Tempestade no Paraíso

Heather Graham · Capítulo 2 de 4 · parte 1/3

Páginas do PDF

Tempestade no Paraíso

Exceto passar a noite com ele.

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

 

 

Capítulo IV

 

Taylor sentiu-se como que atado por laços frouxos, tortuosos, mas porque estava agitado ele manteve um comportamento normal, o que quer que isso significasse. Baixou a chama de sua lamparina a querosene e começou a tirar a roupa meticulosamente, colocando as botas no chão, à esquerda e à direita do leito, enrolando as meias, dobrando a camisa, a calça jeans e a cueca.

Desse modo, tudo ficava a seu alcance, embora nenhum dos itens fosse indispensável no caso de ter de sair correndo. No seu trabalho, essa possibilidade sempre existia.

Despido, ele esticou-se no catre e socou o travesseiro de maneira a formar um ninho para a cabeça. Encostou um cotovelo na parede de madeira e posicionou a mão atrás da nuca. Com a outra mão, acendeu um cigarro e deixou o maço sobre a caixa de papelão que, ao lado do leito, servia de mesa-de-cabeceira.

Inalando devagar, Taylor fixou a vista no teto anguloso, verde-musgo. Ponderou, com uma mescla de amargura e arrependimento, que ele podia ser classificado de idiota. Um completo idiota.

Havia esperado uma princesa, uma jovem mimada. Encontrara uma mulher, de pés firmes no chão, cheia de caráter, humor, inteligência, e que não refugava trabalho duro. Por tudo de mais sagrado, não compreendia por que o veterano político tinha se recusado a discutir a situação com a filha. Sigiloso, ele lembrou-se.

Taylor suspirou após exalar fumaça do cigarro. Em três horas, deveria mandar um comunicado, e então uma ideia passou a formar-se em sua mente. Talvez um bom número de assessores lesse a mensagem, mas o pai de Blair e até um escalão mais alto é que tomariam as decisões. E agora que ele conhecera qual o interesse de Andrew Huntington, não conseguiria culpá-lo. Pena que ele não soubesse comunicar as próprias emoções em código Morse.

Não se preocupe, senhor. Nenhuma força no Céu ou na Terra me fará permitir que algo aconteça a ela. Parece maluquice, eu sei. Só estou aqui há dezessete dias, mas acho que me apaixonei por sua filha. Digo "acho" porque nunca na vida encontrei tempo para descobrir o que é o amor. Mas eu jamais conheci uma mulher como ela, senhor. Ela me faz tremer. Pode me imaginar tremendo, senhor?

Os rapazes do Serviço Especial iriam adorar retransmitir a mensagem, depois de rirem bastante. Mas havia algo de especial sobre Blair. Ela o fazia pensar em um lar, no qual pudesse descansar todas as noites, bebericando vinho e conversando ao pé da lareira com a esposa. Também acordaria junto com ela, admirando sua beleza todas as manhãs, criando uma família, um paraíso.

— Sua máquina está com defeito — Taylor disse à autoridade cuja voz se tornara um murmúrio indecifrável no ar. — Homem errado para a missão.

Finalmente dissera o que pretendia. Vinha pensando nisso fazia tempo, com tédio, e depois com uma pontada de dor. A mulher que amava iria odiá-lo quando descobrisse quem

Bestseller 82 – Tempestade no Paraíso (Tempestuous Eden) Heather Graham

 

ele era e o que acontecia. Tal perspectiva doía como ter um membro arrancado sem anestesia.

Claro, ele ainda podia contar-lhe a trama toda. Mas, e se a velha raposa estivesse certa? Havia muita coisa em jogo. Especialmente, o bem-estar de Blair. Melhor suportar-lhe o ódio, sabendo que ela estava a salvo.

Quando a bela figura ruiva entrou em sua barraca, Taylor pensou que estivesse tendo uma alucinação. A luz baça da lamparina, os cabelos dela lembravam uma fogueira na escuridão, emoldurando os adoráveis contornos do rosto. Os olhos verdes, legítimo par de esmeraldas, registraram a nudez do homem, sem piscar. Os lábios como que retinham a umidade do beijo partilhado.

