Apotheose Camoneana

Xavier de Carvalho · Capítulo 7 de 11

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Apotheose Camoneana

Ilha dos Amores

(a Fialho de Almeida)

Ha nesses versos ruivos e frementes

Todos feitos de sol e de impureza

A fulva côr nervosa das serpentes

E um vago sonho de gentil duqueza.

Em cada phrase de uma sereia ou deusa

E em cada riso de tritões ardentes:

Descubro ondas de carne omnipotentes

E escuto o grito audaz da Natureza.

Camões! Ha nos teus versos enseivados,

Beijos que ferem, seios inflammados

E a mulher toda nua, exposta ao sol.

E ao lêr essas estrophes côr de lava,

Sinto a minh'alma allucinada e brava,

Entre um incendio enorme de arrebol.