Para que serve a psicanálise?
As condições preliminares de uma psicanálise
Como vimos acima, nem mesmo a evidência de fatores psíquicos atuando na produção de sintomas, ainda que agregue um pedido de ajuda nessa direção, é suficiente para resultar num processo psicanalítico. O deslanchamento do dito processo vai depender de uma retificação que o sujeito faz de sua própria posição queixosa. Essa retificação o introduz no trabalho sobre o Inconsciente, através do desejo de empreender tal trabalho. Sem isso, nada feito.
Certa vez uma moça veio me procurar, encaminhada por seu médico, por causa de uma “alergia” que a deixava coberta de placas vermelhas na pele todas as vezes que via um certo vizinho. Ela chega com sua mãe e pede que a mesma entre junto no consultório. Recebo as duas, já que tenho por princípio sempre acolher o sujeito como ele estiver podendo chegar, até que se configure, ou não, a possibilidade de um trabalho a ser feito. Quando pergunto à moça se ela tem alguma idéia do que pode estar acontecendo, ela, que se diz umbandista, alega um “trabalho de macumba” feito por esse homem para prejudicá-la. Sua mãe concorda com esta versão. Tento avaliar se há alguma vacilação nessa explicação, por onde ela pudesse pensar para além dessa certeza, algo que não apenas responsabilizasse o vizinho, o “de fora”, mas implicasse ela mesma, porém foi inútil. Ainda assim ela, na ocasião, diz querer voltar ao consultório, diz estar sofrendo muito com isso, e ter sido bom falar.
Na semana seguinte, ela volta com a mãe. E, novamente, pede que a mãe entre junto com ela na sala. No momento em que a percebi um pouco mais à vontade, indaguei acerca da presença de sua mãe e lhe perguntei se gostaria de me falar sozinha. Ela disse que a mãe a acompanhava em tudo e que isso era ótimo, não lhe trazia o menor problema. Problema era o vizinho macumbeiro, que ela não entendia por que queria prejudicá-la. Pedi que me falasse disso e ela disse não ter idéia, apenas raiva. Pergunto se haveria algo nela que daria margem a esse vizinho para afetá-la. Ela responde não ter nada a ver com isso, que o trabalho dele é que era forte. Embora eu não visse ainda nenhuma brecha pela qual, da função de analista, eu pudesse ajudá-la, (não pelo conteúdo do que ela trouxe, mas pela forma fechada como colocava sua questão, ou sua falta de questionamento), ela novamente afirma querer retornar.
Na terceira sessão, novamente com a mãe, ela chega radiante. Diz ter vindo para me dizer que seu problema está solucionado porque ela encontrou uma forma de cortar o “trabalho do macumbeiro”. Descobriu que bastava tomar um banho de leite que as placas sumiam, e que sua mãe se incumbia de ajudá-la nisso. As duas me agradecem muito por tê-las escutado, e mãe e filha vão embora, felizes da vida.
Esse caso serve para percebermos que um pedido de ajuda não é, necessariamente, um pedido de análise. Daí a importância do que Freud propôs chamar entrevistas iniciais e Lacan, entrevistas preliminares. É preciso um tempo inicial para que se possa avaliar, tanto por parte de quem pede quanto por parte do analista, se há um trabalho possível a ser feito ali, se é o momento de empreendê-lo, e se tanto o analista quanto o candidato à análise estão dispostos.
Tanto em seus seminários quanto em seus escritos sobre a psicose, Lacan alerta sobre os riscos de se tomar em análise psicóticos que não tenham ainda deslanchado um surto. Certas intervenções, certos questionamentos do analista podem provocar o desencadeamento de uma psicose que até então não tinha se manifestado. É óbvio que isso não é desejável: o que chamamos de surto psicótico é uma crise que mobiliza uma angústia tal, uma avalanche de vivências tão terrivelmente dolorosas, que é melhor serem evitadas. Daí a importância de se agir com cautela. Caso se perceba que uma análise pode vir a dar início a um surto psicótico, é melhor não indicá-la. Isso é diferente para uma psicose já desencadeada. Aí nos resta tratá-la, se houver demanda para isso.
