Do jeito que eu gosto
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Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
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Advertência: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.
oi, gente!
A TAL FESTA CHATA E SEM SENTIDO A QUE TODOS TEMOS DE IR
Não foi muito melhor do que você esperava? Pense só, só restam algumas horas para as férias de primavera - e agora todos temos do que falar no avião!
Não que eu não vá estar falando da coisa de que nunca me canso de falar...
SEXO
É claro que alguns de nós tivemos e outros não, mas a verdade é que todos estamos pensando nele e definitivamente estamos todos falando dele. Tem a análise quem-você-acha-que-já-fez-na-nossa-série-e-com-quem, que sempre envolve uma garota sendo acusada de ter transado com um professor da quarta série. Uma mentira total, aliás, porque por acaso eu fui essa garota. Depois tem o teste com-quem-você-faria-se-pudesse- fazer-com-alguém, que em geral se transforma em guinchos e risadinhas porque, vamos combinar, pênis são feios e estranhos. Depois há a fantasia minha-primeira-vez-ideal, que também em geral envolve celebridades. Per algum motivo, minha fantasia de primeira-vez-ideal sempre era com Jake, em cima da máquina de lavar, ao nascer do sol (por acaso nossa lavanderia tinha uma ótima vista do nascente no East River). Mas depois percebi como seria totalmente desconfortável- e como seria horrível se a empregada precisasse lavar a roupa! Nem preciso dizer que não conseguimos parar de falar de sexo. E, agora que eu já soltei minhas intimidades, vou dar permissão para que vocês soltarem as suas. Não fiquem com vergonha. Afinal, é totalmente anônimo.
A não ser que você não queira que seja.
Seu e-mail
P: Oi,G
Na noite passada eu estava naquela festa e tenho certeza absoluta de que vi você. Tinha aquela família esquisita que nunca vi antes. O pai estava usando tênis e, tipo assim, uma saia. Você raspa a cabeça?
- xstream
R: Cara xstream,
Sua capacidade de investigação é admirável, mas imprecisa. Mesmo que eu raspasse a cabeça, não acha que eu podia usar uma peruca ou um chapéu engraçado de vez em quando, especialmente numa ocasião de gala como a da festa de ontem à noite? E, pelo que me lembro, a única menina no ambiente com cabeça raspada ontem à noite estava usando uniforme da escola, e devo insistir enfaticamente em que eu nunca,jamais, faria isso.
- GG
P: cara gossipgurl,
você viu S e N praticamente, tipo assim, transando no canto do salão do Frick ontem à noite? É uma doideira como os dois insistem em negar. Tipo assim, por que eles não admitem que querem ficar juntos? Eles formam um ótimo casal, não é? - spec.tater
R: Cara spec.tater,
Me parece que você peca pelo exagero. S e N são amigos. Ser amigos não permite que um toque no outro? Embora não seja difícil acreditar que eles não curtam isso um pouco mais do que deviam ...
Flagra
S e B correndo - literalmente - da festa beneficente Virtude e Vicío ontem à noite antes mesmo que a sobremesa fosse servida. Pessoalmente, acho que B planejou tudo e rasgou os vestidos para não ter de ficar no mesmo ambiente de N, quando ele estava tão maravilhoso. V saindo da festa com aquele cara do nariz incomum para dividir cappuccinos íntimos no Three Guys Coffee Shop a algumas quadras de distância. Verdadeiro amor? Ou ela só estava tentando se livrar dos pais? Ou as duas coisas? E o novo namorado loura de J, L - sim, temos certeza de que era ele -, chegando atrasado no Frick, todo embonecado num lindo smoking, com Madame T, a renomada benfeitora das artes, em seu braço. Ele também foi visto no Upper West Side ontem à noite, então talvez seja só outro lourinho bonito. Parece haver um monte deles por aqui.
Tenham férias de arrasar e procurem não quebrar nada nem perder nada que eu não quebraria nem perderia! Piscadinhas...
Pra você que me ama,
gossip girl
branca de neve e a equipe olímpica de snowboarding da holanda
- Da última vez em que estive aqui, nossa casa ficava definitivamente nesta estrada - insistiu Georgie com teimosia. - Mas você não conhece minha mãe. Ela mudaria totalmente a casa para outro lugar só para me irritar.
Nate olhou pela janela do táxi em Sun Valley para as atordoantes mansões de madeira na Wood River Drive, em Ketchum, Idaho, a maior cidade de Sun Valley. Atrás delas erguia-se a massa coberta de neve do monte Baldy, suas encostas robustas alternando-se entre pistas de esqui muito bem-cuidadas e trechos de um bosque denso de coníferas. Semicerrando os olhos, Nate só podia imaginar a trilha de formigas de esquiadores descendo as encostas em ziguezague. Sua nova prancha estava enfiada confortavelmente na traseira da minivan, em sua caixa Burton revestida de vermelho, e ele estava louco para experimentá-la.
- Talvez você deva ligar e perguntar exatamente onde fica - sugeriu o motorista, olhando para Georgie pelo retrovisor. A viagem do aeroporto a casa dela devia durar apenas vinte minutos, mas eles já estavam rodando pelo Sun Valley há 45. - Continue dirigindo - ordenou Georgie enquanto pousava a cabeça pesadamente no ombro de Nate. O efeito do comprimido para dormir que tinha roubado do velho sentado ao lado dela no avião ainda não tinha passado, e como sempre ela não estava nada sensata. Além disso, estava usando sandálias de cetim Miu Miu roxas e um top preto fininho, o que era meio estranho, considerando o fato de que eles iam esquiar. Ainda assim, seus braços claros e macios eram uma sensação boa nas mãos de Nate, e os cabelos castanhos grossos eram tão lisos e luxuriantes que ele não se importou. Era legal só ficar juntos pessoalmente em vez de por telefone.
- Lembra quantos andares tem? - perguntou ele, tentando ajudar. - Ou se tem, tipo assim, um regato ao lado ou coisa parecida? - Na verdade não - bocejou Georgie. - Lembro que uma vez, quando viemos para o Natal, a babá e eu fizemos um boneco de neve juntas. Eu roubei uma das bolsas Fendi da minha mãe pra par no braço dele.
Muito útil!
O motorista se arrastava pela estrada de volta a cidade. Ele parecia ter desistido. - Pára - gritou Georgie, sentando-se direito.
O carro parou.
