Tempestade no Paraíso
Espantada, a secretária deduziu que o problema…
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
Sozinha na casa, Blair serviu-se de café e depois subiu a seu quarto, disposta a tomar um banho. Não de imediato, porque sua memória carregava o signo da tortura. Queria espaventar a noite que passara fora, mas não suportava a ideia de lavar da pele o cheiro de Taylor.
Ela passou os três dias seguintes na mansão sem olhar para fora. Às vezes lia, pesquisava, e à noite jogava xadrez com o pai. Não chorou, mas sentia-se vazia. Ao deitar-se para dormir, ficava olhando o teto do quarto e tentava se convencer de que tomara o único caminho possível.
Craig Taylor tinha partido. Ela lhe fechara todas as portas.
Agora era improvável que o visse de novo, pelo menos por alguns anos, e certamente se comportariam como estranhos caso se encontrassem em algum evento social. O amor dos dois seria como uma distante paixão de juventude, algo que ambos poderiam julgar inteiramente fútil.
Se ele vivesse até lá.
Blair fazia questão de ignorar onde e como Taylor estava, e se corria perigo de morte em uma missão oficial de seu país. Igualmente, preferia não saber quando ele voltaria. Claro que, se perguntasse alguma coisa nas altas esferas do poder, ninguém lhe diria nada, alegando sigilo.
No quarto dia após a partida de Taylor, ela se obrigou a almoçar com alguns amigos, perto da Universidade John Hopkins. Durante o encontro, aceitou um trabalho de pesquisa, junto a um renomado psicólogo norte-americano.
Seria uma ocupação temporária, mas bem-vinda, porque acabaria louca em uma casa vazia, à espera de alguns momentos na companhia de seu sempre atarefado pai.
Ainda assim, o tempo passou devagar. A pesquisa era tediosa e seus contatos, em função do projeto, limitavam-se a ratos de laboratório. Como psicóloga especializada na área clínica, Blair nunca apreciara esse tipo de trabalho. Já despendera anos estudando roedores, chimpanzés, macaquinhos e outros pobres animaizinhos que serviam de cobaias.
Na verdade, ansiava por retornar ao acampamento do grupo de combate à fome na América Central. Lugar distante, mas onde encontrara consolo para sua viuvez, além de ânimo para prestar assistência aos necessitados. Porém, tinha feito uma promessa ao pai, e por
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isso precisava esperar mais tempo para voltar.
O carro de Taylor havia desaparecido da garagem da mansão, no mesmo dia em que ela o trouxera. Ninguém lhe explicara nada, mas era fácil deduzir que o grupo chefiado por George Merrill tinha providenciado a remoção. Ocasionalmente, o importante dirigente jantava com seu pai, mas nunca mencionava Taylor, talvez por um acordo tácito com Huntington.
Blair sentia-se tão isolada que passara a desejar um inesperado aparecimento de Taylor. Às vezes, pensava em enviar uma mensagem a ele. O conteúdo já estava decorado em sua mente: "Não posso me casar com você. Não posso esperar por você. Mas quero que saiba que, tirando isso, aceito tudo e dou qualquer coisa para vê-lo e abraçá-lo com força."
Não, o rompimento súbito tinha sido melhor. Craig Taylor jamais apareceu, assim como Merrill e Huntington nunca lhe citaram o nome.
Em um dia de junho, Andrew Huntington voltou do trabalho para casa e encarou a filha com um misto de dor e alegria. Iria sentir terrivelmente a falta dela, mas o prazo de três meses havia passado, e Blair se preparava para viajar de volta à América Central. Seu rosto delicado rosto parecia pálido, já um pouco enrugado, e Huntington sabia que a filha estava solitária e infeliz.
Faltava-lhe o poder de consertar as coisas. Só Taylor poderia fazê-lo, e somente quando chegasse a hora. Embora não conhecesse detalhes do que acontecera entre os dois, Huntington apostava no amor de Craig Taylor por sua filha. Acreditava ainda que ele vinha tentando arranjar seus compromissos de modo a voltar e ficar. Era um otimista.
Pelo que sabia, nem mesmo Merrill poderia prometer que Taylor voltaria. No entanto, contente com a empolgação de Blair, o veterano político deu-lhe passe livre para reassumir o trabalho humanitário. Era adulta, e ele não podia viver a vida por ela.
— Preciso de alguns dias para providenciar toda a documentação junto a alguns órgãos do governo, tudo bem? — ele perguntou, exibindo um sorriso alegre.
— Maravilhoso — Blair confirmou. — Obrigada, papai.
Jantaram em um luxuoso restaurante naquela noite, dançaram juntos e jogaram xadrez até de madrugada. Estavam felizes. Segundo Huntington, a filha tinha sorte porque seu amor não era limitado pela distância, apenas pelo coração.
Nenhum pai no mundo poderia sentir-se mais abençoado ou mais orgulhoso.
