Sociedades Secretas: Illuminati

Sérgio Pereira Couto · Capítulo 5 de 11

Páginas do PDF

Sociedades Secretas: Illuminati

Capítulo 5 De todos os eventos que marcaram a história da humanidade, com certeza a Revolução Francesa foi um dos mais impressionantes. Além de ter sido a mola propulsora que levou ao fim do absolutismo monárquico e pôs fim à invulnerabilidade dos governantes da época, foi o cenário para o surgiment

Capítulo 5

 

De todos os eventos que marcaram a história da humanidade, com certeza a Revolução Francesa foi um dos mais impressionantes. Além de ter sido a mola propulsora que levou ao fim do absolutismo monárquico e pôs fim à invulnerabilidade dos governantes da época, foi o cenário para o surgimento de nomes notáveis como Danton, Robespierre, Marat e, pouco depois, de um certo general chamado Napoleão Bonaparte.

O fato é que muitos tentaram levar o crédito pela eclosão de tal evento e, no que diz respeito às sociedades secretas, isso também é verdadeiro. Maçons, Templários, Rosa-Cruzes e até o mítico Priorado de Sião se apresentaram ao longo dos anos como as reais forças por trás da revolução. Apesar de sua enorme importância histórica, já que foi o primeiro grande evento que colocou o povo contra seus governantes tradicionais, não podemos esquecer que o número de pessoas que morreram durante seus dias “gloriosos” também foi grande. Que o diga Madame Guilhotina, que cortou a cabeça de milhares, incluindo a do rei Luís XVI e de sua consorte, Maria Antonieta.

Todos os que participaram daqueles dias afirmaram unanimemente que havia uma força oculta que movia as pessoas como se fossem peões num jogo de xadrez. Mesmo os atuais pesquisadores divergem sobre esse ponto e cada um prefere apontar para uma força-motriz diferente. Para eles não basta apenas o contexto histórico, tem de haver algo a mais. E isso deu margem a muitas especulações, incluindo a suposta participação dos Illuminati. Por isso muitos concordam que, se houve mesmo o envolvimento de uma sociedade secreta, esta teria um perfil mais próximo dos seguidores de Weishaupt do que das demais existentes.

Para o articulista e pesquisador esotérico francês Serge Hutin (1929-1997), autor de Governantes invisíveis e sociedades secretas, o envolvimento dos “iluminados” na revolução era tão evidente que foi retratado por ninguém menos que o escritor francês Alexandre Dumas, pai (1802-1870), na série Memórias de um médico. No primeiro romance, chamado Joseph Balsamo, vemos relatada a história do personagem-título, que não é outro senão o malfadado conde de Cagliostro (1743-1795), ocultista, alquimista, curandeiro e maçom, polêmico e muitas vezes confundido com personagem de ficção. O livro relata uma viagem do conde para a Alemanha, onde, em uma caverna, encontra três chefes mascarados da “Ordem dos Iluminados” e recebe deles a missão de preparar de modo sistemático a derrubada da monarquia francesa.

É claro que houve quem apontou algumas liberdades históricas no romance de Dumas, como a impossibilidade de Emmanuel Swedenborg, o famoso vidente sueco, ser um dos três iniciadores de Cagliostro, já que naquela época ele já havia falecido em Londres.

Por outro lado, e isso é ressaltado no texto de Hutin, o escritor era bastante conhecido por suas habilidades em obter informações privilegiadas de fontes históricas inéditas. Assim, mesmo para o romance em questão, Dumas teria se valido de diários da época da Revolução Francesa para dar credibilidade a suas histórias. Por exemplo, quando descreve um certo “doutor Gilbert”, ele teria se valido das memórias inéditas de um tal Siaffert, médico da princesa de Lamballe. Esse doutor teve na vida real uma carreira tão misteriosa e movimentada quanto a do personagem. E da mesma forma que o doutor Gilbert, Saiffert era um discípulo de Cagliostro, além de ter sido formado pelos Illuminati da Baviera.

Em defesa de Dumas, Hutin afirma categoricamente que o escritor, quando queria, sabia ser um historiador fiel. Como prova, cita o livro A estrada de Varennes, considerado não só por ele, mas por outros pesquisadores, a melhor análise já feita da famosa fuga de Luís XVI quando a revolução eclodiu e começou a ameaçar a vida dele e a de sua família. Hutin diz que Dumas teve acesso a fontes inéditas que teriam sido ignoradas pelos verdadeiros historiadores.

