Sociedades Secretas: Illuminati

Sérgio Pereira Couto · Capítulo 2 de 11

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Sociedades Secretas: Illuminati

Capítulo 2 No no Capítulo 1 discorremos um pouco sobre a nebulosa história oficial dos Illuminati. Neste, vamos recapitular alguns dos acontecimentos já mencionados, acrescentando os detalhes divulgados em obras recém-publicadas para o grande público, como a do pesquisador alemão Paul H. Koch que em

Capítulo 2

 

No no Capítulo 1 discorremos um pouco sobre a nebulosa história oficial dos Illuminati. Neste, vamos recapitular alguns dos acontecimentos já mencionados, acrescentando os detalhes divulgados em obras recém-publicadas para o grande público, como a do pesquisador alemão Paul H. Koch que em seu livro Illuminati esclareceu muitos pontos sobre as origens históricas dessa ordem.

Koch começa sua narrativa caracterizando os Illuminati como um grupo dedicado ao que ele chama de antitradição, ou seja, que tem por objetivo derrubar a ordem vigente de maneira radical, o que por si só não é nenhuma novidade, uma vez que outros grupos entre as sociedades secretas têm o mesmo objetivo, como a Rosa-Cruz original e os grupos modernos supostamente derivados dos Illuminati, como a Skull and Bones (a sociedade secreta norte-americana, fundada em 1832, que só aceita alunos da Universidade de Yale) ou o Clube Bilderberg (organização não-oficial, fundada em 1954 por, entre-outros, o príncipe Bernhard, da Holanda).

E esse também era um aspecto característico do grupo em que se destacou a personalidade obscura de Adam Weishaupt. O catedrático de Direito Canônico da Universidade de Ingolstadt nasceu em sete de fevereiro de 1748. Seu pai, George Weishaupt, também pertencia ao meio acadêmico e lecionava Instituições Imperiais e de Direito penal no mesmo centro universitário. Como já dissemos, sua família era judia e aos cinco anos de idade ele ficou órfão e foi acolhido por seu avô, o barão Johann Adam Ickstatt, que também seria seu tutor. De um modo ou de outro, ironicamente, ele tinha laços com a monarquia que tanto queria derrubar.

Por algum tempo Weishaupt se converteu ao cristianismo graças ao convívio com seu tutor e mais tarde ingressou no colégio dos jesuítas, onde se destacou graças à sua inteligência, considerada acima da média, e de sua memória, tida como excepcional. De lá foi para a Faculdade de Direito, a mesma em que seu pai havia ensinado anos antes.

Foi com o avô que ele tomou conhecimento de obras que muito o influenciariam. A biblioteca de seu tutor era composta por títulos de filósofos franceses e, livros sobre a Maçonaria e sobre outros grupos cujos princípios seguiam a mesma linha. Weishaupt chegou a fazer amizade com ninguém menos do que Maximilien de Robespierre (1758-1794), advogado e político francês que se destacou por ser uma das personalidades mais controversas da Revolução Francesa. Também mantinha contato com um obscuro místico dinamarquês, de nome Kolmer, que vivera muitos anos no Egito, terra dos faraós, como comerciante até voltar à Europa, quando tentou fundar, sem sucesso, uma sociedade secreta de linha maniqueísta. Kolmer tinha sua própria rede de contatos e descreveu muitos encontros com pessoas de destaque de seitas esotéricas, incluindo o até hoje polêmico e enigmático conde de Cagliostro (1743-1795), maçom, ocultista e alquimista.

Weishaupt ficou fascinado por Kolmer e seus conhecimentos, chegando a pedir-lhe que o iniciasse nos Mistérios dos Sábios de Mênfis, isto é, nos ritos iniciáticos dos mistérios egípcios, atividade que desenvolveu paralelamente aos estudos acadêmicos. Quando estava com 25 anos recebeu o título de professor universitário e, dois anos depois, se tornou catedrático em Ingolstadt.

Seus mentores jesuítas há muito já tinham percebido a capacidade mental de seu jovem pupilo e chegaram a orientá-lo em sua carreira para que se tornasse sacerdote de sua ordem. Mas descobriram seu envolvimento com as doutrinas esotéricas e terminaram por expulsá-lo. Em seu livro, Koch afirma:

“Não se pode dizer que ele tenha sentido muito esta expulsão; na época, estava convencido de que o plano de Deus para o desenvolvimento da sua criação era tão débil quanto impraticável em um mundo dominado pelo materialismo, e assim decidiu trocar de grupo e buscar outro tipo de iluminação, justamente o contrário daquele prometido pelo cristianismo”.

