Manhãs de Cascais
Capítulo XVIII
Uma vez matara um homem n'um monte, como quem diz um casal, e obrigára a mulher da victima a aparar-lhe o sangue n'um alguidar.
Dois rapazitos, e um d'elles é hoje um cavalheiro altamente collocado, sahiam, em férias, de Beja para a sua terra natal.
Um homem de grandes barbas espessas appareceu-lhes na charneca.
—Quem são vocês? perguntou-lhes.
—Somos estudantes.
—E eu, sabem quem eu sou?
—Não sabemos.
—Pois eu sou o Chapéu de ferro.
—O Chapéu de ferro! exclamaram horrorisados.
—Sim, eu sou o Chapéu de ferro, e deixo-os ir em paz. Talvez quizessem que eu os matasse, dois creançolas!{155}