Sociedades Secretas: Illuminati
Capítulo 1 Obscura e com fama de impiedosa, a ordem secreta conhecida como Illuminati assombrou o imaginário popular desde seu surgimento oficial em 1776. E justamente por ter sido uma das mais misteriosas de que se tem notícia, é até hoje objeto de estudos acadêmicos e teses conspiratórias, que tei
Capítulo 1
Obscura e com fama de impiedosa, a ordem secreta conhecida como Illuminati assombrou o imaginário popular desde seu surgimento oficial em 1776. E justamente por ter sido uma das mais misteriosas de que se tem notícia, é até hoje objeto de estudos acadêmicos e teses conspiratórias, que teimam em afirmar que havia muito mais no grupo do que os registros históricos apresentam.
Os leitores conhecem essa sociedade secreta mais por sua presença em jogos de RPG (Role-Playing Game, ou Jogo de Interpretação de Personagens) ou a extensão de mesmo nome do GURPS (Generical Universal Role-Playing Game ou Sistema Genérico Universal de Jogos de Interpretação), e do primeiro romance de Dan Brown, Anjos e demônios, com o personagem Robert Langdon, anterior ao megasucesso O código da Vinci. Porém o nome Illuminati é bem mais antigo do que se possa imaginar. E vem de muito antes de 1776, quando surgiu sua vertente mais famosa.
O termo significa “os iluminados” e está grafado em latim. Assim, é quase previsível que a história tenha mantido registros de grupos não relacionados entre si e que também adotaram esse nome. Na maioria das vezes, eles o faziam porque organizavam agremiações e alegavam possuir textos gnósticos ou outras informações secretas que não podiam deixar que fossem conhecidas pelo público.
Vamos, agora, ver alguns desses grupos pioneiros.
Um deles atuou entre os séculos XIII e XIV, no norte da Europa, sob o nome oficial de Irmandade do Espírito Livre. Dizia-se antinomiano (ou seja, contrário às leis da ética que se opõem aos princípios do cristianismo) e individualista. Assumiram então a denominação de “iluminados”.
Esse grupo entrou em conflito com a Igreja Católica e foi declarado herético pelo papa Clemente V, o mesmo que dissolveu os Templários, no Concílio de Viena, realizado entre 1311 e 1312. Essa irmandade foi considerada similar a um grupo mais antigo, os amalricianos, que atuaram no século XIII e pregavam a chegada de uma Era do Espírito Santo, que sucederia a Era do Pai (os tempos patriarcais) e a do Filho (quando surgiu o cristianismo). Tiveram grande destaque em uma época em que a Europa passava por um turbilhão de acontecimentos históricos traumáticos, como o papado de Avignon (quando a sede da Igreja foi transferida de Roma), a propagação da Peste Negra e o surgimento de uma das heresias que mais se enraizaram naquele continente, o catarismo.
No século XV temos outro grupo que assumiu esse nome e afirmava categoricamente que a tal iluminação não vinha de uma fonte “autorizada e secreta”, mas sim do interior de cada indivíduo, sendo resultado de um estado alterado de consciência denominado iluminismo (é importante não confundir este com o movimento intelectual de mesmo nome que surgiu no fim do século XVII). Esse estado alterado era o resultado de um esclarecimento espiritual e psíquico.
Os próximos a usarem o nome, de acordo com o historiador espanhol Marcelino Menéndez y Pelayo, são conhecidos como alumbrados da Espanha. Pelayo afirma que encontrou o registro do nome oficial pela primeira vez em documentos datados de 1492 e do termo Illuminati em 1498. Porém, ele ligou esse grupo a uma origem gnóstica e deu a explicação que seus ensinamentos divulgados na Espanha originaram-se na Itália. Uma de suas líderes mais conhecidos foi Beata de Piedrahita, filha de um trabalhador de Salamanca, sua cidade natal. Ela chamou a atenção da Santa Inquisição em 1511 quando começou a afirmar que mantinha contato constante com Jesus e com a Virgem Maria. O historiador também conseguiu levantar que ela provavelmente só foi salva da fogueira por obra e graça de padrinhos poderosos.
E por que eles eram perseguidos? Não apenas por manterem supostos diálogos com os santos, mas por divulgarem seus ensinamentos que, obviamente, iam de encontro às noções pregadas pela Igreja Católica. Afirmavam que a salvação estava na bondade e na busca interior e praticavam a imobilidade do corpo e do espírito. O mais importante neste ponto é notar que esses conceitos são semelhantes aos preconizados pela meditação oriental, o que para os católicos da época era uma heresia. Os alumbrados também preferiam a recitação silenciosa da Bíblia em oposição à oral, e por isso eram acusados de ser protestantes.
