O Infante D. Henrique e a Arte de Navegar

Vicente de Almeida de Eça · Capítulo 5 de 5

Páginas do PDF

O Infante D. Henrique e a Arte de Navegar

Trabalhos Historicos e Criticos

Gaspar Ferreira Reimão, Roteiro da navegação e carreira da India tirado de... Vicente Rodrigues e Affonso Dioguo. Lisboa, 1612.

 

 

Antonio de Mariz Carneiro, Roteiro, etc, acima indicado.

 

Luiz Serrão Pimentel, Roteiro do mar Mediterraneo, etc. Lisboa, 1675.

——, Roteiros das navegações das conquistas de Portugal e Castella, na Arte pratica de navegar, acima indicada.

 

Manuel de Mesquita Perestrello, Roteiro dos portos, alturas, etc, desde o Cabo da Boa Esperança até ao das Correntes. Saíu na obra de Serrão Pimentel, acima indicada.

Nos Annaes maritimos e coloniaes, Lisboa, 1840-1846, vem alguns roteiros e indicações de navegações.

Na Collecção intitulada Alguns documentos do Archivo Nacional da Torre do Tombo ácerca das navegações e conquistas portuguezas, Lisboa, 1892, inserem-se diversas cartas, relações de viagens e outros escriptos importantes para a historia da arte de navegar portugueza.

 

TRABALHOS HISTORICOS E CRITICOS

 

Antonio Ribeiro dos Santos, Memoria da vida e escriptos de D. Francisco de Mello. Memorias de litteratura portugueza da Academia Real das Sciencias, Lisboa, tomo VII, 1806.

——, Memoria da vida e escriptos de Pedro Nunes. Ibid., ibid.

——, Memorias historicas sobre alguns mathematicos portuguezes e estrangeiros domiciliarios em Portugal ou nas conquistas. Ibid., tomo VIII, 1812.

——, Da antiguidade da observação dos astros. Historia e memorias da Academia Real das Sciencias. Lisboa, 1817, tomo V, parte I.

 

Sebastião Francisco Mendo Trigoso, Memoria sobre Martim de Bohemia. Memorias de litteratura da Academia, tomo VIII.

 

Francisco de Borja Garção Stockler, Ensaio historico sobre a origem e progressos das mathematicas em Portugal. París, 1819.

 

Ignacio da Costa Quintella, Annaes da marinha portugueza. Lisboa, 1839 e 1840.

 

Visconde de Santarem, Memoria sobre a prioridade dos descobrimentos dos Portuguezes, etc. París, 1841. Foi depois traduzida em francez e ampliada com o titulo de Recherches, etc. París, 1841.

——, Essai sur l'histoire de la cosmographie et de la cartographie, com o magnifico atlas. París, 1849-1852.

 

José Silvestre Ribeiro, Historia dos estabelecimentos scientificos... de Portugal. Lisboa, 1872, volume II e outros.

Marquez de Sousa Holstein, A escola de Sagres e as tradições do Infante D. Henrique. Lisboa, 1877.

 

Luciano Cordeiro, De como navegavam os Portuguezes no começo do seculo XVI. No Boletim da Sociedade de Geographia de Lisboa, 4.ª serie, 1883.

 

Sousa Viterbo, Trabalhos nauticos dos Portuguezes nos seculos XVI e XVII. Ibid., 9.ª serie, 1890.

——, Trabalhos nauticos, etc. 2.ª serie. No numero do Instituto, de Coimbra, dedicado á commemoração do Centenario, 1894.

 

Latino Coelho, Vasco da Gama. Lisboa, 1882.

 

Manuel Pinheiro Chagas, Os descobrimentos portuguezes e os de Colombo. Lisboa, 1892.

 

Antonio Arthur Baldaque da Silva, O descobrimento do Brazil por Pedro Alvares Cabral, nas Memorias da commissão portugueza para o centenario do descobrimento da America. Lisboa, 1892.

