Apotheose Camoneana
Ilha dos Amores
(a Fialho de Almeida)
Ha nesses versos ruivos e frementes
Todos feitos de sol e de impureza
A fulva côr nervosa das serpentes
E um vago sonho de gentil duqueza.
Em cada phrase de uma sereia ou deusa
E em cada riso de tritões ardentes:
Descubro ondas de carne omnipotentes
E escuto o grito audaz da Natureza.
Camões! Ha nos teus versos enseivados,
Beijos que ferem, seios inflammados
E a mulher toda nua, exposta ao sol.
E ao lêr essas estrophes côr de lava,
Sinto a minh'alma allucinada e brava,
Entre um incendio enorme de arrebol.