosos, profundos e macios, provenientes da exsudação de sangue e soro, quase sempre acompanhados de ardência e intenso prurido. A doença foi descrita pela primeira vez em 1808 pelo dermatologista inglês Robert Willan (1757-1812). Em 1860, Ferdinand von Hebra (1816-1880) estabeleceu sua especificidade, separando-a das lesões incluídas no grupo do eritema multiforme. Também conhecida por eritema tuberculoso ou peliose reumática.
Fontes: Cardenal, 1947; Ferreira, 1999; Fitzpatrick, 1971; Larousse, 1971; Houaiss, 2001; Murray, 1910; Stedman, 1979; www.169; www.211.
Escabiose: no Brasil, o mesmo que coruba ou curuba, já-começa, jareré, jereré, pereba, pira ou sarna. Enfermidade cutânea contagiosa que atinge homens e animais, nestes provocada por diversos tipos de ácaros e, naqueles, pelo Acarus scabei ou Sarcoptes scabiei. Transmitida por contato direto com a pele infectada, por relações sexuais ou pelo uso compartilhado de roupas. O parasita macho abre cavidades na pele, e a fêmea coloca aí seus ovos, que eclodem sete a dez dias depois, gerando novos parasitas. A escabiose ocorre em homens e mulheres de qualquer idade, e nem sempre tem relação com más condições de higiene. Manifesta-se através de intenso prurido, pápulas, vesículas e ferimentos que se alastram pela região do abdome, braços, genitais e pernas. Nos animais, atinge o abdome, as patas, o peito e as orelhas, podendo causar perda definitiva ou temporária de pêlos (alopecia). O tratamento da doença é feito por via oral e com aplicações locais, recomendando-se até mesmo o isolamento do paciente. Além disso, devem ser substituídas diariamente todas as roupas, inclusive as de cama e de banho. Existe um tipo de sarna, chamada "norueguesa", cujo grau de infecciosidade é bastante elevado e cujos sintomas são mais graves que o normal, com intensa escamação. Estima-se que todos os anos surgem 300 milhões de novos casos de escabiose no mundo; seu agente patogênico é conhecido há pelo 2.500 anos.
Fontes: Houaiss, 2001; www.84; www.91; www.95; www.97; www.98; www.136; www.157.
Escarlatina: patologia infectocontagiosa de caráter epidêmico que se caracteriza pelo aparecimento de exantema avermelhado - daí o nome derivado de escarlate -, de enantema das mucosas, principalmente na superfície interna das bochechas e faringe, além de febre alta e escamação generalizada. Causada pelo Streptococcus scarlatinae, a doença ocorre em todas as idades e requer intervenção terapêutica à base, hoje, de antibióticos. Seu quadro clínico envolve incubação de quatro dias, angina e pirexia ao final de 24 a 48 horas, erupção cutânea pelo peito, pescoço e virilha; descamação da pele entre o sétimo e o oitavo dia, irrompimento de placas ao longo de várias semanas e alteração do tecido da mucosa bucal. Nos casos mais graves, há abscessos que se prolongam por muito tempo, e até mesmo reumatismo, otite e nefrite. Cardenal (1960) classifica a doença em: "ambulatória", forma benigna com ausência de febre; "anginosa", indicada pela exasperação dos sintomas faríngicos; "apirética", com evolução benigna dos sintomas iniciais e leve estado febril; "hemorrágica", com expelição de sangue na pele ou na urina; "latente", com ausência de erupção cutânea, mas evolução de angina da faringe e nefropatia; "maligna", na qual os sintomas mais graves se intensificam, produzindo grande debilidade física, "nervosa", forma em que preponderam convulsões e sintomas cerebrais; e, finalmente, "papulosa", com aparecimento de pápulas. As epidemias de escarlatina são conhecidas desde a Antiguidade: foram descritas pela primeira vez por Hipócrates no século 5 a.C. e por Cornelius Celsius no século 1 d.C. Até 1676, quando Thomas Sydenham (1624-1689) estabeleceu as características distintivas da enfemidade, era considerada uma variedade de sarampo ou de varíola. Sua origem estreptocóccica foi identificada por Friedrich Loeffler (1852-1915) e confirmada por Klein em 1886. Em 1923, os microbiologistas norte-americanos Gladys Rowena Dick (1881-1963) e George Frederick Dick (1881-1967), em conjunto com Alphonse Dochez (1882-1964), comprovaram a etiologia específica da doença quando a reproduziram experimentalmente em humanos.
