Adolpho Lutz: sumário, glossário e índices
Glossário
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.
Fontes: Cardenal, 1960; Dorland, 1947; Houaiss, 2001; Stedman, 1979; www.85.
R
Rinoscleroma: processo granulomatoso crônico que atinge o nariz (ponto de partida da infecção), o lábio superior, a boca e as vias aéreas superiores. Em geral, começa com o crescimento de nódulos lisos e duros, dolorosos à pressão, os quais se difundem para a faringe, laringe, traquéia e mesmo para os brônquios, podendo envolver o meato acústico externo. Surpreendentemente, o senso do olfato fica ileso. A cútis aparece pálida, anêmica ou roxa-escura, e rica de redes vasculares superficiais, privada de pelos e folículos. Acredita-se que o rinoscleroma deva-se a um bacilo específico, possivelmente uma linhagem de Klebsiella rhinoscleromatis, descrito pelo cirurgião vienense Anton von Frisch (1848-1917). Segundo D'Elia (1926), a terapia era cirúrgica e sintomática, e os resultados somente passageiros, uma vez que a afecção apresentava recidiva constantemente. Atualmente, a estreptomicina é utilizada com sucesso no tratamento da doença.
Fonte: Cardenal, 1947; D'Elia, 1926; Houaiss, 2001; Stedman, 1979.
Rixford, Emmet: cirurgião nascido em Quebec, Canadá, em 1865, e falecido nos Estados Unidos em 1938. Graduouse pelo Cooper Medical College, em São Francisco, em 1891. Tornou-se professor adjunto dessa instituição em 1893 e, cinco anos depois, foi promovido a professor titular. Em 1909, tornou-se professor de cirurgia na Stanford University. Rixford foi um dos primeiros médicos a observar um caso de coccidioidomicose. Em homenagem a esse fato, há um monte com seu nome na Serra Nevada. (Ver Coccidioidomicose).
Fonte: www.52.
S
Saccardo, Píer Andréa: micologista italiano, nascido em Treviso (1845) e falecido em Pádua (1920). Doutorou-se em 1867 pela Universidade de Pádua, na qual se tornou professor de história natural dois anos depois. Em 1879, passou a lecionar botânica e assumiu a direção dos jardins botânicos da Universidade. Sua maior contribuição à micologia foi a publicação do atlas Sylloge fungorum omnium husque cognitorum (1882-1913), obra coletiva em 22 volumes que continha a descrição e o desenho de todos os cogumelos conhecidos até então.
Fontes: Larousse, 1971; www.209; www.210.
Saccharomyces: gênero de cogumelos ascomicetos ou leveduras pertencentes à família Sacchacaromycetaceae, cujo tipo é a levedura da cerveja. Leveduras similares são usadas na produção de outras bebidas alcóolicas e do pão (Sacharomyces cerevisiae). Os Sacharomyces possuem talo predominantemente unicelular, reproduzem-se assexuadamente por brotamento, por divisão transversa ou de ambas as maneiras, produzem ascósporos, mas são desprovidos de filamentos de micélio. Um dos membros desse grupo, o S. neoformans, nome antigo do Cryptococcus neoformans, foi isolado de suco fermentado de pêssego pelo microbiologista italiano Francesco Sanfelice, em 1894, verificando-se, pouco tempo depois, que era o agente da criptococose no homem. Certas fontes dão sacaromicose como sinônimo de blastomicose, uma vez que os fungos do gênero Sacharomyces figuram entre os agentes desse grupo de enfermidades. (Ver Criptococcose; Cryptococcus neoformans; Fungo).
Fontes: Cardenal, 1960; Stedman, 1979.
Saccharomyces albicans: fungo do gênero Saccharomyces, hoje denominado Candida albicans (Monilia albicans), parasita de animais, encontrado em várias localizações do corpo humano, especialmente no trato gastrintestinal, na orofaringe e em outras regiões cutâneo-mucosas. Normalmente, as bactérias que residem no intestino impedem a proliferação do fungo. Entretanto, se o equilíbrio for perturbado por antibióticos ou doença, ele se desenvolve e produz a afecção denominada mugget, candidíase ou, ainda, monilíase, caracterizada por placas brancas que se espalham por dentro da boca e, às vezes, no ânus. (Ver Oïdium albicans).
Fontes: Cardenal, 1960; D'Elia, 1926; Stedman, 1979.
Salicilato de sódio: o salicilato é um éster ou sal proveniente do ácido salicílico (amônio, bismuto, mercúrio etc.), encontrado na aspirina ou outros fármacos para combater dor e febre, antiácidos, antidiarréicos e soluções para a retirada de calos e verrugas. Doses excessivas de salicilato de sódio, acima de 200 a 500 mg, podem provocar colapsos, convulsões, diminuição da capacidade respiratória e da pressão sangüínea, diversos distúrbios neurológicos, náuseas, sangramento gastrointestinal, sonolência, vômitos, zumbido nos ouvidos e outros sintomas. O tratamento deve incidir principalmente na atenuação ou eliminação do efeito ácido do salicilato no organismo.
Fontes: Cardenal, 1960; Houaiss, 2001; www.157.
Salol [C H O ]: substância resultante da mistura de ácido 13 10 3
salicílico com fenol, empregada como analgésico, antireumático e antipirético. Externamente, era usada como antisséptico de uso externo em feridas crônicas (na forma de pó aromatizado), e no tratamento da gonorréia, infecção bacteriana geralmente transmitida por relação sexual. Segundo D'Elia (1926), a expressão "prova do salol" designava o método de exame da função gástrica pela ingestão de um grama de salol e investigação da presença de ácido salicílico na urina: caso o estômago não se contraísse muito e o pâncreas funcionasse normalmente, aparecia tardiamente na urina a reação produzida pelo ácido salicílico que, em compensação, não reagia à má atividade pancreática. Também denominado éster salicílico do fenol e salicilato de fenil.
Fontes: Cardenal, 1960; D'Elia, 1926; Dorland, 1947; Houaiss, 2001; Landouzy & Jayle, 1902; Stedman, 1979; www.134; www.135.
Sarna: Ver Escabiose.