Os alumbrados “iluminados” foram acusados ainda de terem influenciado até mesmo católicos como o fundador da Companhia de Jesus (em latim Societas Iesu, S. J.), o basco Íñigo López de Loyola, conhecido posteriormente como Santo Inácio de Loyola (1491-1556). Essa companhia era uma ordem religiosa da Igreja Católica fundada em 1534 por um grupo de estudantes da Universidade de Paris, liderados por Inácio de Loyola, e seus membros são os jesuítas.
Loyola teria mantido contato com os alumbrados quando era estudante em Salamanca, em 1527. Naquele ano foi levado perante a uma comissão eclesiástica que o acusou de simpatizar com os Illuminati da época. Embora tenha sido advertido, Loyola conseguiu escapar de uma punição mais severa, o que não ocorreu. Dois anos mais tarde, com um grupo de simpatizantes em Toledo, foi condenado à prisão e a chibatadas.
Logo a Igreja percebeu que tinha um adversário que poderia arrastar para suas hostes muitos dos religiosos atuantes. Dessa época em diante a Inquisição se dedicou a localizar, julgar e executar muitos dos alumbrados, especialmente na cidade de Córdoba.
Já na França, terra natal de muitas heresias condenadas pela Igreja, iremos encontrar, proveniente de Sevilha, Espanha, o movimento “iluminado” que chegou até a região da Picardia, no norte do país, por volta de 1623. Foi lá que Pierce Guérin, um pároco da cidade de Saint-Georges de Roye, inaugurou seu próprio grupo Illuminati em 1634. Seus seguidores, conhecidos como gurinets, foram perseguidos e dispersos no ano seguinte.
Cerca de um século mais tarde, surge uma versão mais obscura dos Illuminati franceses, dessa vez no sul da França, a mesma terra que acolheu abertamente os cátaros. O ano era 1722 e esses iluminados se autodenominavam Les Prophets de Cevennes (os profestas de Cevennes, nome este de uma cadeia de montanhas no centro-sul da França). Curiosamente, aqui já identificamos uma prática que se tornaria comum alguns anos mais tarde: enquanto um grupo não cresce e não se torna uma ordem independente, ele vive “encapsulado” dentro de outro movimento. Os “profetas iluminados” no caso eram um ramo do Camisards ou camisardos, nome pelo qual eram conhecidos os protestantes franceses calvinistas da época. O grupo parece ter estado em atividade até 1794. Uma curiosidade a respeito dos camisardos é o fato de alguns estudiosos afirmarem que o profeta Nostradamus pertencia a esse grupo. No entanto, não há provas que corroborem essa afirmação.
Rosa-cruzes e martinistas
A outros dois grupos foi atribuída a denominação Illuminati, ainda que em outro período: os rosa-cruzes e os martinistas. Os primeiros, como a maioria das pessoas sabe atualmente, tem seus primeiros registros históricos no ano de 1537, embora afirmem que sua origem remonta a 1422. Trata-se de uma sociedade secreta que combina ensinamentos de alquimia com elementos esotérico-religiosos. Para entender suas proposições, deve-se ler seus três manifestos clássicos, todos anônimos: o Fama Fraternitatis (forma abreviada de Fama fraternitatis Roseae Crucis oder Die Bruderschaft des Ordens der Rosenkreuzer) de 1614; o Confessio Fraternitatis (ou Confessio oder Bekenntnis der Societät und Bruderschaft Rosenkreuz), de 1615; e O Casamento Alquímico de Christian Rosenkreutz (ou de Chymische Hochzeit Christiani Rosencreutz anno 1459), de 1616.
Os rosa-cruzes afirmavam, entre outras coisas, ser herdeiros dos Cavaleiros Templários, e possuem um estágio de plenitude que é alcançado depois de anos de estudo e análise de materiais contidos em livros e documentos. Alguns ramos da Rosa-Cruz, como a famosa AMORC (Antiga e Mística Ordem Rosa-Cruz) têm o grau Illuminati em sua hierarquia. Para Ralph Maxwell Lewis, segundo imperator para o segundo Ciclo Iniciático da Ordem Rosa-Cruz (AMORC), no texto chamado “A Verdade Sobre os Illuminati”, publicado na revista O Rosa-Cruz de outubro de 1981, afirma que o termo é empregado para identificar os membros mais esclarecidos, mas também deve “ser entendido tanto no sentido intelectual como no de um fenômeno físico”.
