Relíquias de Casa Velha

Machado de Assis · Capítulo 33 de 46

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Relíquias de Casa Velha

Licção de botanica

 

PESSOAS

 

D. HELENA

D. LEONOR

D. CECILIA

BARÃO SEGISMUNDO DE KERNOBERG

Logar da scena: Andarahy.

ACTO UNICO

 

Sala em casa de D. Leonor. Portas ao fundo, uma á direita do

espectador.

 

SCENA I

 

D. LEONOR, D. HELENA, D. CECILIA

D. Leonor entra, lendo uma carta. D. Helena e D. Cecilia entram do

fundo.

D. HELENA

Já de volta!

D. CECILIA, a D. Helena, depois de um silencio

Será alguma carta de namoro?

D. HELENA, baixo

Creança!

D. LEONOR

Não me explicarão isto?

D. HELENA

Que é?

D. LEONOR

Recebi ao descer do carro este bilhete. «Minha senhora. Permitta que o mais respeitoso vizinho lhe peça dez minutos de attenção. Vae n'isto um grande interesse da sciencia». Que tenho eu com a sciencia?

D. HELENA

Mas de quem é a carta?

D. LEONOR

Do Barão Segismundo de Kernoberg.

D. CECILIA

Ah! o tio de Henrique!

D. LEONOR

De Henrique! Que familiaridade é essa?

D. CECILIA

Titia, eu...

D. LEONOR

Eu quê?... Henrique!

D. HELENA

Foi uma maneira de falar na ausencia... Com que então o Sr. Barão Segismundo de Kernoberg pede-lhe dez minutos de attenção, em nome e por amor da sciencia. Da parte de um botanico é por força alguma egloga.

D. LEONOR

Seja o que fôr, não sei se deva receber um senhor a quem nunca vimos. Já o viram alguma vez?

D. CECILIA

Eu nunca.

D. HELENA

Nem eu.

D. LEONOR

Botanico e sueco: duas razões para ser gravemente aborrecido. Nada, não estou em casa.

D. CECILIA

Mas quem sabe, titia, se elle quer pedir-lhe... sim... um exame no nosso jardim?

D. LEONOR