Blair comunicou seu afastamento da pesquisa na manhã seguinte, porém cumpriu a jornada normal de trabalho. Sentiu-se na pele de um dos pequenos roedores que monitorava: enjaulada. Por certo, um distanciamento de milhares de quilômetros de Washington quebraria as grades que lhe enjaulavam o coração. O tempo e a distância, diziam os mais sábios, tinham o poder de curar feridas emocionais.
Surpresa, foi avisada pelo médico-chefe de que havia um telefonema urgente para ela. Quem poderia ser? O aperto no coração cresceu, constrangendo-a até que experimentasse uma sensação de desmaio. O corpo pareceu se liquefazer, como se feito de geléia.
Taylor! Alguma coisa acontecera com ele e a estavam avisando!
Com esforço, Blair levou o receptor ao ouvido e então ouviu um alegre "alô". Naquele instante de alívio, sentiu-se ainda mais fraca.
— Kate!
— Estou aqui em Washington, amiga, e preciso de você! Tenho só algumas horas. Brad está embarcando para longe e... Bem, pode vir aqui? Aliás, precisa vir. Por favor, Blair!
— Kate! — Confusa, ainda lutando por afastar os pensamentos pessimistas a respeito de Taylor, ela demorou a assimilar a informação. — É claro que vou ajudá-la em tudo que
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precisar. Brad está embarcando? O que significa isso?
— Brad Shearer, você se lembra. Ele chegou ao acampamento pouco antes de você desaparecer. Desculpe-me, Blair. Eu devia estar perguntando como você vai, mas imagino que esteja bem.
— Estou bem, Kate. E então, diga...
— Vamos nos casar, Blair. Brad e eu. Dentro de duas horas. Temos pouco tempo e conto com você para me amparar, depois que ele partir.
— Você sabe o que Brad faz na vida?
— Sim, sei. Por quê?
— Bem... — Blair hesitou. — Sinto muito, fiquei preocupada por você.
Com o silêncio do outro lado da linha, Kate deduziu que a amiga pensava em Ray Teile e no atentado que lhe tirara a vida. Ou que temia por Craig Taylor em alguma nova missão.
— Você e Taylor estão saindo juntos? Sabia quem ele era durante o tempo todo?
— Não e não, para as duas perguntas. — Blair logo tratou de mudar de assunto, esquivando-se de dar explicações. — Brad planeja demitir-se?
— Ele é do Exército, amiga. Ninguém se livra tão facilmente.
— Suponho que não — Blair murmurou, sustentando o peso momentaneamente absurdo do telefone. — Diga-me onde está e irei correndo para assistir ao seu casamento.
No prazo de uma hora, dispensada por seu supervisor na faculdade, Blair venceu o percurso até Washington. Serviu de testemunha no matrimônio de Kate, ao lado de um amigo de Brad, e brindou com champanhe, prometendo discretamente à amiga que voltaria mais tarde, quando terminassem as poucas horas restantes ao novo casal.
Caminhando pelas ruas próximas à capela a fim de preencher o tempo livre, Blair decidiu ligar para seu pai e relatar as boas-novas. Como sempre acontecia, teve de esperar bastante até que Huntington atendesse. Ele mantinha seu trabalho à margem da filha, que se ressentia de ter convivido tão pouco com o pai, anos a fio. Ficara isolada, trabalhando com o grupo de combate à fome. Antes, estivera casada com Ray Teile. Antes ainda, só cuidara de estudar na universidade.
Por curioso que fosse, o rapto praticado por Taylor havia aproximado pai e filha mais do que nunca. Blair sentiu alegria ao ouvir a voz de Huntington ao telefone. Contou do casamento e ambos conversaram por alguns minutos. Durante o diálogo, ela relembrou as palavras de Kate antes da cerimônia.
"Sei que existe perigo, Blair, mas não importa, desde que possa viver algum tempo com Brad. Afinal, a felicidade não é para sempre. Sei que não passei pelo que você sofreu, amiga, mas amo Brad e é impossível desistir dele só por causa da profissão de risco. Você perdeu Ray, mas viveram anos felizes e..."
— Blair? Está me ouvindo?
Pensativa, ausente, ela retomou o contato com o pai, apenas para despedir-se apressadamente, pois não queria que ele percebesse o tremor em sua voz. Gostaria de ter perguntado sobre Taylor antes de desligar, mas foi incapaz disso. Seu objetivo era poupar o pai. Ou poupar-se?
Olhando para o celular, ela pensou em interpelar discretamente George Merrill quanto ao paradeiro e o bem-estar de Taylor. Criou coragem e ligou, mas uma voz de mulher pediu
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para que deixasse recado.
— Não... obrigada... Telefonarei depois.
— É Blair quem fala? — a secretária indagou subitamente.
— Sim, mas... — Surpresa, ela franziu a testa e hesitou. — Quem é?
— Lorna Patterson. Já nos encontramos antes. — Lorna não explicou que haviam se conhecido na festa de George Merrill, que observara Blair durante o tempo todo e que assim decifrara o segredo sentimental de Craig Taylor.
