Avaliação em Saúde: dos Modelos Teóricos à Prática na Avaliação de Programas e Sistemas de Saúde

1. Conceitos, abordagens e estratégias para a avaliação em saúde

1 – Conceitos, abordagens e

 

estratégias para a avaliação em

 

saúde

 

Ligia Maria Vieira da Silva

 

Revisitando o campo da avaliação

 

A avaliação pode ser considerada como um componente das

práticas presente em diversos âmbitos e campos do espaço social. As

suas diversas possibilidades de expressão, nesses diferentes campos,

tem gerado uma polissemia conceitual e metodológica que torna

obrigatório, tanto para o gestor quanto para o pesquisador, uma

explicitação das suas opções teóricas e técnicas (GRÉMY, 1983;

VIEIRA-DA-SILVA e FORMIGLI, 1994; CONTANDRIOPOULOS e

outros, 2000).

Entre as diversas definições existentes sobre o significado da

avaliação, aquelas referentes a avaliação de programas sociais têm

conseguido maior consenso. Uma delas relaciona a avaliação ao

processo de determinação do esforço, mérito ou valor de algo ou do

produto desse processo (SCRIVEN, 1991). Patton, ao desenvolver

uma abordagem da avaliação denominada de “avaliação focada para a

utilização” inclui na sua definição: a) a maneira de fazer a avaliação

que corresponderia à coleta sistemática de informações sobre as

atividades, características e resultados dos programas; b) o propósito

da avaliação, ou seja, fazer julgamentos sobre os programas e/ou para

subsidiar o processo de tomada de decisões sobre futuras

programações (PATTON, 1997). Já Rossi e Freeman, que editam um

dos mais conhecidos livros sobre avaliação, a consideram como

sinônimo de pesquisa avaliativa e a definem como a aplicação

sistemática dos procedimentos oriundos da investigação em ciências

sociais para analisar programas de intervenção (ROSSI; FREEMAN,

2004).

Na mesma perspectiva de delimitar o campo da avaliação ao

julgamento de programas sociais, Contandriopoulos formulou uma das

definições mais simples e abrangentes. Segundo esse autor, a

avaliação pode ser considerada como um julgamento sobre uma

intervenção ou sobre qualquer dos seus componentes com o objetivo

de auxiliar na tomada de decisões (CONTANDRIOPOULOS e outros,

1997). O problema com esse conceito é que a definição de intervenção

feita pelo autor limita o escopo da avaliação1 à dimensão instrumental

da ação.

O conceito de campo, enquanto rede de relações entre agentes e

instituições, no sentido que lhe é dado por Bourdieu (1979; BOURDIEU

e WACQUANT, 1992), pode contribuir para uma concepção da

avaliação muito mais abrangente do que aquela restrita à dimensão

racional da ação, ou aquela que situa a avaliação em relação ao uso

instrumental dos resultados (PATTON, 2001). Nessa perspectiva, a

definição de avaliação proposta por Contandriopoulos será aqui

ajustada ao escopo maior do campo da avaliação substituindo o

conceito de “intervenção” por aquele de “práticas sociais”2 – em

relação às quais, as práticas de saúde podem ser consideradas como

um caso particular. Isto porque, a avaliação toma por objeto desde as

práticas do cotidiano até aquelas relacionadas com o trabalho, nos

seus diversos âmbitos, o que envolve as intervenções sociais

planejadas. O significado do que seria o “julgamento” também pode

variar desde a formulação de um juízo de valor dicotômico qualitativo

ou quantitativo (cuidado à saúde, bom ou ruim, cobertura vacinal igual

ou superior a 70% ou inferior a 70%) até uma análise que envolva o

significado do fenômeno.

A ampliação da definição de Contandriopoulos se justifica por

referência à consolidação da avaliação enquanto campo. Este se

revela não apenas na ampliação da produção científica específica, mas

sobretudo pela rede de agentes (pesquisadores, avaliadores e

gestores) e associações profissionais envolvidos (CHELIMSKY, 1997;

MCDAID, 2003), pelo seu reconhecimento enquanto disciplina e

profissão (CHELIMSKY e SHADISH, 1997; SMITH, 2001) bem como

pela diversificação das áreas temáticas que são objeto de avaliação

sistemática (SCRIVEN, 2001).

Cabe aqui uma distinção entre monitoramento e avaliação pontual. O

monitoramento corresponderia ao acompanhamento sistemático sobre algumas das características dos serviços enquanto que a avaliação

pontual refere-se ao julgamento sobre os mesmos em um determinado

ponto do tempo.

Dessa forma, em algumas circunstâncias, o monitoramento pode

produzir informações para a realização de uma avaliação mas não

corresponder necessariamente a implementação da mesma. Ou seja,

quando a atividade de monitoramento se resume ao registro contínuo

de variáveis ao longo do tempo se superpõe à montagem de um

sistema de informação. A transformação de dados em informação bem

como a sua utilização para a avaliação, requer a formulação de uma

pergunta específica que orientaria a análise e os possíveis sentidos a

serem atribuídos aos achados empíricos. A otimização dos sistemas

de informação para fins de avaliação bem como a indicação adequada

acerca da necessidade ou não da realização de avaliações pontuais ou

de investigações avaliativas requer certo grau de institucionalização da

avaliação (HARTZ, 1999).

