Eco da Voz Portuguesa por Terras de Santa Cruz
*Vi*
Rainha! Rainha!
Esses soldados eram portuguezes!
Esses cadaveres eram de Portuguezes!
Esse tanto sangue, derramado por Ti, era sangue Portuguez!…
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Rainha! Rainha!
O Throno em que Te Assentas é feito de ossos Portuguezes….
O Teu manto de Rainha é vermelho por ser tincto com sangue Portuguez….
A Corôa que Tens na cabeça é a caveira de Teu Pai!….
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O sceptro…
Sómente o sceptro é Teu…. fabricado por Ti…. de ferro…. muito
pesado para Teu pulso debil….
*VII*
Rainha pelos Portuguezes!
Tu não Quizeste ficar inviolavel.
Não hade ser unicamente o ranjer dos ossos que formam o Teu
solio, o que te avisará de que mal sentada Estás, quando não Fazes justiça inteira.
Não será unicamente a cor vermelha de tua purpura que hade
manchar-Te a mão, quando a Affastares de sobre a cabeça daquelle que vem pedir-Te abrigo.
Não hade unicamente ser a caveira de Teu Pai, que apertando-Te
as fontes quando Te Esqueceres do que a Portugal Deves, Te poderá fazer insupportavel o peso dessa Corôa, não sustentada por
mão de amigo, mas encravada na Tua cabeça pelas patas do Leopardo e do Leão, e pelos esporões do gallo.
E, como antes que S. Pedro negasse o Divino Mestre, o Gallo
cantará tres vezes.—
Rainha de Portugal, porque Te Degradaste abrindo Tu mesma as portas do teu
Reino para ser invadido?
Rainha dos Portuguezes, porque os não Governaste conforme os seus recursos e as suas necessidades, para que a fome os não
matasse, e a paz lhes desse prosperidade?
Rainha pelos Portuguezes, porque não Quiseste firmar todo o Teu poder nesse amor dos Portuguezes, que por Ti abriram suas veias e
os seus cofres?
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Tu não Quiseste ficar inviolavel; mas os Teus subditos são Portuguezes, leaes, e cavalheiros; e Tu para elles ainda És sagrada!