- Isso! - Ela pegou a maçaneta e abriu a porta da minivan, esquecendo-se completamente de que estava no meio da estrada em uma curva fechada. - Vem! - gritou ela impaciente para Nate. Obviamente ela esperava que o motorista ou os empregados da casa cuidassem da bagagem.
Não esperamos todos?
Nate admirou a enorme casa de madeira por que passaram duas outras vezes, perguntando-se quem morava ali e se eram famosos ou coisa assim, uma vez que tinha sete SUVs Mercedes pretos estacionados do lado de fora. - De quem são esses carros? - perguntou ele enquanto seguia Georgie pela entrada coberta de neve até as imponentes portas da frente de aço escovado e dois metros e meio de altura.
Georgie mordeu o lábio inferior cor de sangue, ansiosa. Ela nem mesmo parecia perceber que as sandálias de cetim já estavam totalmente arruinadas. - Acho que alguém sabia que estávamos vindo. – As imensas portas se abriram com apenas um toque. - A mamãe não gosta de fechaduras - explicou Georgie. - Ela prefere que os amigos se sintam bem-vindos, mesmo que não esteja em casa. - Ela não está aqui? - Nate achava, quando Georgie falou com ele da viagem pela primeira vez, que eles iam ficar com a mãe de Georgie, que eles a ajudariam a fazer o jantar e depois veriam filmes juntos até que a mãe dela dormisse no sofá e eles pudessem escapulir escada acima para transar.
Agora estavam dentro do imenso vestíbulo da casa. a piso era de lajotas vermelhas. Grandes vigas de madeira exposta cruzavam o teto. O vestíbulo se abria para uma imensa sala de estar um nível abaixo com toda uma parede feita de vidro dando para as montanhas. Ao lado da sala havia um deque de madeira, onde o vapor de um ofurô subia no ar, mascarando um pouco as sete cabeças de pessoas sentadas nela. - Ah, o ofurô está ligado! - guinchou Georgie, tirando as sandálias. - o último a entrar vai trazer as bebidas!
Nate deixou que ela corresse na frente enquanto olhava a enorme escada de tábua corrida para o segundo andar. Roupas estavam espalhadas pela escada e junto do peitoril da janela no patamar acima havia craniozinhos de lince.
Ele atravessou a sala de estar, a luz do sol entrando pela parede de vidro e inundando seu rosto. Na frente da grande lareira de pedra, um tapete de urso-pardo. A gente devia se agarrar naquele tapete agora mesmo, pensou ele amargamente, mas em vez disso tinha de seguir e falar com um bando de estranhos no ofurô da mãe de Georgie. Havia sete deles, o que meio que explicava os sete carros, embora, se eles estavam a vontade o bastante para se sentar, num ofurô juntos, então não podiam ter dividido um SUV?
Georgie já estava no ofurô, enfiada entre um louro sorridente e Chuck Bass. E todos estavam nus. - Georgina me disse que tinha alguém especial - disse Chuck, olhando de lado para Nate. O peito dele era coberto de um grosso pelo escuro. - Mas ela não me contou que era o infame Nathaniel Archibald!
Nate se sentou no banco de madeira que contornava a grade do deque. Não estava com vontade de se molhar nem de ficar pelado, não diante de todos aqueles homens. - E essa é a equipe olímpica de snowboarding da Holanda! - disse Georgie, agitando o braço branco como a neve para os sete louros recostados preguiçosamente na água quente.
- Chuck me apresentou no half-pipe pouco antes dos teleféricos fecharem. - Esse é Jan, Franz, Josef, Conrad, Sneezy, Dopey e Gan! Não são uma delícia? - perguntou Chuck, escorregando na banheira até que só o nariz e os olhos ficassem de fora da água. Depois ele subiu novamente. - E eu sou a Branca de Neve! - Não, eu sou a Branca de Neve - insistiu Georgie. - É um prazer conhecê-los - disse Nate, mal escondendo a irritação. Se Georgie já estava nua no ofurô com a equipe olímpica de snowboarding da Holanda, então onde ele ficaria? Alguns deles podiam ser gays, uma vez que saíam com Chuck, mas não era possível que todos fossem.
- Ei! - gritou Georgie, jogando água na cara de Chuck. - Pára de beliscar meus peitos! - Ela sorriu docemente para Nate. - A mãe do Chuck é prima da minha mãe. Ou coisa assim - explicou ela. - Nós perdemos a virgindade juntos na oitava série. Nate enfiou as mãos no bolso do casaco. Não havia muito a dizer a respeito disso, mas fez com que ele percebesse o pouco que sabia sobre Georgie. Ela definitivamente era cheia de surpresas, e na maior parte do tempo as surpresas não eram boas. De repente Georgie saiu da água e disparou para dentro da casa. - Vou pegar champanha pra gente! E, se você não estiver aqui quando eu voltar, vou te enfiar ali dentro!
Mas Nate não tinha a intenção de entrar. Em vez disso, ficou de pé e a seguiu até a cozinha. Georgie revirava caixas de champanha na entrada da copa. A bunda nua e branca se encovava dos lados porque ela era magra demais, mas tirando isso ela era perfeita.
- Vou subir para desfazer minha mala - anunciou Nate, dando a Georgie a oportunidade de acompanhá-lo para que eles tirassem as roupas dele, em particular. - Fique à vontade - respondeu Georgie, passando correndo por ele com uma garrafa de champanha debaixo de cada braço.
No segundo andar, Nate descobriu que suas roupas já tinha sido dobradas e guardadas no armário de cedro em um dos quartos de hóspedes. Então, em vez de desfazer as malas, ele deu uma busca rápida nos banheiros para se livrar de todos os frascos de comprimidos e qualquer outra coisa que Georgie pudesse ingerir para se divertir. Se a mãe dela realmente não estava em casa, era responsabilidade dele se certificar de que ela não bebesse um vidro de Nyquil e incendiasse a casa ou coisa assim. Depois que terminou de deixar os banheiros à prova de Georgie, Nate definitivamente tinha de ligar para Serena e Blair no hotel. Porque, se ele e Georgie não iam ter uma semana romântica juntos, esquiando e transando, e se ela ia ficar doidona o tempo todo, ele tinha de conseguir alguma companhia.
