O Fantasma de Canterville
Após a sua lua-de-mel, o duque e…
Após a sua lua-de-mel, o duque e a duquesa voltaram ao castelo de Canterville; e no dia seguinte ao da chegada foram, à tarde, passear até o cemitério solitário. A escolha da inscrição para a lápide de Sir Simon tinha levantado muitas di culdades, mas fora nalmente decidido mandar gravar nela as simples iniciais do velho aristocrata e os versos existentes na biblioteca. A duquesa havia levado consigo umas rosas adoráveis, que espalhou sobre a sepultura; e depois de se conservarem em recolhimento bastantes minutos, os jovens foram, sempre passeando, até ao santuário em ruínas da velha abadia. Sentou-se, então, a duquesa numa coluna que estava caída por terra enquanto o marido, estendido a seus pés, fumava um cigarro, tendo o olhar xo nos belos olhos da jovem. De súbito, arremessando para longe o cigarro, pegou-lhe na mão e disse:
— Virginia, uma mulher não deve ter segredos para seu marido.
— Querido Cecil, não tenho segredos para ti.
— Tens, sim; — replicou ele sorrindo — nunca me disseste o que aconteceu quando estiveste encerrada com o fantasma.
— Nunca o disse a ninguém — respondeu Virginia com ar grave.
— Sei disso, mas podia dizer-mo a mim.
— Não me peças isso, Cecil; não te posso dizer. Pobre Sir Simon! Devo-lhe muito. É verdade; não rias, Cecil. Mostrou-me o que é a vida, o que signi ca a morte e por que razão o amor é mais forte do que a vida e a morte.
O duque, pondo-se de pé, abraçou a mulher com ternura.
— Podes guardar o teu segredo por tanto tempo quanto eu conservarei o teu coração — murmurou.
— Ele sempre te pertencerá, Cecil.
— Mas um dia contarás aos nossos lhos, não é verdade?
Virginia cou ruborizada.
Você terminou O Fantasma de Canterville
Oscar Wilde