— Ah, sim, Lorna. Como vai? — Blair lembrou-se da mulher educada e agradável, cujo tom, mesmo ao telefone, nunca soava invasivo. Não obstante, sentiu-se anunciada aos quatro ventos e abominou a hipótese de que a secretária conseguisse colocar o chefe na linha.
— Prefere então que o sr. Merrill retorne sua ligação?
— Também não será necessário. — Estremeceu de novo, arrependida dê ter telefonado. — Falarei com ele outra hora.
A própria Lorna vacilou e então despejou uma enxurrada de palavras:
— Sei que não é da minha conta, Blair, mas desconheço onde está Craig Taylor e quando ele volta. Tenho certeza de que ele a ama muito e... bem, ele está tentando, querida, está tentando...
O silêncio admirado de Blair comprovou seu total engano ao imaginar que Taylor nunca se abria com as pessoas, embora Lorna também pudesse estar falando com base na intuição feminina.
— Obrigada — Blair finalmente falou, desligando. "Esse não é o problema, Lorna. Eu sei que ele me ama."
E daí? Cansada de caminhar pelas ruas, ela decidiu buscar seu carro no tempo que lhe restava até o reencontro com Kate. Sem muita consciência do que fazia, aproximou-se do Cemitério Memorial de Arlington, destinado aos heróis da pátria. Pisou no impecável tapete de grama verde até alcançar a lápide singela que marcava os restos mortais de Ray Teile.
"O que está havendo comigo?", questionou-se. "O que vim fazer aqui, cultuando o passado?"
Qualquer que fosse sua vivência do presente, Blair jamais poderia menosprezar a felicidade que tivera ao lado de Ray.
Ela se tornara uma pessoa melhor, apenas por conhecê-lo e amá-lo. Mas essa doce lembrança vinha arrefecendo e, estranhamente, Blair sabia que a alma do marido se alegraria se ela voltasse a ser feliz.
"Só não sei se consigo, Ray", murmurou para si mesma, sentada na grama. Sorriu a despeito das lágrimas. Imaginou se estaria enlouquecendo, por falar com as pedras. Na verdade, ela falava com a memória de um amigo maravilhoso.
Blair consultou o relógio de pulso e viu que já era tempo de reencontrar-se com Kate, após a apressada, e por certo insuficiente, lua-de-mel da amiga. Tentaria salvá-la tanto da preocupação com a nova tarefa de Brad quando da amargura de noiva abandonada. Contente, confiou no apoio mútuo que poderiam prestar-se, sobretudo após a volta ao acampamento na América Central.
Três dias mais tarde, Andrew Huntington despediu-se da filha e de Kate, que embarcaram em um avião oficial de carga. Blair e o pai trocaram um abraço carinhoso.
— Seja feliz, filha — ele murmurou. — Para mim, é o que há de mais importante no
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mundo.
— Já sou feliz, papai — ela garantiu.
— Você tem medo de ser feliz — disse Andrew, com um sorriso triste. — Não gosto de interferir, querida, por isso nunca comentei nada, mas você está com saudade de Craig Taylor. Penso que ele a ama e, pelo que sei, não vai desistir.
— Papai! — Blair recriminou. — Isso é inegociável. Tenho dúvidas quanto ao sentimento dele, por isso tomei uma decisão. Creio que nossos caminhos não se cruzarão de novo.
No íntimo, ela sentiu-se ridícula. Desejava Taylor. A ausência dele lhe machucava o coração, e o recente conselho de Kate estava vivo em sua mente: quando se ama alguém, o tempo partilhado com essa pessoa é muito importante, chega a ser crucial.
— Sabe onde ele se encontra, papai? E se está bem?
— Muito bem — Andrew surpreendeu a filha. — Voltou à cidade ontem.
— Fico contente por saber. — Blair suspirou profundamente, feliz por Taylor estar vivo. — Dê-me um beijo, papai. É hora de ir.
Huntington obedeceu, animando a filha com os votos de que tudo daria certo. Naturalmente, sentiu-se mais paternal do que nunca.
— Cuide-se bem — ela pediu.
— Pode deixar. Agora vá, senão o avião decolará sem você.
Com um esgar, Blair encaminhou-se para a escada de embarque. Parou e voltou-se para o pai.
— Papai, ele sabe que estou partindo hoje?
— Sim — foi a curta resposta.
A bordo, Blair sentou-se ao lado de Kate sem esconder a tristeza. Se Taylor sabia que ela ia viajar, por que não tinha aparecido ao menos para dizer adeus? Bem, seria tolice vê-lo de novo quando já não podia ficar junto dele.
O que doía, porém, era a crença de que o sentimento dele por ela vinha se dissipando e, talvez, até estivesse enterrado de vez. Huntington tinha razão: Craig Taylor não era homem de desistir daquilo que queria, e o que mais queria era manter sua vida de aventuras.