E quem melhor para ajudar a se distrair da namorada hiperativa, insana e viciada em drogas do que a über-garota que ele sempre desejou e a ex-namorada perversa-mas-ainda- linda?
b passa a se interessar por esqui
Depois de finalmente chegar ao Sun Valley Lodge, Blair se deitou na cama do quarto, olhando para as arvores de galhos nus e a neve do lado de fora, perguntando-se se não devia ter ido ao Havaí, afinal de contas. Pelo menos ela podia ter pegado um bronzeado. - Toc-toc! - gritou Serena na porta para o quarto ao lado. - Arrumadeira! Ela guinchava excitada enquanto o irmão há muito sumido abria a porta e eles se abraçavam. Erik estava todo suado da sauna, mas ainda era seu retardado mais velho e adorável. O ursinho de Serena.
- Peraí. Vou me trocar - Blair ouviu-o dizer.
- A Blair não liga para o que você está vestindo – respondeu Serena. - Entre e diga um oi. - Depois Blair ouviu o som de pés descalços pisando no carpete. - Oi.
Ela se apoiou nos cotovelos e piscou. Erik estava nu, exceto por uma toalha branca enrolada na cintura. O cabelo louro estava molhado e caía pela nuca. Havia uma pequena cicatriz no queixo, de quando ele tinha caído no playground aos nove anos. Além dessas coisas, ele não tinha falhas.
Blair já havia se apaixonado por ele depois de ler seu diário e dormido com a camisa dele. Ela nunca imaginou o efeito que teria ver Erik pessoalmente. Os enormes olhos azuis dele! A boca triste e sensual! O peito perfeito! Até os pés dele eram perfeitos. De repente ela entrou em movimento, sentando-se, cruzando as pernas e agitando o cabelo, parecendo calculadamente entediada.
- Oi. - Ela esticou os braços para cima e arqueou as costas. - E aí, já esquiou? - perguntou ela com um bocejo.
Erik riu. Estava acostumado com o efeito que causava nas garotas e era meio bonitinho ver a amiga da irmã mais nova toda crescida e empinando o peito para ele. Na verdade, ele não via Blair desde que Serena foi para o internato e ele para a faculdade, dois anos antes. Ela sempre foi bonita, mas, com o cabelo curtinho, o corpo pequeno e bem proporcionado e o queixo aristocrático apontando para cima, ela se transformou numa verdadeira gata.
- A neve está maravilhosa agora, e nevou, tipo assim, à noite, e faz 15 graus ao sol durante o dia; então você pode, tipo assim, esquiar de short. Algumas garotas até esquiam com o sutiã do biquíni. E este lugar é serio com a manutenção também. Blair assentiu, fingindo estar fascinada. Ela esquiou a vida toda, mas gostava de pegar leve e não ter de se constranger por escorregar. Ela trouxe o biquíni preferido Eres para o ofurô, mas, pelo que Erik disse a ela, podia até usar nas pistas! Serena a alertara de que ele era um esquiador super-rápido nas rampas. Mas talvez, se ela pedisse com jeitinho, ele pensasse em dar um tempo das rampas. Eles formam um casal perfeito, ela de biquíni e ele de short de surfe, descendo graciosamente a montanha para a inveja de todos. - Acha que pode me levar amanhã? - perguntou ela. - Só esquiei aqui uma vez. Erik sorriu.
- Claro.
O quarto do hotel era grande e antiquado, com cortinas de belbutina bege, cômodas e mesas-de-cabeceira de carvalho e um closet. Mas também tinha amenidades modernas:
CD e DVD player, acesso à Internet e um frigobar, que Serena já descobrira. Sentada no chão na frente da geladeira aberta, ela enfiou uma trufa Godiva de cortesia na boca e tomou um gole de champanha. Será que Blair estava paquerando Erik? E Erik realmente estava correspondendo? Que esquisito.
- Não liguem para mim - murmurou ela enquanto tomava outro gole da minigarrafa de Veuve Clicquot. - Olha, a luz está piscando no telefone. Temos recado! - Ela voou para o telefone da cama e pegou o fone, seguindo as instruções para recuperar o voice-mail.
"Oi, é o Nate. Espero que vocês estejam bem. Querem se encontrar comigo amanhã de manhã, lá pelas dez e meia, para esquiar? Me avisem se vocês forem. Hmmm, não sei qual é o número daqui. É um lugar meio maluco, na verdade. Mas ligue para o meu celular. Tá legal. A gente se vê."
Serena achou que Nate parecia sem fôlego - e estranhamente nervoso também -, mas talvez fosse só porque ele não estava mais chapado e ela não estava acostumada com a voz normal dele. Serena ergueu o fone e olhou para Blair e Erik. Ele estava apontando a janela e explicando alguma coisa a Blair sobre o desenho da montanha e quais pistas o sol atingia de manhã e à tarde. Como se Blair ligasse para isso. Serena discou para o celular de Nate e deixou um recado. "Estaremos lá amanhã, total", disse ela. "Mas estou enferrujada, e vamos ter de parar para um chocolate quente e cigarros a cada volta, mas, se quiser se chatear, pode aparecer. Estou doida pra conhecer a Georgie. Te vejo na base do River Run às dez e meia. Tchau, Natie." Ela desligou, colocou outro chocolate na boca e rastejou pelo chão, rosnando antes de abrir a boca e morder as costas da perna de Erik.
- Ai! - gritou ele.
Serena se sentou.
- Será que a gente pode fazer alguma coisa? – perguntou ela. - Ou vocês estão ocupados demais conversando neste quarto de hotel chato para, tipo assim, sair? Blair olhou a amiga em baixo de seu poleiro na cama e mal conseguiu resistir a chutar-lhe a cabeça. Será que Serena não podia dar o fora e deixar os dois conversarem? Serena se levantou e pegou a bolsa de cosméticos na mala aberta que estava em sua cama.
- Vou tomar um banho - anunciou ela. - E, se vocês já estão prontos para se juntar a mim num coquetel, legal. Se não, vou encontrar alguém bacana e interessante para ficar comigo, e vocês podem simplesmente ficar sentados aqui vendo o boletim meteorológico e tirando meleca do nariz. – Ela sabia que isso era meio de pirralha, mas também era muito delicado da parte dela dar um tempo para Erik e Blair, tipo assim, rolarem na cama enquanto ela estava no banho, se era o que eles queriam.
Blair revirou os olhos. Serena estava com ciúme porque de repente Erik queria conversar com ela mais do que com a irmã mais nova. E Blair não estava disposta a desperdiçar uma oportunidade dessas. Erik e Serena podiam se ver a qualquer hora. - É melhor eu me vestir - disse Erik, segurando a toalha. - Provavelmente vocês tem de guardar as roupas ou coisa assim.