Aliás, a questão do diagnóstico em psicanálise tem um caráter muito particular. É verdade que a psicanálise toma de empréstimo termos utilizados na psiquiatria. Neurose, histeria, psicose etc, não foram palavras inventadas por Freud. Entretanto, tais termos ganham na psicanálise um novo sentido. Primeiro, o diagnóstico, seja ele qual for, não é senão uma hipótese que orienta nosso trabalho e não define uma doença, mas sim revela uma modalidade de defesa privilegiada pelo sujeito. Para fazer essa avaliação, é preciso que o analista pressuponha que o modo particular como o sujeito dirige-se a ele, o modo como ele o investe dentro do campo das pessoas com quem estabelece laços importantes — o que chamamos em psicanálise de transferência — denota a posição que o sujeito ocupa frente ao Outro, ou seja, frente àquilo que o referenda como sujeito e o defende de não saber quem ele é. Só pela observação do comportamento, antes que esse investimento esteja estabelecido, não há como fazer avaliação alguma.
Nos primórdios de nossas vidas, nos constituirmos como sujeitos é uma forma de nos defendermos de não sermos nada. No que um delineamento é traçado, isso implica confrontação com limites, confrontação com uma lei, que muito antes de ter suas traduções no campo social é inerente à própria delimitação do sujeito. Tal lei é tão necessária quanto dolorosa. Freud propôs designá-la lei da castração.
A questão de que aqui se trata não é propriamente o medo ou a angústia de uma mutilação física, mas, antes disso, a referência ao falo. Ou seja, referência a algo que vem simbolizar para nós a plena potência vital, a ausência de limites. Desde a Grécia Antiga, o falo é representado por um pênis ereto, dada a particularidade de, na comparação dos corpos, a proeminência do pênis indicar um “a mais” que se presta para ser investido imaginariamente como indicativo de poder ou de plenitude.
O que Freud designa como lei da castração é a confrontação que cada um de nós faz com o fato de nós, homens e mulheres, não termos essa plenitude creditada a esse símbolo. Os homens têm o seu representante, o pênis. Mas não têm o falo, a plena potência vital. Creditamos um gozo supremo à suposta posse dessa plena potência vital, porém só acedemos a esse gozo parcialmente. Nossa satisfação é sempre parcial. O que, afinal, não é ruim, já que a satisfação que falta é elemento motriz para novas buscas.
A maneira pela qual a lei da castração intervém virá configurar o modo privilegiado de defesa que atuou no processo de subjetivação. Baseado em Freud, sobretudo nos textos sobre as Psiconeuroses de defesa, Lacan propõe delimitarmos três formas privilegiadas de modalidades defensivas: neurose, psicose e perversão. Tais seriam as três maneiras de um sujeito colocar-se frente à lei da castração.
Muito sumariamente, poderíamos dizer que um neurótico é aquele que sofre com a lei. Exige a si mesmo não a perder de vista, ainda que sonhe com uma forma de burlá-la, e, quem sabe, arranjar um jeito de ver-se pleno. Um psicótico a burla, ou seja, não se apercebe dos limites — não porque o queira, mas por contingências operantes em seu processo de tornar-se um sujeito. Isso é o que permite inclusive que, no Direito, se diga que um psicótico é inimputável, ou seja, não pode responder juridicamente por seus atos transgressivos. Já com o perverso, a coisa é bem diferente. Ele não desconhece a lei, muito pelo contrário, a conhece muito bem, porém não quer saber dela. Não quer saber de limite algum, quer justamente gozar com a transgressão do limite, e, nesse sentido, é o oposto do neurótico que sofre quando acontece de transgredi-la.
