Manhãs de Cascais

Alberto Pimentel · Capítulo 10 de 44

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Manhãs de Cascais

Capítulo VII

Do baile, ariscos, brancos, tentadores...

Mas, ai de mim!—como os mais pés calçados{64}

«Calçados como os mais! que desacato!

Disse eu.—Vou já talhar-lhes um sapato

Leve, ideial, fantastico, secreto...»

Eil-o. Resta saber, anjo faceiro,

Se acertou na medida o sapateiro:

Mimosos pés, calçai este soneto.

A sabedoria da antiguidade, formulada em proverbios, que são como que migalhas de philosophia, impõe-se ao nosso espirito na immensa variedade de assumptos que podem impressional-o.

Ora os antigos diziam: Ne quid nimis. Nada que seja de mais. Eu fui educado com velhos, e aprendi da sua experiencia. Se n'aquelle proverbio posso calçar um pé de mulher, acho que o proverbio é bom, e que o pé é ainda melhor. Se não posso, quer-me parecer que os meus velhos educadores me estão segredando em espirito com a auctoridade dos seus cabellos brancos: «Ahi ha pé de mais e proverbio de menos.»

Ne quid nimis ou, como dizem os francezes, Rien de trop... até nos pés!{65}

 

VII