Blair foi até a mala e a abriu. Pegou o biquíni e algumas calcinhas de renda, espalhando-as em cima da cama, bem à vista.
- Não trouxe muita coisa. Na verdade, preciso alugar esquis e as coisas de esquiar na loja lá de baixo. - Ah, é? - Erik se interrompeu na porta. - Posso te ajudar com isso. Diga a minha irmã que encontro vocês daqui a meia hora no saguão. A gente pode comer alguma coisa depois.
- E os seus pais? - perguntou Blair, lembrando-se de que era convidada para as férias e, embora só o que quisesse fazer era ficar no quarto com Erik, pedir comida, ver filmes românticos em preto-e-branco e rasgar as roupas um do outro, ela não tinha esquecido das boas maneiras. - Não temos de jantar com eles?
- Não. Eles tem toneladas de amigos aqui. Sempre fazem o que querem. Tenho certeza de que todos terão, tipo assim, um jantar com a gente, ou talvez um brunch. Mas basicamente estamos por nossa conta. - Os olhos dele encontraram os de Blair numa compreensão mútua de como isso parecia bom.
- Vai ser bem divertido - disse ela.
- É, vai mesmo - concordou Erik antes de se enfiar no quarto dele. Bem, pelo menos deve distrair!
seria uma arma ou só um bagel com cream cheese?
- Mal amanheceu no domingo e só está 16 graus – reclamou Elise. - Qual é a da vigilância?
- Shhhh - sussurrou Jenny. - Lá vem ele. - Ela pegou a manga do casaco de Elise e a arrastou para dentro da lavanderia da Lexington Avenue. Por acaso, estavam paradas na frente.
- E agora, o que estamos fazendo? - resmungou Elise. Jenny pôs o dedo na boca e se agachou atrás de um saco gigante de roupa. Estava usando óculos escuros só para a ocasião e mal conseguia ver alguma coisa na loja sombria. - Shhhh.
- Posso ajudar? - perguntou o homem por trás do balcão. As duas meninas ficaram imóveis enquanto Leo passava rapidamente pela vitrine da loja. O cabelo louro-claro estava enfiado por dentro de um gorro preto e ele usava jaqueta de couro marrom despedaçado com gola de pele de carneiro que era cara demais ou muito velha. Nas mãos, um café grande num copo de papel branco e um saco de papel branco com alguma coisa dentro.
Arrá! Seria uma arma?, perguntou-se Jenny. A mão de alguém? Um simples bagel com cream cheese?
- Vamos! - Jenny se colocou de pe num salto e arrastou Elise para fora da loja de novo, seguindo Leo pela rua 70 até a Park Avenue.
Leo nunca convidou Jenny para ir à casa dele nem disse a ela onde morava. E quando ela o convidou para sair hoje, ele disse que não podia, como acontecia metade das vezes em que ela pedia. Leo era tão esquivo que Jenny não conseguiu resistir a espioná-lo. Ele ia sempre a uma cafeteria na esquina da 70 com a Lex e provavelmente morava em algum lugar par ali. Então, naquela manhã, Jenny arrastou Elise da cama às sete da manha para esperar do outro lado da rua até que ele aparecesse na cafeteria. - Ei, olha. - Elise apontou na Park Avenue para um prédio suntuoso com porteiro e um toldo verde e dourado. - Ele entrou! - Ela agia como se toda a coisa de espionar Leo fosse totalmente idiota, mas agora estava entrando numa. - É ali que ele mora? - Não sei - respondeu Jenny num sussurro. Elas continuaram andando pela quadra até que chegaram a um lugar ensolarado. Jenny se encostou no prédio, esperando que Leo saísse novamente.
- Você vai ficar aqui? - Elise pegou um pacote de chiclete Orbit no bolso e ofereceu um a Jenny.
- O que há de errado nisso? -Jenny abriu a embalagem do chiclete e mordeu metade, embrulhando a outra metade para depois.
- Bem, e se ele só se sentar ali e ficar vendo TV por três horas? A gente vai morrer aqui fora - reclamou Elise.
Jenny mascou o chiclete e enfiou as mãos nos bolsos da parca preta. Ela fechou os olhos e deixou que o sol do fim de março banhasse seu rosto.
- Está mais quente no sol. E depois, o que mais temos para fazer? Estamos de férias. Não temos nem dever de casa.
Elise não podia discutir. Era totalmente um porre ser uma das únicas alunas da turma que não foi esquiar nem foi a nenhum resort de praia nas férias. Pelo menos Jenny estava mantendo as duas ocupadas. Ela viu a cabeça loura de Leo sair do prédio, sem gorro, sem o café e o saco de papel branco.
- Ei - sussurrou ela, cutucando o braço de Jenny. As meninas apertaram o corpo na lateral do prédio e encolheram o pescoço, na esperança de ele não as ver. Desta vez Leo estava levando um mastim branco gigante numa trela de couro vermelho. O cachorro usava uma daquelas combinações de coleira e casaco Burberry de trezentos dólares que só os cachorros dos podres de ricas usavam, e umas botinhas de coura rosa.
Ah, meu Deus.
Jenny não sabia bem o que fazer com isso. Era completamente constrangedor para Leo, mas também era completamente intrigante. Ele nunca disse a ela que tinha cachorro! Ela puxou a manga de Elise de novo.
- Vamos.
Elas seguiram a distância enquanto Leo passeava lentamente com o cachorro pelo quarteirão. Ele era paciente, deixando que o cão farejasse hidrantes e meios-fios onde outros cães tinham urinado. Depois o cachorro arriou o traseiro e fez um coco enorme, e Leo zelosamente se agachou e o recolheu com um saquinho de plástico rosa que tirou de uma espécie de bolsinha presa a trela, deixando na lata de lixo da esquina da 69 com a Madison. Depois disso, ele andou com o cão em volta do quarteirão para a Park Avenue e entrou no prédio novamente.
Jenny se encostou no mesmo local ensolarado, totalmente desnorteada com o que tinha visto.
Elise ficou atrás dela, mascando ruidosamente.
- Olha, não sei se é verdade ou não, mas sabe aquele site que eu vou sempre? - perguntou ela.
- Sei.
- Bem, falava de uma festa elegante que todas as garotas ricas da escola foram na terça à noite. E falava num cara que estava na festa que parecia exatamente Leo. Então talvez ele seja tipo zilionário e tímido demais para contar a você.