Fontes: Cardenal, 1954; Cardenal, 1960; D'Elia, 1926; Larousse, 1971; Houaiss, 2001; Schreiber & Mathys, 1991; Stedman, 1979; www.99; www.100; www.101; www.121; www.5.
Escleroma, esclerema ou escleroderma: pequena área anormalmente endurecida e circunscrita, que ocorre especialmente nos tecidos do nariz e da laringe, mas também em outras regiões da pele e da mucosa.
Fontes: Cardenal, 1960; Houaiss, 2001; Stedman, 1979.
Espirais de Curschmann: aglomerado helicóide encontrado no escarro de pacientes com bronquite asmática, descrito por Heinrich Curschmann, médico em Leipzig (1846-1910).
Fontes: Cardenal, 1954; Dorland, 1947; Stedman, 1979.
Espiroqueta pertenuis (Spirochaeta pertenuis): microrganismo inicialmente batizado e descrito por Aldo Castellani em "On the presence of spirochaetes in some cases of parangi (yaws, Framboesia tropica). Preliminary note", Journal of the Ceylon Branch of the British Medical Association, 1905. Através de diversos experimentos, Castellani provou que o macaco podia ser infectado com material retirado de pessoas que sofriam de bouba e que continha a bactéria, especialmente o sangue da circulação. Demonstrou, também, que quando ela era removida por filtragem, o material se tornava inerte. Por fim, Castellani mostrou que era possível detectar antígenos e anticorpos específicos da bouba por meio da reação de Bordet-Gengou. A bactéria recebeu, posteriormente, outros nomes: Spirochaete pertenuis, dado em 1912 por Lehman e Neumann; Spironema pertenue, nome atribuído por Gross, também em 1912; e Spirillum pertenue, de autoria de Macé, em 1913. Atualmente, é conhecida como Treponema pertenue. Agente causador do piã, termo de origem tupi que significa "pele erguida, tumor". Os pacientes com essa doença, também chamada de bouba ou framboesia tópica, apresentam teste de Wasserman positivo. O treponema é um gênero de bactérias anaeróbias (ordem Spirochaetales) que consiste em células de 3 a 8 mícrons de comprimento, com espirais agudas, regulares ou irregulares e sem estrutura protoplasmática óbvia. Coram-se com dificuldade, exceto com o corante de Giemsa ou com a impregnação pela prata. Algumas espécies são patogênicas e parasitam o homem e outros animais, produzindo geralmente lesões locais nos tecidos.
(Ver Bouba).
Fontes: Cardenal, 1960; Stedman, 1979; www.61; www.62.
Esporo: corpúsculo reprodutor de fungos e de certas espécies de bactérias. De estrutura geralmente unicelular e uninuclear, os esporos são desprovidos de embriões, possuindo a capacidade de germinar em determinadas condições e de reproduzir assexuadamente os indivíduos de que se originam. Resistentes ao calor e à dessecação, desenvolvem-se diretamente ou após a fusão com outros esporos.
Fontes: Houaiss, 2001; Ferreira, 1999; Landouzy & Jayle, 1902; Littré & Gilbert, 1908.
Esporotricose: infecção geralmente benigna em homens e animais, causada por fungos da espécie Sporothrix schenckii, na maioria das vezes limitada à pele e ao tecido subcutâneo, podendo disseminar-se para ossos e órgãos internos, especialmente em indivíduos imunodeficientes. São descritas três formas: uma forma gomosa disseminada (doença de Beurmann), uma linfagite gomosa (doença de Schenck) e uma forma hematógena caracterizada pela presença de múltiplos abscessos. Espalhada pelo mundo todo, a esporotricose acomete especialmente fazendeiros, jardineiros, horticultores e outros trabalhadores do campo, uma vez que o Sporotrix é encontrado, geralmente, em roseiras, arbustos de uva-espim, musgo esfagno e outras matérias vegetais. O fungo penetra no corpo através de ferimentos na pele das extremidades ou pelo tubo gastrintestinal. A lesão cutânea inicial é característica: nódulo subcutâneo de consistência elástica, forma esférica e móvel. Depois que adere à pele, tornase avermelhada e, em seguida preta, por causa da necrose ou morte do tecido. Nos dias ou semanas seguintes, a infecção cutânea dissemina-se através dos vasos linfáticos da mão e do braço até os linfonodos, formando nódulos e úlceras ao longo do trajeto, podendo chegar até os pulmões e outros tecidos. Segundo D'Elia (1926), a doença começou a ser estudada no início do século XX: considerava-se, então, seu agente um cogumelo que podia viver por longo tempo como saprófito à custa de vegetais, os quais se tornavam, assim, agentes de transmissão. Àquela época, o tratamento da esporotricose consistia no uso interno de iodureto de potássio ou sódio em altas doses (3 a 5 gramas por dia) ou, em caso de intolerância, em injeções subcutâneas de preparados iodados, como o óleo iodado, o iodone, a iodo-gelatina etc. Esse tratamento era coadjuvado pelos amargos, pela antissepsia gástrica e pela aplicação de pensos iodados sobre as gomas ulceradas. Atualmente, a infecção é tratada com o intraconazol oral, sendo administrado, também, o iodureto de potássio, apesar de não ser tão eficaz e de causar efeitos colaterais na maioria dos pacientes.