A suposição diagnóstica levantada pelo analista nas entrevistas preliminares será fundamental para que ele possa avaliar suas possibilidades de intervenção. Quanto às estratégias de tratamento, será ainda necessário que ele averigue as possibilidades do que chamamos “histericização” do sujeito. O que significa, para além de outras questões que não cabem ser abordadas agora, a possibilidade de o sujeito engajar-se na transferência com o analista para que, através do manejo dessa transferência — que implica tanto o crédito dado ao saber inconsciente suposto ao analista quanto o amor que dele é efeito —, sejam traçados os rumos da direção do tratamento.
Mencionei o amor implicado na transferência, mas que não se entenda disso que a psicanálise visa tornar as pessoas dependentes e infantilizadas!… A questão é outra. Dependentes somos todos nós, em última instância. O amor transferencial é um modo de trazer à luz essa dependência exatamente para investigar seus pontos de fixação e promover, neles, eu diria, uma certa “ventilação”. A transferência na análise presta-se a ser analisada, não insuflada. Se um analista faz isso, certamente não está agindo analiticamente. Exatamente por isso um analista deve abster-se de sugerir, o que não significa recusar-se a assumir a responsabilidade de intervir, indicando a direção visada pelo trabalho analítico.
O “ensaio de análise”, maneira pela qual Freud propõe designar esse período inicial do trabalho, serve ainda para que se evite a dimensão de equívoco presente no fato de se confundir a freqüência ao consultório de um analista com uma análise propriamente dita. Isso evita que se pense que uma psicanálise fracassou quando, na verdade, ela nem começou.
Obviamente, a psicanálise não se propõe a dar conta de todo tipo de sofrimento, por mais que esse sofrimento pareça perfeitamente passível de ser abordado analiticamente. É preciso, antes de tudo, que apareça alguma possibilidade de o sujeito escutar algo dele mesmo, no próprio ato de se queixar. É preciso que o sujeito se situe no que está falando e, no mínimo, se intrigue com o seu posicionamento. A função do analista é fundamental nesse processo. Fomentar no sujeito esse trabalho de investigação, de escuta da própria fala, de intriga quanto a si mesmo, é efeito do desejo que coloca um analista em ação. Se ele vai ter ou não sucesso em seus esforços vai depender da situação, mas a parte dele ele tem que fazer.
Acontece também de o sujeito que chegou se queixando do mundo, dos seus insucessos, começar rapidamente a perceber que ele tem a ver com isso. Que suas atitudes, seu modo de se colocar, implicam certas manifestações que, ainda que ele não tenha consciência delas, promovem a situação da qual ele se queixa. Aperceber-se disso tanto pode provocar no sujeito uma vontade de investigar que motivações são essas que o conduzem malgrado a sua vontade, quanto fazer com que ele não queira mexer nisso e interrompa o processo aí, buscando, às vezes, um recurso apaziguador, algo que não solicite dele trabalho pessoal algum.
Subvertendo as regras correntes, numa análise o sujeito paga para trabalhar. O trabalho do analista vem na pista do trabalho do sujeito. Não é à toa que a palavra paciente não é designativo da pessoa que está em análise: Freud propôs o termo analisando, e Lacan, analisante, para sublinhar ainda mais a dimensão ativa e dinâmica dessa empreitada.
Para efeito de figuração, tomando os conhecidos personagens de Dom Quixote e Sancho Pança, costumo dizer que o analisando é o primeiro, e o analista o segundo. Este último é pago sobretudo para abster-se de suas opiniões, vaidades, conceitos e pré-conceitos, enfim para emprestar-se como veículo para que o sujeito que interessa, ou seja, o analisando, nosso Dom Quixote, explore suas possibilidades de existir e apreenda algo do desejo que o move. O analista é responsável por dirigir o trabalho para que ele vá nessa direção.
