Centenario do Revolução de 1820

Marques Gomes · Capítulo 3 de 5

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Centenario do Revolução de 1820

Luiz Gomes de Carvalho

Antonio Barreto Ferraz de Vasconcelos, ministro

da justiça em 1834 e Visconde da Granja, como fica

dito, deputado nas legislaturas 1834-1836 e 1838-

1840 foi nomeado Par do Reino por carta regia de 3

de maio de 1842 tomando assento na respectiva

camara em 11 de Julho de 1842. Faleceu em 28 de

abril de 1861, sucedendo-lhe no pariato seu filho

Casimiro Barreto Ferraz a quem sucedeu seu

bisneto, sr. Casimiro Barreto Ferraz Sachetti Taveira,

bacharel formado em direito e governador civil de

Aveiro em 1907, que tomou assento na respectiva

camara em 11 de Julho de 1908.

 

Luiz Gomes de Carvalho

 

Vid. pag. 3

 

A parte importante que este distincto engenheiro

teve na abertura da Barra de Aveiro foi pela primeira

vez, posta em destaque por Antonio Feliciano de

Castilho no seu poema A faustissima exaltação de

sua magestade fidelissima o senhor D. João VI ao

throno (Lisboa--Na Imprensa regia: ano de 1818).

 

Escreveu o poeta:

«Arduas fadigas, derramadas sommas

Ao Vouga nunca destruir podérão

A barreira, que entrada ao mar tolhia

Em Teus dias, Senhor, um Genio grande,

(O preceito foi Teu, é Tua a gloria (33)

As cadeias quebrou, que o Rio atavão.

Surge, e bramando presurosso corre,

Chega ao Tridente do feroz Neptuno,

Corre a braçar a graciosa Thetis:

Nem mais soberbo discorria outr'ora

Pelos campos Ideos o vasto Xanto,

Quando amou de Neera o lindo rosto.

Não fuja aos versos meus, á fama, á gloria

O nome d'Oudinot, que o sabio Plano

Deo qual déste tambem, qual desempenhas

Engenhoso Carvalho em nossos dias».

 

(33) «Em Outubro de 1803 Oudinot foi chamado a Lisboa,

para ir á Ilha da Madeira em Serviço, onde faleceu em

Fevereiro de 1807, e por Aviso de 10 de Desembro de 1803 foi

Carvalho encarregado inteiramente das Obras da Barra

d'Aveiro, e do Porto, as quais presentemente está dirigindo.

 

(34) V. 139.--A nova Barra d'Aveiro foi effectivamente aberta

defronte d'Aveiro no dia 3 d'Abril de 1808: a Barra velha estava

entupida, e vagava errante pelas areias de Mira, 4 leguas para

o Sul d'Aveiro: Carvalho abriu esta Barra no 5.o anno da

ausencia d'Oudinot; e o 2.o depois da sua morte; por esta Nota

se julgará o que cabe a cada um da gloria d'ésta empreza

memoravel.--Por Avisos de 1810, 1811, 1812, etc., expedidos