Ao de Leve

Brito Camacho · Capítulo 8 de 9

Páginas do PDF

Ao de Leve

Ás vezes, quando a beijava, sentia-lhe as…

Ás vezes, quando a beijava, sentia-lhe as faces quentes dos beijos que outro lhe dera. Parecia-lhe então absurdo, quasi inverosimil que a Natureza fizesse tão linda uma creatura tão perfida.—Era como se alguem mettesse lama das ruas n'uma urna de alabastro.

Tão linda!

Punha-se então a fixal-a muito, muito—como se, debruçado sobre um abysmo, quizesse sondar um mysterio. Pareciam feitos de treva os seus olhos luminosos! Brincava um sorriso leve nos seus labios sensuaes, em que havia o perfume intenso das violetas e o sabor casto das rosas.

Tão linda!

Não se acredita que haja vulcões na lua, serena e pallida, ás vezes escondendo-se por traz das nuvens, como se fosse uma mulher nua que percebesse no espaço olhos brejeiros a fital-a.