Relíquias de Casa Velha

Machado de Assis · Capítulo 39 de 46

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Relíquias de Casa Velha

Scena Vii

D. LEONOR

Ouviste?

D. HELENA

Não comprehendo...

BARÃO

Uma paixão louca de meu sobrinho póde impedir que... Minhas senhoras, não desejo roubar-lhes mais tempo... Confio em V. Ex., minha senhora... Ser-lhe-hei eternamente grato. Minhas senhoras. (Faz uma grande cortezia e sae.)

 

SCENA VII

 

D. HELENA, D. LEONOR

D. LEONOR, rindo

Que urso!

D. HELENA

Realmente...

D. LEONOR

Perdôo-lhe em nome da sciencia. Fique com as suas hervas, e não nos aborreça mais, nem elle nem o sobrinho.

D. HELENA

Nem o sobrinho?

D. LEONOR

Nem o sobrinho, nem o creado, nem o cão, se o houver, nem cousa nenhuma que tenha relação com a sciencia. Enfada-te? Pelo que vejo, entre o Henrique e a Cecilia ha tal ou qual namoro?

D. HELENA

Se promette segredo... ha.

D. LEONOR

Pois acabe-se o namoro.

D. HELENA

Não é facil. O Henrique é um perfeito cavalheiro; ambos são dignos um do outro. Por que razão impediremos que dous corações...

D. LEONOR

Não sei de corações, não hão de faltar casamentos a Cecilia.

D. HELENA

Certamente que não, mas os casamentos não se improvisam nem se projectam na cabeça; são actos do coração, que a egreja santifica. Tentemos uma cousa.

D. LEONOR

Que é?

D. HELENA

Reconciliemo-nos com o Barão.

D. LEONOR

Nada, nada.

D. HELENA

Pobre Cecilia!

D. LEONOR

É ter paciencia, sujeite-se ás circumstancias... (A D. Cecilia, que entra) Ouviste?

D. CECILIA

O quê, titia?

D. LEONOR

Helena te explicará tudo. (A D. Helena baixo) Tira-lhe todas as esperanças. (Indo-se) Que urso! que urso!