Schenck, Benjamin R.: cirurgião norteamericano (1873-1920), nascido em Syracuse, Nova York. Graduou-se na Johns Hopkins Medical School, em 1898, e passou a se dedicar à prática ginecológica em Detroit a partir de 1903. Foi ginecologista do Harper Hospital e professor associado do Detroit College of Medicine and Surgery. Eleito secretário da Sociedade Médica do Estado em 1906, ocupou essa posição até 1919, quando problemas de saúde levaram-no a mudar-se para a Califórnia, onde faleceu vítima de tuberculose. A ele se deve a descoberta da doença de Schenck, forma linfangítica gomosa da esporotricose. (Ver Esporotricose).
Fontes: Stedman, 1979; www.12.
Schrön, Otto Carl Gottlieb von: médico alemão nascido em Hof, na Bavária, em 7 de setembro de 1837. Estudou medicina nas Universidades de Erlangen e Munique, e em 1864, após doutorar-se, foi convidado pelo professor de Filippi, de Turim, a transferir-se para a Itália e lá executar os preparados e desenhos de anatomia que o haviam notabilizado. Um ano depois, tornou-se professor de anatomia patológica na Universidade de Nápoles, cidade onde viria a falecer em 13 de maio de 1917. Schrön tem seu nome associado a um bacilo acidorresistente encontrado na tuberculose (bacilo de Schrön), e a um pequeno grânulo, de origem duvidosa, observado na mancha germinativa do ovo (grânulo de Schrön).
Fontes: Cardenal, 1960; Dorland, 1947; www.228; www.166; www.42.
Sífilis: doença infecciosa de caráter crônico e sistêmico, em geral transmitida por contato sexual e, raramente, por contaminação fetoplacentária (sífilis congênita). É causada pelo Treponema pallidum, espiroqueta que ataca exclusivamente o homem. Durante muito tempo, foi confundida com a gonorréria e com outras treponematoses. Em 1838, foi individualizada pelo dermatologista francês Phillipe Ricord (1800-1899), que caracterizou a evolução clínica da doença em três períodos distintos: primário, secundário e terciário. Na fase primária, após incubação de duas a três semanas, surge um ferimento superficial que, em poucos dias, evolui para uma ulceração resistente e quase indolor chamada cancro duro, protossifiloma ou cancro primário. A lesão é bem delimitada, de superfície lisa e uniforme. Ocorre geralmente na região genital, é muito contagiosa e quase sempre vem acompanhada de inflamação dos gânglios linfáticos. Regride de modo espontâneo em três a cinco semanas, antes ou após o início da segunda fase da doença. No período secundário, ocorre a disseminação da enfermidade através da corrente sanguínea, ocasionando o surgimento de lesões nas mucosas e de erupções cutâneomaculosas (roséolas sifilíticas) que podem se estender por quase todo o corpo. As lesões aparecem cerca de dois meses após a infecção. Podem vir acompanhadas de febre alta, anemia, adenopatia generalizada e dores nas articulações. Também regridem espontaneamente com o aumento da imunidade. A chamada sífilis terciária corresponde ao terceiro e último estágio da doença. Caracteriza-se por lesões tegumentares iniciadas com o aparecimento de nodosidades moles (gomas sifilíticas) disseminadas por todo o corpo que evoluem para a ulceração, causando danos às vísceras e ao aparelho cardiovascular. Em alguns casos, é comprometido o sistema nervoso central, com a ocorrência de tabes dorsal, paralisia progressiva dos membros ou meningite sifilítica. Mais raramente, há a ocorrência de lesões extrategumentares, que incluem diversas afecções dos olhos e dos ossos. A sífilis terciária manifesta-se entre o terceiro e o quinto ano após a infecção em casos não tratados. Nessa fase, as possibilidades de transmissão são bastante reduzidas. A origem geográfica da sífilis ainda é bastante controversa. Alguns historiadores consideram que foi introduzida na Europa por marinheiros espanhóis que haviam regressado do continente americano em 1493. Outros, ao contrário, sustentam que a enfermidade teria se originado no próprio continente europeu, mas que durante muito tempo permanecera confundida com a lepra. De qualquer forma, pode-se dizer que a existência da sífilis na Europa só foi reconhecida amplamente após a epidemia que atingiu o continente em fins do século XV. As incertezas sobre a procedência da sífilis manifestaram-se até mesmo nas diversas denominações com que a doença ficou conhecida: mal-americano, mal-canadense, mal-gálico, malportuguês, mal-céltico, mal-napolitano, mal-francês, mal-germânico e malescocês, entre outras. A palavra "sífilis" foi utilizada pela primeira vez pelo médico e poeta italiano Gerolamo Fracastoro (1478-1553), no poema Syphilis sive Morbus Gallicus, que narra a história de um pastor, Syphilus, castigado por terrível mal imposto pelos deuses. Em 1903, Ilia Ilitch Metchnikov (1845-1916) e Emile Roux (1853-1933) conseguiram reproduzir experimentalmente a sífilis em macacos antropóides. O Treponema pallidum foi descoberto pelos cientistas Fritz Richard Schaudinn (1871-1906) e Erich Hoffmann (1868-1959) em 1905. No ano seguinte, o bacteriologista alemão August von Wasserman (1860-1925), em colaboração com Albert Neisser (1855-1916) e Carl Bruck (1879-1944), desenvolveu o primeiro método de diagnóstico da enfermidade. O mercúrio, associado ou não a banhos quentes, foi, juntamente com o iodo, um dos primeiros tratamentos utilizados contra a doença. Posteriormente, a terapêutica experimentou grande evolução com a descoberta do composto arsenical 606 (salvarsan) por Paul Erlich (1854-1915), em 1911. Em 1921, os derivados de bismuto foram introduzidos por Constantin Levaditi (1874-1953) e R. Sazerac. O tratamento com antibióticos foi iniciado em 1943. Com a difusão da penicilina, a incidência da sífilis reduziu-se drasticamente, a ponto de ser considerada, hoje, uma doença de fácil controle. Apesar disso, verificou-se nas últimas décadas surpreendente crescimento da enfermidade, sobretudo entre os adolescentes, fenômeno talvez provocado pelo uso inadequado de medicamentos e pelo surgimento de microrganismos resistentes à penicilina. Outro aspecto a ser considerado é a presença da sífilis em pacientes portadores da Aids, casos em que os quadros clínicos evoluem mais rapidamente e em que os tratamentos são menos eficazes. A sífilis é também conhecida como lues, lues venérea, mal venéreo e avariose.
(Ver Cancro-duro).
Fontes: Bier, 1957; Carrara, 1997; Houaiss, 2001; Koogan-Houaiss, 2004; Stedman, 1979; Veronesi, 1982; www.47; www.217; www.218; www.219; www.220; www.221; www.222.
