Manhãs de Cascais
Capítulo IV
—Preso não, observou o meu amigo. É bom não confundir as palavras. O sr. Mattos fica apenas detido até setembro... emquanto não vem mais gente.
—Mas que proveito tiram d'ahi os srs.?... perguntou o Mattos.
—O proveito de sermos trez.
—Trez para tudo: trez para o cavaco, trez para o voltarete, trez para o banho, trez para o Elephante azul.
—Mas eu não sei o voltarete!
—Pouco importa. O que se quer é que o jogue.
—Para jogal-o é preciso aprendel-o.
—Isso não é inteiramente verdade... Mas,{29} dado o caso que seja verdade, até setembro tem o sr. Mattos muito tempo para aprender a jogar o voltarete.
O meu amigo termina a carta dizendo:
—«Cá temos o homem preso, e bem vigiado. Á noite fechamos-lhe a porta, e levamos a chave para casa. Uma noite, para lhe suavisarmos o captiveiro, resolvemos perder ao voltarete. E assim é que conseguimos ser trez! Mas, para vêr se vem mais gente, mandamos dizer nos jornaes do Porto que a praia está muito animada, e que em setembro serão poucas as casas para os banhistas que se esperam. Vê lá se dizes isso tambem nos jornaes de Lisboa...»{30}