Inteiramente Sobre a Vida
Viajando Pela Vida
AS SIMPLES COISAS DA VIDA
É assim: quase não valorizamos as mais simples coisas da vida.
Numa conversa entre dois bons amigos já de mais idade, no entanto, ainda se sentindo “guris”, o mais alto, Nicola, comentou com o menor, Heitor:
– A vida é simplesmente encantadora.
– Desde que se lhe dê o verdadeiro valor – completou com objetividade o “guri” Heitor. – É sua vez, jogue! – ainda falou com bem pouca paciência, como era do seu jeito.
– Eu sei… já estou indo. Viu… ganhei mais uma pedra – Nicola falou meio que gargalhando. Era mais bonachão.
– Ah… muito obrigado! – Heitor, ainda mais ranzinza, agradece.
Depois de uns segundinhos silenciosos…
– Como é bom o cheiro de café coado de manhãzinha ou pela tarde… – Nicola falou suspirando.
– Olhar para o entardecer e se encantar com o rosa e o alaranjado misturados no céu… – Heitor, agora com tom mais suave, falou.
– E nesse céu, no mesmo horário, apreciar o retorno das andorinhas… e ainda confirmar que uma andorinha só não faz verão. É sua vez de jogar – orientou o amigo.
– Quantos anos já viemos aqui… nesta mesma mesinha de dama, no mesmo parque, sempre nós dois… grande amizade – rememorou Heitor. – Joga logo! – falou com tom ranzinza de novo.
– Está bem… sim, quantas vezes. Quantos encontros… conversas, risadas e outras até às lágrimas.
E continuaram, cada um citava alguma simplicidade maravilhosa:
– O cheiro do início da chuva… o perfume do bolo assando…
– Uma tigela de pipocas para assistir a um filme…
– A leitura da última frase de um livro…
– Ouvir, de surpresa, a música preferida…
– Receber o telefonema de quem tanto se ama…
– Abraçar aqueles dos quais não podemos ficar longe…
– Ver uma borboleta, de pertinho, assentar-se com delicadeza…
– Colocar água com açúcar no bebedouro só para ver, ampliado, um beija-flor, com toda sua beleza…
– Deixar por último a cobertura do bolo…
– Rir das fotos antigas… roupas “old fashion”, cabelos totalmente engraçados…
– Dormir com o barulhinho da chuva…
– Poder dormir um pouco mais no sábado de manhã…
– Receber o certificado da conclusão de um curso…
– Tomar sorvete no domingo à tarde…
– Ver uma plantinha florescer…
– Aprender um conteúdo novo…
– Comer um “éclair” bem recheado…
– Chegar ao lar e avistar, mais uma vez, os nossos caros companheiros…
– E também o cachorrinho, nosso fiel amigo…
– Andar descalço na grama… ai, quanta energia…
– Abraçar quem se quer bem…
– Tomar um “cappuccino” num dia de inverno ou também num de verão…
– Olhar para cima e apreciar a dimensão do céu…
– Sorrir só por presenciar um sorriso de criança…
– Quantas coisas maravilhosas! – falou, com felicidade, Heitor.
– Há sempre que celebrar este presente: a vida – concluiu Nicola.
Os últimos raios de sol eram vistos entre as árvores. Os apreciadores da vida recolheram as peças do jogo e continuaram valorizando todos os detalhes de cada experiência, pois já haviam compreendido que as coisas mais simples é que dão a graça de viver.