 

O espectro da avaliação

 

Para fins didáticos, pode-se imaginar essa diversidade de

possibilidades de expressão como faixas ou pontos de um espectro,

cujo extremo esquerdo pode ser representado pelas avaliações

presentes na vida cotidiana e o outro extremo pela investigação

avaliativa3 (Figura 1). A avaliação das práticas cotidianas

corresponderia a um julgamento que se faz a partir do recurso a

noções oriundas do “senso comum”, a técnicas não sistemáticas de

observação e à análise e formulação de juízos de valor dicotômicos e

simplificados. Por exemplo, ao final de um dia de trabalho uma equipe

de saúde reúne-se para “fazer um balanço” das atividades daquele dia

referentes ao funcionamento de um serviço de controle de hipertensão

arterial. Consideram que o balanço é “positivo” pois a demanda foi

“grande” e o atendimento foi “bom” deixando os usuários “satisfeitos”.

Esse balanço corresponde a um julgamento das práticas rotineiras do

trabalho daquela equipe a partir da percepção dos seus componentes

acerca do que seria um desempenho “positivo” no trabalho, uma

“grande” demanda, um “bom” atendimento e uma adequada

“satisfação” dos usuários.

Figura 1 – O ESPECTRO DA AVALIAÇÃO

 

Já a pesquisa avaliativa corresponderia ao julgamento que é feito

sobre as práticas sociais a partir da formulação de uma pergunta não

respondida ainda na literatura especializada, sobre as características

dessas práticas, em geral, ou em um contexto particular, através do

recurso a metodologias científicas. As práticas que têm sido mais

freqüentemente objeto de avaliação são aquelas resultantes da ação

social planejada tais como políticas, programas e serviços de saúde.

Entre esses dois extremos opostos do espectro da avaliação estaria

uma multiplicidade de possibilidades de avaliação para a gestão ou

avaliação administrativa em saúde. A realização de um inquérito

populacional para avaliar a cobertura vacinal em um município

determinado pode, por exemplo, ser uma avaliação administrativa que

estaria próxima a pesquisa avaliativa por recorrer a metodologia

científica. Contudo, pode ser considerada como pesquisa avaliativa se

vier a preencher uma lacuna no conhecimento sobre a situação do

controle de determinado problema de saúde como a poliomielite,

plausível de ser atribuída a essa ação (VIEIRA-DA-SILVA e outros,

1997).

Esse espectro da avaliação tem sido reconhecido por alguns

autores, tanto em relação ao objeto da avaliação quanto ao método e abordagem. Alguns deles referem-se a avaliação presente no “mundo

não acadêmico” e na vida privada, nesta incluindo outros setores das

práticas sociais como degustação de vinho e astrologia (PATTON,

1997; SCRIVEN, 2001) ou avaliação “pessoal” (SCRIVEN, 1991).

Quanto ao objeto, alguns autores, apesar de reconhecerem a

diversidade do campo da avaliação enfocam principalmente os

métodos e técnicas relacionados a avaliação de programas sociais

(SCRIVEN, 1991; ROSSI; FREEMAN, 2004; PATTON, 1997). Existe

uma preocupação em estabelecer diferenças entre o que seria

pesquisa e o que seria avaliação normativa ou administrativa, havendo

inclusive variações acerca daquilo que se considera como pesquisa

(CONTANDRIOPOULOS; CHAMPAGNE e outros, 1997; SCRIVEN,

2001). Alguns autores tratam exclusivamente da pesquisa avaliativa,

embora reconheçam que a avaliação é uma arte que envolve outras

habilidades além da metodologia científica (ROSSI; FREEMAN, 2004).

Patton, refere-se a enorme diversidade existente ao interior do

campo da avaliação e adverte que as tentativas de reduzir essa

complexidade a algumas categorias corre o risco de excessiva

simplificação. Entretanto, para fins práticos, esse autor discute três

objetivos primários para avaliação de programas: a) para fazer

julgamentos; b) para facilitar o seu desenvolvimento c) para contribuir

com o conhecimento (PATTON, 1997).

Outra dicotomia, freqüente entre os autores de língua inglesa,

aparece como a oposição entre avaliação somativa (summative) e

formativa (formative). A avaliação somativa de um programa é aquela

conduzida após o término do programa e tem por objetivos prestar

contas a uma audiência externa (órgão financiador) ou gestor. Esse

tipo de avaliação distingue-se da denominada avaliação formativa que

é freqüentemente conduzida durante a implementação de um

programa e que tem por objetivo apoiar o desenvolvimento do mesmo

(SCRIVEN, 1991). Em ambos os casos, a definição do “foco da

avaliação” requer o diálogo entre os especialistas em avaliação e os

clientes (STECHER; DAVIS, 1987).

