Canções

António Botto · Capítulo 3 de 17

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Canções

+Ii+

 

Por uma noite de outomno

Lá n'essa nave sombría,

Hei-de contigo deitar-me,

Mulher branca e muda e fria!

 

Hei-de possuir na morte

O teu corpo de marfim,

Mulher que nunca me olhaste,

Que nunca pensaste em mim…

 

E quando, no fim do mundo,

A trombêta, além, se ouvir,

Apertar-te-hei mais ainda,

—Não te deixarei partir!

 

A tua boca formosa

Será sempre dos meus beijos;

E o teu corpo a minha patria,

A patria dos meus desejos.