Já naquela época, tinha em mente definições de conceitos que evoluiriam para a forma dos Illuminati da Baviera que conhecemos atualmente. Entretanto, sua primeira intenção não era formar sua própria sociedade secreta e sim encontrar um grupo de trabalho pronto que servisse a esse propósito. Para ele, uma organização como os jesuítas ou a Maçonaria seria ideal, desde que lhe permitissem andar em uma direção diferente. Weishaupt apenas tomaria a decisão de fundar seu próprio grupo quando não encontrou nada parecido, mas não antes de se envolver com a Maçonaria.

Foi durante seu período com os filhos da viúva que ele criaria um simbolismo considerado curioso e passaria a adotar o nome simbólico Espártaco.

Havia, porém, pontos de divergência entre ele e o grupo que adotara. A. Tenório Albuquerque define:

“A Maçonaria sempre considerou a existência de um Ser Supremo, Deus, e combateu, portanto, o ateísmo; ao passo que Weishaupt pretendia destruir todas as religiões, propósito absurdo, de vez que o homem não pode viver dignamente sem uma religião, sem crer em um Ser Supremo”.

O próprio Weishaupt escreveria:

“O primeiro atentado contra a igualdade foi desferido pela propriedade e que o primeiro atentado à liberdade foi levado a efeito pelas sociedades políticas ou governos e que os únicos apolos da propriedade e dos governos eram as leis religiosas e políticas. Portanto para reintegrar o homem na plenitude dos seus direitos primitivos, é necessário começar por destruir toda a religião, toda a sociedade civil e acabar por abolir a propriedade”.

Para quem frequenta a Maçonaria, esse é um pensamento extremamente perigoso. O próprio Albuquerque, que é maçom, argumenta em seu livro que a Maçonaria não é anti-religiosa e considera legítimo o direito de propriedade, tanto que é contra as usurpações. Ela se posiciona contra a manutenção de bens conservados improdutivos quando seu aproveitamento poderia resultar em benefícios para a humanidade.

 

O começo dos Illuminati

Koch considera que o regulamento inicial dos Illuminati é um meio-termo entre as regras maçônicas e jesuítas com elementos do que ele chama de “falso rosa-cruzismo”. Foi logo no início de suas atividades que surgiu o que hoje é o símbolo mais famoso dessa sociedade secreta: a pirâmide com um olho aberto em seu interior (cuja variante é do olho por cima da pirâmide).

Os primeiros adeptos são quatro alunos que conhecera enquanto dava aulas em sua própria cátedra. Como já dissemos, eles só aceitavam pessoas bem colocadas nos meios sociais e/ou econômicos. O lema de Weishaupt era “poucos, mas bem colocados”.

Os historiadores, em geral, chamam a atenção para um detalhe: o Fundador Illuminatus nunca quis presidir uma organização numerosa, mas dava muita atenção ao fato de seus recrutados serem representantes de uma parcela considerável do poder. Por isso teria tentado obter apoio econômico de um banqueiro que mais tarde se tornaria um dos mais ricos do mundo: Meyer Amschel Rotschild (1744-1812) - o banqueiro alemão de origem judaica fundador do império bancário da família Rotschild, posteriormente envolvida em boatos sobre teorias conspiratórias. Imaginem só o quanto sua presença comprovada historicamente no meio Illuminati não contribuiria para a construção do mito que conhecemos hoje.

Como já vimos a estratégia de crescimento empregada pelo grupo não demorou a dar frutos através do barão Von Knigge, cujo nome completo era Adolph Franz Friedrich Ludwig Von Knigge, um protestante oriundo de Hannover. Como um maçom iniciado na linha regular, introduziu Weishaupt na loja de Munique. E foi a ambição do barão que orientou o grupo para um crescimento rápido. Depois de sua adesão, outros nobres o seguiram, entre eles o príncipe Ferdinand de Brunswick, os já citados duques de Weimar e Gotha, o conde Stolberg, o barão de Dalberg e o príncipe Karl, de Hesse. Outra grande ironia era esse grupo defender a queda da monarquia tendo entre seus integrantes membros da nobreza.

