Os 100 Segredos das Pessoas Felizes
Capítulo 32
Não se detenha em conflitos insolúveis
Siga adiante. Gaste sua energia e seu tempo apenas com os problemas que sejam importantes e possíveis de solucionar. Não sendo assim, é melhor seguir adiante para resolver coisas que podem ser mudadas.
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Na mitologia, Sísifo foi condenado à tarefa interminável de empurrar uma rocha montanha acima. Imediatamente antes de chegar ao topo, ele a deixava cair e a rocha rolava para baixo novamente. Sísifo a empurrava de novo para cima e, quando estava restes a atingir o topo, ela caía novamente. É claro, aquilo era inútil. Era apenas uma sentença de morte.
Alguns de nós tratamos algumas questões e relacionamentos como se fossem a rocha de Sísifo. Insistimos numa relação que já e revelou doentia e repetimos os recursos esgotados, fechando-nos para outras oportunidades. Persistimos numa profissão, apesar de sentirmos que não temos vocação para ela, só porque nosso pai esperava que o sucedêssemos. Empurramos, empurramos, empurramos e nunca percebemos que é inútil e que estamos desperdiçando um tempo e uma energia que poderiam abrir outros caminhos de felicidade. Mas não somos, como Sísifo, condenados à morte: ninguém, a não ser nós mesmos, nos obriga a empurrar a rocha. Podemos largá-la, é só querer de verdade.
Muitas pessoas querem "abraçar o mundo com as pernas", não deixando passar nenhuma oportunidade. Resultado: fazem tudo na correria, pela metade, sem usufruir profundamente nada, e acabam frustradas por não conseguirem o que desejam. Aquelas que resolvem não brigar com o tempo, reconhecendo o fato de ele ser limitado e adequando-se a esta realidade, têm chances vinte e cinco por cento maiores de se sentirem bem com elas mesmas.
Caproni, 1997
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Os seus objetivos devem estar alinhados entre si
Os quatro pneus do seu carro precisam estar adequadamente alinhados. Se não for assim, os pneus esquerdos estarão voltados ara uma direção diferente daquela dos pneus direitos e o carro não vai funcionar. Os objetivos também são assim. Precisam estar dos voltados para a mesma direção. Se os seus objetivos estiverem em conflito uns com os outros, é possível que a sua vida não funcione.
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Jorge Ramos era um profissional bem-sucedido na área do jornalismo televisivo. Ele apresentava um telejornal transmitido para os EUA e para a América Latina cobrindo os principais assuntos políticos. Ele agarrava todas as chances de cobrir guerras – e arriscar sua vida – no Oriente Médio, na América Latina e na Europa.
De acordo com sua própria avaliação, Ramos estava se saindo excepcionalmente bem, tanto profissional quanto economicamente. Ele queria impulsionar ainda mais sua carreira. Ele queria, em as próprias palavras, "penetrar nas mentes daqueles que dominam planeta e estar nos lugares em que a História se transforma".
Mas Ramos também sentia muita falta de sua família. Quando oIhava uma foto de sua filha chegava a chorar pensando no empo de afastamento, na distância, nos perigos a que ele havia e exposto e no efeito que isto poderia ter sobre ela.
Ramos finalmente compreendeu que não podia manter a mesmo tempo os dois objetivos e precisou fazer uma escolha Abriu mão do sucesso imediato para poder ficar no lugar mais importante para sua felicidade: a família. A perda doeu bastante mas o ganho de paz e alegria compensaram o sofrimento.
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Em um estudo de longo prazo, realizado com indivíduo durante mais de uma década, a satisfação apareceu associada, coerência dos objetivos definidos para a vida. Os objetivos relacionados com a carreira, a educação, a família e o lugar de moradia eram importantes e juntos respondiam por cerca de oitenta por cento da satisfação. Esses objetivos precisam ser coerentes entre si para produzirem a felicidade que se busca.
Wilson, Henrv e Peterson, 1997
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Não se concentre nas tragédias do mundo, mas em suas
esperanças
Muitas coisas tristes acontecem em nosso mundo, mas, em vez de concentrar-se nelas, tenha esperança no futuro. Pense em quantos avanços já houve e no potencial do mundo. Talvez o futuro nos reserve a cura das doenças, o fim da violência, a diminuição da pobreza e da fome. Se você tiver esperança, sentirá estímulo e contribuirá para as mudanças. Se sua perspectiva for pessimista, achará que não adianta fazer nada e perderá o ânimo.