Taylor tinha planejado reunir-se a Huntington na base aérea militar, mas perdera a hora. Vestido como cinco meses antes, quando fora enviado pela primeira vez ao encontro de sua princesa, ele estava bem mais ávido e ansioso do que naquela ocasião. Agora, finalmente era um homem livre. Tão livre quanto uma pessoa consciente e responsável podia ser.
Na correria pela área de embarque, quase colidiu com Huntington e ficou espantado com o rancor expresso nos olhos do administrador usualmente frio e contido.
— Huntington!
— Taylor!
Entreolharam-se por um momento, como se medissem forças.
— Blair embarcou naquele avião? — O ex-agente apontou a aeronave que ganhava altura.
— Sim, está a bordo. — As faces do político ficaram vermelhas de indignação. — Mas você sabia que ela iria partir!
— É verdade — Taylor confirmou.
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— Então, importa-se de me dizer por que chegou aqui exatamente um minuto depois de o avião decolar? Como agente demissionário, você tem tempo de sobra.
— Senhor...
— Por que veio? Quais as suas intenções?
— Honestas, senhor. — Ele exibiu um sorriso convincente. — Continuo tentando me casar com Blair, mas ela continua criando problemas. Eu não podia discutir o assunto com sua filha, até que meu futuro estivesse definido.
— E está? — Huntington arqueou as sobrancelhas grossas.
— Sinto muito. Informação sigilosa. — Taylor voltou a sorrir, satisfeito com a revanche, e o político também armou um sorriso, considerando a situação engraçada.
Huntington sabia, é claro, que o agente havia solicitado uma transferência ao chefe George Merrill. Aquela era uma decisão complexa porque Taylor era conhecido pela competência e também pelas opiniões próprias. Temia-se, nas altas esferas, que ele saísse do serviço secreto falando o que não devia.
— Só posso lhe dizer — completou — que parecem ter optado por minha volta ao expediente diplomático normal, já que demonstrei vontade de me estabelecer em Washington. Devo ter amadurecido.
— Parabéns! — exclamou Huntington, com certa ironia.
— Ainda preciso discutir isso tudo com sua filha. Algum conselho?
O veterano político estreitou os lábios, que se tornaram trêmulos.
— Bem, um segundo avião deve partir daqui a pouco.
Taylor envolveu as mãos do pai de Blair, que aceitou bem o gesto de confiança e cumplicidade.
— Boa sorte, meu rapaz.
O ex-agente já se movia rapidamente pelo saguão, com a grande bolsa de náilon pendurada no ombro.
— Informe a data do casamento! — gritou o homem mais idoso. — Sou o pai de Blair, e se vou perdê-la para você preciso tomar algumas precauções.
Ele observou a figura alta e imponente do homem que se afastava e que, com certeza, logo seria seu genro. Fazia meses que nutria essa esperança, pelo bem da própria Blair.
— Taylor! — chamou de novo, com aflição, o homem cuja cabeça se destacava acima da dos outros passageiros. — Já tenho bastante idade. Não me faça perder o segundo casamento de minha filha!
Huntington queria ver Blair casada. Os possíveis noivos tinham temperamento forte, eram determinados até o limite da teimosia, e combinavam entre si extraordinariamente bem. Além disso, ele queria um neto. Melhor que nascesse dentro das convenções sociais, com os genitores oficialmente casados, dividindo o mesmo sobrenome.
Difícil mesmo era esquecer a imagem da filha chegando em casa ruborizada, vestindo nada mais do que uma enorme capa de chuva.
Capítulo XV
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A fila para a sopa dos pobres e necessitados estava mais curta, notou Blair em seu segundo dia de trabalho no acampamento. Passado o terror da guerrilha, livres também de catástrofes naturais que volta e meia devastavam o local, os corajosos camponeses da região vinham aos poucos erguendo a cabeça e se recolocando de pé.
Ela se sentia contente por haver regressado. No fim do dia, estava cansada, mas também repleta de um forte senso de satisfação. Era bom testemunhar a vitória do povo.
— Senora! Senora!
Blair secou o suor da testa com a manga da blusa e observou o sol que se punha a oeste das barracas. Miguelito, que se mantivera fora da fila, correu para ela, descalço e empoeirado. Foi imediatamente recompensado com um sorriso.
— Como estás?
— Muy bien, senora! — o menino exclamou orgulhosamente, escondendo algo às costas, até estender o braço e apresentar a Blair um modesto ramalhete de flores do campo. — Sentimos sua falta, senora. Seja bem-vinda.
Com essas palavras, vencido pela timidez, Miguelito disparou de novo, dessa vez na direção do vilarejo. Blair considerou o presente como um desses prêmios que a vida dá, embora sua solidão a atormentasse.
— Blair! Vamos ao riacho? — Era Kate quem convidava.
— Nem um terremoto me deixaria longe daquela água.
Minutos depois, as duas amigas marchavam decididas pela trilha.