Solução de Fowler: Ver Licor de Fowler.
Sommer, Baldomero: médico argentino, nascido em Buenos Aires a 21 de março de 1857, e falecido na mesma cidade, em 18 de abril de 1918. Filho de mãe alemã e pai dinamarquês (famoso fabricante de chapéus naquela cidade), Sommer doutourou-se em 1874 e efetuou grandes esforços em prol do conhecimento, da prevenção e cura do mal de Hansen, tanto que leva seu nome um dos mais importantes hospitais argentinos dedicados ao tratamento da doença, o Hospital Baldomero Sommer, assim batizado por decreto de 11 de julho de 1947. O médico argentino foi secretário da primeira Conferência Internacional de Lepra, realizada em Berlim, Alemanha, em 1897. Participou do Congresso Científico Latino-Americano realizado em Montevidéu, no ano seguinte, encarregando-se de redigir as deliberações concernentes à lepra. Foi, ainda, presidente honorário e promotor da primeira Conferência Nacional sobre a Lepra, em Buenos Aires, em 1906. Três anos depois, participou como delegado do governo argentino da segunda Conferência Internacional de Lepra, celebrada em Bergen. Sommer é considerado um dos principais criadores da "escola dermatológica, leprológica e sifilográfica argentina": por volta de 1892, implantou e passou a reger essa cátedra na Faculdade de Ciências Médicas de Buenos Aires. Fundou em 1907 a Sociedad Argentina de Dermatologia, primeira instituição do gênero na América Latina. Participaria como sócio estrangeiro ou correspondente das sociedades dermatológicas de Paris, Berlim, Roma e Rio de Janeiro. Sommer foi, também, chefe de serviço de enfermidades da pele do Hospital de Niños, fundado em Buenos Aires, em 30 de abril de 1875. Em 1892, ocupou o mesmo cargo no Hospital San Roque, atual Ramos Mejía. Presidiu a Sociedade Médica Argentina em 1897, e em 1912 ingressou na Academia Nacional de Medicina, da qual tornou-se secretário-geral em 1918. A saúde pública foi outra área em que se destacou. Foi Diretor de Assistência Pública de Buenos Aires e vocal do Departamento Nacional de Higiene. Em meados de 1910, como conselheiro da municipalidade, Baldomero Sommer apresentou projeto de postura concernente à pasteurização e ao tratamento obrigatório do leite destinado ao consumo dos habitantes da capital, projeto transformado em lei em dezembro de 1907. Esteve envolvido, também, na campanha contra os mosquitos iniciada em 1913. (Ver Lepra).
Fontes: www.13; www.9; www.8; www.266.
Spina ou espinha ventosa: lesão óssea, eventualmente observada na tuberculose ou no câncer de osso, na qual o osso afetado se dilata em maior ou menor grau, como se fosse insuflado por gás.
Fontes: D'Elia, 1926; Dorland, 1947; Landouzy & Jayle, 1902; Stedman, 1961; Stedman, 1979.
Splendore, Alfonso: médico ítalobrasileiro (Cocenza, Itália, 1871 -São Paulo, 1953). Diplomado pela Faculdade de Medicina de Roma (1897), trabalhou como assistente de Angelo Celli, no Instituto de Higiene daquela capital. No Brasil, Splendore trabalhou com Adolpho Lutz no Instituto Bacteriológico de São Paulo. Ao regressar à Itália para servir no exército de seu país, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), já havia publicado diversas contribuições importantes, entre as quais Toxoplasma cuniculi (1910), trabalho pioneiro sobre a toxoplasmose humana; Blastomicose, esporotricose e relações com processos afins, comunicação submetida ao VII Congresso de Dermatologia e Sifiligrafia realizado em Roma (1911); Toxoplasmose de coelhos, apresentado ao I Congresso de Patologia Comparada, em Paris (1912); Una Afezzione micótica con localizazione nella mucosa della bocca, osservata in Brasile, determinata per fungi (Zymonema brasiliense sp.), publicado no Bulletin de la Société de pathologie exotique (1912, n.5, p.313-9), uma das pedras fundamentais da descoberta da blastomicose sul-americana, também chamada de Doença de LutzSplendore-Almeida. (Ver Blastomicose sul-americana).
Fontes: Larousse, 1971; Stedman, 1979.
Sporotrichum: gênero de fungos imperfeitos, semelhantes aos fungos de levedura, que outrora abrangia o Sporotrichum schenckii, agente causador da esporotricose no homem e nos animais. Apenas algumas espécies desse gênero são patogênicas, entre elas S. schenckii, S. beurmanni e S. dori, agentes, também, da esporotricose. (Ver Esporotricose).
Fontes: Cardenal, 1960; Stedman, 1979.
Sublimado corrosivo: o mesmo que cloreto de mercúrio; bicloreto de mercúrio; percloreto de mercúrio; cloreto de mercúrio corrosivo. Sal branco, cristalino, inodoro, tóxico e cáustico que na década de 1940 ainda era empregado, internamente, como anti-sifilíco, na dose de 0,005 a 0,02 g ao dia em solução, pílulas ou injeções subcutâenas; e, externamente, como antisséptico e parasiticida em solução de 0,25 a 2 por mil. Outra fonte da mesma época qualificava o sublimado corrosivo como componente do método de coloração de van Gieson e do líquido de Zenker, composto químico usado na fixação de peças histológicas. Murray (1910) relatava casos de envenenamento por sublimado corrosivo; apesar de haver, então, discrepâncias de opinião sobre a qualidade nociva ou inofensiva do metal mercúrio quando ingerido, esse autor considerava venenosos seus compostos solúveis e voláteis, inclusive os vapores do mercúrio metálico. Em casos de envenenamento agudo pelo sublimado corrosivo, o antídoto recomendado era albumina ou os albuminóides em qualquer forma solúvel, aconselhando-se a ingestão o mais rápido possível de leite e de clara de ovo. Em razão da poderosa ação local do veneno no estômago, a lavagem estomacal era inútil, mas se o vômito ocorresse naturalmente, um emético podia ser ministrado. O restante do tratamento consistia em aliviar a dor através de opiatos e a sede através de bebidas demulcentes.
(Ver Sífilis; Coloração de van Gieson).
Fontes: Cardenal, 1947; Fernandes, 1943; Koogan-Houaiss, 2004; Murray, 1910; www.11; www.137; www.95.