(Ver Beurmann, Charles Lucien de; Schenck, Benjamin R.).
Fontes: D'Elia, 1926; Houaiss, 2001; Stedman, 1979; www.34; www.58.
Esporotricose linfagítica gomosa: o mesmo que doença de Schenck. (Ver Esporotricose).
Fonte: Stedman, 1979.
Esquizomiceto: nome usado em sistemas antigos de classificação para designar a divisão do reino vegetal que abrange todas as bactérias. Em 1857, por exemplo, Carl Von Nägeli, botânico de Munique, reuniu diversos gêneros de bactérias no grupo que denominou esquizomicetos, pondo-o junto às plantas primitivas incolores, os cogumelos. Em botânica, bactéria é sinônimo de esquizomiceto. Sob essa denominação estavam compreendidos os vegetais unicelulares desprovidos de clorofila que se reproduzem por simples divisão, como as bactérias e as algas azuis (cianófitas). No século XIX, o termo era objeto de polêmica, no contexto mais amplo das controvérsias sobre a natureza das bactérias. (Ver Bactéria; Cogumelo; Fungo).
Fontes: Benchimol, 1999; Houaiss, 2001; Stedman, 1979; www.31.
Estafilococo: bactéria de forma arredondada e gram-positiva que se apresenta, geralmente, em aglomerados irregulares de cocos semelhantes a cachos de uvas. Potencialmente patogênicas, são imóveis, aeróbias ou anaeróbias e não-formadoras de esporos. Podem provocar lesões supurativas locais, intoxicações alimentares e graves infecções oportunísticas. São encontradas na pele, nas glândulas cutâneas, nas mucosas nasais e em produtos alimentares. (Ver Bactéria).
Fontes: Ferreira, 1999; Houaiss, 2001; Landouzy & Jayle, 1902; Littré & Gilbert, 1908; Stedman, 1979.
Estenose: estado congênito ou adquirido em que é muito menor do que devia ser a luz, passagem ou calibre de um conduto natural ou orgânico, como, por exemplo, a uretra ou as válvulas cardíacas. A expressão "estenose diftérica" designava, provavelmente, essa anomalia observada na laringe, na traquéia e nos brônquios maiores.
Fontes: Larousse, 1971; Houaiss, 2001; Stedman, 1979.
Estreptococo: denominação comum às bactérias que ocorrem em grupos de pequenas esferas associadas em forma de cadeias. São aeróbias ou facultativamente anaeróbias, grampositivas, não formadoras de esporos e quase sempre imóveis. Geralmente parasitas de vertebrados, localizam-se especialmente na boca, nas vias respiratórias superiores e nos intestinos dos seres humanos e de outros animais.
A espécie tipo é a Streptococcus pyogenes, agente etiológico de várias doenças infecciosas, descrita por Anton Rosenbach (1842-1923) em 1884. Outras espécies patológicas para o homem são a S. pneumoniae (Klein, 1884; Chester, 1901) causadora da pneumonia, e a S. aureus (Rosenbach, 1884), agente de endocardites e meningites. Algumas espécies não patogênicas, como a S. lactis (Lister, 1873; Lohnis, 1909) e a S. cremoris (Orla-Jensen, 1919), são utilizadas na fabricação de manteiga e outros laticínios.
(Ver Bactéria).
Fontes: Ferreira, 1999; Houaiss, 2001; Landouzy & Jayle, 1902; Littré & Gilbert, 1908; Stedman, 1979; www.168.