Não cabe ao analista intrometer-se, dar sugestões, idéias, fazer avaliações. Freud afastou-se do método da hipnose nos primórdios de sua clínica, exatamente por evitar valer-se da sugestão, que tem sempre um poder hipnótico, considerando que fere a dignidade humana, submetendo uma pessoa às injunções da outra. Pelo fato de sermos vulneráveis à sugestão, e pelo poder de atração que ela comporta, um analista deve acautelar-se ao máximo em explorar essa via de trabalho.
Como a formação de um psicanalista passa por fundamentos que são muito mais éticos do que regulamentares; como é mesmo impossível normatizar o que se passa na clínica, dadas a singularidade e a complexidade desse método de intervenção, cabe ficarmos atentos. Recentemente assistimos perplexos aos esforços de um grupo de religiosos evangélicos que se dirigiu ao Congresso Nacional visando regulamentar a psicanálise em uma estranha associação com a religião. Nada contra a religião; a questão é que cada coisa tem seu lugar e sua pertinência.
A difusão da psicanálise trouxe, ao lado de uma certa socialização desse saber, um desvirtuamento desastroso dos fundamentos que são a base de sua eficácia no tratamento do sofrimento psíquico. Assim que comecei a me deslocar do Rio para trabalhar também no interior de Minas Gerais, me surpreendi quando vi um cartaz que, anunciando um evento intitulado Semana de Psicanálise, e que seria coordenado pelo presidente do sindicato dos psicanalistas de São Paulo e apoiado por autoridades da cidade, oferecia sessões de “psico-power” (sabe-se lá o que era isso!).
Meu estranhamento, além de tal oferta de sessões de “psico-power”, veio também do fato de que, não sendo a psicanálise regulamentada como profissão, não pode ter sindicato, e muito menos presidente de sindicato. Resolvi, então, escrever um artigo para o jornal da cidade questionando o título do evento; frente ao que os organizadores, quando inquiridos pela jornalista, responderam que só tinham posto aquele nome porque a psicanálise chamava a atenção, atraía as pessoas. Eis aí um dos efeitos da nefasta difusão da psicanálise. Em seu nome, se propõe de tudo e mais um pouco…
O que fundamenta uma psicanálise não é uma relação dual. Ela não serve à confrontação de duas pessoas que trocam opiniões, “figurinhas”, como se costuma dizer. Trata-se de um trabalho que tem funções específicas para o analisando e para o analista. Por mais que, obviamente, o analista esteja encarnado na pessoa que ele é, por mais que ele possa sentir todas as coisas que qualquer um sente, ele não está ali para atuar suas pessoalidades, mas sim para tentar até mesmo valer-se disso para averiguar a emergência do sujeito do inconsciente que se trata de investigar.
Comentei, anteriormente, dois momentos fundamentais preliminares à entrada no processo de uma psicanálise que podem ser designados como pedido de ajuda e pedido de análise. Neste último, já aparece não apenas a queixa acerca do sintoma mas também uma vontade de querer saber o que se tem a ver com isso. Aparece aí o pedido de analisar sua própria queixa. Porém, para que um processo analítico comece realmente, é preciso ainda um outro passo. É preciso que, para além do pedido de análise, compareça o desejo de análise. Ou seja, é preciso que o sujeito efetivamente se decida por empreender esse trabalho, apesar dos riscos que uma análise comporta. Pode ser que, diante disso, o sujeito que havia feito um pedido de análise, na hora de empreendê-la de fato, recue.
Sabemos que um sintoma — seja ele insônia, gagueira, fobia ou o que for —, por mais danos que traga, não está ali à toa. Sendo, até então, a melhor solução que o sujeito encontrou diante de um conflito, ele é melhor do que aquilo que veio, de certa forma, encobrir. A grande novidade de Freud foi tratar o sintoma não como um defeito ou degeneração, mas como uma via de expressão do sujeito. Expressão de algo que certamente não é fácil de ser expresso, senão o sujeito o faria diretamente. Freud percebeu que o sintoma constitui-se como uma defesa frente a algo intolerável psiquicamente. Em termos sumários, um conflito entre o desejo que move o sujeito e aquilo que o censura. O sintoma é, portanto, em si mesmo o efeito de um paradoxo. É um compromisso com o desejo que nos anima, é expressão desse desejo e, ao mesmo tempo, é a marca de seu recalcamento.