T
Tintura de iodo: solução obtida por meio da diluição do iodo em álcool, em diversas proporções. Elemento químico da família dos halógenos, representado pelo símbolo I e de número atômico 53, o iodo, em altas concentrações, é venenoso e pode causar sérios danos à pele e aos tecidos. Diluído em álcool, tem sido utilizado na medicina como antisséptico. Segundo Paulier, em fins do século XIX a tintura de iodo era empregada principalmente como revulsivo, sendo friccionada ou aplicada com algodão sobre a pele. (Ver Iodo).
Fontes: Encyclopædia Britannica, 2001; Houaiss, 2001; Paulier, 1882; Stedman, 1979.
Tórula: designação obsoleta dada aos fungos do gênero Cryptococcus, da família das criptococáceas, entre os quais se inclui o Cryptococcus neoformans, causador da criptococose em humanos e animais. A criptococose, antes conhecida por torulose, é uma doença infecciosa caracterizada por lesões nodulares ou abscessos, principalmente no cérebro e nas meninges, mas também nas juntas, pulmões e tecidos subcutâneos. Miquel & Cambier (1902) definiam tórula como qualquer um dos fungos imperfeitos que formam ácidos, como por exemplo, o cítrico e o láctico.
(Ver Criptococose; Cryptococcus neoformans).
Fontes: Houaiss, 2001; Miquel & Cambier, 1902; Stedman, 1979.
Tricosporose ou tricosporíase: infecção provocada por fungos do gênero Trichosporon, caracterizando-se pela presença de nodosidades nos pêlos e cabelos. Também conhecida como piedra negra e piedra alba ou blanca. A primeira, causada pelo fungo Piedraria hortai, ataca principalmente os cabelos; a segunda, bem mais rara, é causada pelo Trichosporon beigelii, atingindo barba e bigode de homens jovens. Ambas têm relação com condições precárias de higiene, mas a piedra negra ocorre em regiões de clima tropical e altos índices pluviométricos, ao passo que a blanca depende de fatores predisponentes como o diabetes, a Aids e outras imunodeficiências.
Fontes: Cardenal, 1960; Littré & Gilbert, 1908; Stedman, 1979; www.126.
Tubérculo: anatomicamente, os tubérculos são pequenas estruturas que formam uma saliência arredondada na superfície de um órgão, especialmente em certos ossos e regiões do cérebro. Exemplos são os tubérculos mamilares, quadrigêmeos (no cérebro), o tubérculo de Aranzi na parte média das válvulas sigmóideas da aorta etc. Patologicamente, para D'Elia (1926), tubérculo era o nome comum dado a duas alterações mórbidas, uma da pele (tubérculo cutâneo), e outra comum a todos os tecidos (tubérculo propriamente dito). Tubérculo é definido, também, como pequeno tumor arredondado, característico da tuberculose, que se forma no interior dos tecidos.
Fontes: D'Elia, 1926; Houaiss, 2001; Koogan-Houaiss, 2004.
Tuberculose: também conhecida como peste branca, é uma das doenças que maior número de mortes tem causado na história da humanidade, representando ainda grande ameaça: estudos contemporâneos mostram que estão infectados quase 2 bilhões de habitantes do planeta, matando a tuberculose cerca de três milhões de pessoas por ano. É uma doença infectocontagiosa e endêmica provocada pelo Mycobacterium tuberculosis, ou bacilo de Koch, microrganismo em forma de bastonete descoberto em 1882 pelo médico alemão Robert Koch. Esse bacilo, desprovido de movimento próprio, precisa de oxigênio para viver e não se reproduz fora do corpo do homem ou de outro animal, a não ser em culturas de laboratório. Pessoas infectadas pelo bacilo podem não desenvolver a doença. Na maioria dos casos, as bactérias invasoras são mortas ou inativadas pelas defesas naturais do corpo. Via de regra, o indivíduo contrai a infecção ao inalar os bacilos que flutuam em gotículas de umidade dispersas no ar, bacilos lançados aí por um tuberculoso, quando tosse ou espirra. As bactérias também podem penetrar no organismo através de alimentos contaminados, como leite tirado de vaca tuberculosa. Em países onde se pasteuriza o leite e se examinam os animais periodicamente, tornou-se rara a ocorrência desse tipo de infecção. Os pulmões constituem o principal foco do bacilo, mas a tuberculose pode afetar quase todas as partes do corpo: os gânglios linfáticos localizados na região toracocervical, as pleuras, as meninges, os ossos e as articulações, a pele, os rins, os órgãos genitais, os olhos e os intestinos podem sediar lesões causadas pelo bacilo de Koch. Uma das formas da doença, a "tuberculose cutânea" ou "tuberculose vorax" (pois consome rapidamente a pele e a cartilagem) também é conhecida como "lúpus vulgar" - categoria nosológica criada por Robert Willan (1757- 1812) no início do século XIX, mas que hoje é reconhecido como modalidade de tuberculose. A doença também acomete animais, especialmente os domésticos, como bois, porcos e galinhas. Na maioria dos casos, desenvolve-se quando as defesas naturais do corpo são enfraquecidas por uma enfermidade ou qualquer outra causa. Ao entrarem em contato com o organismo, os germes invasores ativam as defesas naturais que fazem com que muitos sejam mortos. Além disso, células de defesa rodeiam grupos de bactérias, formando tubérculos duros no interior dos quais as bactérias continuam vivas, porém inativas e inócuas (daí a origem do termo tuberculose). Às vezes, a doença manifesta-se anos depois da infecção. A primeira invasão dos germes, seguida da formação de tubérculos, é chamada de infecção primária ou complexo primário, sendo raros os sintomas nesse período. Algumas vezes, porém, há febre, náusea e erupções na pele. O primeiro sintoma da tuberculose pulmonar é a tosse prolongada, o que leva muitos pacientes a suporem que contraíram apenas um resfriado renitente. Em seguida, há considerável perda de peso. Em casos graves e adiantados, pode haver hemorragia, expelindo o paciente sangue pela boca. A luta entre os bacilos e as defesas do corpo prossegue por longo tempo. Se não for tratado, o paciente torna-se gradualmente mais enfermo. Abrem-se novas cavidades nos pulmões, e os germes espalham-se para outras partes do corpo. Em 1890, Robert Koch (18431910) anunciou a descoberta de um extrato glicerinado estéril retirado de culturas do bacilo da tuberculose, dando a essa substância o nome de tuberculina. Verificou que o produto era extremamente tóxico para os animais tuberculosos, e relativamente inócuo para os animais saudáveis. A princípio, Koch acreditou ter descoberto a cura para a tuberculose, porém, as experiências realizadas por ele logo demonstraram a ineficácia do tratamento. Abandonada como método terapêutico, a