Estricnina [C H N O ]: substância isolada pelos químicos 21 22 2 2
franceses Joseph Bienaimé Caventou (1795-1877) e Pierre Joseph Pelletier (1788-1842), em 1818. É extraída da casca e, especialmente, das sementes de plantas do gênero Strychnos, cujas espécies mais perigosas são Strychnos nuxvomica, Strychnos colubrina, Strychnos minor e Strychnos toxifera. Segundo Stedman (1979), estricnina é um alcalóide da Strychnos nux-vomica, apresentado em forma de cristais incolores de sabor intensamente amargo, quase insolúveis na água. Tendo como principal característica a capacidade de estimular o sistema nervoso central, a estricnina é utilizada como estomáquico, antídoto para tóxicos depressivos e no tratamento de miocardite. Sua popularidade terapêutica, contudo, é indesejável, pois é capaz de produzir envenenamento agudo ou crônico no homem ou em animais. É utilizada até mesmo como rodenticida. No final do século XIX, Paulier (1882) recomendava a administração de pequenas doses dos sais de estricnina em forma de pílulas, injeções hipodérmicas, pomada, xarope, pó, tintura e extrato alcoólicos, para problemas gástricos (dispepsia, embaraço gástrico, constipação), afecções do sistema nervoso (paralisias astênicas, hemiplegia, paraplegia), cólera, pelagra, febres intermitentes e outras doenças.
Fontes: Ferreira, 1999; Houaiss, 2001; Paulier, 1882; Stedman, 1979.
Éter: composto orgânico cuja molécula é constituída por dois grupamentos hidrocarbônicos ligados a um mesmo átomo de oxigênio. É resultante da combinação de um álcool com um ácido ou outro álcool, com eliminação de água. Sob o calor, o ácido sulfúrico produz, com o álcool, o éter sulfúrico, também chamado óxido de etila, éter etílico ou éter comum, cuja fórmula é (C H ) O. Trata-se 2 5 2 de um líquido incolor, de cheiro característico, leve e volátil, muito inflamável, e que ferve a 34ºC. A ação paralisante sobre o sistema nervoso confere-lhe qualidades anestésicas. O éter inaugurou a anestesia moderna, juntamente com o protóxido de nitrogênio, ao ser empregado nos Estados Unidos, por volta de 1840, em cirurgias dentárias, depois na cirurgia geral. Uma vez inalado, o éter provoca acentuado relaxamento muscular e permite farta oxigenação. Seus inconvenientes são a ação irritante sobre as vias respiratórias e sobre os rins, e o aumento da tensão intracraniana, o que o torna contra-indicado em neurocirurgia. É usado também como solvente e para outros fins industriais.
Fontes: Ferreira, 1999; Larousse, 1971; Koogan-Houaiss, 2004.
F
Faradização: terapêutica que utiliza a corrente elétrica como indutor ou estimulador de nervos e músculos. O médico francês Guillaume Benjamin Amand Duchenne, dito Duchenne de Boulogne, é considerado o introdutor da eletricidade no diagnóstico e tratamento das afecções neurológicas, com a ajuda da qual descreveu e tratou a ataxia locomotora progressiva (tabes), as paralisias musculares progressivas e outras patologias do sistema nervoso. O termo faradização é derivado de Michael Faraday, físico e químico inglês (1791-1867) que criou a teoria da indução eletrostática e descobriu a indução eletromagnética (1831), lançando as bases para a teoria do eletromagnetismo de James Clerk Maxwell (1831-1879). Segundo D'Elia (1926), a corrente elétrica induzida agia de modo especial sobre a contratibilidade muscular e a excitação nervosa, e dava resultados considerados ótimos nas paralisias por lesão central.
Fontes: D'Elia, 1926; Ferreira, 1999; Larousse, 1971; Houaiss, 2001.
Favo (favus): infecção micótica do couro cabeludo causada pelo Trichophyton schoenleinii, podendo também atingir as unhas e regiões glabras. Caracteriza-se pela formação de pequenas crostas purulentas semelhantes a favos em cujo centro encontra-se o cabelo parasitado. Os pelos atacados tornam-se quebradiços, atrofiados e caducos. A melhor descrição da doença, reconhecida desde a Idade Média, foi feita por Raymond Sabouraud (1864-1938) em 1910.
