Apotheose Camoneana

Xavier de Carvalho · Capítulo 2 de 11

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Apotheose Camoneana

Renascença

APOTHEOSE CAMONEANA

(a Ramalho Ortigão)

A Renascença que foi obra toda humana,

Chamando á vida nova a forte raça aryana,

Co'a polvora, a imprensa, a bussola e a alchimia, A Arte a renascer na lyra dos poetas,

Copernico que traça a orbita aos planetas

E Martinho Luthero affirmando a herezia;

Dante que tudo vê com seu olhar de lynce,

A Ceia do Senhor de Leonardo Vinci E Masaccio que tem madonas ideaes, Colombo e Guttemberg e Magalhães e Gama,

Bacon que ensina a vida e Erasmo que proclama O rubro alvorecer das sciencias naturaes;

Gallileu que nos prova a rotação da terra

E contra quem a egreja ergueu terrivel guerra,

Aristoteles que, intransigente e altivo

Foi quem traçou as leis novas da evolução,

Cravou golpe profundo, em cheio, á religião

E em bases affirmou o Credo Positivo;

Magalhães que demonstra a terra como esphera, Giotto que nos pinta a tela mais sincera,

O feudalismo á morte, as communas em lucta, A alma das nações erguendo-se fremente

E pouco a pouco, a claro, as lendas do Oriente, Emquanto o santo officio as consciencias enluta;

Bruno que a egreja queima, affirmando a Verdade, Miguel Angelo que achou os tons da realidade No Juizo Final a luz das gerações: Todo esse renascer das Artes e Sciencias E o rebate febril de todas as consciencias,

Resume-se afinal no livro de Camões.