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O Conselho de Bandeirantes de San Jacinto queria fazer algo divertido, excitante e que unisse a comunidade. Decidiram tentar criar o maior círculo de amizades do mundo, um círculo de pessoas de mãos dadas celebrando a união entre os seres humanos.
As bandeirantes convidaram os habitantes da cidade a se juntarem a elas e, em uma manhã de sábado, formaram o círculo. Seis mil e duzentas e quarenta e três pessoas participaram do evento, incluindo o prefeito. O círculo tinha quase dois quilômetros de extensão, com pessoas de mãos dadas, celebrando a mensagem escolhida: "A amizade vence o ódio."
Essa celebração reforçou a esperança de todos os que a viveram, dando-lhes um novo estímulo para se empenharem em criar um mundo melhor, mais justo, com as mesmas oportunidades para todos.
Em média, nove em cada dez americanos se sentem preocupados com algum aspecto do mundo e da sociedade. O que faz com que essas pessoas sejam mais ou menos felizes é a atitude que assumem ante essa preocupação: as pessoas menos felizes remoem os problemas que vêem, enquanto as mais felizes concentram-se nas possibilidades de melhoras futuras.
Garrett, 1996
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Você não tem que vencer sempre
As pessoas ultracompetitivas, que precisam vencer sempre, terminam usufruindo menos das coisas. Quando perdem, ficam muito frustradas, e, quando ganham, era isso o que esperavam, de qualquer modo. Sobretudo não se harmonizam com o ritmo natural da vida, que é feito de ganhos e perdas.
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Richard Nixon estava concorrendo à reeleição para a presidência em 1972. Ele orientou sua equipe a tomar todas as medidas disponíveis para conquistar tantos votos quanto possível. Dentre essas medidas, a mais famosa foi a invasão aos escritórios do Partido Democrático no Edifício Watergate para plantar aparelhos de escuta. Isso além de uma série interminável daquilo que o próprio Nixon batizou de "truques sujos". Seus funcionários telefonavam para pizzarias e encomendavam cem pizzas para serem entregues no escritório de um candidato de oposição. Distribuíam panfletos falsos comunicando que o comício de um oponente havia sido cancelado. Ligavam para centros de convenções e cancelavam as reservas feitas por oponentes para seus eventos. Por que isso acontecia? Porque Nixon estava obcecado por vencer – a qualquer preço.
A maior ironia dessa história é que Nixon estava vencendo, de qualquer modo, e não precisava de nenhum desses truques. Mas sua incapacidade de lidar com a possibilidade de perder o fazia adotar essas táticas extremas, que acabaram lhe custando o prêmio que ele almejava tão desesperadamente.
Mas nem é preciso recorrer a recursos escusos para garantir a vitória. As pessoas que querem vencer sempre não se dão conta de que a vida é feita de altos e baixos, de alternâncias. Quem não souber disso e vincular sua felicidade às vitórias constantes seguramente vai sentir-se infeliz.
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A competitividade pode impedir a satisfação na vida, porque nenhuma realização será suficiente, e os fracassos tornam-se especialmente devastadores. Como as pessoas ultracompetitivas têm um altíssimo nível de exigência, elas não se alegram tanto com seus sucessos, mas se desesperam com os fracassos.
Thurman, 1981
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Deixe que seus objetivos sejam o seu guia
Depois de escolher objetivos razoáveis, significativos e compatíveis entre si, persiga-os com todo o seu coração.
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Você está na cozinha e deseja fazer um bolo bem gostoso para os netos que vão chegar. Imagine-se passando horas pegando todos os produtos que estão no armário e toda a comida da geladeira, despejando-os em uma tigela gigantesca, misturando-os, assando-os e em seguida servindo o resultado à mesa. Não há dúvida de que, mesmo que se esforçasse muito e gastasse muito, você acabaria fazendo uma gororoba impossível e ser comida.