 

Vicente M. M. C. Almeida d'Eça, Nota sobre os estabelecimentos de instrucção naval em Portugal, etc. Lisboa, 1892.

 

Notas:

[1] Em trabalhos, publicados já depois da celebração do Centenario, volta-se a pôr em duvida a diuturnidade da permanencia do Infante em Sagres. Parece-me que ainda haverá muito que investigar a este respeito; creio, comtudo, poder-se affirmar que foi do Algarve, e principalmente dos seus portos occidentaes, que derivou a grande corrente dos descobrimentos nos primeiros tempos.

[2] Chronica do descobrimento de Guiné, pag. 57.

[3] Decadas, vol. I, pag. 281 (edição de 1778).

[4] Barros, Decadas, vol. I, pag. 281, 280 (ed. cit.)

[5] Era um astrolabio feito por Nicolau Patenal em 1616; pertence á collecção de instrumentos nauticos da Escola Naval.

[6] Hydrographie, 2.ª ed., 1666, pag. 369.

[7] Antonio de Najera, mathematico lusitano, Navegacion especulativa e pratica, Lisboa, 1628, fl. 25 V.

[8] Veja-se Boletim da Sociedade de Geographia de Lisboa, 4.ª serie, pag. 163 e seg.: De como navegavam os Portuguezes no começo do seculo XVI, pelo sr. Luciano Cordeiro.

[9] Nomes dos auctores do Tratado e das Tábuas de navegação, pelos quaes nos ultimos vinte e cinco annos se tem ensinado na nossa Escola Naval.

[10] Era a edição de Witebergae, anno 1606, pertencente ao conferente.

[11] Chronographia, reportorio dos tempos, etc.; exemplar pertencente á bibliotheca da Escola Naval.

[12] Assim o julgava quando escrevi a conferencia; mas depois tive occasião de vir a saber que Pedro Nunes nasceu em 1502. Na pag. 135 da Arte atque ratione navigandi (ed. de Coimbra, 1573) lêem-se as seguintes palavras: «Exempli gratiâ, sit anno Domini 1502, quô ego natus sum.» No rosto de um dos tres exemplares d'esta edição, existentes na Bibliotheca Nacional, encontra-se escripta por lettra do seculo XVI a seguinte indicação: «Natus est hic Doctor año Dñi 1502. Obiit verò tertio idus Augusti año Dñi 1578.»

[13] Em seguida copiamos o titulo completo e o fecho da obra fundamental do doutor Pedro Nunes sobre navegação, bem como o Regimento da altura.

 

Frontispicio

«Tratado da Sphera com a theorica do Sol e da Lua. E ho primeiro livro da Geographia de Claudio Ptolomeu Alexandrino. Tirados nouamente de latim em lingoagem pello Doutor Pedro Nunes cosmographo del Rey dom João ho terceyro deste nome nosso Senhor. E acrecentados de muytas annotações e figuras por que mays facilmente se podem entender.

Item dous tratados que o mesmo Doutor fez sobre a carta de marear. En os quaes se decrarão todas as principaes duvidas da navegação. Com as tavoas do mouimento do sol e sua declinação. E o Regimento da altura assi ao meyo dia como nos outros tempos.

Com previlegio real.»

 

Fecho

«Acabouse de emprimir a presente obra na muyto nobre e leal cidade de Lixboa por Germão Galharde empremidor. Ao primeiro dia do mez de Dezembro de 1537 annos.»

 

«Regimento da altura do polo ao meo dia.»

«§ Se o sol tem declinação pera o norte e as sombras vão pera o norte; saberemos pello estrelabio ao meo dia que he na mayor altura quantos graos ha de nós ao sol: e acrecentaremos a declinação d'aquelle dia: e o que somar será o que estamos apartados da linha equinocial para o norte.

«§ Mas se o sol tem declinação pera o norte e as sombras vão pera o sul: saberemos pello estrelabio quanto ha de nós ao sol: e pelo regimento a declinação: e se forem iguais estaremos na equinocial. E se forem desiguais: tiraremos o menor numero do mayor, porque o que ficar, isso estaremos apartados da equinocial: e será pera o norte se a declinação era mayor: e será pera o sul se a declinação era menor.