Em sua obra Hutin afirma:

“Até os livros de história mais sumários mencionam que as origens dos acontecimentos de 1789 devem ser procuradas muitos anos antes. Insiste-se, porém, por demais em apontar como única causa a fraqueza de Luís XVI, que não conseguiu vencer a oposição das classes privilegiadas a todas as reformas econômicas e sociais sugeridas pelos seus ministros. Apesar de perceber a necessidade dessas reformas, o monarca demonstrou-se totalmente incapaz de levá-las a efeito”.

Profecias

Talvez essas observações não sejam tão despropositadas como parecem. As várias fontes históricas consultadas para a redação deste livro apontam casos de pessoas que teriam, de um forma ou de outra, previsto o advento revolucionário de maneira, no mínimo, suspeita. Por exemplo, cerca de catorze anos antes do início da baderna o abade de Beauregard, no sudoeste da França, fazia em público um discurso estranho:

“Sim, Senhor, Vossos templos serão destruídos, Vossas festas esquecidas, Vosso Nome será blasfemado e Vosso culto proibido”.

Aparentemente, o discurso do abade também previu a vinda dos Sem-Culotes (uma organização política urbana constituída por trabalhadores pobres, pequenos artesãos, lojistas e pequenos empresários que empregaram esse nome em referência aos culotes, calções rendados que eram o traje característico da nobreza) e o banimento da religião católica. É fácil para muitos desavisados imaginar de onde teriam vindo essas informações, uma vez que há quem acredite que Adam Weishaupt, depois de perseguido e pouco antes de ir para o exílio, teria infiltrado agentes (em outras versões ele mesmo teria atuado) no meio francês e fomentado as ideias revolucionárias.

Outro caso de uma previsão suspeita veio de um tal Jean Cazotte (1720-1792). Em uma noite, em meados de 1788, ele teria anunciado para quem quisesse ouvir, durante uma festa, que a revolução estava próxima. O interessante é que o público só teria conhecimento disso tempos depois sua morte, em 1805, quando suas obras completas foram publicadas.

A cena seria mais ou menos esta: quando ele anunciou o advento, os presentes teriam replicado que Cazotte estaria “decidido a acabar com tudo”, ao que o acusado teria respondido que não era ele que decidiria. Aparentemente ele teria admitido a existência de governantes secretos que haviam decidido acabar com a estrutura da França monarquista. Em conversa com a marquesa de Argéle sobre o acontecimento, ele teria respondido:

“Se você soubesse quanto sangue e quantas lágrimas e vergonhas a revolução vai custar à França, você levantaria os olhos ao Céu para suplicar-lhe que ela não aconteça”.

Um dos mais bizarros incidentes foi localizado por Hutin em um boletim mimeografado da Igreja da Normandia, chamado Bulletin Confidentiel, datado de 1º de julho de 1970. Em sua 81 a edição, é possível ler sobre uma vidente chamada Catherine Théot (1716-1794), que havia sido trancada na Bastilha em 1779 e conseguira sair de lá apenas algumas semanas antes da chegada dos revolucionários em 14 de julho de 1789. Ela foi levada, por ordem de Maria Antonieta, para entreter a rainha e algumas princesas com seus “poderes mágicos”. O documento afirma:

“Ele então fez aparecer todos os antigos chefes ‘descalços’ (referência à revolta autonomista dos descalços na Normandia, quando camponeses famintos enfrentaram as tropas reais em 1639 e foram executados por elas)… entre eles Questel, o chefe dos insurretos, que apontou o dedo para Maria Antonieta e disse que sua morte estava próxima. As imagens desapareceram de repente, sendo substituídas pelo patíbulo, e a rainha assistiu à própria execução”.

O artigo continua descrevendo a reação da rainha, que mandou a “bruxa” de volta à Bastilha, de onde sairia na data já mencionada. Vale lembrar que ela se dedicou de corpo e alma à revolução e se tornou uma seguidora de Robespierre. Porém, como sabemos, ser revolucionário não era uma tarefa fácil: terminou presa, julgada por um tribunal e morreu na cadeia de Petite Force um mês após a execução de Luís XVI.

A questão permanece em estudo: como todas essas pessoas sabiam do advento de algo tão dramático como a Revolução Francesa? Para muitos pesquisadores há a possibilidade, embora um tanto remota, de que muitos deles (ou talvez todos) eram agentes Illuminati a mando da Ordem ou do próprio Weishaupt. É claro que tudo não passa de conjecturas e, na maioria das vezes, serve de material para que “conspirólogos” escrevam suas teorias exóticas.