Lembro-me aqui de um outro caso bastante elucidativo da implicação do desejo no sintoma. Fui procurada certa vez por uma moça que pedia tratamento para sua filha de três anos que estava ficando “careca”. O diagnóstico de alopécia, doença que promove a queda dos cabelos, tinha sido dado pelo pediatra, que observou que o problema surgiu logo após o nascimento da irmãzinha da menina, e sugeriu então que ela viesse me ver.
Depois de um longo período de entrevistas com a mãe, dado que era dela que partia a demanda — e nos cabe sempre, antes de qualquer coisa, avaliar a demanda —, a menina, que sabia de nossas sessões, pede para vir me ver. Ela mesma faz sua demanda. Quando chega, entretanto, não quer entrar no consultório sozinha comigo e pede que a mãe nos acompanhe. A menina, então, busca uma folha de papel, desenha um círculo e me mostra. Pergunto o que é, ela diz: “É você.” Indago como eu estou. E ela: “Você está careca.” Pergunto: “Por quê?” Ao que ela responde: “A sua cabeça está maluca. Você está pensando que está virando homem.” A mãe, que assiste à cena, se espanta e me diz: “Eu passei a gravidez inteira preparando-a para ter um irmãozinho; será que ela acha que eu queria um filho homem?” E assim começou o trabalho com essa menina que, durante muito tempo, não poupava esforços na tentativa de responder ao desejo desse Outro que para ela era o mais valioso do mundo — a mãe.
A posição conflitante do desejo mostra-se aí evidente. Tornar-se careca, por pior que isso fosse, por mais “maluco” que parecesse, era para essa menina a estratégia de fazer-se o filho homem que a mãe desejou e não teve. Era sua forma de ocupar esse lugar que estava vago no desejo materno. Era a maneira de tentar garantir-se, buscando sanar a insatisfação que percebeu na mãe. Por isso, por mais que o sintoma trouxesse incômodo e mal-estar, ele apresentava-se também como fonte de satisfação. Era via de solução.
Ocorre-me ainda um outro caso, no qual a transparência dessa relação do sintoma com o desejo é, também, surpreendente. (Aliás, a clínica psicanalítica constitui-se disso.) Refiro-me a uma moça que vem me procurar queixando-se de um portentoso medo de morrer que a acometia em inúmeras situações. Chamava a isso “síndrome do pânico”. Buscando investigar que medo era esse, saber do porquê do medo de morrer e não de outra coisa, ela, tentando me dizer que a questão da morte era central em sua vida, já que havia perdido muitas pessoas, inclusive o pai, na mais tenra infância, faz o seguinte ato falho: “Foi assim, quando eu morri, meu pai nasceu.”
Espanta-se com o que disse, e eu corto a sessão nesse ponto, como uma estratégia para mantê-la em aberto, dando-lhe tempo para trabalhar sobre o que emergiu nela, e na sessão seguinte ela vem intrigada justamente com o que havia falado “sem querer” e que tinha ficado valorizado, justamente, por eu ter interrompido a sessão nessa hora. Quer saber da função desse sintoma de se ver morrendo reiteradamente. Muito trabalho se passa até que se surpreende ao dar-se conta de que a atualização da morte era sua via de vivificar o pai, torná-lo próximo, de alguma forma vivo, e conjugar a isso esperanças de salvação — já que creditava à morte do pai a fonte de todos os seus males.
A clínica psicanalítica não é senão a clínica do desejo e seus impasses. Deparamo-nos todo o tempo com as inúmeras estratégias do desejo que insiste em apelar à satisfação, sem nunca obtê-la plenamente. Mas que estranho desejo será esse? Pelo visto, não se trata de uma vontade qualquer.
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