Surpreza

Miguel J. T. Mascarenhas · Capítulo 11 de 12

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Surpreza

Scena Xii

 

OS MESMOS, E ARTHUR

 

Arthur

(Entra, correndo, pelo fundo, e, vendo a irmã de joelhos e a chorar, toma o outro lado da scena, ajoelha tambem, pega na

reliquia que traz ao pescoço, beija-a, e diz á parte): Diz minha irmã, que a nossa mãe a ensinou a beijar esta reliquia quando tivesse

afflicçòes… e como ella chora é por que soffre… (conserva-se de joelhos observando a scena).

Alfredo (muito grave):

O soldado que levanta a mão contra o seu superior, é fuzilado…

Salvou-me uma vez a vida, devo salvar hoje a sua… Vou alcançar-lhe baixa com data de hontem (Pausa). Pergunte na minha ausencia

a sua filha, o que eu tenho sido para ella… (a Laura, que ajuda a levantar-se): Senhora Laura… perdoe-me este acontecimento de

que fui causa involuntaria… e adeus!… (Laura affoga-se em soluços, e Alfredo, tendo dado alguns passos ao fundo, fica olhando

para ella indeciso).

Arthur

(Levanta-se, corre ao tenente, pega-lhe na mão, e chama-o á

scena): Então o meu amiguinho vê minha irmã a chorar, e quer deixal-a?!…

Alfredo (beijando o pequeno):

Menina Laura… Peça a seu pae que a deixe casar com o tenente

Alfredo…

João

(Tem sempre estado perfilado, e move-se repentinamente): Pois isso é sério, meu tenente?!…

Alfredo

Já me viu faltar a um juramento, João?

João (rapido):

Nunca!

Alfredo (solemne):

Juro-lhe pela cruz da minha espada, que dentro em oito dias hei

de ser seu genro á face da egreja.

João

(Louco de contentamento, abraçando o tenente pelos joelhos, etc.): Isto é que se chama uma surpreza, que póde fazer morrer de

alegria!… (Indo buscar Laura): Anda, minha querida filha, amor do meu coração, retrato vivo de tua santa mãe, anda abraçar o teu