tuberculina passou a ser utilizada no diagnóstico da doença. Como terapêutica para a tuberculose prevaleceu, inicialmente, o tratamento feito em sanatórios, estabelecimentos criados na Europa, na América e em outras partes do mundo a partir da segunda metade do século XIX. O pressuposto do tratamento era a cura espontânea do paciente quando submetido a condições adequadas: repouso, superalimentação, clima favorável e isolamento do doente. Em 1909, dois pesquisadores do Instituto Pasteur, Albert Calmette (1863-1933) e Camille Guerin (1872-1961), comunicaram o desenvolvimento de um bacilo de virulência atenuada que possuía capacidade imunizante contra a tuberculose. Após uma série de testes, o BCG, primeiro imunizante bacteriano atenuado, passou a ser regularmente utilizado como vacina. Os avanços científicos verificados nas primeiras décadas do século XX ajudaram a superar algumas das crenças até então aceitas em relação à doença, entre elas, seu suposto caráter hereditário e a importância do clima para a recuperação do doente. Em 1944, a descoberta de um antibiótico, a estreptomicina, por Selman Waksman (1888-1973) e colaboradores, abriu nova perspectiva para o tratamento da tuberculose. Outro avanço significativo foi a descoberta da isoniazida (hidrazida do ácido isonicotínico) em 1951, substância que inibe a proliferação dos bacilos. Com a comprovação da eficácia dos antibióticos na cura da tuberculose, o tratamento passou a ser feito em ambulatórios na grande maioria dos casos, tornando desnecessária a internação do paciente. Como resultado, os sanatórios foram sendo gradativamente desativados. No passado, praticava-se a cirurgia nos sanatórios para fazer retrair-se um pulmão doente, de modo a que ele deixasse de funcionar. Os médicos ainda optam pela cirurgia em certos casos, mas, em vez de provocar o colapso do pulmão, extirpam a parte afetada. O restante do pulmão continua a funcionar normalmente. A consolidação da quimioterapia por meio de antibióticos, juntamente com a adoção de medidas profiláticas e a simplificação do diagnóstico, provocou, a partir das décadas de 1950 e 1960, radical transformação no perfil epidemiológico da doença, materializada em acentuado declínio dos índices de mortalidade. Não obstante, o uso continuado dos antibióticos, bem como a prescrição de terapias inadequadas, ocasionou o surgimento de bacilos resistentes às drogas. O problema foi em parte superado pelo desenvolvimento de novos quimioterápicos e pelos avanços verificados no campo da microbiologia. Visto que a resistência ao bacilo é, em parte, determinada pelo sistema imunológico, tornou-se freqüente, nas últimas décadas, a associação da tuberculose com a Aids. Ultimamente, verifica-se um número crescente de casos de bacilos resistentes. Além da isoniazida e da estreptomicina, as drogas mais utilizadas no tratamento da tuberculose são o etambutol, o ácido paraminossalicílico - PAS e a rifampina. Apesar da considerável redução de casos de tuberculose em muitas nações, inclusive no Brasil, a doença continua a ser um grave problema de saúde pública nos países em desenvolvimento e, principalmente, na África, onde há grande escassez de medicamentos. A tuberculose é uma doença muito antiga, tendo sido encontradas lesões de etiologia possivelmente tuberculosa em ossos de múmias egípcias que datam de 3700 a.C. Antes de afetar o homem, foi uma doença endêmica nos animais do período paleolítico. Acredita-se que o agente da tuberculose teve como hospedeiro, inicialmente, o gado bovino, sendo o Mycobacterium tuberculosis uma mutação do Mycobacterium bovis, favorecida pelo convívio do homem com o gado e o aumento da densidade demográfica das povoações humanas. A enfermidade se disseminou a tal ponto pela Europa ocidental, que chegou a ser a causa de 25% das mortes. Era pouco freqüente ou desconhecida na América, tendo sido importada por imigrantes europeus. No entanto, há estudos que deduzem ter sido ela a causa de algumas mortes no Peru no período pré-colombiano. Até o início do século XX, era praticamente desconhecida na África subsaariana. Em meados do século XX, a tuberculose não havia alcançado ainda Nova Guiné, Papua e Indonésia.
(Ver Linfa de Koch).
Fontes: www.49; www.194; www.195; www.196; www.197; www.200.
Tuberculose cutis verrucosa: lesão da pele causada pelo bacilo de Koch que apresenta superfície verrucosa com uma base inflamatória crônica com supuração. Também conhecida como tuberculose verrucosa da pele, lupo verrucoso ou papulomatoso, verruga tuberculosa e escrofulodermia verrucosa.
Fontes: Cardenal, 1960; Stedman, 1979.
Tuberculose miliar: tuberculose com disseminação generalizada do bacilo tuberculoso e produção de diminutos e incontáveis pequenos tubérculos em diversos órgãos e tecidos. (Ver Tuberculose).
Fontes: Cardenal, 1960; Stedman, 1979.
Tuberculose miliar aguda ou tuberculose granulosa aguda: uma das duas principais formas de tuberculose humana, caracterizada pela disseminação generalizada do Mycobacterium tuberculosis no organismo e pela formação de minúsculos e incontáveis tubérculos em diversos órgãos e tecidos. Diferencia-se da forma localizada, que incide num órgão ou tecido específico (pulmão, osso, rim etc.). (Ver Tuberculose).
Fontes: D'Elia, 1926; Ferreira, 1999; Larousse, 1971; Stedman, 1979.
Tularemia: doença infectocontagiosa aguda, de moderada gravidade, provocada pela inoculação ou ingestão de uma bactéria gram-negativa - Bacterium tularense, Pasteurella tularensis ou Francisella tularensis. Transmite-se ao homem pelo contato com animais infectados ou por ingestão de carne contaminada. Pode também ser veiculada através da picada de artrópodes infectados, tais como carrapatos, piolhos, mutucas e mosquitos. Apresenta uma forma úlcero-ganglionar, geralmente localizada na região da picada do inseto, e uma forma pleuropulmonar. Seus sintomas característicos são febre, cefaléia, vômito e adenopatia. Em 1910, George Walter McCoy (1876-1952) descobriu a doença em animais selvagens no condado de Tulare, na Cafifórnia. Dois anos mais tarde, o mesmo McCoy, juntamente com Charles W. Chapin, descreveu o agente etiológico, denominando-o Bacterium tularense. Em 1914, a primeira manifestação humana da enfermidade foi reconhecida por William Buchanan Wherry (1874-1936) e B. H. Lamb. Em homenagem ao médico norteamericano Edward Francis (1872-1957), responsável por importantes estudos sobre a doença, o agente passou a ser chamado Francisella tularensis.