Se, em vez disso, você seguisse uma receita cuidadosamente, fosse ao supermercado comprar exatamente o necessário, usasse a quantidade certa dos ingredientes certos e os preparasse conforme as instruções, em pouco tempo a casa ficaria perfumada por seu bolo e seus netos felicíssimos.
A vida funciona da mesma maneira. Quando se quer atingir um objetivo – seja um bolo, a organização da festa de Natal, o sucesso no trabalho ou nos relacionamentos – não se pode ir pegando tudo o que aparecer pela frente desorganizadamente. É preciso planejamento e paciência para seguir as instruções.
Em entrevistas durante um longo período de tempo com um grupo de advogados observou-se uma transição nítida à medida que a família ia assumindo uma importância maior do que a carreira. Aqueles que reconheciam a mudança e reorganizavam suas prioridades de acordo com ela expressaram uma satisfação na vida vinte e nove por cento superior à dos que simplesmente se deixaram levar pelos acontecimentos.
Adams, 1983
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Tenha expectativas realistas
As pessoas felizes não conseguem tudo o que querem, mas querem a maior parte do que conseguem. Em outras palavras, viram o jogo a seu favor, escolhendo dar valor às coisas que estão ao seu alcance.
As pessoas insatisfeitas com a vida muitas vezes determinam metas inatingíveis para si mesmas, programando-se assim para um fracasso inevitável. É importante também saber que as pessoas que definem metas ambiciosas e as alcançam não são mais felizes do que aquelas que definem e alcançam objetivos mais modestos.
Para saber o que você quer e do que é capaz, torna-se necessário conhecer-se bem e entrar em contato com seu próprio desejo, em vez de estar sempre respondendo às expectativas dos outros. Não é uma tarefa fácil quando vivemos numa cultura que identifica felicidade com sucesso em todos os campos. Cuidado ara não cair na armadilha que começa a ser armada – com a melhor das intenções – por nossos pais desde o nosso nascimento.
Quando você estiver avaliando sua posição no trabalho ou seu relacionamento com sua família, não comece com imagens fantasiosas, almejando posições de destaque ou harmonia absoluta. Primeiro, porque o importante na vida profissional é dar o melhor rendimento possível de sua capacidade. Segundo, porque harmonia absoluta não existe, pois os conflitos, crises e ambigüidades fazem parte da natureza humana. Mantenha um pé na realidade e lute para melhorar as coisas, e não para torná-las perfeitas. Não existe perfeição. As coisas serão o que puderem ser a partir de nossos esforços.
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Era uma grande festa em homenagem ao diretor de uma escola na Pensilvânia, que se aposentava após trinta anos de trabalho. As pessoas comentavam entusiasticamente sua maravilhosa contribuição para a educação de milhares de crianças. Ao fim da noite, ele disse a um amigo: "Quando tinha vinte e três anos, eu achava que acabaria como presidente dos Estados Unidos."
Ali estava um homem extremamente respeitado que havia se dedicado à vocação essencial da educação e que havia ascendido se na carreira até o cargo de diretor de uma escola. E, em vez de celebrar suas realizações, ele lamentava sua derrota. Era um homem extremamente bem-sucedido, que trouxera uma importante contribuição para a sociedade, mas, em comparação com suas metas m, imensas e inatingíveis, ele não conseguia usufruir seu sucesso.
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A harmonia entre os objetivos de uma pessoa e a sua capacidade é uma garantia de felicidade. Em outras palavras, quanto mais realistas e possíveis forem os nossos objetivos, maior probabilidade teremos de nos sentirmos bem com nós mesmos. As pessoas que chegam à conclusão de que seus objetivos estão fora do de alcance têm menos de dez por cento de chances de estarem satisfeitas com a vida.
Diener e Fujita, 1995
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Não se esqueça de se divertir
Reserve, todos os dias, algum tempo para se divertir, para dizer bobagens, para rir.
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Observe as crianças correndo em um playground e você logo verá pensando: "Como elas se divertem!" Por que elas estão divertindo tanto? Uma pergunta melhor seria: "Por que você não está se divertindo mais?" As crianças correm e brincam como por instinto. Elas não se perguntam se deveriam se divertir, elas simplesmente seguem seu impulso e se divertem. A medida que vamos crescendo, vamos nos tornando mais sérios, reprimindo nossos desejos lúdicos, confundindo maturidade com sisudez.
