Os 100 Segredos das Pessoas Felizes

David Niven · Capítulo 7 de 11

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Os 100 Segredos das Pessoas Felizes

Capítulo 80

O modo como vemos o mundo é mais importante do que o modo

como o mundo é

 

Qual é o formato do mundo, seu peso, o tamanho de seu diâmetro e em que condição ele se encontra? Os cientistas e os filósofos debatem interminavelmente esse assunto. Mas não há nenhuma avaliação real do mundo separada daquela que você faz.

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Um grupo de pesquisadores realizou um estudo no qual mostravam às pessoas um baralho. Em cada uma das cartas, contudo, havia algo errado, algo diferente do normal. O quatro de paus era vermelho, o cinco de ouros tinha seis ouros. O procedimento consistia em mostrar as cartas às pessoas e perguntar-lhes o que estavam vendo.

Vocês acham que as pessoas ficaram surpresas ao ver essas cartas cheias de erros óbvios? Não, porque não os notaram. Quando se pedia para descreverem as cartas que viam, as pessoas respondiam que estavam olhando para um cinco de ouros ou para um quatro de paus. Elas não faziam qualquer menção ao fato de haver erro nas cartas.

Por que isso acontecia? Porque aquilo que vemos não depende apenas do que se encontra realmente à nossa frente, mas também daquilo que estamos procurando – nossas expectativas, nossos pressupostos.

Qualquer coisa pode ser vista de ângulos diferentes. Qualquer um de nós conhece pessoas que, embora tenham vivido acontecimentos semelhantes, tiveram percepções praticamente opostas. Os pesquisadores compararam, por exemplo, pessoas que receberam uma promoção no emprego. Descobriram que enquanto algumas deram muito valor à oportunidade, outras lamentavam o aumento de responsabilidade. A forma como se vive e se sente os acontecimentos são uma mera questão de perspectiva.

Chen, 1996

 

81

Mantenha lápis e papel sempre à mão

As pessoas muitas vezes sentem-se frustradas porque não conseguem se lembrar de uma boa idéia que tiveram na semana anterior, de providências que precisavam ser tomadas ou de um sonho interessante daquela noite. As que mantêm um caderno ou mesmo um pequeno bloco de anotações e registram neles aquilo que lhes ocorre sentem que têm um maior controle sobre suas vidas e que perdem menos coisas.

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Emily é uma escritora iniciante que está sempre tomando notas. Mesmo quando não encontra papel, ela procura envelopes, guardanapos, cartões, qualquer coisa que possa usar para anotar seus pensamentos. Quando tem uma idéia que lhe parece interessante, ela a registra. É impossível para qualquer ser humano guardar todas as idéias que lhe ocorrem, por mais fascinantes que sejam. É por isso que os escritores carregam sempre um caderno ou um bloco. Entretanto, não é preciso ser .um escritor para ter boas idéias. Mantenha sempre lápis e papel à mão e você conseguirá reter esses pensamentos passageiros. E não se desesperará tentando lembrar a providência que lhe ocorreu quando estava a caminho do trabalho ou o compromisso que assumiu durante uma conversa num almoço de negócios.

Enquanto as atividades que têm um propósito contribuem para a felicidade, o sentimento de perda de idéias e oportunidades contribui para uma ansiedade e frustração pouco saudáveis. As pessoas que sentem que suas melhores idéias lhes escapam têm chances trinta e sete por cento menores de se sentirem contentes do que as pessoas que conseguem registrar seus pensamentos.

Madigan, Mise e Maynard, 1996

 

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Ajude as pessoas próximas que precisarem de algo

 

Ajudar é uma coisa que sempre vale a pena. Por isso, preste atenção à sua volta e ajude a quem puder. Podem ser coisas simples, tais como habituar-se a segurar a porta para a pessoa que está atrás de você. É um gesto amistoso que faz bem ao outro e a você.

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Stacy mudou-se para o meio-oeste dos Estados Unidos e rapidamente notou que os motoristas daquela região pareciam ser pessoas atenciosas. Quando ela estava presa tentando sair de um estacionamento, com uma fila de carros de um quilômetro de extensão à sua frente na rua principal, as pessoas paravam e lhe davam passagem.

Mirando-se nesse exemplo, Stacy adquiriu o hábito de deixar os outros carros passarem quando o trânsito estava lento. Stacy gostava dessa maneira amistosa de encarar a vida e logo foi recompensada.