Fontes: Bier, 1957; Larousse, 1971; Houaiss, 2001; Veronesi, 1982.
U
Uffelmann, Julius August Christian: médico alemão nascido em Hannover, em 1837, e falecido em 1894. Após estudar teologia e filologia em Göttingen, dedicou-se à formação médica. Clínico em Hameln, tornou-se livre-docente em Rostock a partir de 1876, e ausserordentlicher Professor (professor auxiliar) três anos depois. Publicou trabalhos sobre diversos temas e defendeu, no Manual da higiene doméstica da criança (1891), a importância da dieta e da higiene para o controle das doenças.
Fontes: www.181; www.167; www.166.
Úlcera: lesão aberta, com perda de substância, em tecido cutâneo ou mucoso, causando desintegração e necrose. As úlceras tendem a se formar em áreas do corpo com má circulação sangüínea. Até uma pequena pancada nessas partes pode levar a uma ulceração. Uma ferida devida a traumatismo pode tornar-se ulcerada se ocorrer infecção.
Fontes: Houaiss, 2001; Koogan-Houaiss, 2004; Stedman, 1979.
Unna, Paul Gerson: dermatologista alemão nascido em Hamburgo em 8 de setembro de 1850. Estudou medicina na Universidade de Heidelberg, na qual ingressou em 1870, depois em Leipzig e, por fim, em Estrasburgo, onde se formou, orientado por Waldeyer, em 1875. Sua tese de doutoramento, Über die Entwicklung der Haut (Sobre o desenvolvimento da pele), trouxe à luz conhecimentos inteiramente novos sobre as diferentes partes e os elementos constitutivos da pele. Para realizar suas observações, Unna utilizou-se do ácido ósmico e de um novo corante, o picrocarmim, recém descoberto por Ranvier. O trabalho seria parcialmente publicado no Handbuch der speciellen Pathologie und Therapie em 1883. Depois de formado, Unna transferiu-se para Viena, onde estudou com Ferdinand von Hebra (1816-1880), Moritz Kaposi (1837-1902) e Heinrich Auspitz (1835-1886). Em 1877, publicaria com Auspitz dois artigos sobre a anatomia patológica do cancro sifilítico no Vierteljahresschrift für Dermatologie & Syphilis. De volta a Hamburgo em 1876, foi contratado como médico assistente da seção de sífilis do Hospital St. Georger, em Engel-Reimers, atividade que passou a conciliar com a prática exercida na clínica de seu pai em Hamburgo. No início da década de 1880 fundou sua própria clínica dedicada às doenças de pele. Juntamente com Oskar Lassar e Hans Hebra, criou, em 1882, o Monatshefte für praktische Dermatologie (hoje chamado Dermatologische Wochenschrift), primeiro periódico de dermatologia da Alemanha e uma das principais referências da especialidade no mundo. A clínica logo se tornou insuficiente para atender à crescente demanda. Unna decidiu, então, abandonar a clínica geral para se dedicar apenas à dermatologia. Em 1884, num subúrbio de Hamburgo, inaugurou um moderno instituto de treinamento dermatológico, que passou a ser freqüentado por estudantes de várias partes do mundo. O Dermatologikum atraía, também, médicos de diversas nacionalidades, muitos deles considerados pioneiros da dermatologia em seus países. Um desses médicos foi Adolpho Lutz, que chegou a Hamburgo em março de 1885. Sob a orientação de Unna, o médico suíçobrasileiro desenvolveu importante trabalho sobre a bacteriologia da lepra e de outras doenças dermatológicas. No artigo que publicou, em 1886, no Monatshefte für praktische Dermatologie ("Zur Morphologie des Mikroorganismus der Lepra"), propôs nova classificação para o microrganismo descoberto por Gerhard Armauer Hansen (1841-1912), que Lutz considerou ser espécie de novo gênero, batizado por ele de Coccothrix. Unna trabalhou durante 25 anos na histologia da lepra, tendo feito importantes contribuições para a bacteriologia, a patologia e a terapêutica da doença, criando seus próprios métodos histológicos e de coloração de células e tecidos. Em 1891, descobriu as células plasmáticas e, com o passar do tempo, verificou que eram componentes fundamentais das infecções crônicas e neoplasias infecciosas. Também estabeleceu a diferença entre os diversos tipos de tecidos adiposos e realizou estudos históricos sobre o conceito de eczema. Em 1894, publicou a monumental Die histopathologie der Hautkrankheiten (Histopatologia das doenças de pele), obra que consolidou seu prestígio como um dos mais importantes dermatologistas do mundo. A partir de 1906, direcionou suas pesquisas laboratoriais para o campo da química. Juntamente com Golodetz, esclareceu a até então imprecisa química das substâncias córneas, de grande importância para a dermatologia. Pesquisando os processos bioquímicos da pele, descobriu nela o Stratum granulosum. Em 1911, verificou a presença na pele de áreas com excesso de oxigênio (Sauerstofforte) e de regiões que consumiam oxigênio (Reduktionsorte). Dois anos depois, através do método da Chromolyse, tentou construir uma ponte entre a histologia e a química dos tecidos. Tendo por base uma série sistemática de testes alternados com solventes químicos e corantes em seções de tecido congelado, o novo método tinha por finalidade determinar se o elemento de tecido a ser examinado era ou não dissolvido após ser corado. Em 1928, publicou Histochemie der Haut, tratado que reúne suas principais conclusões sobre a química dos tecidos. Além dos trabalhos em dermatopatologia, deixou notáveis contribuições no campo da dermatologia clínica. Foi autor de estudos fundamentais sobre os impetigos, o grupo dos líquens, as doenças das unhas e o grupo dos eritemas, por exemplo. Descreveu, ainda, uma afecção crônica da pele caracterizada pela inflamação das regiões com grande número de glândulas sebáceas, especialmente o couro cabeludo e áreas da face e do tronco. De causa