A primeira coisa que vem à mente do leitor atento é saber exatamente o que os Illuminati pregavam a ponto de atrair interessados pertencentes ao mesmo grupo que juraram destruir. Os novos membros entravam sabendo que o propósito do grupo era a substituição da velha ordem reinante por outra nova, em que eles mesmos seriam uma espécie de comando supremo devotado a “conduzir a humanidade para uma era jamais vista de paz e prosperidade racional”. A ideia era uma só: criar um governo de ordem mundial onde cada homem teria a mesma importância, sem discriminação de classe social, nacionalidade, credo, ofício ou mesmo raça.

Sobre seus objetivos Weishaupt escreveu:

“Qual é em resumo a nossa finalidade? A felicidade da raça humana! Quando vemos como os mesquinhos, que são poderosos, lutam contra os bons, que são fracos… quando pensamos como é inútil combater sozinhos contra a forte corrente do vício… nos vem à mente a mais elementar das ideias: devemos trabalhar e lutar todos juntos, estreitamente unidos, para que deste modo a força esteja do lado dos bons. Pois, uma vez unidos, nunca voltarão a ser fracos”.

Como podemos observar nas palavras de Weishaupt, seus ideais eram os mesmos que escritores e roteiristas contemporâneos podem transformar em grupos de vilões perfeitos. E não é para menos: qualquer um que leia as afirmações do Fundador Illuminatus acredita que suas intenções eram louváveis. Koch, em seu livro, vai mais longe e cita Nesta Helen Webster (1876-1960), uma historiadora ocultista polêmica e autora de vários livros sobre conspirações. Segundo ele, de acordo com os escritos de Webster, as seis metas dos Illuminati da Baviera eram:

1. aniquilação da monarquia e de todo governo organizado segundo o

Antigo Regime;

2. abolição da propriedade privada para indivíduos e sociedades;

3. supressão dos direitos de herança em todos os casos;

4. destruição do conceito de patriotismo e substituição por um governo

mundial;

5. desprestígio e eliminação do conceito de família clássica; e

6. proibição de qualquer tipo de religião tradicional.

A julgar pelas observações de Weshaupt, ele acreditava piamente que seria fácil convencer países do Oriente a participarem dessa unificação mundial. E como ele obteria esse intento? Segundo Koch, por meio da possibilidade de manipular as conexões intrínsecas que há nas culturas daqueles países por meio do misticismo, do ritualismo e do ecletismo.

Havia um porém nesse pensamento: o modo de vida ocidental estava há muito tempo dominado pelo cristianismo, principalmente pela influência que a Igreja Católica tinha ao “cortar pela raiz qualquer mínimo desvio do dogma”. Porém, graças ao movimento protestante que estava nascendo, havia uma esperança de estabelecer um movimento para acabar com a religião, já que os dissidentes da Igreja Católica eram encarados como “um movimento católico sem papa”.

Assim, Weishaupt decidiu que o primeiro passo era atacar a cultura ocidental. Como tanto ele, quanto seus servidores, eram parte integrante do Ocidente, a melhor maneira para combater esse modo de vida era se valer do segredo. Dos escritos de Weshaupt extraímos este trecho:

“Trata-se de infiltrar nossos iniciados na Administração do estado sob a cobertura do segredo, com o objetivo de que chegue o dia em que, embora a aparência seja a mesma, as coisas sejam diferentes.”

Somente agindo na surdina eles conseguiriam estabelecer um regime de dominação global. E tudo de acordo com o plano supremo da Nova Ordem Mundial, conhecido apenas por Weishaupt e seus associados mais íntimos.

Para colocar seu plano em andamento, ele decidiu infiltrar seus membros na Maçonaria para recrutar pessoas acostumadas a agir em segredo e conforme certos rituais. Eles seriam os seguidores mais indicados, pois teriam facilidade em se readaptar aos conceitos illuminati. Em seu livro, Koch afirma:

“Como algumas das velhas escolas da Antiguidade, os maçons ficavam muito tempo pregando que o sentido fundamental da existência humana passa pelo aperfeiçoamento espiritual e pessoal até o ponto de, em algum momento do futuro, o homem ter evoluído o suficiente para não necessitar de Estado nem de sociedade, segundo os parâmetros conhecidos, pois todos os homens seriam irmãos”.