Mesmo no interior de subáreas temáticas e/ou movimentos do

campo da avaliação esse espectro é sempre referido. O consenso de

Gothenburg sobre avaliação de impactos em saúde considerou três

possibilidades metodológicas: a) estimativa rápida de impacto (rapid

health impact appraisal); b) análise do impacto em saúde (health impact analysis) e c) revisão de impactos em saúde (health impact

review) (WHO, 1999).

 

A teoria e a diversidade das

 

abordagens

 

As primeiras décadas de constituição do campo da avaliação foram

marcadas por grandes estudos com ênfase no desenho e no método

(SUCHMAN, 1967). Posteriormente, com a limitação do poder

explicativo dessas investigações, ao lado do seu custo e

complexidade, alternativas metodológicas foram buscadas nas meta-

análises, nos estudos qualitativos (COOK; REICHARDT, 1986 (1982);

PATTON, 1987) e naqueles orientados pela teoria do programa (CHEN,

1990).

A teoria de que se fala não são as grandes teorias sociais, e sim

aquelas referentes ao programa, seu contexto e interações (HOUSE,

2001). Chen define teoria como um conjunto de pressupostos,

princípios e ou proposições que explicam ou guiam a ação social. Em

outras palavras, a teoria do programa deveria especificar tudo que

deve ser feito para alcançar os objetivos desejados, quais os impactos

que podem ser antecipados e como isso se produz. Esse autor ainda

distingue as teorias causais ou descritivas que teriam como objetivo

explicar as relações entre a intervenção, a implementação e os

resultados daquelas normativas ou prescritivas que estariam voltadas

para definir a imagem-objetivo, ou seja, como devem ser as

intervenções, o processo de implementação do programa e os

resultados. A teoria necessária para realizar uma avaliação envolveria,

na sua opinião, tanto a dimensão causal quanto aquela normativa

(CHEN, 1990).

A ênfase na teoria como estratégia metodológica privilegiada para a

avaliação de programas remete à elaboração de modelos lógicos ou

teóricos4 como componente necessário desse processo (MERCER;

GOEL, 1994; CONTANDRIOPOULOS; CHAMPAGNE e outros, 2000).

O que se quer chamar a atenção aqui, em relação à teoria, diz

respeito a sua relação com a polissemia conceitual e diversidade de

abordagens existentes para a avaliação na bibliografia especializada

sobre o tema. É constatação recorrente que cada autor que escreve sobre o tema propõe uma nova matriz (framework) ou modifica aquelas

preexistentes com variações, ou acrescenta novos atributos dos

programas a serem avaliados ou define de forma diferente termos

antigos (VIEIRA-DA-SILVA e FORMIGLI, 1994;

CONTANDRIOPOULOS; CHAMPAGNE e outros, 1997). Desde 1981

que Scriven edita o “Thesaurus” da avaliação, numa referência ao

dicionário equivalente da língua inglesa (SCRIVEN, 1991). As diversas

matrizes existentes para a avaliação do “desempenho de sistemas de

saúde” (KNOWLES e outros, 1997; WHO, 2000; CANADA, 2001;

HURST; HUGHES, 2001) são mais um exemplo dessa diversidade e

do pequeno grau de consenso existente no campo da avaliação.

Essa diversidade reflete, por um lado, o estágio incipiente de

desenvolvimento da avaliação enquanto disciplina científica e a

natureza e abrangência do campo da avaliação que comporta uma

multiplicidade de possibilidades de recorte do real. Em outras palavras,

tendo em vista que as opções técnicas são também opções teóricas

(BOURDIEU, 1989), a multiplicidade de formas de definir as

abordagens, dimensões e atributos para a avaliação refletem, em

alguma medida, as escolhas teóricas dos autores que são tantas

quanto os possíveis “pontos de vista” que correspondem a posições

que os autores ocupam no espaço social e campos a que pertencem,

sua formação intelectual e trajetória social.

 

Abordagens, níveis, dimensões,

 

critérios e indicadores para a avaliação

 

Como não há método separado da prática de pesquisa (BOURDIEU

e outros, 1999), também para a avaliação isso é verdadeiro. Cada

avaliação é um caso particular que requer criatividade por parte do

investigador/avaliador na formulação da melhor estratégia, na seleção

da abordagem na definição de níveis e atributos, bem como na seleção

de critérios, indicadores e padrões. Principalmente na hipótese de

tratar-se de uma avaliação voltada para a gestão dos serviços, há que

incorporar os agentes do programa (stake-holders) em muitas das

definições do foco da avaliação (GUBA; LINCOLN, 1989; PATTON,

1997; FETTERMAN, 1997). A sistematização que se segue pretende

auxiliar o avaliador a tomar conhecimento do leque de possibilidades para facilitar o processo de delimitação do objeto e de formulação do

projeto de avaliação.