desconhecida, esta foi batizada como doença de Unna. Suas contribuições para a terapêutica foram de grande importância. Unna estudou detalhadamente o efeito de agentes de redução sobre a pele, entre eles a crisarobina, o pirogalol, a resorcina e o ictiol. Introduziu o uso de sabões medicinais e recomendou a cauterização a quente para o tratamento de pequenos tumores benignos da pele e de lesões pustulares. Desenvolveu a pasta composta de óxido de zinco, mucilagem de goma e glicerina que ficou conhecida como pomada de Unna, ainda hoje utilizada no tratamento de úlceras varicosas e dermatoses pruríticas. Antes mesmo da introdução dos tratamentos radiativos, trabalhou na erradicação do lúpus, que julgava curável. No terreno da cosmética, defendeu o uso de ungüentos, pastas e pós devidamente coloridos para a face e as mãos. Publicou cerca de 150 artigos sobre terapêutica e diversas monografias. Kriegsaphorismen eines Dermatologen (Aforismos de guerra de um dermatologista) veio a lume durante a Primeira Guerra Mundial, com o objetivo de adestrar os médicos das forças armadas alemãs no tratamento de dermatoses comuns. Unna também escreveu Die allgemeine Therapie der Haut-krankheiten (Terapia geral das doenças de pele) e Diagnose und Behandlung von Hautkrankheiten durch den praktischen Arzt (Diagnóstico e tratamento de doenças de pele pelo clínico geral). Unna, que sempre desprezou os postos acadêmicos e que travou candentes disputas com muitos de seus ocupantes, tornou-se, em 1907, professor titular do Eppendorf Krankenhaus. Assumiu, no ano seguinte, o cargo de médico-chefe da instituição e, em 1919, foi nomeado professor de dermatologia da Universidade de Hamburgo. Além das obras citadas, assinou o capítulo de dermatologia do Lehrbuch der pathologischen Anatomie, de von Orth (1847-1923), e foi co-editor do Internationaler Atlas seltener Hautkrankheiten (Hamburg & Leipzig, 1889-1899). Faleceu em Hamburgo, vítima de gripe, em 29 de janeiro de 1929.
(Ver Ácido Pirogálico; Coloração; Crisarobina; Lepra; Líquen; Pomada de Unna).
Fontes: Cardenal, 1960; Larousse, 1971; Hollander, 1987; Olpp, 1932; www.51; www.223.
V
Vesuvina: termo originado de Vesúvio, vulcão italiano. Corante de cor parda para microscopia, constituído a partir da ação do ácido nitroso sobre a metafenilenediamina. Muito usado em técnicas histológicas em solução aquosa a 1 por 100. Também conhecido como pardo de Bismarck.
Fontes: Cardenal, 1960; Larousse, 1971.
Vitiligem ou vitiligo: lesão discromatosa da pele, de causa não definida, caracterizada por perda localizada da pigmentação e pela presença de manchas brancas de tamanhos variados e, em geral, de distribuição simétrica. A pele que circunda as regiões lesionadas apresenta-se, normalmente, hiperpigmentada, e o pêlo das partes atingidas é quase sempre branco. Também conhecida por leucodermia adquirida ou leucopatia adquirida.
Fontes: D'Elia, 1926; Ferreira, 1999; Houaiss, 2001; Landouzy & Jayle, 1902; Littré & Gilbert, 1908; Stedman, 1979.
Voltolini, Friedrich E. R.: médico alemão nascido em Elsterwerda, em 17 de junho de 1819, e falecido em 10 de setembro de 1889. É reconhecido principalmente por suas atividades em otorrinolaringologia, especialidade médica em que se destacou pelo pioneirismo na utilização da galvanocáustica em doenças da laringe e do nariz, pelo aperfeiçoamento da iluminação do laringoscópio e pela adaptação desse instrumento para uso como otoscópio. Exerceu atividades clínicas em Berlim, Gross-Strehlitz e Lauenburg; tornou-se médico municipal em Falkenberg (Oberschlesien), em 1852, e livre-docente de otologia e laringologia em Breslau, a partir de 1862. Seis anos depois assumiu o cargo de ausserordentlicher Professor (professor extraordinário) na Universidade de Breslau. Fontes: Encyclopædia Britannica, 2001; www.176; www.179; www.211; www.199.
W
Weigert, Karl: patologista alemão (1845-1904), desenvolveu a partir de 1871 engenhosos métodos de coloração para diferentes espécies de bactérias, o que contribuiu enormemente para as investigações microscópicas sobre esses seres. Criou, também, métodos para a observação da mielina, das fibras elásticas, da fibrina e de outras estruturas orgânicas. Weigert verificou que uma solução de fucsina, resorcina e cloreto férrico torna as fibras elásticas azul-escuras. A fibrina é corada em solução de anilina-cristal violeta, em seguida tratada com solução de iodoiodeto de potássio e descorada em anilina oleosa e xilol; a fibrina adquire, assim, coloração azul-escuro. Obtém-se igual resultado com a mielina quando é corada com o cloreto férrico e a hematoxilina, adquirindo as porções degeneradas uma tonalidade amarelada. Método mais complexo torna azul a neuróglia e os núcleos de suas células, usando-se a hematoxilina cúprica para os tecidos nervosos. Quanto aos actinomicetos, Weigert recomendava imergi-los durante uma hora em solução vermelho-escura de orceína em vinte partes de álcool, cinco partes de ácido acético e quarenta partes de água destilada; em seguida, devia-se lavar e corar o preparado em solução aquosa de cristal violeta a 1% e, por fim, descorá-lo em álcool a 60%. A hematoxilina férrica, solução contendo hematoxilina, cloreto férrico e ácido clorídrico, é usada como corante para núcleos de células. Estão em uso ou apresentam formas aperfeiçoadas outras técnicas criadas pelo patologista alemão, que dá nome, também, à lei segundo a qual a perda ou destruição de uma parte ou um elemento no mundo orgânico pode resultar em superprodução compensadora, especialmente nos processos de regeneração ou reparo de tecidos e ossos.
(Ver Coloração; Fucsina).