«§ A mesma regra nos serve tendo ho sol declinação pera o sul, porque se as sombras vão para o sul ajuntaremos o que ha de nós ao sol com a declinação: e o que somar isso estaremos apartado da equinocial pera o sul.

«§ Mas se o sol tem declinação pera o sul e as sombras vão ao norte: se o que ha de nós ao sol for igual á declinação, estaremos na equinocial. E se forem desiguais tiraremos o menor numero do mayor: e o que ficar será o que ao tal tempo estaremos apartados da equinocial: e será pera o sul se a declinação for mayor e será pera o norte se a declinação for menor.

«§ E quando não houver declinação: ho que ouver de nós ao sol, isso estaremos apartados da equinocial; e será pera onde forem as sombras.

«§ E em todo tempo que o sol pello estrelabio estiver em noventa graos: o que elle tiver de declinação, isso mesmo estaremos apartados da equinocial e pera a mesma parte.»

[14] D. João de Castro, Roteiro de Lisboa a Goa, pag. 308. [15] Quando escolhi para assumpto d'esta conferencia «A arte de navegar dos Portuguezes», não foi minha intenção embrenhar-me em explanações scientificas ou controversias criticas, mas apenas fazer uma rapida exposição historica; nem outra cousa consentiam tanto a indole de taes palestras como a orientação dos meus estudos habituaes.

Succedeu, porém, quatro dias antes da conferencia, que, indo eu á Bibliotheca Nacional para rever alguns livros, pelo sr. Gabriel Pereira, sabio director d'aquelle estabelecimento, me foram mostrados os volumes recentemente chegados da magnifica publicação feita a expensas do governo italiano, por occasião do centenario de Colombo, intitulada Raccolta di documenti e studi publicati dalla R. Commissione Colombiana pel quarto centenario della scoperta dell'America.

O volume I da parte IV d'essa collecção consta de um estudo do sr. Enrico Alberto d'Albertis, com o titulo Le costruzione navali e l'arte della navigazione al tempo de Cristoforo Colombo; e no volume II vem um trabalho do sr. Timoteo Bertelli denominado La declinazione magnetica e la sua variazione nello spazio scoperte da Cristoforo Colombo.

Percorrendo este ultimo trabalho rapidamente, pois para mais não tive tempo, vi que elle se propunha effectivamente demonstrar ter sido Christovam Colombo o primeiro que descobriu o phenomeno da variação da agulha, como aliás é lição quasi geral. Ora, entre a grande copia de argumentos do sr. Bertelli, apparece o de que muitos auctores contemporaneos e posteriores a Colombo ignoravam o phenomeno, e no numero d'esses cita-se o nome do portuguez Pedro Nunes!!

Ao ler isto, ao ver citada a obra do nosso grande mathematico d'onde o auctor tirava tal conclusão, confesso que pasmei. E o pasmo redobrou, quando adiante, pag. 50, no cap. X, intitulado Prospetto degli autori i quali dal medio evo sino a tutto il secolo XVI suppozero l'ago diretto al polo, cioé senza declinazione, vi novamente incluido Pedro Nunes (o Nonnio), citando-se d'elle Opera omniae, Basilea, 1566, com a aggravante de se dizer em nota que a primeira edição portugueza é de 1536 (sic).

Pois não conhecia a declinação da agulha o Pedro Nunes que até inventou um instrumento especial para a sua determinação, o qual elle descreve no conhecido trecho que começa: «Acerca do nordestear e noroestear da agulha tenho por certo que ellas não demandam o polo, porque não vi agulha que n'esta terra não nordesteasse»?

É extraordinario isto!