O agente etiológico foi descoberto pelo médico alemão Johann Lukas Schönlein (1793-1864), em 1839, sendo por isso batizado por Robert Remak (18151865) como Achorion shoenleinii. Posteriormente, nova classificação dos fungos extinguiu o gênero Achorion e reconheceu apenas três categorias: Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton. Também chamada tinha favosa ou simplesmente favosa.
Fontes: D'Elia, 1926; Fitzpatrick, 1971; Larousse, 1971; Houaiss, 2001; Landouzy & Jayle, 1902; Littré & Gilbert, 1908; Stedman, 1979; Veronesi, 1982; Weitzman & Summerbell, 1995; www.159.
Fenacetina [C H O NO ]: amida acética utilizada como 10 13 2 2
analgésico, antipirético e anti-reumático. Indicada para combater a febre tifóide, gripe, pneumonia, tuberculose, o reumatismo e diversos tipos de nevralgias. Precisa ser administrada com cuidado pois tem efeito altamente tóxico sobre os rins.
Fontes: Cardenal, 1960; Houaiss, 2001; www.125.
Framboésia trópica: Ver Bouba.
Fucsina [C H CIN ]: variedade de corante vermelho-de-rosanilina 20 20 3
que se fixa eletivamente em determinados elementos, facilitando sua observação. É empregada em bacteriologia e histologia especialmente na forma amoniacal (método Gram), que divide as bactérias em gram-positivas e gramnegativas, conforme a maior ou menor fixação do corante. Também é usada na indústria têxtil para tingir couro. (Ver Coloração; Método de Gram).
Fontes: Dorland, 1947; Houaiss, 2001; Stedman, 1979.
Fungo: designação comum dos organismos pertencentes ao Reino Fungi, heterotróficos, especialmente saprófagos ou parasitas, aclorofilados, e cuja nutrição se dá por absorção. Crescem em massas irregulares, desprovidas de raízes, caules ou folhas, e reproduzem-se sexuada ou assexuadamente. Podem existir como célula única, como no caso das leveduras, ou formar estrutura vegetativa multicelular denominada micélio, a qual é constituída de filamentos ramificados chamados hifas. Os fungos são encontrados em ambientes úmidos ou como parasitas de vegetais, animais e do próprio homem. Os exemplos mais conhecidos são os mofos e cogumelos. Algumas espécies são patogênicas, enquanto outras são utilizadas na alimentação e na produção de antibióticos. Durante muito tempo os fungos foram incluídos no grupo dos vegetais inferiores e, nessa condição, identificados às bactérias. Em fins do século XIX, os dois termos eram considerados equivalentes, assim como as denominações micróbio, germe e esquizomiceto. Não obstante essa classificação, os fungos apresentam um conjunto de características próprias que permitem sua diferenciação das plantas: não sintetizam clorofila, não apresentam celulose em sua parede celular (exceto alguns fungos aquáticos) e não armazenam amido como substância de reserva. Além disso, sua parede celular é formada de quitina, substância que reveste o corpo dos artrópodes. Em razão dessas e de outras diferenças, em 1969 passaram a ser classificados em um reino à parte. O Reino Fungi foi constituído em seis divisões, quatro delas de interesse médico: Zygomycota, Ascomycota, Basidiomycota e Deuteromycota. Nos últimos anos, a introdução de novos métodos de análise, particularmente técnicas biotecnológicas, tem provocado muitas modificações no sistema de classificação dos fungos. A edição do Dictionary of Fungi, de 1995, obra de referência para os estudiosos no assunto, considera a existência de três reinos distintos: Protozoa, no qual se incluem alguns patógenos como, por exemplo, espécies dos gêneros Plasmodiophora e Spongospora; Chromista, que contém os fungos Oomycota; e o reino Fungi propriamente dito, constituído pelos chamados fungos verdadeiros. Entre as alterações mais significativas está a transferência dos Oomycetos do reino dos fungos para o reino Chromista. Segundo os especialistas, os Oomycotas diferem dos fungos verdadeiros em relação a várias características estruturais, bioquímicas, fisiológicas e moleculares. Outra mudança importante foi a extinção da classe Deuteromycetes, formada pelos chamados fungos imperfeitos (aqueles cujo estágio sexual não foi identificado). As recentes modificações na taxonomia dos fungos ainda são objeto de polêmica entre os especialistas, e novas mudanças poderão ser feitas com a introdução de técnicas de análise mais avançadas. (Ver Bactéria; Cogumelo; Hifa).