Esse sistema global seria do conhecimento de todos, já que chegaria de forma pacífica e a partir de uma evolução natural. O que os diferenciava era o fato de Weishaupt e seu grupo supostamente oferecer “atalhos” para que esses objetivos fossem mais rapidamente concretizados e assim ninguém precisaria esperar centenas ou milhões de anos. Isso, segundo ele, ocorreria no período de uma geração, embora para tanto fosse necessário recorrer à violência, uma vez que a velha ordem não seria tão facilmente desmantelada. Para poder participar de tal empreitada bastava apenas oferecer obediência cega a seu comando e não prestar atenção ao fato de que, em um primeiro momento, suas ordens pareceriam sem sentido.

Embora soe um tanto absurdo ou mesmo prepotente para nós atualmente, a julgar por alguns registros datados de 1789, essa proposta foi aceita de imediato pela maior parte das lojas maçônicas de países como Suécia, Espanha, Irlanda, Rússia, no recém-criado Estados Unidos e em boa parte do território do norte da África. Koch afirmava que, se a maioria dos envolvidos, incluindo os próprios iniciados Illuminati, soubesse dos planos de Weishaupt, provavelmente teriam desistido de apoiá-lo.

Assim, os Illuminati passaram por sua fase áurea. Com o apoio do barão de Knigge e em busca de novos adeptos, Weishaupt iniciou intensa campanha na Alemanha. O barão partiu para o norte do país enquanto seu sócio-administrador se concentrou na região central. Como ambos eram maçons, foi fácil entrar em contato com as lojas e com os maçons locais e entre esses ambos conseguiram expressivo número de adeptos. Naquela época chegou-se a registrar a adesão de membros do clero, outro detalhe irônico, pois os clérigos aderiam apesar do caráter anti-religioso da ordem. Entre eles estavam o prelado Hoeslein, vice-presidente do Conselho Espiritual de Munique, e o bispo de Kherson, cidade portuária do sul da Ucrânia.

 

Reação da Maçonaria

A reação a essa investida não tardou. É claro que a Maçonaria se manifestou contra os Illuminati, mesmo porque eles passaram a ocupar quase todos os cargos e empregos importantes da Baviera, onde o catolicismo predominava. A Maçonaria não admitia o combate à religião e era rígida em seus princípios morais, o que não se verificava com os seguidores de Weishaupt.

A loja maçônica alemã Três Globos, uma das mais famosas na época, divulgou uma circular em que declarava que excluiria da ordem todas as lojas que “degradassem os princípios da Maçonaria ao introduzir nelas o iluminismo”, forma pela qual a filosofia dos Illuminati era conhecida.

No caso de lojas que já haviam adotado o iluminismo, a Grande Loja Alemã proibiu o ingresso de maçons ainda não convertidos. Daí a confusão ainda hoje predominante, pois muitas pessoas afirmam que os Illuminati eram originalmente um ramo da Maçonaria ou que os Illuminati tinham o apoio da Maçonaria, uma concepção totalmente errada.

Como resposta à sua investida, os “iluminados” começaram a enfrentar diversas dificuldades, o que de modo algum amedrontava Weishaupt, que se lançou em um projeto arriscado. Em julho de 1782, várias obediências maçônicas (outra designação para lojas) se reuniram no convento de Wilhelmsbad, atualmente um resort próximo de Hanau. Confiante no fato de que adquirira certo conhecimento e prestígio nos últimos anos, Weishaupt tentou dar um golpe que lhe permitiria unificar e controlar todos os ramos europeus da organização. Entretanto, tudo que conseguiu na ocasião foi um acordo para refundir os três primeiros graus de todas as obediências, deixando os demais ao livre-arbítrio de cada uma. Nas palavras de Koch:

“Muitos franco-maçons de outros grupos decidiriam ingressar na loja iluminista, enquanto um número importante desta faixa fazia o mesmo em outras lojas, duplicando assim sua filiação. Naquela época já defendia abertamente uma iniciação muito distante das influências judaico-cristãs e algumas propostas políticas que implicavam a revolução como elemento irrenunciável no caminho para o êxito”.

Nem a Grande Loja da Inglaterra ou o Grande Oriente da França, que começaram a combater abertamente sua influência, nem mesmo os teósofos adeptos de Swedenborg se manifestaram a favor de Weishaupt. Esse resultado, somado à frustração que obtiveram com as tentativas no convento de Wilhelmsbad, levaram o barão Von Knigge a renunciar. É importante ressaltar que esse nobre terminou seus dias em Bremen, no norte da Alemanha, onde morreu em 1796 após publicar alguns livros com sermões visando a atingir os templos protestantes.