— Você nem imagina — confidenciou Kate com emoção — o que nós passamos aqui enquanto esteve fora. Brad foi o único a se manter calmo e, com isso, ajudou-nos a combater a ansiedade. O perigo, melhor dizendo. A história do fim da guerrilha apareceu em alguns jornais. Brad mostrou que sabia lidar com situações de risco e acabou nos contando quem ele era. Cheguei a pensar mal de você.
— Como assim?
O riacho já era visível, o ar fresco se tornava convidativo e o barulho da cascata parecia embalar as duas amigas.
— Pensei que você tivesse fugido com Taylor.
— Não seja tola! — Blair irritou-se. — Eu mal o conhecia, ignorava sua real identidade. E você sabe, Kate, que eu nunca abandonaria o grupo sem algum tipo de explicação. Jamais causaria problemas ao dr. Hardy.
— Foi o que concluí depois. — Kate preparou-se para entrar na água. — Sempre a considerei uma pessoa responsável e...
— Que tipo de recém-casada é você? Deveria estar pensando em Brad.
— Sou recém-casada, mas não cega. De algum modo Taylor a levou embora daqui, e não tente me dizer que ele não é um homem incrível!
— Kate!
— Incrível! — a outra enfatizou, já com as pernas dentro d'água. — E você o seduziu desde o começo. Teve sorte, porque Taylor era perigoso. Um espião. — Kate estremeceu delicadamente na água fria. — Bom que ele estivesse do nosso lado!
— Taylor não é espião — Blair protestou, sem saber por que se envolvia em uma
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discussão inútil. — É diplomata.
— O quê? Não nasci ontem, amiga. Você vai entrar na água ou não? Estou congelada!
— Pois saia daí. Quero nadar à vontade, sem obstáculos.
— Não pretendo deixá-la sozinha aqui. — Kate balançou teimosamente a cabeça acima da superfície.
— O lugar é seguro, acredite — argumentou Blair. — Do contrário eu não viria nem a deixaria vir.
— Certo. — Kate enfim concordou em sair do riacho, lembrando que, como filha de Andrew Huntington e recém-chegada de Washington, Blair devia ter informações atualizadas. — Bem, vou me aquecer e nos veremos depois.
Kate desapareceu entre as árvores, enquanto Blair experimentava certo remorso por ter dispensado a amiga. Não tinha medo algum da água, mas o lugar lhe trazia lembranças, sobretudo da noite em que fizera amor livremente com Taylor, sob a cascata, ambos desinibidos como Adão e Eva.
O arrepio na pele a acompanhou até a queda d'água, onde saltitou e recebeu o líquido frio em plena face. De nada adiantou. A essência de Craig Taylor invadia tudo por ali, como se capturada para sempre nas ondulações da correnteza.
Mais que isso, a presença dele também estava no corpo de Blair, servindo de prova para uma paixão irremediável, que lhe despertava desejo e dor. Assim, ela não percebeu que era observada, tal como acontecera nos primeiros dias de Taylor no acampamento. O mesmo homem que lhe abrasara os sentidos agora a espiava com admiração, deslumbrado com a pele bronzeada, os seios firmes, a penugem clara da virilha, pretextos para as mais loucas fantasias sexuais.
O esplendor da nudez de Blair chegou ao fim quando ela alcançou suas roupas e vestiu-se, conservando a inata sensualidade que mexia com os brios de Taylor.
— Qualquer meio, Huntington? — ele murmurou para si mesmo, lembrando da primeira conversa que tivera com o pai de Blair. — É exatamente como pretendo agir.
Saindo dos arbustos que o ocultavam, ele partiu para o acampamento à frente da jovem viúva. Tinha alguns preparativos a fazer para aquela noite.
Foi festivo o jantar do grupo de combate à fome. Blair e Kate haviam trazido diversas guloseimas enlatadas, e Huntington mandara pelo avião uma caixa de garrafas de vinho de boa qualidade. Todos ali reconheciam que a filha do político tinha sido raptada para sua própria segurança, e foi em torno desse assunto que a conversa girou. Blair contornou as perguntas com habilidade, omitindo qualquer referência ao tempo que passara nos rios da selva, a bordo do La Princesa.
— Não foi tão ruim — admitiu Tom Hardy — enquanto Brad Shearer permaneceu entre nós. Mas todos sentimos muito a falta de você e de Taylor! Esperava que o trouxesse de volta, pois acho que nunca conseguirei substituí-lo à altura.
A fogueira morria lentamente enquanto os membros do grupo se dispunham em círculo, como amigos que haviam enfrentado juntos uma situação adversa.
— Graças a Brad — o médico acrescentou —, pudemos manter a calma e trabalhar nos momentos mais conturbados. Agora, mesmo que ele e Taylor não voltem, a perspectiva é de paz e tranquilidade. Sabia, Blair, que nos enviaram um voluntário cheio de manias, com vontade de mudar o mundo sem quebrar uma unha?
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— E por onde anda essa figura? — perguntou Blair depois de rir.