 

Abordagens

 

Numa primeira aproximação com o objeto a ser avaliado,

poderíamos recorrer à classificação das abordagens possíveis feita por

(DONABEDIAN, 1988), que é utilizada e revisitada quase quarenta

anos depois (HANDLER e outros, 2001). Com base no enfoque

sistêmico e principalmente preocupado em avaliar a qualidade do

cuidado médico, Donabedian sistematizou diversas propostas de

abordagem na tríade: estrutura-processo-resultados. A estrutura diria

respeito aos recursos materiais, humanos e organizacionais, o

processo a tudo aquilo que medeia a relação profissional-usuário e os

resultados estariam relacionados tanto com o produto das ações

(consultas, exames, visitas) quanto com a modificação no estado de

saúde de indivíduos e da população. Embora ela tenha utilidade prática

na primeira aproximação com o objeto da avaliação, a abrangência

dessa classificação e a redução que ela opera do real têm sido

apontadas como suas principais limitações (VIEIRA-DA-SILVA;

FORMIGLI, 1994).

 

Níveis e objeto da avaliação

 

Para prosseguir na delimitação do objeto a ser avaliado é necessário

definir quais os níveis da realidade que se quer estudar. O campo da

saúde é formado por instituições públicas e privadas que desenvolvem

ações de promoção, prevenção e cura voltadas para a população e

que podem ser abordadas, entre outras possibilidades, a partir dos

seguintes níveis ( 5 Figura 2 ) :

 

a. Ações – diz respeito às ações de promoção, prevenção e cura

desenvolvidas pelos agentes individualmente;

b. Serviços – corresponde a um grau de maior complexidade de

organização das ações onde diversos agentes se articulam para

desenvolver atividades, coordenadas ou não, voltadas para um

grupo etário ou problema de saúde. Como exemplo pode-se citar

um serviço para o atendimento pediátrico ou um serviço de saúde

ocupacional;

c. Estabelecimentos – correspondem a unidades sanitárias de

diferentes níveis de complexidade tais como centros de saúde,

hospitais, policlínicas.

d. Sistema6 – seria o nível mais complexo de organização das

práticas que envolveria todos os outros e sua coordenação. Pode

corresponder a um sistema municipal, estadual ou nacional.

 

Figura 2 – NÍVEIS E OBJETOS DA AVALIAÇÃO

 

A avaliação de políticas, programas e projetos pode recortar todos

os níveis do sistema de saúde. As políticas de saúde podem ser

consideradas como a ação ou omissão do Estado enquanto resposta

social, diante dos problemas de saúde e seus determinantes, bem

como da produção, distribuição e regulação de bens e serviços e

ambientes que afetam a saúde dos indivíduos e da coletividade (PAIM,

2002; PAIM, 20037 ). Dessa forma, a avaliação de políticas pode incluir,

tanto análises sobre a natureza do Estado e do poder político

envolvidos na sua formulação quanto estudos sobre os programas8

relacionados com a sua operacionalização. Por fim, embora a

avaliação de políticas freqüentemente envolva a avaliação de

programas, a distinção entre essas duas dimensões das práticas pode

ser necessária para fins analíticos (VIEIRA-DA-SILVA, 1999)9 .

 

Atributos ou características

 

A seleção das características ou atributos das práticas, serviços,

programas, estabelecimentos ou do sistema de saúde a serem

avaliadas contribui para o aprofundamento no processo de definição do

foco da avaliação. Aqui é onde existe a maior diversidade

terminológica e polissemia conceitual. As opções ora apresentadas

representam uma atualização de proposição anterior (VIEIRA-DA-

SILVA; FORMIGLI, 1994) onde buscou-se incorporar conceitos com

certo grau de consenso na literatura revisada que guardassem

coerência entre si e com um modelo teórico (Figura 3).

Figura 3 – Atributos ou Características para Avaliação em Saúde

 

Em resposta ou não a necessidades de saúde, os indivíduos

desenvolvem necessidades de serviços de saúde (PAIM, 1982). Essas

necessidades podem ser objeto de graus distintos de controle, a saber,

controle de causas, de riscos ou de danos que dependem do estágio

de desenvolvimento da história de um agravo à saúde e das

características do modelo assistencial (PAIM, 1999). Para cada um

desses níveis de controle existem diversas possibilidades de

intervenção (Quadro 1) cujas características ou atributos têm sido

consideradas como relevantes para a avaliação, podendo ser

agrupados de acordo com as seguintes características, entre outras

possibilidades (Figura 3):

 

a. Relacionados com a disponibilidade e distribuição social dos

recursos:

Cobertura,

Acessibilidade,

Eqüidade.

b. Relacionados com o efeito das ações:

Eficácia,

Efetividade,

Impacto.

c. Relacionados com os custos e produtividade das ações:

Eficiência.

d. Relacionados com a a adequação das ações ao conhecimento

técnico e científico vigente:

Qualidade técnico-científica.

e. Relacionados com a adequação das ações aos objetivos e

problemas de saúde:

Direcionalidade e consistência (análise estratégica).

f. Relacionados com o processo de implantação das ações:

avaliação do grau de implantação e (ou) avaliação de

processo,

análise de implantação – estudos que investigam as relações

entre o grau de implantação, o contexto e os efeitos das

ações.

g. Características relacionais entre os agentes das ações:

usuário x profissional (percepção dos usuários sobre as

práticas, satisfação dos usuários, aceitabilidade, acolhimento,

respeito a privacidade e outros direitos cidadãos),

profissional x profissional (relações de trabalho e no trabalho),

gestor x profissional (relações sindicais e de gestão).