Jenny estremeceu. Ou talvez ele tenha vergonha demais de mim para me levar em casa para conhecer os pais dele, pensou ela miseravelmente. Ainda assim ela não estava convencida. Leo não agia como um rico esnobe e freqüentava uma escola meio alternativa. Se ele era zilionário, provavelmente iria para a St. Jude ou para um internato em New Hampshire, ou coisa assim.
- Se ele é tão rico, o que está fazendo comprando café numa deli e passeando com o cachorro? - perguntou ela. E depois, por que o cachorro dele usa uma coleira que custa mais que uma peça de roupa que ela possui? Meu Deus, Leo estava ficando cada vez mais misterioso!
- Talvez ele seja um espião disfarçado de aluno do ensino médio para penetrar em algum círculo de drogas na escola - sugeriu Elise.
_ E ele tem de vestir o cachorro de botas cor-de-rosa como parte do disfarce? - disse Jenny, os olhos na entrada do prédio. - Não acho.
Elise deu uns pulinhos para manter a circulação do corpo. - ,Bem, vai ver são botas de cachorro especiais tipo James Bond, tipo assim, com uns torpedos nelas. - Ah, é. - Jenny riu. Ela meio que gostava da idéia de Leo ser um espião. - E ele é faixa-preta em caratê e é fluente em, tipo assim, 23 línguas.
Elise se curvou e amarrou novamente os sapatos. Estava ficando seriamente cheia de tudo aquilo.
- O cachorro?
- Não, idiota! - exclamou Jenny, ainda observando a porta. -Leo. - Quem sabe? - Elise deu um bocejo. Ela realmente precisava voltar para a cama, mas também esperava secretamente que ela e Jenny fossem para a casa de Jenny para que ela pudesse ver Dan de novo. Ele era tão estranho, de uma forma bonitinha. - E o que a gente faz agora?
Jenny pegou a outra metade do chiclete no bolso. Cuspiu a metade sem gosto no papel da embalagem e colocou a metade nova na boca. Embora odiasse admitir, ela estava adorando espionar Leo.
- Vamos esperar.
Bem, pelo menos elas estavam ocupadas.
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oi, gente!
MENINOS E MENINAS AGEM DE FORMA DIFERENTE
Já perceberam que quando os meninos estão estressados só o que querem fazer é passar horas jogando videogame sozinhos ou ir para o parque e bater bola com outros meninos? Quando nós ficamos estressadas, somos produtivas. Arrumamos os armários, compramos a bolsa nova perfeita, fazemos as unhas, depilamos as sobrancelhas e limpamos nossos dentes. Sentar é a última coisa que queremos fazer, e o que mais queremos fazer e ficar com pessoas do sexo oposto. As meninas - até nossas amigas mais íntimas – são tão competitivas e só nos torna ainda mais fantásticas, enquanto os meninos providenciam uma distração relaxante. Mas como isso funciona quando todos os meninos estão ocupados jogando bola? Temos duas opções. Ou tiramos metade da roupa e criamos uma distração que seja um pouco mais tentadora do que uma bola redonda quicando. Ou podemos tentar não ficar competitivas demais e nos divertimos um pouco com as amigas. Vamos encarar a realidade, depois que você beija aquele cara especial, só o que realmente quer e ligar para as amigas, de qualquer forma.
Seu e-mail
P: Cara GG,
Só tenho 13 anos, e quando você fala de coisas como a faculdade, ainda parece muito longe para mim. Mas não para os meus pais. Eles só falam disso. Tipo assim, eles estão me levando para ver universidades nas ferias de primavera, e me matricularam num curso preparatório para os testes de aptidão escolar que vão começar em abril. O que posso dizer a eles para que larguem do meu pé?
- hadenuf
R: Oi, hadenuf,
Acho que todo mundo pode se identificar com isso. Como se já não tivéssemos pressão suficiente? E sei que vai parecer uma maluquice, mas eu recomendo um pouco de psicologia reversa - sempre funcionou comigo. Torne-se a Srta. Estou-doida-para-entrar-na-faculdade! Compre todos os guias de estudante, encha as paredes do seu quarto com pôsteres de universidade, peça camisetas de universidade pela Internet, compre um CD-ROM preparatório para os testes de aptidão e use como protetor de tela. Pare de ver TV. E, se eles não ficarem preocupados e te deixarem em paz, experimente namorar um cara que esteja na faculdade. Isso deve funcionar. Boa sorte! -GG
P: Cara gossipgurl,
Sou colega em Smale daquele cara que a J esta namorando. É engraçado, ninguém realmente conhece o cara muito bem. Ele sai logo depois que a sineta toca e ninguém mais o vê. É como se ele fosse um fantasma ou coisa assim. - celine
R: Cara celine,
Ele ser um fantasma explica tudo. Afinal, os fantasmas podem sumir rapidamente e sacar todo tipo de truques malucos. Mas um fantasma se incomodaria mesmo com a escola? Aliás, eu adoro seu nome - se é o verdadeiro.
-GG
Flagra
D comprando um novo terno preto de veludo cotelê na ponta-de-estoque da APC, tentando parecer francês e artístico para o novo emprego. V experimentando calça cáqui na Gap com o novo namorado narigudo. Desde quando ela usa cáqui? J espiando pela Park Avenue, usando binóculo e um chapéu engraçado de velho. Será que ela ficou doida? B em Sun Valley experimentando biquínis e comprando camisinha. Peraí, achei que ela devia estar esquiando. E alguém disse camisinha? N dirigindo um SUV Mercedes cheio de louros bêbados, indo a um restaurante mexicano bagunçado, também em Sun Valley. Não é um saco ser nomeado motorista? E onde estava a namorada dele - já desmaiada? Que ótimo. Parece que todo mundo esta se comportando da pior forma, como sempre. Lembrem-se de me manter informada. Esta página trata de vocês (quando não trata de mim).
Para você que me ama,
gossip girl
d entra no faça o que eu digo, garoto
Os bolsos do terno novo de Dan ainda estavam costurados e o cabelo molhado estava duro de congelado na testa.
- Olá? - gritou ele rouco no interfone na calçada dos escritórios da Red Letter na rua 11, no West Village. O cigarro que estava fumando no caminho do metro queimara rapidamente, atingindo os dedos. Ele o atirou na calçada, esperando que alguém da Red Letter não estivesse vendo com desaprovação de uma janela. - Sou Daniel Humphrey. O novo estagiário.
