Canções

António Botto · Capítulo 6 de 17

Páginas do PDF

Canções

+V+

 

Foi n'uma tarde de Julho.

Conversávamos a mêdo,

—Receios de trahir

Um tristissimo segrêdo.

 

Sim, duvidávamos ambos:

Elle não sabia bem

Que o amava loucamente

Como nunca amei ninguem.

E eu não acreditava

Que era por mim que o seu olhar

De lagrimas se toldava…

 

Mas, a duvida perdeu-se;

Fallou alto o coração!

—E as nossas taças

Foram erguidas

Com infinita perturbação!

 

Os nossos braços

Formaram laços.

E, aos beijos, ébrios, tombámos;

—Cheios d'amôr e de vinho!

 

(Uma suplica soáva:)

 

«Agora… morre commigo,

Meu amôr, meu amôr… devagarinho!…»