Eco da Voz Portuguesa por Terras de Santa Cruz

António Feliciano de Castilho · Capítulo 2 de 8

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Eco da Voz Portuguesa por Terras de Santa Cruz

*Ii*

dava!…

Portugal!…

De tanta glória passada, de tanta capacidade e inexgutaveis recursos que ainda tens, de tanto patriotismo, dedicação, grandeza

de alma, que ficará?

Nem mesmo um nome que tenha alguma significação.

E aos vindouros nada quererá dizer esta palavra, n'outras eras tão significativa—Portugal.—

 

*II*

Rainha dos Portuguezes!…

Rainha pelos Portuguezes!…

Que Has feito dessa herança de virtudes que Teu Pai Comprou

com a vida para

Ti?

Que Has feito da felicidade de Teu Povo a Ti confiada?

Que lhes Déste pelas suas esperanças?

Esse malfadado Povo não tinha mais que a Deos e a Ti.

Tu lhe Faltas: e Deos punirá nelle os teus peccados.

Rainha pelos Portuguezes!…

Juraram eles Comtigo o pacto de suas venturas: e a Ti, pelo que

de Ti deviam esperar, Te deram inviolabilidade: e ainda, blasfemos em suas palavras de amor por Ti, disseram que Eras—Sagrada.—

Elles obedeceram tanto; elles cumpriram tanto, e de mais, as

condições desse pacto firmado a sangue de suas honrosas feridas de batalha, que a fome, sómente a fome lhes poude arrancar um

brado supplicante, e afflicto… e não muito alto dado… não muito pungente… para não magoar Teu coração… porque Te julgavam

sua Mãi!…

A fome, sómente a fome lhes inspirou uma queixa humilde.

E Tu, Rainha pelos Portuguezes!…

Tu Atiraste ao Povo, que tinha fome, uma pedra com que os dentes lhe Quebraste, que elle esfaimado entre-abrira, julgando que

lhe Atiravas algum pedaço de pão, que sobejava de tua lauta mesa, que elle paga!

Rainha pelos Portuguezes!…

Como foi que Tu Cumpriste o pacto Assignado por Ti, com

lagrimas de saudade a teu Pai votadas, e por teu Povo com sangue derramado por Ti?…

Qual era a condição de Tua inviolabilidade? Cumpriste-a Tu?

Não És Tu mesma a confessar que Transgrediste a lei pela qual

Foste feita

Rainha?