— Mandei-o embora a pontapés, no prazo de dois dias. Ele alegou que não tinha nascido para trabalhos manuais! — O dr. Hardy bocejou, sinalizando que já queria ir dormir. — Autorizei Kate a viajar com Brad, e ela também nos fez falta. Pena que Taylor não tenha voltado.
— Pena — ecoou Blair, sorrindo através dos dentes rilhados.
Pouco depois, mais bocejos foram notados entre o grupo, que se dispersou, cada qual para sua tenda. As mulheres permaneceram junto à fogueira apagada.
— Nove horas da noite, e já estamos nos recolhendo, sem nada para fazer — lamentou-se Kate.
— Com certeza foi diferente em Washington — Dolly comentou.
— Lá, só tive tempo de me casar e me despedir de meu marido por três horas. — Kate sorriu, conformada. — Pelo menos, estou sentindo sono.
— E quanto a você, querida? — Dolly interpelou Blair. — Muitas noites emocionantes na capital?
— Claro — a outra mentiu, esperando que a obesa voluntária não notasse seu sorriso seco e sem vida.
Ao contrário de Kate, eterna otimista, Blair julgava que sua volta ao acampamento pouco a ajudaria a obter tranquilidade. Teria de empurrar as lembranças de Taylor para um canto empoeirado da memória. Era sofrido, além de inútil, aguardá-lo como Kate faria com relação a Brad.
Pouco depois, em sua barraca, ela acendeu a lamparina, vestiu uma camisola branca e afofou o travesseiro de seu leito, desejando que a exaustão a induzisse ao sono.
Fazia quase três meses que Blair perdera Taylor de vista, desde que havia se apossado do carro dele para fugir, certa de que essa separação seria para sempre. Deitada, ela zombou de si mesma como psicóloga, refletindo que nem sempre a razão prevalecia sobre o coração.
Sentia-se magoada por Taylor não a haver procurado nem telefonado enquanto estivera em Washington. Também se abateu ao lembrar que ele não comparecera a seu embarque para a América Central, fato que devia conhecer por intermédio do pai. Lamentou também não possuir a força de Kate, capaz de se casar em um momento e permitir que o marido partisse no outro.
Com impaciência, Blair apagou a lamparina e enterrou a cabeça no travesseiro, gemendo de desgosto. Retornar à selva deveria significar uma aceitação da realidade, e, no entanto, as lembranças dolorosas pareciam se multiplicar. Era injusto, decretou com ressentimento, enquanto procurava a paz do sono.
Agitou-se no catre, dizendo a si mesma que agira corretamente, com base na suspeita de que o relacionamento com Taylor não daria certo. Recordou o medo debilitante que sofrerá ao receber o telefonema de Kate, presumindo que se tratava de más notícias sobre ele. Brad estava em posição diferente e corria menos risco, por isso Kate podia mostrar-se mais serena.
"Acabarei me encontrando com Taylor", ela pensou, "o que não significa que venha a me casar com ele. Tudo isso é ridículo", puniu-se, ciente de que uma boa solução para os dois era o controle do medo que sentia.
"Mas também posso não vê-lo nunca mais", completou o raciocínio. "Já se passaram três meses e ele nunca me telefonou. Talvez esteja envolvido com outra mulher."
Essa ideia plantou um sentimento de raiva em Blair.
A probabilidade de dormir estava quase excluída quando ela se assustou com uma voz
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no escuro.
— Pare de lutar contra si mesma. Vou lhe contar, mulher: às vezes acho que você me traz mais problemas do que mereço.
Taylor? Seria possível? Era, pois Blair conhecia o timbre vocal, tanto quanto a força e o conforto dos braços dele. Os sentidos, mais do que a consciência, traíram-na.
O que ele fazia ali? O que desejava, dessa vez? Incrédula, ela resistiu ao tormento, evitando correr para abraçá-lo desesperadamente. Outra luta fútil, pois suas necessidades se colocavam acima da razão. Por isso, um longo beijo foi inevitável assim que Taylor sentou-se na cama. Em seguida, Blair se aninhou no colo do homem amado.
— Que veio fazer aqui? — perguntou acalorada, mantendo a boca quase unida à dele. Era um milagre, avaliou. Um milagre de amor.
— É uma pergunta tola, princesa. Vim raptá-la.
Ela bateu as mãos com força no peito dele, em sinal de fúria.
— Por ordem de quem, agora?
— Ora, por favor, pense bem. Posso raptá-la ou denunciá-la à polícia pelo roubo do meu Porsche. E não adianta me suplicar para deixá-la em paz. É que agora estou sob minhas próprias ordens, completamente minhas, e farei o que quiser.
— O quê? — Blair entendeu a alusão de Taylor à sua nova independência. — Você me assustou terrivelmente, deixou-me à beira de uma crise de nervos.
— E eu? Acha que não tenho sistema nervoso?
Podia estar vivendo uma alucinação, avaliou Blair, causada pelas condições da selva. Mal conseguia acreditar que Taylor estava ali e que ela o tocava.