Convide um de seus amigos para fazer algo divertido e é possível que ouça dele: "Eu não tenho tempo para isso", ou "Vou ficar ridículo". Imagine se uma criança que é convidada para ir ao zoológico, ou para tomar um banho de chuva, vai responder: "Eu ligo pra você depois, estou muito ocupada agora, além mais o que vão dizer de mim?" Às vezes as crianças são mais sábias do que nós. Divertir-se mais, bater papo e dar risada, reservar algum tempo para coisas que poderiam ser consideradas bobagens, mas nos dão alegria, é essencial para a felicidade.
Divertir-se regularmente é um dos cinco fatores centrais para uma vida satisfeita. Os indivíduos que dedicam algum tempo a se divertir têm chances vinte por cento maiores de ficarem felizes em sua vida diária e trinta e seis por cento maiores de se sentirem bem com sua idade e com a etapa que estão vivendo.
Lepper, 1996
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Escolha suas comparações com sabedoria
Comparar-se com os outros é inevitável, até porque nossa cultura estimula a comparação desde que nascemos: é mais gordo ou mais magro, maior ou menor, mama mais ou menos, falou e andou antes ou depois do que o primo, o irmão, o vizinho, o filho da amiga? O ideal seria não nos compararmos e tratarmos de usufruir a vida dentro de nossas possibilidades.
Muitos dos nossos sentimentos de satisfação ou insatisfação vêm do fato de nos compararmos com as outras pessoas. Quando nos comparamos com aqueles que têm mais, nós nos sentimos diminuídos. Quando nos comparamos com quem tem menos, somos mais capazes de valorizar o que possuímos. Muito embora a vida seja exatamente a mesma nos dois casos, os nossos sentimentos sobre ela podem variar enormemente, dependendo da pessoa com quem nos comparamos. Compare-se com as pessoas que você admire não tanto pelo que têm, mas pelo que são. Escolha sobretudo aquelas que fazem você se sentir bem com o que é e com aquilo que tem.
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Joe é o mais velho de seis irmãos. As idades variam de vinte e um a quarenta e dois anos. A família nunca teve muito dinheiro, e os irmãos mais velhos foram criados de forma modesta. Quando terminaram o segundo grau, Joe e seus dois irmãos mais velhos logo procuraram um trabalho. Entretanto, quando os três mais jovens terminaram o segundo grau, foram para a universidade.
Os mais velhos sentem que não tiveram a mesma oportunidade. Se eles se compararem com seus irmãos mais novos, Joe e seus dois irmãos talvez sintam decepção e ciúme. Mas se eles se compararem a muitos de seus amigos – homens da mesma idade e com oportunidades semelhantes às deles –, verão que têm mais do que muitos deles em termos de realização profissional e familiar.
Joe tem consciência de que privar seus irmãos mais jovens da oportunidade de estudar não traria nenhuma vantagem para ele. Mas isso não impede que se sinta mal quando se compara a eles. A solução, então, é não comparar-se. É procurar olhar para o progresso dos irmão mais moços como fruto também do esforço dos mais velhos, um esforço que os fez crescer e progredir de outra forma. É tomar consciência de que as circunstâncias em que se desenvolveram foram completamente diferentes e, portanto, não houve injustiça e preferência. Em vez de ficarem decepcionados fazendo essa comparação, Joe e seus dois irmãos podem sentir-se bem tanto em relação aos irmãos mais novos quanto em relação a si mesmos. Basta que aprendam a valorizar o que construíram a partir do que a vida Ihes ofereceu. Se quiserem comparar-se a outros, escolham aqueles que, partindo do mesmo ponto, não conseguiram as mesmas realizações.
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Um grupo de estudantes recebeu um jogo de palavras cruzadas para resolver. Os pesquisadores compararam a satisfação daqueles que o resolveram rapidamente e daqueles que o fizeram mais vagarosamente. Os que terminaram com razoável rapidez, mas se compararam com os mais rápidos de todos, ficaram insatisfeitos consigo mesmos. Os que gastaram mais tempo resolvendo as palavras cruzadas, mas se compararam com os mais lentos, ficaram satisfeitos consigo mesmos e tenderam a ignorar os resultados dos mais rápidos.
Lyubomirsky e Ross, 1997