Fontes: Cardenal, 1960; Fernandes, 1943; Stedman, 1979; www.46. Wernicke, Roberto Johann: parasitologista argentino, filho de imigrantes alemães, nascido em 1854 e falecido em 1922. Doutorou-se pela Universidade de Jena, Alemanha, e foi professor de patologia da Faculdade de Medicina de Buenos Aires. Juntamente com seu aluno Alejandro Posadas (1870-1902), foi o primeiro a descrever nova moléstia de pele diagnosticada inicialmente como micose fungóide com psorospérmios e, mais tarde, como doença de Posadas-Wernicke ou coccidioidomicose. Os dois autores publicaram suas descobertas de forma independente em 1892. Wernicke em "Ueber einen Protozoenbefund bei mycosis fungoides", no Centralblatt für Bakteriologie und Parasitenkunde (1892, v.12, p.859-61); e Posadas em "Un nuevo caso de micosis fungoidea com psorospermia", no periódico Circulo Médico Argentino (1892, v.15, p.585-97). Em 1893, um novo caso da doença foi observado pelo cirurgião canadense Emmet Rixford (1865-1938). Novos casos foram registrados na Califórnia em 1894 e 1896. O organismo causador da doença foi denominando Coccidioides immitis e definitivamente caracterizado por William Ophüls e H. C. Moffit (18711933) em "A new pathogenic mould formely described as a protozoan: Coccidioides immitis pyogenes: preliminary report" (Philadelphia Medical Journal, 1900, v.5, p.1471-2). Também com Posadas, Wernicke foi o primeiro a relatar um caso de rhinosporidiosis.
(Ver Coccidioidomicose; Coccídios; Posadas, Alejandro; Psorospermose).
Fontes: www.19; www.29; www.225.
Wilson, Erasmus: médico inglês (18091884) conhecido por seu trabalhos como anatomista e dermatologista. Foi presidente do College of Surgeons e da Biblical Archeology Society, e um dos primeiros acionistas do London & Provincial Turkish Bath Company Ltd. Fundou e dirigiu a cadeira de dermatologia no Royal College of Physicians. Trouxe do Egito para a capital inglesa o obelisco conhecido como Agulha de Cleópatra, que ainda se encontra às margens do Tâmisa, em Londres. Em 1869, descreveu e nomeou o lichen planus, dermatose que Ferdinand von Hebra provavelmente há havia identificado como lichen ruber. (Ver Líquen plano; Líquen rubro).
Fontes: Freedberg, 1999; www.53; www.54.
Wucherer, Otto Eduard Heinrich: filho de mãe holandesa e de um comerciante alemão, nasceu em 7 de julho de 1820, na cidade do Porto, em Portugal, e faleceu em 7 de maio de 1873, em Salvador. Com a fixação do pai em Salvador, Bahia, Wucherer viveu entre os seis e sete anos nessa cidade brasileira, transferindo-se, então, para a região alemã de Baden-Wurttemberg. Formou-se em medicina pela universidade de Tübingen. Retornou à Bahia em 1843, e exerceu a clínica em cidades do Recôncavo Baiano antes de se estabelecer em Salvador, em 1847. Sintonizado com as discussões e problemas teóricos relacionados à topografia e geografia médicas, dedicou-se, juntamente com outros médicos daquela província brasileira - principalmente John Ligertwood Paterson (1820-1882) e José Francisco da Silva Lima (1826-1910) -, ao estudo da tuberculose, lepra e ofidismo, além das doenças associadas ao clima tropical, sobretudo a opilação (ancilostomíase), o beribéri, a esquistossomose, a filariose e o ainhum. Publicados na Gazeta Médica da Bahia, periódico que circulou de 1866 a 1915, os estudos de Wucherer e de outros integrantes de seu grupo acabaram por notabilizá-los, dando origem ao que posteriormente foi denominado Escola Tropicalista Baiana.
Fontes: Barreto & Aras, 2003; Edler, 2002; Larousse, 1971;www.155.
Z
Zambaco, Démétrius Alexandre: descendente de gregos, é também conhecido como Dimítrios Zambakós pasás ou Zambaco Pacha (em português, paxá), referência ao título que recebeu do quediva otomano do Egito pelos serviços médicos prestados naquele país. Nascido em Constantinopla, na Turquia, em 6 de maio de 1831, naturalizou-se francês após sua transferência para Paris a fim de estudar na Faculdade de Medicina da capital francesa. Chefe de clínica daquela faculdade e correspondente nacional pela Divisão de anatomia e fisiologia da Academia de Medicina, foi autor de vários trabalhos importantes sobre a lepra, todos publicados em Paris: Mémoire sur la lèpre observée à Constantinople (1887), Voyages chez les lépreux (1891), Les Lépreux ambulants de Constantinople (1897), La lèpre à travers les siècles et les contrées (1914). Segundo William Tebb, no Primeiro Congresso Internacional de Dermatologia e Sifilografia, realizado na capital da França em agosto de 1889, Zambaco comunicou os resultados de suas pesquisas sobre a lepra na Ilha de Metilena, na Turquia, defendendo a teoria de que a doença não se transmitia de pessoa a pessoa. A inexistência de casos entre os quinze mil muçulmanos que habitavam a ilha parecia corroborar suas idéias acerca da não-contagiosidade da doença. Na história da medicina, seu nome é associado, ainda, às propostas, defendidas em fins do século XIX, de cauterização e remoção do clitóris para diminuir a suposta propensão feminina à masturbação. Entre seus trabalhos sobre a sexualidade humana, destacamse Onanisme avec troubles nerveux chez deux petites filles (1882) e Les Eunuques d'aujourd'hui et ceux de jadis (Paris, 1911). Membro das Academias de Medicina de São Petersburgo e Viena e presidente da Sociedade de Medicina de Constantinopla, faleceu no Cairo em 27 de novembro de 1913.
(Ver Lepra).
Fontes: Houaiss, 2001; www.198; www.161; www.133.
Ziemssen, Hugo Wilhelm von: médico alemão nascido em 13 de dezembro de 1829, em Greifswald, e falecido em Munique, em 21 de janeiro de 1902. Foi professor de clínica médica da Universidade de Erlangen, em 1863, e da Universidade de Munique, no ano seguinte. Doutorou-se somente em 1880, já como patologista e diretor da clínica municipal de Munique, com tese intitulada Sobre a mielina, pigmento e micrococos do esputo. É reconhecido pela introdução na medicina alemã dos métodos de exame e tratamento com eletricidade, e por seus estudos sobre os movimentos cardíacos.
Fontes: Der Grosse, 1952-1960; www.229; www.162; www.167;www.48.
Zoogléia: nome antigo dado a uma massa de bactérias mantidas agregadas graças à produção de uma substância gelatinosa. (Ver Bactéria).
Fontes: Ferreira, 1999; Houaiss, 2001; Littré & Gilbert, 1908; Stedman, 1979.