— Conte-me o que faz aqui, quando a região passa por uma fase de perfeita calma. Não me diga que veio como diplomata.
— Realmente, querida, eu não diria isso. Encerrei uma longa carreira como agente especial, e decidi vir raptá-la pessoalmente, caso não me dê ouvidos. Sabe muito bem que, agora, sou eu o seu refém, capturado por seus encantos, pela vida inteira...
— Taylor — Blair murmurou, ainda sem acreditar de todo no que acontecia. Se ele era real, não uma ilusão, por que falava coisas sem sentido? — Você é maluco! — acusou, atormentada pela vontade de correr e fugir.
— Você me deixou maluco — ele concordou com ar de tédio. — Insano a ponto de querer me casar com minha princesa. Maridos merecem respeito, e quem sabe assim você pare de me chamar de maluco a toda hora.
— Casar? — Blair havia visto o anel de diamante e tivera receio de tirar a conclusão óbvia naquele momento. — Não posso casar com você, Taylor, você sabe disso.
— Tem de se casar comigo — ele corrigiu. — Um diplomata estabelecido não tem futuro se continuar solteiro. É impossível apresentá-la como minha namorada ou amante. Precisa ser minha esposa, com o mesmo sobrenome, tudo mais.
— Mas, depois de três meses sem dar notícias...
— Você é a pessoa mais teimosa que já conheci. — Sorrindo, Taylor procurou os lábios úmidos de Blair e selou-os mais uma vez.
O novo beijo foi não apenas real como delicioso e estimulante.
— Dispenso outra perda, meu caro — ela argumentou. — Talvez Ray tenha morrido acidentalmente, mas você entra às cegas, e de propósito, em situações de perigo.
— Não sou um suicida, sra. Teile. Pode confiar. Aliás, como está seu espanhol? Acabo
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de ser transferido para a embaixada norte-americana na Espanha. O único risco será torcer o pé durante algum baile promovido pelo corpo diplomático.
— E antes? — Ela suspirou, insinuando que não cederia facilmente. — Você sumiu de Washington sem falar comigo.
— Na noite da festa de George Merrill eu ainda não tinha nada definido. Apenas sabia que teria de cumprir uma última missão. No Iraque.
Cansado de discutir, Taylor avançou as mãos em sincronia por debaixo da camisola de Blair, e elas ficaram ainda mais ousadas quando encontraram os seios quentes e macios.
— Taylor, isto não é um ato de sedução. Parece mais um...
— Estupro? Não me faça rir, princesa. Em vez disso, esquente-me, excite-me mais do que meus sentidos possam aguentar!
Blair reconheceu nos olhos leoninos de Taylor o estado de intensa excitação. Não era surpresa, dados os antecedentes do relacionamento, mas ela possuía um temperamento forte, quase indomável.
Ele passou a acariciá-la no pescoço, nas costas, nas pernas, o corpo todo, com pressa e volúpia. Cravou a boca e vibrou a língua sobre a orelha dela. Arrepiada, Blair teve a certeza de que logo estaria envolvida por um desejo alucinante. No entanto, mesmo sensível às mensagens do corpo feminino, Taylor a ergueu no colo e a levou em passos largos até a beira do riacho, banhado pelo luar. Havia preparado toda a ação para que as palavras se tornassem dispensáveis e o inevitável acontecesse.
— Eu amo você — ele limitou-se a dizer, acomodando-a na margem, sob uma árvore, e atritando-lhe as coxas alvas em uma espécie de convite ou de súplica.
— Eu também amo você, mas acho que continua sendo confiante demais — Blair comentou, de certo modo arrependida por ter-lhe negado confiança por longo período.
Isso já não importava. Ambos haviam sofrido por tanto tempo a tortura do desejo que as preliminares da relação foram saltadas diante da tensão sublime que os consumia, abençoada pelo luar.
Eles se colaram um ao outro em silêncio, e a doce penetração foi seguida de suspiros de prazer. Efetuaram os movimentos com mútuo empenho, em ritmo delicado, consumando a posse até o auge, cientes de que nunca esqueceriam aquela magia criada em conjunto, em uma partilha física e emocional que era unicamente deles.
Blair pensou que poderia adiar o êxtase, mas Taylor trouxe ambos até a explosão do clímax. Era desculpável, era natural. Ele lhe havia ensinado que tais alturas existiam. Boa aluna, ela só tinha a agradecer.
— Obrigada — sussurrou no ouvido dele, ainda comovida.
Taylor precisou de um minuto para compreender o agradecimento.
— De nada, princesa. Nós, os lacaios, temos a obrigação de agradar.
— Alegação ouvida e rejeitada — ela rebateu. — Tem certeza de que quer mudar de atividade, ou está fazendo isso só por mim?
— Blair! — ele recriminou. —Não comece a ter ideias tolas. Veja aqui. — Taylor retirou da sacola plástica que trouxera consigo uma garrafa de champanhe gelado e duas taças.
— Isto é para comemorarmos nosso amor, nossa união, desde que agora você já confie em mim.
