Inteiramente Sobre a Vida

Cínthia Cortegoso · Capítulo 48 de 49

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Inteiramente Sobre a Vida

O Respeito É Parâmetro para Toda

BOA RELAÇÃO

Ignorância, preconceito, intolerância, desrespeito, discriminação, extremismo são os carimbos no passaporte que leva para a segregação social, religiosa, humana, ladeada pelo sofrimento, terror, tristeza e desespero.

Quantas barbáries são cometidas com um pretexto ilusório, na verdade, todas nascidas das destrutivas faces do egoísmo e da imaturidade. É bastante cômodo querer destruir pessoas e propósitos distintos da ideologia particular.

Enquanto os seus habitantes estiverem com a caminhada inicial, o Planeta vivenciará muitas ocorrências infelizes e, devido a estágios diferenciados, haverá compartilhamento dessas etapas, com lágrimas, incompreensão, sofrimento, euforia, ansiedade, choro e flagelo. Porém, a tendência da vida é o progresso e o bem-estar e, graças a Deus, isso é inevitável embora possa demorar um pouco.

O primeiro entendimento necessário a se obter é que cada ser humano é um universo completo e único e sua unicidade é uma riqueza para o todo. O respeito entre esses seres deve existir, pois senão, o caos se faz presente junto da discórdia que arrasta para o desfalecimento e a iniquidade.

Quão benéfico para o coletivo os bons atos, mesmo para o indivíduo que ainda não despertou ou não admitiu a sua reformulação, no entanto, o bem é sempre maior; o amor é o cerne para o progresso em todo plano, estágio e tempo.

A nova oportunidade chega no momento diário, hebdomadário, mensal, anual e em infinitas contagens. Quanto há para se realizar por cada um e se houvesse a compreensão de que o universo individual precisa incontavelmente de cuidado, melhoria e uma gama de aprimoramento dependente total da própria vontade e decisão, certamente, não haveria tempo para censurar… insultar, muito menos interesse em criticar os caminheiros desta oportuna viagem.

Gasta-se muita energia em vão com o que não se diz respeito. Se essa energia fosse convertida em benefício a outrem, consequentemente, a si próprio, o Planeta estaria numa faixa vibratória mais elevada e bem mais livre.

Que a tolerância contagie.

… a paciência atue.

… a crítica seja construtiva.

… a fraternidade se expanda.

… a compreensão ilumine.

… a paz pulse.

… e o amor, grandeza absoluta, seja a causa maior para a vida.

Frases benfazejas é que poderiam ser lançadas aos quatro ventos.

As borboletas voam continuamente pelos campos e cidades; as flores colorem; o sol aquece e traz a claridade; a lua brilha; a água corre e anima; as árvores lançam o oxigênio; os animais vivem, correm, nadam e voam; o campo de trigo alimenta; o pé frutífero dá o doce sabor; a terra segue com a perpetuação; pelo menos alguém quem amamos está conosco, ainda que seja em sentimento, mas esse coração existe e continuará, pois ele é eterno como todos nós.

Sem a percepção e o discernimento do melhor e real, não se poderá valorizar sua essência. E como a vida é valiosa.

Bem-vindos, liberdade e respeito para se viver.

E o tempo trará as palavras e atitudes coerentes que unirão a Terra e o laço benévolo se estenderá. As charges explicitarão a fraternidade entre os povos que já são irmãos. E o Planeta estará semeado com luz e reconforto. Sim, esse deverá ser o caminho a seguir, pois do contrário, o sofrimento como o atual perdurará e lágrimas de dor inundarão almas e espíritos. Se se pode ter a felicidade, por que querer ainda a desventura e o padecimento?

Em meio a tantos desatinos, li agora há pouco, no quadro branco da sala onde leciono, esta frase escrita por uma criança: “Somos irmãos, pois Deus é o nosso Pai”.

SOLIDÃO: SIMPLESMENTE O SILÊNCIO

PARA A ALMA

A solidão não deveria trazer medo nem angústia, ela é somente o momento para meditar, conhecer-se e alcançar estágios mais elevados; é a alma que se perturba e se apavora com o silêncio solitário, silêncio que aviva a voz da consciência sem ter para onde fugir, no entanto, há como se renovar e se reconstruir.

Simplesmente em sua perfeita significância, a solidão é o tempo do diálogo interior e da reflexão quanto ao direcionamento em que se está para a tranquilidade ou o desespero da alma; é a sondagem dos sentimentos e atos; é a verificação da coragem ou não perante o medo, o sorriso ou não perante a conquista.

E o fato de conseguir, ou melhor, de querer e apreciar a própria companhia é imprescindível, pois essa companhia será para a eternidade, nunca se poderá fugir de si e sempre consigo estará.

Há incontáveis almas necessitadas de paz, da calma que ordena os pensamentos e amplia o melhor caminho a seguir, do recolhimento que verdadeiramente define a situação da centelha que é divina e eterna. Entretanto, essas almas ainda sofrem a falta de fé no Criador e as ocorrências externas passam a esmorecê-las e deixá-las à mercê dos desatinos e desesperos.

Quando se está fortalecido pela energia divina, a solidão torna-se vigor para o estreitamento desse laço, pois é no silêncio solitário que se ouve a voz amiga e se compreende a imensidade da vida, que se sente a perfeição em ínfimos detalhes, que se emociona com toda a grandeza incomparável de Deus.

Tudo será compreendido quando intrinsecamente for absorvido e esclarecido. A solidão promove o encontro com a própria essência porque durante cada dia inúmeros papéis são representados, mas é no tempo pessoal que se encontra com o seu profundo e completo eu.

A solidão nunca foi e nem será problema, mas o desencontro interno é que favorece o grande tormento. O caos pode abater o espaço externo e a alma não se perturbará, entretanto, o exterior pode estar em perfeita conjunção, mas se a constituição interna estiver desalinhada, nada de fora harmonizará a essência.

Com o recolhimento, a música é mais observada, a flor é mais perfumada, sente-se o ar preencher os pulmões, é possível ouvir o corpo trabalhar em seu próprio silêncio, pode-se, então, verificar quão fabulosa é a vida em detalhes nunca antes percebidos. A solidão é o recurso primoroso para a compreensão, pois é nesse tempo que se é mais capaz de fazer a prece e ouvir o retorno de como, sinceramente, o coração se encontra e o melhor caminho a seguir.

Não é o lugar nem o som que farão o coração feliz, mas o seu estado, pois ele sentirá a sua própria energia como e onde estiver.

E dias se foram e dias se vivem e dias virão, é o curso natural. Isso nunca será interrompido em tempo e lugar. E cada um, inseparável de si e eternamente, será seu companheiro na jornada da evolução. Tanto melhor conviver bem com quem não se pode separar.

Como o céu e o infinito, assim é o espírito e sua própria companhia; na calma dos dias ou na turbulência das emoções; na solidão da vida ou na completude do progresso. Serão sempre o eu e o seu espírito, mas Deus é o sábio condutor do universo e conhecedor supremo, pelo nome e pelo próprio amor, de cada filho Seu. Por isso, a solidão não deve ser o maior desafio, no entanto, o desafio definitivo será o autoconhecimento e autoaprimoramento.

O grande amigo está em si e também o seu oposto, se permitir. Tudo se resume na observação dos pensamentos, sentimentos, palavras e atitudes. Na verdade, a solidão só deve ser o silêncio para conversar com Deus.