Relíquias de Casa Velha

Machado de Assis · Capítulo 32 de 46

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Relíquias de Casa Velha

Scena Xiv

D. LEOCADIA

Um vigario? Para que?

CAVALCANTE

Não posso dizer.

D. LEOCADIA, a Carlota

Deixa-nos sós, Carlota; o doutor quer fazer-me uma confidencia.

CAVALCANTE

Não, não, ao contrario... D. Carlota póde ficar. O que eu quero dizer é que um vigario basta para casar.

D. LEOCADIA

Casar a quem?

CAVALCANTE

Não é já, falta-me ainda a noiva.

D. LEOCADIA

Mas quem é que me está falando?

CAVALCANTE

Sou eu, D. Leocadia.

D. LEOCADIA

O senhor! o senhor! o senhor!

CAVALCANTE

Eu mesmo. Pedi licença a alguem...

D. LEOCADIA

Para casar?

 

SCENA XIV

 

O , MAGALHÃES, D. LEOCADIA

MAGALHÃES

Consentiu, titia?

D. LEOCADIA

Em reduzir a China a um anno? Mas elle agora quer a vida inteira.

MAGALHÃES

Estás doudo?

D. LEOCADIA

Sim, a vida inteira, mas é para casar. (D. Carlota fala baixo a D. Adelaide) Você entende, Magalhães?

CAVALCANTE

Eu, que devia entender, não entendo.

D. ADELAIDE, que ouviu D. Carlota

Entendo eu. O Dr. Cavalcante contou as suas tristezas a Carlota, e Carlota, meia curada do seu proprio mal, expoz sem querer o que tinha sentido. Entenderam-se e casam-se.

D. LEOCADIA, a Carlota

Devéras? (D. Carlota baixa os olhos) Bem; como é para saude dos dous, concedo; são mais duas curas!

MAGALHÃES

Perdão; estas fizeram-se pela receita de um proverbio grego que está aqui neste livro (Abre o livro) «Não consultes medico; consulta alguem que tenha estado doente.»