Segundo o artigo, os “iluminados” mais conhecidos contariam com nomes históricos como Esclarmonde de Foix, Hildegarde de Bingen, Leonardo Da Vinci, Giordano Bruno, Louis-Claude de Saint-Martin, Helena Petrovna Blavatsky, Harvey Spencer Lewis, Rudolf Steiner, Jeanne Guesdon, Max Heindel, Mohandas Karamchand Gandhi, o papa João XXIII e Raymond Bernard. E o imperator acrescenta:
“Os Illuminati tinham de demonstrar mais do que o domínio intelectual dos ensinamentos da Ordem mística ou metafísica de que eram membros. Seu caráter, do ponto de vista moral, também tinha de ser da mais alta qualidade. Estas qualificações constituem a característica original associada à palavra Illuminati e ao grau deste nome na Ordem Rosacruz (AMORC) Portanto, imaginar que um Illuminatus (singular de Illuminati) use em benefício próprio (ou de um grupo qualquer) os conhecimentos que adquiriu em decorrência de sua afiliação sincera a uma Ordem Mística é o que não pode ser imaginado. Um Illuminatus jamais (portanto, sob nenhuma alegação) usa o que aprendeu para obter qualquer tipo de vantagem pessoal ou para favorecer quem quer que seja. Eram e são livres-pensadores que trabalham exclusivamente para o bem da Humanidade e pela paz na Terra, e por isso no século XVI foram suprimidos na Espanha pela Inquisição Católica Romana, que nunca esteve interessada nem em uma coisa nem em outra”.
Conclusão: os verdadeiros Illuminati são aqueles que trabalham em segredo pelo bem-estar da raça humana, nunca pensando em outra cosia além disso. Para o Imperator, a figura do Illuminatus que quer conquistar o mundo não poderia estar mais equivocada.
Por último falemos um pouco sobre os martinistas. Ainda há muita confusão quando se pronuncia esse nome, já que poucos são os que se consideram martinistas “puros”. Os seguidores dessa corrente de pensamento são aqueles que adotam os princípios estabelecidos por duas personagens históricas importantes: Martinez de Pasqually (1727-1779), um maçom francês que fundou uma ordem não-maçônica (mas ironicamente composta apenas por maçons) chamada Ordem dos Cavaleiros Elus Cohen do Universo ou Ordem dos Cavaleiros Maçons, Sacerdotes Eleitos do Universo; e Louis Claude de Saint-Martin (1743-1803), pensador e ocultista francês. Há uma grande diferença entre essas duas escolas: a de Martinez restringiu-se à Teurgia (forma de magia ritual que incorpora a força divina em um objeto material, como uma estátua ou um ser humano), ao passo que a de Saint-Martin adotou o caminho místico, típico dos diversos grupos e ordens esotéricas.
Mas que relação os martinistas teriam com os Illuminati? Bem, o título foi atribuído aos seguidores de Martinez, em 1754, e também a seus imitadores, os martinistas russos, liderados pelo professor Schwartz, de Moscou, em 1790. Ambos os grupos eram considerados seguidores da cabala ocultista e influenciados pelos trabalhos do filósofo alemão Jakob Boehme (1575-1624) e do cientista e místico cristão Emanuel Swedenborg (1688-1772). Boheme relatava em prosa as suas visões celestiais e acreditava que a vida era um processo de alquimia, ao passo que Swedenborg era um especialista no Livro do Apocalipse, o qual acreditava ser “o prenúncio e um catálogo de toda as catástrofes”.
Os Illuminati da Baviera
Quem acompanha os livros e mesmo os filmes sobre sociedades secretas, com certeza irá deparar com referências diversas sobre os Illuminati que, para quem não os conhece, pouco ou nada tem a ver com os grupos descritos acima. Isso porque o padrão utilizado pelos roteiristas, é mesmo o grupo que ficou mais conhecido sob esse nome, que hoje é chamado Os Illuminati (ou Os Iluminados) da Baviera.
A polêmica começa na própria redação deste texto. Verifiquei que é quase impossível estabelecer uma data padrão para o surgimento da ramificação bávara. Um livro afirma que começou em 1771, outro, em 1776, e um terceiro, em 1777. Mas parece ser consenso que o início de suas atividades ocorreu por volta de 1776.