A porta pesadamente gradeada zumbiu e Dan a abriu. Enxugou as mãos suadas na calça enquanto subia a escada. Já podia ver o brilho das luzes do escritório, ouvir o tap, tap, tap de teclados de computador, o zunido de máquinas de fax, fotocopiadoras, impressoras e o murmúrio estável de vozes falando ao telefone. Ele chegou ao último degrau e olhou o escritório aberto, cheio de cabeças estranhas curvadas sobre mesas, falando ao telefone e parecendo ocupados, ocupados, ocupados. Dividindo as paredes brancas havia uma linha vermelha horizontal, fazendo com que a grande sala parecesse embrulhada em fita vermelha. Quando ele tentou ler, contudo, pode ver que a linha era feita de milhares de palavrinhas pintadas em vermelho. Ele se perguntou o que diziam, mas para chegar perto o bastante ele teria de se curvar em cima de uma mesa, e ele não queria ser rude. Dan esperou que alguém o recebesse e lhe mostrasse o lugar - alguém devia tê-lo atendido à porta, afinal -, mas ninguém parecia se dar conta da presença dele. Mesmo no novo terno elegante?
Ele passou de um pé a outro e pigarreou alto. Nada.
- Hmmm - falou para o homem sentado mais perto dele. O homem tinha cabelo escuro penteado para trás com gel e usava uma camisa branca enfiada numa calça preta elegantemente pregueada que provavelmente era Armam, Gucci ou coisa parecida. Havia quatro minigarrafas fechadas de água mineral San Pellegrino alinhadas na mesa diante dele. –Vim ver Siegfried Castle - disse Dan.
O homem olhou para cima e semicerrou os olhos.
- Pourquoi?
Dan franziu a testa. O cara não podia simplesmente falar inglês? - Porque sou o novo estagiário dele?
O homem se levantou. - E eu zou zeu novo jeve. - Ele ergueu a mão, a palma para cima. - Ziegfried Castle. Me jame de Zig... não, na verrdade, ajo que vozê deve me jamarrr de zenhor. Dan não tinha certeza de como lidar com a cena da palma para cima. Ousadamente, pôs a mão em cima da de Siegfried Castle e a virou, apertando a mão dele como faria uma pessoa normal.
Siegfried Castle sorriu e tirou a mão.
- Vozê é poeta, não?
Dan assentiu, os olhos varrendo nervosamente as outras pessoas no escritório. Agora todas estavam olhando para ele, examinando-o friamente. Ele percebeu que os outros também tinham aquelas garrafinhas de San Pellegrino na mesa. E se vestiam de preto e branco, como o Sr. Castle. Dan se sentiu uma aberração com a camisa azul-clara e o terno cinza.
- Sim. Um poema meu foi publicado na edição de Dia dos Namorados da New Yorker no mês passado. Talvez tenha visto? Chama-se "Putas".
Siegfried Castle não pareceu ouvi-lo e Dan se perguntou se havia algum tipo de rivalidade entre a Red Letter e a New Yorker.Talvez ele tenha cometido uma gafe horrorosa falando na concorrente.
- Agorra, vou mostrrar a vozê minha caija de zaída. Minha caija de entrrada. Meus arrrquivos. Mostrrar a pilha de baboseirra. Mostrrar a fotocopiadora. O televone. O fax. Vozê zenta aqui. Vou pedir coisas a vozê. Comemos à uma e meia na zala de reunião. Vozê vai pedir zua comida. – Ele ficou apontando para o escritório e Dan percebeu que o Sr. Castle não ia mostrar nada a ele, nem apresenta-lo a ninguém. A turnê tinha acabado. O telefone tocou e Siegfried Castle sentou-se novamente e apontou para ele com um dedo perfeitamente manicurado. Dan pegou o fone.
- Alô? -Ele estremeceu, percebendo que devia ter dito alguma coisa mais profissional. - Posso ajudá-lo?
Quem é você, porra? - disse a voz do outro lado com um sotaque britânico. - Me passa pro Ziegster, já.
Ele passou o fone para o Sr. Castle, que, ele percebeu, tinha uns cabelos grisalhos e provavelmente era mais velho do que aparentava.
- Acho que é para o senhor.
Dan se sentou no que presumivelmente era sua cadeira no canto, de frente para a parede. Não havia nada na mesa. Nem computador, nem telefone. Nem mesmo San Pellegrino. Ele se perguntou se devia andar por ali e se apresentar aos outros no escritório, mas não queria realmente incomodá-los enquanto estavam trabalhando. Estreitou os olhos para a linha vermelha de palavras que corria pela parede, mas quanto mais olhava, mais ela parecia dançar e borrar. Ele olhou de lado para a caixa de saída do Sr. Castle. Tinha uma carta nela.
- Gostaria que colocasse no correio para o senhor? - perguntou ele. Siegfried colocou um cigarro na boca e abriu o Zippo de prata. Depois atirou o cigarro apagado na lixeira embaixo da mesa.
- Vai em frrente - disse ele cheio de rancor, como se mal pudesse esperar para se livrar de Dan. - E também prreziso de caviar. - Ele pegou urna nota de cem dólares no bolso. - Gourmet Garrage na Zétima Avenida. Beluga não. Querro o prreto na lata azul. Como se alguém soubesse do que ele estava falando.
Dan pegou o dinheiro e a carta e saiu. O envelope não estava selado e ele não tinha idéia de onde era o correio, mas certamente havia um por perto, e ele podia fumar um cigarro enquanto estivesse procurando.
Dez quadras depois ele ainda não tinha achado urna agencia dos correios, mas tinha fumado quatro cigarros em um píer que dava para o rio Hudson. Preciso voltar, disse a si mesmo e atirou o cigarro na água. Mas como podia voltar com o envelope na mão, parecendo um dopado porque não conseguiu encontrar um lugar onde comprar selo?
Ele se inclinou na grade e, antes que pudesse parar e pensar no que estava fazendo, atirou o envelope no turbilhão de água marrom. O envelope flutuou por um minuto, ficou bege, pareceu molhado, e depois afundou.
Epa!
Dan se virou rapidamente e se apressou pelo píer e a rua 11. Talvez, quando chegasse em casa a noite, procurasse na Internet e localizasse o correio mais perto da sede da Red Letter. Que importância podia ter aquela carta, afinal? Ele enfiou a mão no bolso, sentiu a aspereza da nota de cem dólares e se lembrou do caviar.
- Porra.