Após deixar um carro passar à sua frente, Stacy teve que sair para o acostamento porque o motor de seu carro começou a falhar. O motorista a quem ela havia dado passagem viu-a encostar o carro e a seguiu. Ele perguntou se ela precisava de ajuda e, após uma rápida olhada, concluiu que sua gasolina havia acabado. Ele deu gasolina suficiente para que ela chegasse ao próximo posto e disse-lhe que achava as pessoas daquela região muito simpáticas. Ela lhe deu seu número de telefone e um ano mais tarde os dois estavam casados.

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Descobriu-se que as ações altruístas aumentam a satisfação na vida em vinte e quatro por cento.

Williams, Haber, Weaver e Freeman, 1998

 

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Tome cuidado para não criticar duramente sua família e seus

amigos

 

Todos nós dependemos do apoio e reconhecimento das pessoas mais próximas. Talvez seja mais fácil aceitar palavras críticas daqueles que não nos são próximos, porque nossa ligação afetiva com eles é menor e porque não nos conhecem o suficiente para avaliar o que seriam nossas falhas. Mas, quando vem uma crítica dura de amigos ou parentes a quem queremos bem, fere fundo. Por isso, procure aceitar seus amigos e parentes como são. Se houver alguma coisa que precise ser dita, até mesmo para evitar um problema de relacionamento, faça-o de forma construtiva, com carinho, mostrando que seu desejo é investir na relação. Quando sentir raiva, afaste-se da pessoa e espere a raiva passar para conseguir falar com serenidade. E ouça o que o outro tem a dizer.

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"É, isso foi mesmo uma estupidez", disse a mãe de Carol quando ela lhe. contou que havia perdido um arquivo no trabalho e que seu chefe ficara zangado. Estupidez. A palavra saiu da boca da mãe e bateu em Carol como se fosse um tapa no rosto. A crítica do chefe a havia magoado, mas a observação da mãe, carregada de agressividade, foi extremamente dolorosa.

A mãe poderia ter dito que é natural errar e que valia a pena prestar mais atenção de uma próxima vez. Poderia até – se a distração fosse uma característica de Carol que a prejudicasse e que irritasse a mãe – aproveitar a oportunidade para conversar sobre isso, mas com amor, mostrando à filha que desejava seu crescimento. Da forma como foi, não ajudou em nada e só fez Carol sentir-se desvalorizada e agredi da justamente pela pessoa que, teoricamente, mais a devia amar.

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As agressões e a persistência nos conflitos reduzem a satisfação nos relacionamentos em quase setenta por cento.

Chand, 1990

 

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Algumas pessoas gostam do quadro geral, outras dos detalhes

 

Quando você recebe a conta em um restaurante, você pode olhar o valor total ou prestar atenção em cada um dos itens listados. Na vida é a mesma coisa. Você pode pensar na totalidade das coisas que conquistou ou pode concentrar-se nos episódios específicos da sua vida. Adote a perspectiva que lhe traz mais satisfação. Se você tem a sensação de que se saiu bem, apesar de um problema momentâneo, pense no quadro geral. Se você está num momento de desânimo e insegurança, apesar de saber que sua vida foi marcada por vários momentos de grande felicidade e prazer, então concentre-se nesses detalhes.

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Em uma tarde de sábado, dois homens que vivem em casas vizinhas já velhas, de tamanho e estado de conservação aproximadamente iguais, estão em seus quintais. Um deles balança-se em uma rede. O outro está suando ao sol, pintando sua cerca. O homem deitado na rede está feliz e confortável, com uma grande e difusa sensação de bem-estar, usufruindo a consciência de ter uma casa acolhedora e uma família unida. Seu vizinho também se sente feliz, porque vê como acerca está ficando bonita com a pintura nova, como as plantas estão crescendo, e porque seu netinho vai chegar para visitá-lo à tarde. O primeiro fica feliz com o quadro geral, o segundo com os detalhes. O importante é que ambos estão satisfeitos.

Os cientistas descobriram que é igualmente importante para a felicidade sentir a alegria decorrente dos acontecimentos, ou usufruir melhor os acontecimentos em virtude de uma sensação geral de bem-estar. Uma sensação alimenta a outra.

Scherpenzeel e Saris, 1996

 

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Se você não conseguir mudar seus objetivos, eles irão causar-Ihe

sofrimento

 

Muitas pessoas que não conseguem alcançar seus objetivos se afogam na decepção. Isto acontece porque elas se fixam num objetivo determinado em um momento específico. Mas tanto a vida quanto nós mesmos vamos mudando, e o que era fundamental numa época pode deixar de ser mais adiante. Por isso é preciso deixar que seus objetivos evoluam juntamente com as circunstâncias de sua vida. Avalie o que mudou em suas prioridades e recursos e volte a definir seus objetivos, sabendo que, em outro contexto, poderão sofrer novas mudanças.