Trocaram um brinde.
— Para responder à sua pergunta — ele prosseguiu —, passei metade da vida à espera de uma mulher como você. Não pretendo perder a outra metade em discussões. Quero um lar
Bestseller 82 – Tempestade no Paraíso (Tempestuous Eden) Heather Graham
estável, quero que me perdoe e me aceite. Pedi transferência assim que cheguei a Washington, mas os trâmites burocráticos demoraram um pouco e precisei participar de outra missão secreta, a última. Na verdade, minha nova linha de trabalho depende de você. Como já disse, diplomatas solteiros não têm futuro.
— Brad Shearer e Kate se casaram. Sabia disso?
— Ouvi dizer e fiquei contente. São ótimas pessoas. — Taylor ganhou fôlego e degustou o champanhe. — Quando Lorna Patterson me contou que você tinha telefonado a George Merrill, tornei-me mais determinado do que nunca a mudar de vida. Não a procurei antes porque me faltavam alguns trunfos na manga. Mas parece que seu pai me aprova completamente.
— Ele lhe pediu que...
— Que a seduzisse? Não. Huntington sabe como você é teimosa. Apenas me sugeriu que empregasse qualquer meio a fim de convencê-la. Creio que não gostou muito de vê-la entrar em casa vestida somente com uma capa de chuva.
Blair sorriu à lembrança da cena, realmente impagável.
— Então — Taylor finalizou —, o que acha de ser a esposa de um futuro embaixador?
— Adoro tudo o que possa partilhar com você... — Um encantador toque malicioso enfeitou a frase que representava a rendição final de Blair. — Dê-me mais champanhe, rápido.
— Para que a pressa? — ele estranhou.
— Logo verá.
Ela tomou dois goles seguidos e, insinuante, tocou-o intimamente deixando claro que queria mais. Era bela e exótica a cena de paixão. Blair vibrou, com faceirice e sensualidade, a fim de receber outra vez o calor do parceiro. Para ela, fosse diplomata ou embaixador, Taylor sempre seria, na essência, um homem da selva, um animal predador, ágil e dominador.
E foi assim que os olhos leoninos novamente avaliaram o seu corpo.
Epílogo
MEMO
De: Taylor
Para: G.M.
Achei que você gostaria de saber que o casamento real teve lugar na segunda-feira. A princesa tornou-se a sra. Craig Taylor às dez da manhã, horário local, dispensando o peso dos sobrenomes Morgan, Huntington e Teile, todos de uma vez. Está ansiosa por morar na Espanha. Teremos dois dias de lua-de-mel na cidade do México, portanto não se preocupe em escrever (quarenta e oito horas foram tudo o que o dr. Hardy nos concedeu antes de voltarmos ao acampamento e cumprirmos nosso período final).
C.T.
P.S. Anexo um par de brincos da cor turquesa. São para Lorna Patterson. Pensou que
Bestseller 82 – Tempestade no Paraíso (Tempestuous Eden) Heather Graham
eram para você? Francamente, chefe, turquesa não lhe cairia muito bem, não é mesmo?
MEMO
De: G.M.
Para: Taylor
Parabéns efusivos, Craig! Perdi o casamento real, mas irei à recepção de gala que Huntington prepara para dezembro. Por falar nele, cuidado! O homem ficou inconsolável por estar ausente no segundo casamento da filha. Mas recebeu uma carta dela e riu por dois dias seguidos. Em todo caso, cautela com seu sogro. Transmita meus melhores votos à princesa (junto com os de Lorna, que adorou os brincos). Vida longa e muitos filhos.
O chefe
MEMO
De: Taylor
Para: G.M.
Senhor,
Esta mensagem deve alcançá-lo uma semana antes de nossa chegada em casa. Espero vê-lo pessoalmente antes da partida para a Espanha, e gostaria que conferisse sua agenda para organizarmos uma pequena festa em homenagem à princesa, na véspera do Natal. A data, claro, é sigilosa! Quanto ao sogro Huntington, creio que sei lidar com ele. Se anunciarmos um nascimento real para aproxima primavera, será que ele continuará rindo?
Taylor
Leia na próxima edição
Kelly James-Enger
INTIMIDADES
As mulheres usam o sexo para ter amor. Os homens usam o amor para ter sexo. É o que pensa a redatora Trina Elder. Sem correr grandes riscos, ela está acuada entre sua irmã mais velha — bem casada e profissional de sucesso — e a mais nova, considerada "a bela da família". Trina satisfaz-se com seu apartamento em Chicago, um emprego razoável e um atraente namorado, Rick. Traída por Rick, ela vê seu mundo organizado desmoronar. Agora, a garota que sempre seguiu as regras corretas tem de refazer sua vida, a começar pela gaveta de lingeries. A cura de seu coração ferido passa pelo surgimento de uma nova mulher: a Trina exagerada, ousada, talvez a fêmea selvagem que ela escondia dentro de si...
Você terminou Tempestade no Paraíso
Heather Graham