Inteiramente Sobre a Vida

Cínthia Cortegoso · Capítulo 19 de 49

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Inteiramente Sobre a Vida

Jovens que nos Ensinam

 

ALÉM DO CÉU AZUL

Na época da primavera, parece que o céu se torna mais vivo; pode ser a estação das flores que resplandece também no alto. Foi sob esse céu, no meio da tarde, que o menino descansou a cabeça no colo da mãe e, de sua varanda, se pôs a observar o azul.

– Olha, mãe, as nuvens… que algodão fofo – o filho falou com entusiasmo.

– Sim, meu filho, realmente parecem algodão branco e fofinho. E veja as belas figuras no céu! – incentivou a mãe.

– Aquele ursinho ao lado da rosa dos ventos… ah, já estão se transformando de novo… – disse o menino.

– O vento está forte, pois de repente as figuras tomam outras formas. É preciso olhar com atenção – completou a mãe.

O menino parou o olhar e ficou imaginando o que poderia haver além do céu azul.

– Mamãe, será que existe uma fábrica de figuras lá em cima? – perguntou o garotinho.

– Figuras de algodão? – a mãe buscou esclarecimento.

– Sim, mamãe, pois tantas são criadas numa só tarde.

– Meu filho, as nuvens se modificam devido ao sopro do vento e, assim, formam imagens tão variadas – explicou a mãe.

– Mas são todas muito lindas. Deve existir alguém para criá-las. Eu sei disso – completou com confiança.

Em meio a tantas indagações, o garotinho, com um enorme brilho no olhar, pareceu desvendar o enigma.

– Eu sabia, mamãe. Há sim um criador para todas elas… para as mais fofinhas, para as maiores, para as menores, para as mais brancas e para as nem tanto assim. Eu sabia. Lembrei.

– Pois então, conte-me o que sabe – interessou-se a mãe.

Ainda deitado no colo da mãe e olhando maravilhado para o céu, ele explicou:

– Para além desse céu azul – apontando e falando pausadamente – há um criador de todas as figuras… e elas se transformam rápido porque necessitam se desenvolver em melhores e mais bonitas… e como a criação é sempre constante, pois ainda existe muuuuito – enfatiza abrindo os braços – céu para ser preenchido, o criador de todas elas cria, e cria, e cria para dar amparo e oportunidade a todas.

A mãe observou, espantada, o pequeno que falava com tanta segurança.

– E ainda, mamãe, muitos lugares não só daqui da Terra são ocupados por essas figuras fofinhas, mas muitos outros em volta, acima e em outras direções. – completou o menino.

– Quem te falou isso, filho? – perguntou a mãe já um pouco intrigada.

– Meu amigo, mãe.

– Que amigo? – mais intrigada ainda.

– Meu amigo de branco, que há muito me conta como são os outros mundos e traz um monte de conselho bom e alegre.

– Filho, quem é esse amigo? – a mãe já estava preocupada.

– Ele está sempre comigo… e não só ele. – o menino explicava, porém com um pouquinho de medo dos olhos assustados da mãe. Continuou. – Os seus amigos também me contam sobre os outros lugares, mamãe – o menino observava o olhar materno. – Ele disse que é um anjo e como sempre está de branco e é meio fofinho, sei que ele é do céu como as nuvens de algodão.

O sol já baixava quando os dois se levantaram e entraram para o jantar.