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Os psicólogos da Universidade de Michigan descobriram fortes evidências de que, embora os objetivos sejam importantes, podem também causar sofrimento e frustração se não formos flexíveis. Aqui está uma história típica.

Quando se casou, aos vinte anos, Jimmy prometeu à sua esposa que antes de fazer vinte e quatro anos eles seriam proprietários de uma casa. O casal vivia em um apartamento modesto, porém confortável. Jimmy poupava o quanto podia, mas seu salário parecia sempre insuficiente. Pegou então um empréstimo com seus pais, conseguiu uma hipoteca, comprou a casa prometida e mudou-se com a esposa.

As prestações, contudo, eram altas demais, e Jimmy precisou conseguir um segundo emprego. Ainda assim, não foi suficiente, e Jimmy partiu para um terceiro emprego noturno.

Ele acabou ficando doente de tanto trabalhar e com o tempo começou a ressentir-se da casa e da esposa a quem ele a havia prometido.

Em vez de levar uma vida satisfatória e de continuar poupando para comprar uma casa algum dia, Jimmy forçou o processo para manter uma meta estabelecida aos vinte anos. Em vez de colocar seu objetivo na felicidade, construída a partir de suas possibilidades reais, ele o identificou rigidamente com a casa prometida. O objetivo passou a mandar nele e quase arruinou sua vida.

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Se os objetivos de uma pessoa não forem coerentes com suas capacidades e possibilidades, eles irão gerar frustração e descontentamento, quadruplicando a probabilidade de insatisfação.

Pavot, Fujita e Diener, 1997

 

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Não superproteja

 

Ninguém quer que suas pessoas queridas sofram qualquer mal, mas é preciso deixá-las viver suas vidas e passar por suas experiências. Ficar o tempo todo se preocupando e tentando impedir que façam aquilo que desejam é um risco: aqueles que protegemos não desenvolverão seus próprios recursos e mecanismos de defesa, não crescerão aprendendo com as experiências, e nós ficaremos incessantemente preocupados.

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Na rua onde moro vivem duas famílias com crianças pequenas. O comportamento de cada uma em relação aos filhos ilustra bem o que quero falar sobre superproteção. Na primeira, as crianças são cuidadas, protegidas de perigos, mas têm espaço para criar seus próprios jogos, inventar suas brincadeiras, convidar os amiguinhos de escola, às vezes ir dormir na casa de algum deles. São crianças alegres, soltas, comunicativas, capazes de achar graça nas pequenas diversões. Se acontece algum problema, o pai conversa com os filhos, procurando fazê-los entender o que aconteceu e, se for preciso, colocando limites.

Na segunda, as crianças são sufocadas pela superproteção: seus horários são absolutamente preenchidos pelos pais com aulas de todo tipo, não são deixadas sozinhas em nenhum momento, não podem freqüentar a piscina dos vizinhos, as roupas que usam em qualquer ocasião são escolhidas pela mãe e em hipótese alguma dormem fora de casa. São fechadas, desconfiadas, e eu as vejo olhando as brincadeiras das outras com visível desejo de participar, mas sem ter coragem ou permissão para fazê-lo.

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Pesquisas realizadas com milhares de pais e mães mostraram um menor nível de felicidade nos que tinham um comportamento superprotetor. A energia e o tempo gastos por causa das preocupações os tiravam de outras atividades prazerosas e causavam um nível mais alto de estresse, além de prejudicar seus filhos.

Voydanoff e Donnelly, 1998

 

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Visite seus vizinhos

 

Já não vivemos na época em que as pessoas conheciam todos os seus vizinhos e os consideravam seus amigos. Um número assustador de pessoas nunca conversou com seus vizinhos, e alguns sequer os reconheceriam em meio a um grupo. Apresente-se a seus vizinhos ou convide-os para tomar um café. Os vizinhos não são apenas uma grande fonte potencial de amizades e trocas. A proximidade de sua presença pode nos trazer conforto e segurança.

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Ann e Gerald mudaram-se em novembro para um condomínio onde as casas ficavam bastante próximas. Perto do Natal, convidaram todos' os vizinhos para um lanche de confraternização. Os que compareceram manifestaram uma grande alegria com o encontro. Disseram que, apesar de morarem naquele local há muitos anos, era a primeira vez que alguém tomava aquela iniciativa. Depois do lanche, Gerald pediu que cada um dissesse brevemente para os outros algo que considerasse importante a respeito de si. Foi o início de uma feliz convivência e de uma generosa troca de serviços. Os pequenos conflitos inevitáveis num condomínio passaram a ser administrados com maior facilidade e a vida tornou-se mais agradável para todos.

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Uma maior interação na comunidade pode aumentar a felicidade em quase trinta por cento.

Sugarman, 1997