Apotheose Camoneana
O Jau
(a Xavier Pinheiro)
Emquanto o povo, em bando, escalavrado e roto, Cantava pela rua os psalmos da Agonia
E a nação moribunda era um profundo esgoto, E a Historia se tornou em trecho d'elegia,
A patria cruelmente arruinada e exangue,
Sem familia, sem lar, sem amigos, sem pão,
No horisonte sómente a lama, o luto e o sangue, Em toda a parte a raiva e a desesperação;
O luminoso poeta, a alma aventureira,
Que atravessou cantando uma existencia inteira, A luctar pelo bem e a destruir o mau:
Achou na hora final, em vez de coroa etherea,
Num leito de hospital a enxerga da miseria
E por unico amigo um pobre negro:--o Jau.