Seja como for, todas as fontes concordam em indicar a data de 1º de maio como data do início das atividades do grupo. Seu mentor era o misterioso Adam Weishaupt (1748-1830), um maçom de ascendência judia que recebeu educação católica tipicamente jesuíta. Essa foi uma mescla que deu ao fundador Illuminatus grande amplitude de pensamento e aglutinação de opiniões diferentes. O autor A. Tenório de Albuquerque comenta em sua obra Sociedades Secretas, de 1970:
“Adam Weishaupt estudou com os jesuítas, ‘segundo um de seus biógrafos, era um homem ilustrado e zeloso, que se desvelava pelo bem-estar da sociedade e, por isso justamente, conquistou a malquerença dos discípulos de Loyola que, depois da supressão da Companhia (1773), tratavam de conseguir que cátedras de todos os grandes centros se ensino fossem ocupadas por pessoas suas, inutilizando e afastando delas os que não compartilhassem dos seus objetivos. Weishaupt, que não ignorava essas circunstâncias e o rumo que iam tomando as coisas, porque conhecia perfeitamente os princípios que sustentavam e os processos de que se valiam os seus adversários, pôs-se em guarda desde o primeiro momento e fez arras de sua posição de catedrático e da reputação que havia adquirido para poder formar poderoso partido a fim de desfazer os ocultos trabalhos dos estatutos dos soldados de Loyola’”.
Por esse trecho é possível notar o quanto Weishaupt foi polêmico desde o início. Suas relações com os demais acadêmicos sempre foram polêmicas e cheias de tensão desde o começo, o que levou seus biógrafos a caracterizarem-no como um homem cheio de segredos e mistérios.
Weishaupt se formou em Direito pela Universidade de Ingolstadt, onde passou a exercer a profissão de professor-titular de Direito Canônico, além de ser decano da Faculdade de Direto. Foi durante seus estudos, pouco antes da graduação, que obteve os conhecimentos necessários a respeito de antigos rituais e religiões pagãs. Duas linhas de pensamento chamaram sua atenção: os Mistérios de Elêusis (os ritos de iniciação ao culto das deusas agrícolas Demeter e Perséfone, celebrados em Elêusis, próxima a Atenas) e os ensinamentos do filósofo e matemático grego Pitágoras (570/571-496/497 a.C.).
Albuquerque acrescenta a esses dados o fato de que Weishaupt também foi um estudioso do maniqueísmo, filosofia dualista ensinada pelo profeta persa Mani, fundador dessa religião. O autor afirma que ele negava a legitimidade política e religiosa vigente e julgava que o melhor método para alcançar resultados era “cercar os príncipes de pessoas idôneas, capazes de dirigi-los com seus sábios conselhos, induzindo-os a confiar o exercício da autoridade em mãos de homens de provada pureza e retidão”.
Assim, com essas ideias em mente, ele começou a esboçar uma sociedade que tinha em seus ideais os conceitos do paganismo e da tradição dos mistérios ocultos. Só após ter sido iniciado na Maçonaria (assunto de que trataremos no próximo capítulo) é que ele encontrou o ambiente propício para iniciar sua própria sociedade secreta. E foi assim que tudo começou.
Seu grupo teve como nome inicial Sociedade dos Mais Perfeitos. Weishaupt tinha um colaborador importante, o barão Adolph von Knigge (1752-1796), membro da baixa nobreza da Bavária. O nome do grupo logo mudaria para Antigos e Iluminados Profetas da Baviera, embora fosse conhecido informalmente como os Illuminati.
Essa sociedade não foi muito bem-vista em uma Bavária cujo o conservadorismo predominava e em uma época dominda quase totalmente pela Igreja Católica e pela aristocracia local. Dentro da ordem, seu principal fundador adotou o codinome Spartacus, forma latina do nome Espártaco, imortalizado no filme homônimo do diretor Oliver Stone, de 1960, que retrata a história do escravo trácio que liderou uma rebelião contra o governo de Roma.
Embora os Illuminati não fossem democráticos por si mesmos, sua missão era estabelecer uma Nova Ordem Mundial, que seria representada pelo conceito da abolição de todos os governos monárquicos e de todas as religiões. Ele teria escrito que, para atingir seu objetivo, tudo deveria ser utilizado. “Os fins justificam os meios”, teriam sido suas palavras, razão pela qual a maioria dos autores prefere colocar os Illuminati no papel de vilões.
No início os Illuminati estavam divididos em três classes, que, por sua vez, se subdividiam em treze graus. A primeira classe era denominada Formação (ou Berçário) e compreendia os graus Preparatório, Novicio Minerval, Iluminado (ou Illuminatus) Menor e Iluminado (ou Illuminatus) Maior.
A segunda classe, denominada Maçonaria, era composta por duas partes: a Simbólica, com os três graus maçônicos padrão Aprendiz, Companheiro e Mestre; e a Escocesa, com os graus Iluminado Maior e Iluminado Dirigente, também chamado de Cavaleiro Escocês.