Causas

Dizer o que foi a Revolução Francesa é repetir material divulgado em milhares de outros livros e não é o propósito deste livro. Aqui trataremos apenas das possibilidades de envolvimento dos Illuminati no conflito e até que ponto os fatos históricos podem nos dar uma pista sobre o que realmente aconteceu.

É sabido que o período anterior à revolução foi marcado por críticas pesadas à monarquia que já vinham sendo feitas há algum tempo. Porém, nunca houve uma rebelião organizada como aquela que invadiu a França e nem foi registrada qualquer convulsão políticosocial parecida. Pesquisadores como Koch e Hutin acreditam que o crescimento da burguesia, a crise do absolutismo ou qualquer das razões sociais, econômicas ou políticas apresentadas normalmente pelos historiadores seria suficiente para justificar um movimento tão forte, já que nenhuma delas era novidade e já se manifestavam havia anos, talvez décadas. Sobre isso Koch afirma:

“A única grande diferença entre 1789 e outros momentos parecidos de épocas anteriores está na preparação consciente do processo revolucionário, que foi calculado em detalhes durante vários anos antes de sua explosão”.

Se levarmos tal pensamento em consideração, todos os acontecimentos poderiam fazer sentido, embora haja um aspecto importante a ser notado: o fato de a violência e brutalidade registradas terem mostrado que seja lá quem tenham sido seus organizadores, com certeza perderam o controle da situação rapidamente.

Especialistas em guerras e revoluções são unânimes em concordar que, para produzir um processo revolucionário bem-sucedido como a Revolução Francesa, é necessário dispor “de uma situação prévia de grave alteração generalizada que obrigue a população não a pedir, mas a exigir uma mudança”. E vão ainda mais longe ao afirmarem que, caso isso não ocorra, os motins e revoltas tendem a se multiplicar, embora se torne impossível chegar à revolução em si, a menos que haja dois fatores que a canalizem: um clima cultural e intelectual que alimente as forças que se acumulam e um grupo organizado que mobilize as massas e as dirija para os diversos objetivos do movimento.

Com o barão de Montesquieu (Charles-Louis de Secondat, 1689-1755) esse clima começou a se tornar realidade. Um dos principais inspiradores do movimento, ele era um maçom iniciado durante uma estada em Londres e, segundo uma tradição maçônica, é considerado até hoje o primeiro verdadeiro maçom da França. Há também a influência de outro maçom reconhecido, François de Salignac de La Mothe-Fénelon, também chamado apenas de Fénelon (1651-1715), arcebispo de Cambrai, cidade do departamento de Nord, no norte da França. Seu secretário e executor testamentário foi Andrew M. Ramsay, um dos grandes destaques da maçonaria moderna.

Quanto ao grupo organizado, mais uma vez temos apenas palpites que povoam a mente dos “conspirólogos”. Há muito se sabia da voz dominante que a maçonaria exercia na França. Para muitos havia pelo menos dois tipos de maçons, os normais e os que também eram Illuminati. O jornalista radical e político defensor da revolução, Jean-Paul Marat (1743-1793), escreveu muito sobre a presença de “agitadores estrangeiros”, sobretudo de origem inglesa ou prussiana (este último estado exerceu forte influência sobre os alemães) que dirigiam as pessoas em episódios como a Tomada da Bastilha ou o Assalto ao Palácio das Tulherias.

Esses estrangeiros seriam Illuminati? Com certeza nada pode ser provado. No entanto há depoimentos suspeitos colhidos em processos posteriores ao início da revolução, como o de um banqueiro prussiano de nome Koch (não relacionado com o pesquisador citado), e de dois australianos de nome Junius e Emmanuel Frey, entre outros, que afirmam ter certas influências maçônicas. Também é possível que a própria maçonaria tenha deixado os Illuminati agirem para depois ficarem com o crédito de sua participação na Revolução Francesa.

Outro ponto lembrado é a já comentada reunião que teria disparado o processo revolucionário, supostamente ocorrida na casa dos Rothschild. Alan Stang, outro pesquisador recente dos Illuminati, afirma que um dos delegados franceses que esteve naquele encontro era o político e escritor francês Honoré Gabriel de Riqueti (1749-1791), conde de Mirabeau. Ele foi o introdutor dos Illuminati na França e assumiu o cargo de presidente da Assembleia Nacional Francesa em 1789. Seu nome simbólico era Leônidas, o rei que liderou o ataque dos trezentos de Esparta contra o exército persa de Xerxes.