Mas afinal não deve talvez causar admiração, se nos lembrarmos que o auctor da memoria não viu ou não entendeu a obra, que cita, de Pedro Nunes. E não admiraremos tambem que a não visse, sendo ella rara, se não viu nem ouviu fallar da maior parte dos numerosos trabalhos dos Portuguezes sobre a arte de navegar. Basta dizer-se que lhe são desconhecidos os Roteiros de D. João de Castro, incluindo o ultimo publicado, em 1882, com as annotações de Andrade Corvo, no qual tantas vezes se trata da questão das agulhas, e se inclue em appendice um excellente trabalho sobre as Linhas isogonicas no seculo XVI. Pois o nome de D. João do Castro não é ignorado na Italia, pelo menos do estado maior do seu exercito, que estudou o Roteiro do Mar Roxo, como outras obras portuguezas, algumas das quaes traduziu, por causa da occupação de territorios em Massuá e Dalaque.

Ora, sem entrar em polemica, direi apenas, ampliando as palavras que proferi na conferencia:

1.º Que antes de Colombo partir para a sua primeira viagem, já os Portuguezes navegavam havia muitos annos entre a metropole e os Açores, isto é, n'uma distancia de cerca de vinte gráos em longitude, e por isso teriam tido occasião de observar a differença em variação;

2.º Que as palavras nordestear e noroestear são de feição essencialmente portugueza, e ainda usadas pelos nossos pilotos no seculo actual, pelo menos até ha trinta annos;

3.º Que Christovam Colombo, empregando-as no seu diario, não lhes explica o sentido, o que seria natural que fizesse, se ellas, como o phenomeno que significavam, fossem pela primeira vez communicadas;

4.º Que nas famosas expressões de Colombo, relativas ao dia 13 de setembro de 1492, não se encontra mostra alguma de espanto pelo facto da variação da agulha, mas sim por ella mudar de signal;

5.º Que, por conseguinte, o que Colombo viu, foi apenas que a variação ou declinação, a qual até um certo meridiano era n'um quadrante, d'esse meridiano em diante passava a ser n'outro.

E não era preciso saír da Raccolta para chegar a este mesmo resultado, porquanto o sr. Alberto de Albertis, no cap. V da outra memoria acima citada, põe em rubrica: «Prima osservazione del passagio della declinazione dell'ago magnetico da greco a maestro», deitando assim por terra, com estas palavras, todo o magestoso edificio do sr. Bertelli.

E ainda depois de ter escripto a conferencia, chegou ás minhas mãos o numero de fevereiro do corrente anno da excellente Rivista marittima italiana, e n'ella encontrei um magnifico estudo do sr. Eugenio Gelcich, intitulado La scienza nautica da Nonnio alla fine dei secolo decimo settimo, no qual (pag. 187) se censura um escriptor inglez porque «imputava a Nonnio la ignoranza della existenza della declinazione magnetica», e aponta-se em seguida um capitulo de Pedro Nunes em que se trata do assumpto.

Vê-se que o que escrevem o sr. Bertelli e outros, é resultado de uma errada orientação, que mal se justifica pelo patriotismo. A Italia teve excellentes mareantes nos seus Amalfitanos, Pisanos, Genovezes e Venezianos, que verdadeiramente ensinaram as outras nações em muitas partes da marinharia; a Hespanha não os teve menos excellentes nos seus Catalães e Malhorquinos. Mas nem um nem outro d'esses povos se abalançaram a devassar os segredos do Atlantico antes dos Portuguezes. Vem depois Colombo que aprendeu em Portugal; e a Italia, envaidecida de lhe ter dado o berço, e a Hespanha gloriosa de lhe ter aproveitado os trabalhos, cada qual disputa a quem melhor lho exaltará os meritos, louvando-o pelo que fez e pelo que não fez, e pondo no escuro a obra dos navegadores portuguezes.

É isto que a critica scientifica não consente.

[16] Veja-se Boletim da Sociedade de Geographia de Lisboa, 9.ª serie, pag. 315 e seguintes: Trabalhos nauticos dos Portuguezes nos seculos XVI e XVII, pelo sr. Sousa Viterbo.