Quadro 1 – Possíveis relações entre abordagens, características

selecionadas das práticas e níveis de controle

Abordagens Estruturas Processos Resultados

(Efetividade

/impacto)

Características Níveis de

das práticas controle

Controle de

causas

Cobertura Cobertura Cobertura Promoção da

potencial de real dessa saúde

uma ação mesma ação

educativa educativa

relacionada com relacionada

a promoção da com a

saúde promoção

(ex: proporção da saúde

de panfletos (ex:

disponíveis em proporção

relação a de panfletos

população-alvo efetivamente

relacionados distribuídos

com os em relação

benefícios de à

fazer exercícios população-

físicos) alvo)

 

Cobertura Cobertura Cobertura Controle de

potencial de real dessas riscos

ações mesmas Eliminação de

relacionadas ao ações. agentes

controle da Organização potencialmente

qualidade da adequada causadores de

água do doenças de

acolhimento transmissão

em Centros hídrica

de Saúde

Acessibilidade Distribuição Cuidado Controle de

geográfica adequado danos

adequada dos ao Pessoas com

Centros de diagnóstico agravos à

Saúde. saúde que

Equipamentos tenham tido

necessários à acesso ao

realização de cuidado

exames adequado

complementares podem curar-

se do agravo

Qualidade Controle de

técnica danos

Cura

 

A primeira preocupação do gestor em relação a uma intervenção

sanitária está relacionada com a magnitude da oferta das ações e

serviços. Em que medida os recursos existentes são suficientes para

atender às necessidades da população-alvo? Essa pergunta pode ser

respondida através da avaliação de cobertura que é aquela que mede

a proporção da população que se beneficia do programa ou

intervenção (ROSSI; FREEMAN, 2004). A cobertura pode ser pensada

em relação a intervenções de diversos tipos, desde aquelas voltadas

para a promoção da saúde ou para o controle de causas até aquelas

vinculadas ao cuidado propriamente dito, ou seja, ao controle de danos

(Quadro 1). A cobertura pode ser considerada como potencial quando

o que se mede são os recursos materiais ou humanos disponíveis para

a realização de determinada ação. Nesse caso, ela é superponível ao

conceito de “oferta de serviços”. Já a cobertura real ou utilização de

serviços corresponde a proporção da população que efetivamente se

beneficiou de determinada intervenção, que de fato usou os serviços

(SOBERÓN, 1988). A cobertura pode ser calculada tendo por

referência um sistema estruturado para o atendimento à demanda

espontânea ou ser pensada em relação à oferta organizada10 de ações

programáticas (Figura 3).

A acessibilidade, embora seja um conceito relacionado com o de

cobertura, não é equivalente. Ela tem sido definida como uma relação

entre os recursos de poder dos usuários e os obstáculos colocados

pelos serviços de saúde (FRENK, 1992). Os recursos de poder podem ser de natureza econômica, social e cultural. Já os obstáculos podem

ser geográficos (distância, transporte), organizacionais (existência de

filas, tempo de espera injustificável, natureza do acolhimento) e

econômicos.

O acesso pode ser confundido com a utilização de serviços quando

só se quer analisar a obtenção do cuidado pelo indivíduo que dele

necessita. Quando existem dificuldades importantes para essa

utilização, o conceito de acessibilidade relacionado aos obstáculos

existentes à obtenção dos serviços, por parte dos usuários, passa a ter

grande valor, como é o caso do Brasil. Segundo a Pesquisa Nacional

por Amostra de Domicílios (PNAD) realizada em 1998, 5 milhões de

pessoas referiram ter necessitado, mas não procuraram um serviço de

saúde, alegando principalmente falta de recursos financeiros

(obstáculo econômico). Estimativas desse mesmo estudo indicam que

755.521 pessoas que procuraram atendimento não foram atendidas

por motivos diversos: ou não conseguiram vaga ou senha (obstáculos

organizacionais ou de oferta), ou não havia serviço especializado

(oferta), ou não havia médico atendendo ou esperaram muito e

desistiram (obstáculos organizacionais). Além disso, o acesso a

consultas médicas aumenta expressivamente com a renda (recursos

de poder econômicos) (BRASIL-IBGE, 2000). Esses dados revelam o

sofrimento dos usuários muitas vezes obrigados a aguardar em longas

filas nas portas dos serviços de saúde. Por outro lado, o tempo de

espera para o acesso a procedimentos especializados pode interferir

com o próprio efeito do cuidado se o mesmo não é feito

tempestivamente.

