Apotheose Camoneana

Xavier de Carvalho · Capítulo 9 de 11

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Apotheose Camoneana

O Jau

(a Xavier Pinheiro)

Emquanto o povo, em bando, escalavrado e roto, Cantava pela rua os psalmos da Agonia

E a nação moribunda era um profundo esgoto, E a Historia se tornou em trecho d'elegia,

A patria cruelmente arruinada e exangue,

Sem familia, sem lar, sem amigos, sem pão,

No horisonte sómente a lama, o luto e o sangue, Em toda a parte a raiva e a desesperação;

O luminoso poeta, a alma aventureira,

Que atravessou cantando uma existencia inteira, A luctar pelo bem e a destruir o mau:

Achou na hora final, em vez de coroa etherea,

Num leito de hospital a enxerga da miseria

E por unico amigo um pobre negro:--o Jau.