Cartilha Maternal; ou, Arte de Leitura

João de Deus · Capítulo 8 de 27

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Cartilha Maternal; ou, Arte de Leitura

Setima lição - b

SETIMA LIÇÃO

 

O leitor havia de notar na lição passada a palavra duvída com accento. Nós temos aos signaes prosodicos uma especie de aversão, chegando os nossos mais esmerados escritores a não accentuarem muitas vezes até as palavras equívocas. Mas esse é o facto. Em theoria ninguem sustenta esse exagero. Donde se segue que podemos, e devemos, por exemplo, escrever sempre duvída ou dúvida, e nunca simplesmente duvida.

O principio de accentuar só as palavras equívocas é bambo. Tudo é equívoco para quem não sabe. Nada mais equívoco para um extrangeiro, que as tres primeiras vogaes de cama casa e cada, identicas na escrita, diversas na pronuncia (ã, á, â). Todavia nunca se accentuaram. Mas sendo essa a prática constante, não se devem dar a ler escritas doutro modo. Porém as palavras equívocas alguns accentuam-nas systematicamente, e muitos, embora sem especial cuidado, teem occasião de as differençar na escrita. Queremos dizer com isto que rejeitando e reprovando nas cartilhas uma accentuação artificial armada a facilitar a leitura, iremos empregando os devidos signaes nas palavras duvidosas, conforme a razão e os bons exemplos.

É inadmissivel a doutrina de escrever as palavras de maneira que, em separado, os mesmos portuguezes não saibam o que ellas são.

Mas, voltando ao nosso caminho, vamos ao b, que se profere despegando os labios, como p, m; e por isso chamam, a estas letras e inflexões, labiaes.

 

b

 

boi

boa

 

aba baba

 

beba

 

bata batia

 

bateu batida

 

bota batata

 

abata abatia

 

abatida

 

abafa abafava

abafada