Graças à influência de Mirabeau os Illuminati puderam entrar na loja maçônica parisiense Os Amigos Reunidos, que depois mudaria seu nome para Philalethes (Buscadores da Verdade). Supostamente, entre os mestres conduzidos para a “iluminação” estavam nomes revolucionários como o advogado e jornalista Lucie-Simplice-Camille-Benoist Desmoulins (1760-1794), o político Louis Antoine Léon de Saint-Just (1767-1794), o poeta André Marie Chénier (1762-1794) e, claro, Marat. E aqui surge outra dúvida: se Marat era um Illuminati, por que acusaria em seu jornal a presença dos “agitadores estrangeiros”? Por outro lado, usar um jornal para dar “indiretas” sobre a presença illuminati talvez fosse um meio seguro de propagar sua presença. Novamente caímos no campo das especulações.

Mais um detalhe que passou despercebido a muitos pesquisadores: entre os supostos iniciados estava um bispo chamado Charles Maurice de Talleyrand Périgord, cuja carreira religiosa foi longa, mas cheia de desvios Foi ele que teria seguido os planos originais de Weishaupt para a reorganização da Igreja Católica Francesa em 1793, motivo pelo qual foi excomungado pelo Vaticano. Anos depois foi encarregado de aprovar a coroação de Napoleão Bonaparte como imperador e, posteriormente, se tornou ministro de Negócios Estrangeiros na corte de Luís XVIII durante a breve restauração da monarquia francesa.

 

A Tomada da Bastilha

A grande quantidade de historiadores que conseguiu chegar à conclusão de que a Tomada da Bastilha não aconteceria até que o povo fosse incitado a isso leva a crer que de fato havia um grupo de “agitadores profissionais”, como Hutin e Koch definem. O pesquisador Christian Funck Bretano, citado por Koch, em um livro intitulado As lendas e arquivos da Bastilha (inédito em português) analisa que tais agitadores seriam agentes Illuminati. Segundo ele:

“Esses agentes mobilizaram autênticos bandos de criminosos recrutados na Alemanha e na Suíça para aumentar as desordens em Paris nos dias anteriores à revolução. Em todo caso, a turba se apresentou diante dos muros daquela autêntica fortaleza e exigiu simplesmente que seu comandante governador, De Launay, se rendesse e abrisse as portas da prisão”.

O militar certamente recusou-se a abrir as portas e a multidão começou o ataque que o batalhão encarregado da segurança da prisão conteve facilmente. Nesse grupo de soldados havia apenas veteranos que sofreram mutilações em outros conflitos, inclusive o próprio De Launay, que por isso mancava.

Num raro momento de lucidez, os atacantes propuseram que respeitariam a vida dos soldados e os deixariam ir para casa se estes entregassem os presos e abandonassem o local de maneira pacífica. Como De Launay avaliou a situação e viu que estava em uma posição difícil e, de fato, corria grande risco, para evitar um derramamento inútil de sangue, aceitou. Abriu as portas e a multidão irrompeu no interior da fortaleza. O trato não foi respeitado, pois os soldados foram esmagados pela turba enfurecida que, em superioridade numérica, matou os soldados e os esquartejou, exibindo seus restos espetados em baionetas pelas ruas de Paris. A própria cabeça de De Launay foi pendurada numa lança e levada até o Palácio de Versalhes para ser exibida nas janelas do palácio, de onde Maria Antonieta a viu com o horror estampado em seu rosto.

Quando se analisa a Tomada da Bastilha como um evento, vemos que a importância foi mais simbólica. No geral acredita-se que os revolucionários a escolheram para “libertar os muitos e torturados presos políticos que lá agonizavam”. Porém, os historiadores já comprovaram que quando a tomada aconteceu, havia apenas sete pessoas detidas: dois loucos, um libertino e quatro condenados por falsificar letras de câmbio. Alguns pesquisadores arriscam a presença de um oitavo homem, que seria ninguém menos que Donatien Alphonse François de Sade (1740-1814), o marques de Sade, que ali escreveu algumas de suas sobras mais famosas, como Aline e Os 120 dias de Sodoma.