Weishaupt, portanto, encontrava-se em uma posição difícil que praticamente o impedia de dar andamento a seus planos. Os maçons ingleses atacavam constantemente os Illuminati, e áqueles logo se uniriam os martinistas. O pior golpe, porém, veio de Joseph Utzschneider, um ex-Illuminatus que, após abandonar a ordem, enviou uma carta para a grã-duquesa Maria Anna da Baviera, em que advertia:

“Se dá o nome de Iluminados (Illuminati) a estes homens culpados que, em nossos dias, ousaram conceber e inclusive organizar, mediante a associação mais criminosa, o horroroso projeto de extinguir da Europa o cristianismo e a monarquia”.

Assim, em junho de 1784 veio o golpe fatal. O duque Karl Theodor Dalberg, acuado pela grande quantidade de reclamações e sinais que recebia dos opositores dos Illuminati, promulgou um édito por meio do qual tornou terminantemente proibida a constituição de qualquer tipo de fraternidade, sociedade secreta ou grupo iniciático que não se enquadrasse na legislação vigente. Mais tarde os Illuminati foram identificados em outro comunicado como um ramo da Maçonaria, o que acarretou o fechamento de todas as lojas desta sociedade secreta.

Em seguida, Weishaupt foi destituído de sua cátedra e exilado, embora o duque de Saxe, que como já vimos era um Illuminatus, tenha lhe oferecido em sua corte, tornando-o conselheiro oficial encarregado da educação de seu próprio filho.

Os demais dirigentes da ordem procuraram refúgio em lojas maçônicas antes do início das perseguições, em maio de 1785. Os membros inferiores também foram perseguidos, presos e torturados.

No entanto, um dos casos mais estranhos ligados aos Illuminati é relatado por Koch. Em 10 de julho desse mesmo ano um enviado de Weishaupt, o abade Lanz, cavalgava em meio a uma tempestade quando foi atingido por um raio. Ao contrário do que se pode imaginar, o cadáver não foi recuperado por membros da ordem mas, sim, segundo relatos, por pessoas locais que o recolheram com cuidado e o levaram para a capela de São Emmeran. Entre as roupas do morto, estavam importantes documentos comprometedores que teriam revelado os planos “iluminados” para a conquista mundial. Alertadas, as autoridades usaram isso para selar de vez o destino dos Illuminati da Baviera e a polícia bávara ficou a par de todos os detalhes da conspiração. Segundo Koch:

“O imperador Francisco da Áustria tomou conhecimento do que estava se tramando contra todas as monarquias, especialmente contra a francesa, encabeçada por seu genro, Luís XVI e sua filha Maria Antonieta”.

Foi desse modo que se passou-se a acreditar que os Illuminati eram a

verdadeira força por trás da Revolução Francesa. No Capítulo 5 faremosuma recapitulação desse sangrento episódio e analisaremos com cuidado essas possíveis influências.

Antes, porém, vale a pena lembrar que é aqui que realmente começa a se difundir em todo o mundo o malefício que essa ordem havia se tornado.

Koch afirma também que os governantes franceses tiveram oportunidade de examinar um grupo de documentos conhecido como Os Protocolos ou escritos Originais da Ordem e Seita dos Illuminati, que o governo bávaro publicou a fim de alertar o clero e a nobreza de toda a Europa dos perigos que corriam. Porém, ninguém entre autoridades, nobreza, clero e até mesmo entre as pessoas comuns da época, acreditava que os Illuminati da Baviera estavam extintos. Era opinião corrente que, uma vez que eram adeptos do silêncio como arma para atingir seus objetivos, a conspiração continuava, mesmo sem Weishaupt à frente.

O problema maior foi a relação entre os iluminados e a Maçonaria e desde essa época fala-se de laços estreitos entre essas duas ordens. Além disso, embora esteja comprovado historicamente que a Maçonaria combateu os ideais iluministas, por muito tempo essa instituição foi considerada o verdadeiro esconderijo dos seguidores de Weshaupt. Até hoje há quem ouça falar, em meios alternativos, como jornais independentes e sites na internet, em uma possível conspiração liderada por uma aliança entre franco-maçons e Illuminati. Entretanto, nada jamais foi comprovado.

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