Antes Que Ele Mate

Blake Pierce · Capítulo 26 de 37

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Antes Que Ele Mate

Capítulo Vinte e Cinco

Estúpido.

A palavra ricocheteou em sua cabeça quando ele passou a interseção da Rodovia 32 com a Rota 411.

Estúpido.

Se ele precisava de alguma prova de que Deus estava do seu lado, chegou a hora. Ele se dirigiu para o local do quarto assassinato—que viria a ser a sua quarta cidade—quando viu o carro da polícia descendo a Rota Estadual 411. Quando ele viu aquilo, ele continuou dirigindo em linha reta pela Rodovia 32, o coração martelando no peito.

Talvez fosse apenas uma coincidência. Talvez o policial estava em patrulha de rotina, procurando motoristas apressadinhos.

Ou talvez eles tinham encontrado o poste. Ele sabia que eles estavam o investigando; ele tinha visto as histórias do Assassino Espantalho nos jornais, mas não se preocupou em ler ou assistir os trechos sobre o seu trabalho na televisão. Ele não estava fazendo isso para ter atenção ou publicidade. Ele estava fazendo isso para espalhar a ira de Deus, e para ensinar ao mundo sobre o amor, misericórdia e pureza.

Claro, a polícia não entenderia isso. E se eles tinham encontrado o local que tinha sido destinado a levantar sua quarta cidade, tudo terminaria para ele. Ele não seria capaz de terminar o seu trabalho e não iria agradar a Deus.

O quarto local teria que mudar. Talvez isso fosse ajudá-lo, a longo prazo. Talvez a polícia estaria tão preocupada tentando encontrá-lo nesse quarto local que ele poderia terminar o seu trabalho em outros lugares, sem risco de ser pego.

Ele foi para uma loja de conveniência na Rodovia 32 e virou seu caminhão no estacionamento. Ele voltou para o cruzamento e atravessou a Rota 411sem dar uma única olhada.

Com o seu sacrifício já escolhido e preparado, ele ainda poderia construir sua quarta cidade esta noite, como tinha planejado.

Ele iria continuar o seu trabalho em outro lugar.

*

Ela abriu os olhos e uma labareda de dor explodiu em sua cabeça. Ela gritou e descobriu que sua voz soou estranha—quase abafada. Ela tentou levantar a mão até boca, mas percebeu que ela era incapaz de fazê-lo. Ela percebeu que havia uma mordaça de pano sobre sua boca, bem amarrado a ponto de cortar os cantos de sua boca.

Ela piscou rapidamente, tentando fazer com que a dor em sua cabeça fosse embora. Quando seus olhos começaram a se concentrar e a névoa de inconsciência foi embora, ela começou a ter uma noção de onde estava. Ela estava em um piso de madeira que tinha camadas de poeira. Seus braços estavam amarrados nas costas e os tornozelos também foram amarrados. Ela estava só de calcinha.

Foi este último fato que trouxe tudo batendo de volta em sua memória. Um homem tinha saído “do nada” noite passada, enquanto ela chegava em casa. Eram quatro horas e ela tinha ... Deus, o que ela tinha feito?

Mas o sutiã rosa brilhante que estava usando tornou impossível esquecer o que tinha feito na noite passada. Ela fez o seu melhor para se convencer de que uma acompanhante era diferente do que as outras mulheres faziam. Ela tinha mais classe, era mais comedida.

Mas no final do dia, ela tinha feito a mesma coisa que essas outras mulheres fizeram. Ela tinha sido muito bem paga (ei, mil e quinhentos dólares por uma hora e meia de “trabalho” não era a cara da riqueza) e depois, não era tão ruim quanto ela esperava.

Mas então apareceu esse homem, saindo das sombras. Ele só disse “Olá” e depois seu braço se enrolou em seu pescoço. Ela inalou algo por um momento e quando ela deslizou para a escuridão, ela o ouviu sussurrar em seu ouvido sobre os sacrifícios e as águas amargas.

E agora ela estava aqui. A calcinha ainda estava em seu corpo e não havia nenhuma dor, então ela tinha certeza que ela não tinha sido estuprada. Mas, ainda assim, ela estava em apuros.

Ela tentou ficar de joelhos, mas cada vez que ela chegava perto, os tornozelos amarrados a faziam tombar, batendo seu ombro no chão. Ela ficou lá, chorando, e tentou lembrar a última coisa que o homem tinha dito a ela antes de colocar, sabe-se lá o que, sobre o seu nariz, sua boca e puxá-la para baixo.

Lentamente, ela se lembrava. E, surpreendentemente, a loucura disso tudo a fez querer ceder e desistir ao invés de descobrir uma maneira de sair dessa.

Não se preocupe, ele disse. Vou construir uma cidade para você.