Já o conceito de 11 equidade aqui será usado no sentido que lhe é

dado por Perelman, ou seja, como um instrumento da justiça para

resolver as contradições entre as diversas fórmulas da justiça formal

ou abstrata (PERELMAN, 1996). O que equivale a dizer que devemos

tratar desigualmente desiguais e priorizar para a intervenção sanitária

grupos sociais com maiores necessidades de saúde. A eqüidade

recorta e relaciona-se com quase todos os demais atributos. Pode-se

pensar em equidade no acesso, no acolhimento, na qualidade e na

efetividade. A oferta organizada de ações voltadas para enfrentar

determinado problema de saúde pode ampliar a acessibilidade da

população aos diversos níveis do cuidado e, dessa forma, ampliar a

cobertura real das referidas ações.

A segunda e importante característica das práticas de saúde diz

respeito aos possíveis efeitos que as mesmas possam ter sobre o

estado de saúde dos indivíduos, grupos ou populações. A distinção

entre eficácia como efeito de uma intervenção em situação

experimental e efetividade como o efeito da mesma em sistemas

operacionais vem se mantendo ao longo dos anos (DONABEDIAN,

1990; MAYNARD; MCDAID, 2003). Já o conceito de impacto tem sido

usado frequentemente com o mesmo sentido dado a efetividade, ou

seja, relacionado ao efeito de intervenções em sistemas reais e não

em situações experimentais da pesquisa. Contudo, o conceito de

impacto tem sido também usado para designar o efeito de uma

intervenção em relação a grandes grupos populacionais ou em

grandes intervalos de tempo. Exemplificando, seria necessário que

determinada tecnologia fosse eficaz em ensaios experimentais para

que, ao ser utilizada em sistemas operacionais possa ser efetiva, e, se

associada a uma cobertura elevada, durante determinado período,

tenha a possibilidade de causar impacto sobre o nível de saúde de

uma população com redução de morbidade. Uma vacina que obtém

elevada eficácia em ensaios experimentais pode ter baixa efetividade

ao ser administrada em usuários de um Centro de Saúde devido a

problemas da rede de frio, por exemplo. Já para o controle de viroses

para as quais exista uma vacina eficaz, é necessário que os serviços

atinjam elevadas coberturas vacinais em todo o país, ou seja, sejam

efetivos, para então se falar em impacto da medida.

A eficiência tanto tem sido usada como medida da produtividade do

sistema como da sua relação com os custos (HARTZ;

POUVOURVILLE, 1998). A incorporação de avaliações econômicas na

definição das prioridades relacionadas com a saúde das populações

tem sido feita para fazer face aos crescentes custos da atenção

médico-hospitalar e também para garantir a equidade de ações de

promoção à saúde e reformas na organização dos sistemas de saúde

(MCDAID, 2003).

A qualidade técnico-científica do cuidado no sentido que lhe foi dado

por Vuori (1982), corresponde à adequação das ações ao

conhecimento técnico e científico vigente. Ou seja, em que medida as

tecnologias que estão sendo usadas são aquelas consideradas como

mais indicadas e eficazes pela comunidade científica?

No caso das ações conduzidas a partir de algum grau de

planejamento a 12 análise estratégica (CAMPOAMOR, 1990;

CONTANDRIOPOULOS; CHAMPAGNE e outros, 1997) auxilia a

responder a pergunta acerca da consistência e direcionalidade do

plano (MATUS, 1993). Ou seja, em que medida as atividades

propostas são pertinentes, tendo em vista os objetivos do programa e

os problemas diagnosticados?

Já as análises de implantação são muito relevantes para a avaliação

de programas de saúde porque permitem ao investigador estudar os

processos relacionados à operacionalização dos mesmos. As

avaliações de efetividade, conduzidas, muitas vezes a partir de

estratégias do tipo “caixa preta13 ”, chegam a resultados bastante

diferenciados com problemas de generalização de resultados (DENIS;

CHAMPAGNE, 1997; HOUSE, 2001). Abrir a “caixa preta” não apenas

tem elucidado problemas na operacionalização dos programas como

tem sido útil para a formulação de recomendações voltadas para o

aperfeiçoamento dos mesmos (HULSCHER e outros, 2003). Os

processos, a maneira pela qual os programas são implementados,

podem ser tão importantes quanto os resultados. Em algumas

circunstâncias, o processo de implantação de programas de

reorganização da atenção à saúde pode envolver a participação dos

diversos profissionais, promover a integração entre os mesmos e os

gestores de tal forma, que o próprio desenvolvimento das relações

interpessoais pode passar a ser um resultado relevante (PATTON,

2002) 14.

Por último, o bloco dos atributos denominados como “relacionais”,

que podem ou não fazer parte das análises de implantação, cria toda

uma nova perspectiva para a avaliação em saúde. Corresponde a

valorizar as características do acolhimento, a garantia dos direitos

individuais à privacidade e as características das relações no trabalho

como componentes da qualidade da atenção e promoção da saúde.