Por fim havia a terceira classe, denominada Mistérios, também subdividida em dois grupos: o primeiro, Mistérios Menores, tinha os graus Epopt ou Sacerdote Iluminado (ou Illuminatus) e Regente ou Príncipe Iluminado (ou Illuminatus); o segundo, Mistérios Maiores, trazia os graus Mago e Aei.
Conforme os adeptos ascendiam na hierarquia, inteiravam-se dos verdadeiros objetivos da sociedade. A classe Mistérios incluía os estudos filosóficos segundo as concepções originais de Weishaupt.
Para se tornar um noviço a idade mínima requerida era de dezoito anos. O iniciado entraria com a indicação de alguém de confiança da Ordem e passaria a receber suas primeiras instruções. Para ter acesso aos graus seguintes havia um período de Provação de, pelo menos, um ano. Os graus superiores dos Iluminados eram, por meio de um processo simbólico, baseados em toda uma temática libertária, que objetivava impregnar seus Iniciados com tais ideais.
Outras particularidades dos graus conhecidas pelos pesquisadores incluem o juramento de absoluta obediência a seus superiores que o grau Iluminado Menor fazia. Depois disso o Illuminatus era exposto à doutrina da instituição, que pretendia fazer da Humanidade um só corpo governando por seus superiores.
O Iluminado Dirigente fazia juramentos onde prometia lutar contra a superstição, a maledicência e a tirania, além de se comprometer a ser devoto da virtude, da sabedoria e da liberdade.
Quando atingia o grau de sacerdote, o iniciado inteirava-se de mais detalhes sobre sua Ordem. Albuquerque descreve:
“Faziam-lhe ver que o melhor meio de desvencilhar-se de dirigentes descriteriosos era, por meio de uma sociedade secreta, apoderar-se de todos os poderes do Estado. Príncipes e padres deviam ser exterminados. O patriotismo devia ser substituído pelo cosmopolitismo”.
Os Illuminados tratavam seus companheiros por irmãos e os portadores de graus elevados usavam pseudônimos históricos como Weishaput. Assim, o barão Knigge era Fílon (em honra a Fílon de Alexandria, filósofo judeu-helenista), ao passo que outro proeminente Illuminatus, o juiz Zwackh, assinava como Catão, conhecido como Marco Pórcio Catão ou Catão, o Velho, político romano.
E não apenas os nomes dos irmãos eram trocados. Os próprios nomes de cidades eram substituídos por equivalentes dos tempos clássicos. Assim a Baviera era conhecida entre eles como Grécia, ao passo que outra cidade alemã, Munique, era chamada de Atenas.
Os membros da Ordem eram recrutados entre maçons e ex-maçons. Esse fator contribuiu para que os Illuminati bávaros estabelecessem contatos sólidos com lojas maçônicas de Munique e Freising (capital do distrito de mesmo nome, também no estado da Baviera) por volta de 1780.
Embora tenham começado com apenas cinco membros e em pouco tempo tenham chegado a ter dois mil, os Illuminati nunca contaram em toda a sua história com um contingente superior a essa cifra. Tendo conseguido estabelecer filiais na maior parte dos países europeus, logo atraíram a atenção de literatos, como o escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), autor de obras clássicas como Fausto e Os sofrimentos do jovem Werther, e o filósofo alemão Johann Gottfried von Herder (1744-1803), além dos duques reinantes das cidades alemãs de Gota (no estado da Turíngia) e Weimar (na época uma cidade independente).
Como veremos mais adiante, a vida útil dos Illuminati não foi motivo de preocupação para ninguém. Com suas ideias de estabelecer um Estado onde reinaria o bem comum, em que seriam abolidas a propriedade, a autoridade social e as fronteiras, pregavam uma espécie de anarquismo superior, saudável e utópico, em que o ser humano viveria em harmonia, em uma Fraternidade Universal, baseada na sabedoria espiritual, em franca Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Curiosamente esse foi o lema adotado por uma das mais importantes revoluções mundiais, a Revolução Francesa,
da qual trataremos no Capítulo 5.
Entretanto, como é fácil perceber, tal sociedade, do modo como foi concebida por Weishaupot, estava fadada a desaparecer. Alguns historiadores insistem que os ideais de Spartacus iam de encontro aos poderes estabelecidos, ou seja, eles eram contra a monarquia como instituição política e contra a Igreja como instituição religiosa.
Esses foram os primeiros passos para a lenda dos Illuminati como a conhecemos hoje.
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Adam Weishaupt e a Maçonaria
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