Manhãs de Cascais

Alberto Pimentel · Capítulo 14 de 44

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Manhãs de Cascais

Capítulo IX

O leitor póde sorrir-se da minha ingenua credulidade, mas eu cria cegamente na virtude d'esse talisman, que um acaso me trouxe, e que um acaso levou.

Não ha philosophia que resista aos factos.

De varias pessoas sei eu que tiveram mascotte, e que criam n'ella como em Deus.

Uma d'essas pessoas era o general José de Vasconcellos Correia, que morreu conde de Torres Novas.

A sua mascotte era uma escova de fato, que o não abandonava jamais.

Justamente, tendo de partir para Torres Novas, onde se assignalou pelo seu valor, esqueceu-lhe metter dentro da mala a escova. E, por não querer separar-se d'ella em tão duvidosa occasião, metteu-a dentro da barretina.

Em Torres Novas, durante a refrega, recebeu uma cutilada na cabeça. O golpe tel-o-ia{79} prostrado, se entre a barretina e a cabeça não estivesse a escova,—a que ficou devendo a vida.

Falta-me o espaço para referir outros muitos casos não menos interessantes e justificativos. E tenha pena! O leitor começaria talvez por sorrir-se; mas acabaria decerto por acreditar.

Toda a gente, por muito que finja o contrario, tem as suas superstições.{80}

 

IX