Dentro da Gourmet Garage havia pilhas de caviar preto e uns oito tipos diferentes de rótulo azul. Dan pegou o mais caro e foi para a caixa registradora. - Dan?
Ele se virou. Era Elise, amiga de Jenny. Estava levando uma baguete que tinha uns noventa centímetros de comprimento, e tinha farinha de trigo na cara. Estava meio bonitinha, na verdade, a não ser que Dan de repente percebesse que ela era muito mais alta do que ele, tipo uns trinta centímetros.
- O que está fazendo aqui? A Jenny disse que você ia começar no emprego novo hoje. Dan apontou para a latinha de caviar que percorria a esteira em direção à caixa registradora. Como uma coisa tão pequena podia custar 75 dólares? - Meu chefe me mandou comprar umas coisas.
Elise observou enquanto ele pagava pelo caviar com a nota de cem e depois enfiava o troco no bolso do sobretudo APC.
- Caraca - sussurrou ela, impressionada. - Bem, de qualquer forma, eu só ia dar uma passada no seu trabalho pra te levar uns biscoitos. Eu estava entediada, e pensei que talvez você gostasse de uma festinha no primeiro dia. - Ela sorriu timidamente enquanto pagava pela baguete. - Eu sempre escrevo melhor quando tenho alguma coisa boa para mastigar.
Dan não tinha muita certeza do que fazer com isso.
- Tenho de voltar - disse ele a Elise e abriu a porta para a rua. - Tudo bem. - Ela andou com ele ate a esquina com a baguete enfiada debaixo do braço. Havia farinha de trigo em todo o casaco de lã de Elise. - Preciso de um táxi. Eu estava comprando um pão pra minha mãe. Nossa família praticamente vive de Coca-Cola e pão francês. Meu pai chama de Dieta dos Wells.
Dan sorriu. A dieta funcionava. Elise era bem magra. Ele semicerrou os olhos para ela no sol frio do meio-dia. Ela havia comprado biscoitos para ele. Elise tinha sardas bonitinhas e era desengonçada e alta, e tinha uma baguete debaixo do braço. Parada ali, com o casaco preto e a malha de balé preta, ela parecia extremamente francesa e poética. Ele definitivamente podia escrever um poema sobre ela.
Elise acenou a baguete para um táxi, que passava.
- Ei! - O táxi parou e ela se virou para se despedir. – Jenny e eu podemos ver uns filmes ou coisa assim mais tarde. Talvez eu te veja na sua casa? Dan deu um passo na direção dela.
- Tem farinha no seu rosto. - Ele limpou com o polegar e depois beijou o lugar. - Aqui. Os cantos da boca de Elise se viraram para cima numa tentativa de sorriso. - Obrigada. - O taxista buzinou. Ela apertou mais a baguete debaixo do braço. - Deixei os biscoitos na sua mesa. Acho que são bons. Tá legal, a gente se vê - acrescentou ela antes de pular para o banco traseiro do táxi.
Petite mignonette, começou Dan a escrever na cabeça enquanto voltava a pé para o escritório. Doce coquete. Ele nem tinha certeza se aquelas eram mesmo palavras francesas, mas ela parecia uma francesinha namoradeira que levava pão debaixo do braço e comprava biscoitos para você. O tipo para quem você escreve canções e poemas e beija no rosto. Elise só tinha 14 anos, afinal. Não era Mystery Craze, mas obviamente o adorava, e pelo menos estava presente. Ele acendeu outro cigarro e voltou ao escritório num passo relaxado. Até que esse negócio de trabalhar não era tão ruim.
Desde que ele ficasse fora do trabalho.
v ajuda os pais a encontrar a arte
- Olha, pai, um trenó velho - gritou Vanessa. Ela cometeu o erro de mencionar quanta coisa velha as pessoas de Nova York largavam na calçada - na verdade ela encontrou um par de patins antigos perfeitamente bons desse jeito - e agora estava patrulhando as ruas de Williamsburg, ajudando-os a encontrar tesouros para a arte fundamental. Arlo sacudiu o trenó de plástico vermelho e o pegou. Estava rachado no meio e coberto de etiquetas fofas de tartarugas. A base estava manchada e descolorida dos dias de xixi de cachorro que tinha suportado.
- Deve feder - alertou Vanessa.
Arlo deu de ombros e o largou no carrinho de metal preto de Ruby. Já tinham achado um aquário de plástico azul, um chapéu de chef de cozinha branco e um cinzeiro feito de tachas.
- Precisamos mesmo e de alguma coisa grande – disse Gabriela enquanto eles prosseguiam. -Alguma coisa profunda.
Vanessa os seguia de ma vontade, perguntando-se o que sua mãe queria dizer. Outro cavalo? Um ralador de queijo gigante? Ela chutou uma caixa de suco vazia e amassada e se sentou num banco enquanto a mãe e o pai conversavam com o dono de uma pick-up antiga estacionada que parecia um barraco de pescador no meio de um bloco de armazéns. Depois a mãe dela se sentou ao lado dela.
- Arlo achou um espírito irmão - assinalou ela, sorrindo para o marido de longe. - Acho que ele vai ficar um tempinho ali.
Hoje Arlo estava usando o poncho de lã sobre a bermuda e os tênis sem meias. Os joelhos eram branco-azulados e nodosos, e as canelas tinham hematomas de bater na forja em Vermont, fazendo moveis de carcaças de carrinhos de mão ou chifres de alce. Vanessa se surpreendeu que o pai tivesse encontrado alguém que pudesse olhar para ele como a mãe fazia. E vem falar de espíritos irmãos!
- E então, o que aconteceu com aquele seu namoradinho desgrenhado maravilhoso? - perguntou Gabriela. Ela pegou um elástico da ponta da trança grisalha e penteou o cabelo com os dedos manchados de tinta.
Vanessa sorriu. Parte do motivo para ela manter a cabeça raspada era que o cabelo da mãe era obsceno para ela.
- Quer dizer o Dan?
Gabriela estendeu a mão e começou a massagear a nuca de Vanessa,que tremeu - ela odiava ser tocada sem convite -, mas sua mãe não percebeu o desconforto. - Eu sempre achei que vocês dois acabariam se casando ou coisa assim. Vocês me lembram Arlo e eu.
Vanessa abraçou os joelhos, suportando a massagem.
- O Dan entrou para a polícia - disse ela, sabendo o quanto os pais se ressentiam da polícia.