[17] Era o magnifico fac-simile pertencente á Sociedade de Geographia de Lisboa.

[18] Tambem não deveriam esquecer os nomes e as obras dos fabricantes de cartas, globos e instrumentos nauticos, que os houve habilissimos nos seculos XVI e XVII em Portugal. D'este assumpto se occupa o erudito investigador, o sr. Sousa Viterbo, em um estudo que deve ser publicado no numero do Instituto, de Coimbra, destinado a commemorar o Centenario do Infante.

 

[19] Diogo de Couto, Dialogo do soldado pratico portuguez, pag. 9.

[20] Como exemplo do modo por que se redigiam entre nós os diarios nauticos nos seculos anteriores, copiaremos dois dias de navegação, em que não houve novidades extraordinarias, com o intervallo de dois seculos.

 

«Caminho»

«Quinta feira 25 dabril (de 1538) todo o dia foi o vento norte; gouernamos ao sul: ao meio dia tomei o sol, e na maior altura se aleuantaua sobre o orizonte 84 graos; a declinação deste dia era 16 graos, 20 minutos, do que se segue estarmos em dez graos e 1/6; esta mesma altura tomou o Piloto, mas o mestre tomou maes 1/3 de grao do sol ao orizonte.

«De noite toda foi o vento norte bonança; o quarto da prima e modorra gouernamos ao sul, e o dalua á mea partida do susueste.»

(D. João de Castro, Roteiro de Lisboa a Goa, pag. 115.)

 

«Em 24 do dito (agosto de 1736)»

«Sexta feira; quatro dias de viagem; se apartou (a nao) adiante e foi seguindo sua viagem. Ao meio dia se observou o sol, e achamo-nos em Latitude de 38 gr. e 43 m., e de Longitude 6 gr. e 16 m.; fez a nao curso pelo angulo 63 g., andou para o Norte 23 m. e para Oeste 37 m., com vento nordeste rijo. Deus nos dê boa viagem.»

(Derrota de uma esquadra portugueza em 1736, MS. da Bibliotheca Nacional.

Collecção

Pombalina, n.º 149.)

 

[21] Stockler, Ensaio historico sobre a origem e progresso das mathematicas em Portugal, pag. 69.

[22] O primeiro nome notavel da nova sciencia de navegação é o de José Militão da Marta, piloto da armada e professor de pilotagem, o qual publicou diversas obras importantes, sendo a primeira logo em 1780, a qual se intitula Compendio das correcções que se devem fazer ás alturas dos astros, e a segunda, em 1781, intitulada O destro observador ou methodo facil de saber a latitude no mar.

[23] Commentarios, edição de 1784, parte IV, pag. 122.

Você terminou O Infante D. Henrique e a Arte de Navegar

Vicente de Almeida de Eça

Livros como este

Depois do livro

Páginas que vieram com esta edição, guardadas aqui para consulta.

Aviso do Project Gutenberg
*** END OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK O INFANTE D. HENRIQUE E A ARTE DE NAVEGAR DOS PORTUGUEZES *** Updated editions will replace the previous one—the old editions will be renamed.

Creating the works from print editions not protected by U.S. copyright law means that no one owns a United States copyright in these works, so the Foundation (and you!) can copy and distribute it in the United States without permission and without paying copyright royalties. Special rules, set forth in the General Terms of Use part of this license, apply to copying and distributing Project Gutenberg™ electronic works to protect the PROJECT GUTENBERG™ concept and trademark. Project Gutenberg is a registered trademark, and may not be used if you charge for an eBook, except by following the terms of the trademark license, including paying royalties for use of the Project Gutenberg trademark. If you do not charge anything for copies of this eBook, complying with the trademark license is very easy. You may use this eBook for nearly any purpose such as creation of derivative works, reports, performances and research. Project Gutenberg eBooks may be modified and printed and given away—you may do practically ANYTHING in the United States with eBooks not protected by U.S. copyright law. Redistribution is subject to the trademark license, especially commercial redistribution. START: FULL LICENSE