As intervenções de saúde variam conforme o modelo assistencial ou

modelos assistenciais dominantes em diferentes contextos. As

características acima relacionadas podem ser pensadas tanto para a

atenção à demanda espontânea quanto para a oferta organizada

voltada para o controle de riscos e causas (PAIM, 1999). Estratégias e desenhos

 

As estratégias de pesquisa para a avaliação correspondem às

possíveis maneiras de mobilizar recursos teóricos e técnicos visando

responder à pergunta de investigação de forma a evitar viéses e

também responder a hipóteses rivais. O conceito de desenho será

usado para designar aquelas estratégias mais estruturadas,

relacionadas principalmente com a investigação em epidemiologia

(ALMEIDA-FILHO e ROUQUAYROL, 1999).

Os desenhos possíveis para a pesquisa avaliativa têm sido

propostos a partir de uma comparação com o desenho experimental ou

de intervenção, tido como tipo ideal, capaz de responder aos principais

desafios à validade interna (CAMPBELL; STANLEY, 1966). Esses

autores discutem 12 fatores que ameaçam a validade da pesquisa em

cerca de 16 diferentes desenhos. Teoricamente, o desenho

experimental seria capaz de dar conta da maioria desses possíveis

vieses tais como: história, maturação, familiaridade ao teste,

instrumentação, regressão à média, seleção, mortalidade experimental

entre outros (CAMPBELL; STANLEY, 1966). Os desenhos

experimentais correspondem aos “ensaios clínicos” ou estudos de

intervenção na epidemiologia (Quadro 2).

Quadro 2 – Tipo de Estratégia/Desenho

Experimental Quase Não Experimental

Experimental

 

Estruturados Pré-Teste Pós-Séries Um grupo Pós-teste

teste Temporais X 01

Com controle ...0 0 0 x 1 2 3 Pré-Teste Pós-teste

01 X 02 0 0 0 4 56 01 X 02

 

03 X 04 Campbell(1963) Campbell(1963) Campbell(1963)

 

Intervenção Séries Estudos transversais

Lilienfeld (1976) Temporais Lilienfeld (1976)

Caso-Controle

Coortes

Lilienfeld (1976)

 

Intervenção Observacional Estudos transversais

Almeida Filho; Agregados Almeida-Filho;

Rouquayrol Individual Rouquayrol

(1999) Longitudinal (1999)

Almeida-Filho;

Rouquayrol

(1999)

 

Semi- Estudos de Estudo Estudos de caso

estruturados caso com comparado de (YIN,1994)

análise casos múltiplos Pesquisa de

histórica Estudos desenvolvimento

centrados na (CONTANDRIOPOULOS,

teoria e 1994)

desenhos

sintéticos

(CHEN, 1990

 

A critica às limitações do desenho experimental para avaliação de

programas dizem respeito a problemas éticos e operacionais (SMITH,

1980). A escolha aleatória de participantes para um estudo geralmente

encontra resistências com recusas frequentes tanto devido ao caráter

arbitrário dessa designação quanto devido as diferenças na natureza e atratividade das intervenções. Por outro lado, os estudos experimentais

são caros e demandam longo tempo. Do ponto de vista ético, não se

admite observar um grupo de pessoas com um problema sem aportar

nenhuma solução para o mesmo (SMITH, 1980). Particularmente, no

que diz respeito às avaliações em saúde, os desenhos observacionais

são preferidos em detrimento dos experimentais, tendo em vista

principalmente questões éticas, bem como a complexidade das

intervenções de saúde coletiva e sua relação com o contexto

(ALMEIDA-FILHO; ROUQUAYROL, 1999).

Como uma alternativa às limitações da ênfase no método e nos

desenhos do tipo caixa preta, experimentais, têm sido propostas

estratégias complementares buscando explicar variações nos

resultados a partir das variações na implantação e no contexto (DENIS;

CHAMPAGNE, 1997; HARTZ, 1997; CONTANDRIOPOULOS e outros,

2003; FRIAS; HARTZ, 2003; VIEIRA-DA-SILVA e outros, 2003), com

ênfase na teoria (CHEN, 1990) e com recurso a técnicas não

estruturadas ou qualitativas (COOK; REICHARDT, 1986; PATTON,

1987; GUBA; LINCOLN, 1989; FETTERMAN, 1997).

O debate quantitativo x qualitativo é considerado como superado por

alguns autores, tendo em vista que limites e possibilidades são hoje

reconhecidos tanto em relação ao uso de técnicas quantitativas quanto

para aquelas qualitativas (COOK, 1997; HOUSE, 2001). Alguns,

porém, ainda consideram como atual o debate argumentando que se

tratam de divergências filosóficas (SMITH, 2001). Em outras disciplinas

do campo científico, essa é considerada como uma falsa questão

(BOURDIEU, 1989). O que é considerado, por esse último autor, como

relevante para o processo de investigação, é a construção do objeto e

a mobilização de todas as técnicas possíveis para analisá-lo

(BOURDIEU, 1998).