Pouco depois da tomada um construtor chamado Pierre François Palloy, que os estudiosos consideram um maçom-illuminatus, fez uma proposta que hoje estarreceria muita gente: usar os tijolos da Bastilha para construir uma pirâmide que, em suas palavras, “imitaria aquelas construídas pelos egípcios”. Os registros históricos demonstram que o projeto foi recusado por apresentar várias dificuldades técnicas, mas a maioria especula se tal pirâmide não teria em sua fachada o olho que tudo vê.

 

A Gloriosa

Os maçons sempre se consideraram uma “sociedade de pensamento com influência cristã”. Porém, ao seguir sugestões de ideólogos ingleses, logo renunciaram à sua posição inicial para herdar o racionalismo mecanicista característico de Voltaire e de seus círculos alemães. A primeira loja maçônica surgiu na França em 1725 e se chamava São Tomás de Paris. Logo a nobreza local aderiu e amigos dos reis franceses, como o duque de Villeroy, ligado a Luís XV, estavam entre os primeiros iniciados. O próprio rei chegou a ingressar na Loja de Versalhes com seus dois irmãos.

Porém, a partir de 1737, a Maçonaria foi proibida, por causa de conflitos entre britânicos e franceses, o que causou certo receio por parte da monarquia de Paris de que esse meio poderia fomentar algum tipo de traição.

Os maçons, conhecidos por serem fieis às suas tradições, não desistiram e continuaram seus encontros em um hotel situado no mesmo bairro em que ficava a Bastilha. Sua direção, até 1771, esteve a cargo de um grão-mestre que era primo de Luís XV. Logo a organização tinha poder e influência que se estendiam por todo o território francês. Um dos pontos mais debatidos pelos adeptos naquele período era se a maçonaria deveria se concentrar em seus próprios trabalhos ou se seria mais vantajoso se dedicar a assuntos mais terrenos como a política.

Quando o duque de Chartres assumiu o comando da organização, por volta de 1767, houve a cisão definitiva entre os órgãos reguladores franceses, incluindo o Grande Oriente da França. Uma vertente queria esquecer as questões religiosas e se concentrar apenas na política, ao passo que outra insistia em que os rituais maçônicos foram concebidos para o desenvolvimento espiritual e era nessa área que deveriam se concentrar.

Pouco antes do início da Revolução Francesa havia o equivalente a 620 lojas maçônicas em todo a França, das quais 63 em Paris. O número de maçons na ativa, segundo cálculos de historiadores, seria algo em torno de 75 mil, não menos que isso. Quando o período revolucionário ordenou a Convocatória dos Estados Gerais, integrados por representantes do clero, da nobreza e do povo, o chamado Terceiro Estado, composto apenas por quem não era nobre nem religioso, tinha 578 membros. Desses, 477 haviam sido iniciados em diferentes lojas maçônicas. Isso sem contar pelo menos uns noventa maçons nobres e uma quantidade desconhecida e não comprovada de religiosos que também pertenciam a essa sociedade secreta.

Para os pesquisadores, os símbolos da revolução, tidos como originais, na verdade eram típicos da maçonaria, como o barrete frígio (espécie de touca ou carapuça, originariamente utilizada pelos moradores da Frigia, antiga região da Ásia Menor, atual Turquia, adotado pelos republicanos franceses que lutaram na Tomada da Bastilha), as cores da bandeira (azul, vermelho e branco, que seriam os distintivos dos três tipos de lojas existentes na época) e o emblema tricolor, inventado por Lafayette, que, como vimos, era maçom e carbonário. O hino nacional francês, chamado A Marselhesa, foi composto por um maçom de nome Rouget de L’Isle e interpretado pela primeira vez na loja maçônica dos Cavaleiros Francos de Estrasburgo.

Muito mais pode ser dito sobre as influências maçônicas (e Illuminati) sobre a Revolução Francesa, chamada até hoje pelos maçons franceses de A Gloriosa. De fato, muitos livros já foram escritos sobre esse tema com alguns argumentos bastante convincentes. Provavelmente nunca saberemos se o evento foi de fato um plano dos adeptos de Weishaupt (ou dele mesmo), como uma espécie de laboratório para plantar conflitos que servissem aos seus propósitos. O que se sabe, com certeza, é que, além de ser um acontecimento importante, também foi um dos mais sangrentos da história. E se esse era o intento de Weishaupt, não é de admirar as histórias de conspiração que logo tomaram conta da mitologia Illuminati.

OceanofPDF.com

Os Rockefeller

 

OceanofPDF.com