- Não brinca. - Gabriela largou o pescoço de Vanessa. Ela dividiu o cabelo grisalho em três mechas grossas e começou a trançar novamente. - Ele tinha tanto talento. Um olhar raro e afiado para a beleza. E era tão fiel.
Fiel? Talvez não.
- Rá! - enfureceu-se Vanessa. Dan não teria ido a parte alguma se ela não reconhecesse que o poema dele era bom e o mandasse para a New Yorker.- Na verdade o Dan não virou tira - admitiu ela. - Ele só deixou de ser legal. Tipo assim, tudo bem andar com todo ripo de gente se ele pode fazer um bom poema com isso.- Ela olhou para a mãe para ver se o comentário tinha sido registrado. - Ele é um babaca- acrescentou ela. - Os verdadeiros artistas sempre são acusados de babaquice - suspirou Gabriela. - Você não devia ser tão dura com ele. - Ela prendeu a ponta do rabo-de-cavalo com o elástico do molho de brócolis que Ruby tinha cozinhado na noite anterior. - Sabe quem são os verdadeiros babacas?
- Quem? - perguntou Vanessa, levantando-se. O pai estava vindo na direção delas com uma rede de pesca velha e fedorenta nas mãos, sorrindo ansiosamente, como se mal pudesse esperar para mostrar e contar tudo.
- Os Rosenfeld - respondeu a mãe. -Aquele comentário que a Pilar fez na outra noite, dizendo que nem recicla mais? Que tipo de gente não recicla? Hmmm, montes de nós.
- O Jordy é legal- aventurou-se Vanessa em voz baixa.
- Mas aqueles óculos que ele usa? Provavelmente custam o preço do nosso carro! Se quer saber minha opinião, ele devia gastar o dinheiro num nariz novo. Está vendo, até os anormais hippies amantes da paz não conseguem resistir a uma fofoquinha maldosa.
Vanessa bufou. Considerando o fato de que seus pais dirigiam uma wagon Subaru mais velha do que ela, os óculos de Jordy provavelmente custavam muito mais do que o carro deles. E se a mãe dela realmente detestava tanto os Rosenfeld, Vanessa estava doida para que a mãe descobrisse quem ela havia convidado para a apresentação de Ruby naquela noite.
Um certo rapaz de óculos caros e nariz comprido, quem sabe?
Um lapso de brilhantismo na mesa do estagiário!
Quando voltou ao escritório, Dan tocou a campainha de novo só para descobrir que o lugar estava completamente deserto. Ele pôs o troco do caviar na mesa de Siegfried Castle e passou pelas filas e filas de mesas em um pequeno corredor. No fim do corredor havia uma porta fechada. Dan pôde ouvir vozes do outro lado da porta. Ele bateu de leve. - Entrre - ordenou Siegfried Castle.
Dan abriu a porta. A equipe da Red Letter estava sentada em volta de uma mesa de reuniões, comendo biscoitos e bebendo San Pellegrino das garrafinhas verdes de que todos pareciam gostar tanto. Uma cópia impressa do novo livro de memórias de Mystery Craze em alemão estava no meio da mesa. A capa era branca com uma foto de um flamingo. Não a ave toda, só as pernas, com uma perna dobrada à altura do joelho. - Ajamos que ze vozê náo voltaze com o caviarrr, ainda podíamos comerrr zeus biscoitos - explicou Siegfried Castle. Ele assentiu para uma mulher baixinha de meia-idade sentada ao lado dele. - Ezta e Betzy. Ezte e Charles. Ezte e Thomas. Ezta é Rebecca. Bill, outrro Bill und Randolph - disse ele, continuando em volta da sala e apresentando a todos num ritmo ridiculamente rápido.
O nome do meio de Dan também era Randolph, e ele o desprezava. Ele assentiu e sorriu educadamente. Todos estavam vestidos como o Sr. Castle, com camisas brancas e calças pretas. Era como se fizessem parte de uma espécie de culto. - Desculpe por demorar tanto. É um estirão até os correios - mentiu ele. Normalmente ele não mentia nem jogava fora a correspondência das pessoas, mas alguma coisa no fato de ter um emprego o fazia querer ser rebelde. - De qualquer forma, aqui está. - Ele pôs a lata de caviar na mesa diante do Sr. Castle.
O famoso editor tirou o rótulo da lata e o colou na mesa. Depois atirou o caviar na lata de lixo ao lado da porta.
Como é que é?
Dan não sabia se devia se sentar ou não. Obviamente eles estavam numa espécie de reunião, e obviamente ele tinha comprado o caviar errado, então... - Diga-nos o que vozê aja de Mysterry Crraze. - O Sr. Castle interrompeu os pensamentos dele. - Todo mundo aqui aja que ela e uma espézie de prrofeta, até as mulherres! - Os homens em volta da mesa riram lascivamente.
- Ela é a deusa do sexo - gritou Randolph, mastigando os biscoitos. Dan ainda estava de pé, sufocando em seu casaco. Ele se sentou na cadeira vaga ao lado do Sr. Castle e olhou o prato vazio onde haviam estado os biscoitos de Elise. - Mystery e eu somos muito bons amigos - disse ele em voz baixa. - Ela é muito... realizada.
Os homens na sala riram alto novamente. De repente Dan teve a sensação de que não foi o único que dormira com Mystery.
- Ela é muito boa poeta também - assinalou Rebecca, que tinha orelhas pontudas, como de um elfo. - Nem acredito que ela nunca foi à escola.
- Uma órrrfã que nunca voi à ezcola, crriada por lobos, vai vazer qualquerrr coisa e escrrever depois. Náo zurprreende que ela já zeja vamosa - observou Siegfried Castle sonhadoramente. Ele rabiscou alguma coisa no bloco roxo na mesa.
Dan remexeu nos fios de costura dos bolsos de sua calça.Ele não tinha certeza do que tratava essa reunião. O que ele realmente precisava era de um cigarro e uma xícara de café, e escrever o poema sobre Elise antes que se esquecesse do que queria falar. Ele gesticulou para aversão alemã das memórias de Mystery. - Ainda não li o livro dela, mas tenho certeza de que é bom. Siegfried Castle pegou uma pilha de papeis no chão e os atirou pela mesa para Dan. - Tudo izo é lijo... náo aprroveitamos nada do que mandam parra cá. Mas querro ler, de qualquerrr vorma.
Dan olhou a pilha. Ele sempre achou que tudo na Red Letter vinha do que os escritores mandavam.
- Como faz, então?
Todos riram.