No caso particular da avaliação, existem muitos objetos pré-

construídos dado seu caráter predominantemente instrumental,

principalmente nas avaliações formativas e voltadas para a gestão.

Contudo, na pesquisa avaliativa, há necessidade e existe um grande

espaço de possibilidades de construção do objeto, principalmente nas

análises de implantação.

Menos com a intenção de apresentar um “livro de receitas” e mais

com o objetivo de sistematizar possibilidades, para orientar escolhas

práticas, pode-se classificar as estratégias possíveis em estruturadas

ou “pronto para usar” ( 15 16 prêt-à-porter) e semi estruturadas ou “sob

medida” (sur mesure) (HARTZ, 1999). Entre as estratégias

estruturadas podem ser incluídos os clássicos desenhos

experimentais, os quase-experimentais e mesmo alguns considerados

como não experimentais (CAMPBELL; STANLEY, 1966). Os desenhos

epidemiológicos que têm sido usados para avaliação em saúde podem

ser considerados como estruturados e apresentam uma equivalência

com aqueles propostos por Campbell e Stanley (Quadro 2).

Já os pouco estruturados geralmente são estudos de caso 17 que, a

depender dos níveis de análise e da profundidade, podem mobilizar

diversas técnicas de coleta de dados qualitativos como: observação

etnográfica, grupos focais, entrevistas em profundidade, histórias de

vida e análise documental (COOK; REICHARDT, 1986 (1982); YIN,

1994) (PATTON, 1987; GUBA; LINCOLN, 1989).

A escolha da estratégia relaciona-se com o processo anterior de

delimitação do foco e de construção do objeto da avaliação. Avaliar a

dimensão relacional das práticas requer a realização de estudos de

caso e o uso de técnicas qualitativas (HADAD e outros, 2002). Da

mesma forma nas análises de implantação a resposta à pergunta

acerca das relações entre o grau de implantação e os contextos

políticos e organizacionais requer a realização de análises históricas,

entrevistas em profundidade e a elaboração de modelos teóricos

causais (DENIS; CHAMPAGNE, 1997; HARTZ e outros, 1997, 2003;

PATTON, 2002). Esses dois tipos de avaliação são muito úteis para o

gestor no que diz respeito a geração de informações voltadas para as

retificações necessárias nos programas em curso (HULSCHER;

LAURANT e outros, 2003).

A avaliação de cobertura e de utilização de serviços impõe a

quantificação e o uso de desenhos estruturados como o inquérito

(VIEIRADA-SILVA e outros, 1995; TRAVASSOS e outros, 2002). Para

as avaliações de eficácia de tecnologias os desenhos indicados ainda

são os experimentais ou quase-experimentais observacionais do tipo

estudos ecológicos, caso-controle e coortes (BARRETO e outros,

2002).

Já em relação a avaliação da efetividade de programas há uma

tendência crescente ao uso de síntese de pesquisas como uma

estratégia prioritária para responder a perguntas sobre o efeito de

tecnologias ou programas em sistemas operacionais (COOK, 1997). Por outro lado, diante da complexidade da avaliação da efetividade de

programas em contextos diferenciados, propõe-se o uso articulado

entre diversas investigações com desenhos tradicionais ou não, tendo

em vista a limitação dos desenhos quando considerados de forma

isolada (PAWSON; TILLEY, 2001). A ampliação da base de evidências

assim conseguida, ao lado da utilização da teoria e de desenhos

sintéticos pode permitir a realização de inferências causais com maior

segurança (CHEN, 1990). Por fim os estudos considerados como de

desenvolvimento de novas tecnologias para intervenção ou avaliação

requerem uma ênfase no pólo teórico e síntese de conhecimento

(CONTANDRIOPOULOS e outros, 1994).

 

Considerações finais

 

O campo da avaliação expandiu-se consideravelmente no final do

século XX tanto em produção científica quanto no que diz respeito a

sua institucionalização. As suas principais características são a

diversidade conceitual e terminológica, a pluralidade metodológica e a

multiplicidade de questões consideradas como pertinentes. Persiste

uma importante lacuna relacionada com a incorporação do

conhecimento produzido no plano da investigação pelos profissionais

de saúde e pelos gestores.

Há um crescente consenso que as diferenças nas abordagens e

estratégias metodológicas para a avaliação dependem dos objetos e

circunstâncias (ROGERS, 2001). O julgamento adequado sobre o valor

de uma intervenção requer muitas vezes a mobilização de diferentes

estratégias metodológicas, visita ao conhecimento anteriormente

produzido e desenvolvimento teórico-conceitual (PAWSON; TILLEY,

2001). Em síntese, a avaliação pode produzir informação tanto para a

melhoria das intervenções em saúde como para o julgamento acerca

da sua cobertura, acesso, eqüidade, qualidade técnica, efetividade,

eficiência e percepção dos usuários a seu respeito. Com essa

finalidade pode e deve mobilizar as estratégias e técnicas necessárias

da epidemiologia e das ciências humanas, sem preconceitos e sem

interdições.

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