Blair permaneceu parada, com o corpo esguio empertigado, orgulhosa de suas formas. Ao fitar Taylor, notou certa reação. Os olhos dele se toldaram por um segundo, o cigarro ficou parado no ar, mas logo a fumaça foi expelida e ele a observou com um calmo e inaudível questionamento. Não fez tentativa alguma de cobrir o corpo, tão sólido, perfeito e bronzeado em contraste com os lençóis alvos, no qual Blair pôde notar a reação instintiva dos hormônios masculinos.

Ela corou um pouco, mas não fugiu nem se moveu. O que Taylor iria pensar dela, cogitou em desespero, vindo assim sem pudor à barraca dele, no meio da noite? Seria possível que imaginasse o quanto era uma pessoa especial para ela? Ou como lhe havia aberto o portal dos sonhos de amor?

Começou a tremer. Nunca devia ter ido ali. Jamais seria capaz de assumir o papel de mulher sedutora e ousada, contrário a toda a sua formação.

Vê-lo nu era uma contrapartida às vezes em que Taylor, quase com certeza, a havia espiado sem roupa no riacho. Mas as situações eram diferentes. Existia na barraca um clima de intimidade, reforçado pela hora tardia da noite. E mais, se Blair podia disfarçar sua excitação, como qualquer mulher, o mesmo não valia para Taylor. Ela deveria ficar envaidecida por deixá-lo excitado.

Apesar de tudo, ele não a queria. Sempre estivera contendo-se, escapando pelas bordas, o que feria a auto-estima de Blair e seu orgulho feminino.

— O que está fazendo aqui? — A pergunta de Taylor, em tom de perplexidade, era perfeita para estragar qualquer momento de paixão.

Ela fechou os olhos e reuniu energia para avançar barraca adentro. Dificilmente o faria sob o olhar recriminador de Taylor. Quando abriu as pálpebras, manteve a vista baixa. Ao exprimir-se, a voz de início não saiu, mas depois soou com firmeza.

— Quero passar a noite com você.

Outra vez paralisado, por mais de um segundo, Taylor ponderou que aquilo não era justo. Ele conseguia controlar-se dolorosamente, enquanto Blair assumia os riscos de um encontro íntimo. Alguma coisa andava errada naquela relação, e o que vinha sendo reprimido nele explodiu em um calor corporal insuportável.

Qualquer meio, dissera o pai de Blair.

Mas, de algum modo, ele sabia que amor e sexo não eram o que Andrew Huntington tinha em mente ao instruí-lo.

— Taylor? — A voz suave, trêmula e um pouco rouca ganhou um tom sensual, mas também soou um tanto insegura e temerosa.

Uma personalidade forte como a de Blair tornava-se subitamente vulnerável, buscando segurança no homem ali presente. Taylor jamais se perdoaria se frustrasse as expectativas, as carências dela.

Que Huntington fosse para o inferno!

Bestseller 82 – Tempestade no Paraíso (Tempestuous Eden) Heather Graham

 

— Venha cá, Blair. — Ele moveu-se de leve para dar espaço no catre.

Foi a vez dela de ficar congelada no lugar. Tinha sido fácil e prazeroso imaginar-se aninhada nos braços de Taylor, em total segurança. Mas ele não a abraçava ainda, e a falta de ação e reação inspirou um momento de reflexão mútua. Ambos pensaram na situação. Para Blair, tudo ficou patente naqueles olhos cor de mel: a ternura que escondia uma viril intensidade, a compreensão que continuava sendo-lhe oferecida.

Bastaria aceitá-las, e por isso ela quis permanecer ali, em vez de escapar. As pernas a levaram na direção de Taylor, mas o olhar continuou baixo. Mesmo assim chegou ao leito, onde se deitou com infinita graça.

— Você tem certeza, Blair? — ele questionou.

Ela preferiu menear a cabeça a falar, sentindo a garganta seca. Suas mãos se cruzaram à frente do colo, querendo tocar o peito dele, mas incapazes de fazê-lo.

O que acontecia? Os pensamentos de Taylor agora se centravam na singular e bela mulher a seu lado, tão próxima e ainda assim evitando tocá-lo, embora brindasse seus sentidos com o deslumbramento.

Ela o desejava, mas se retraía. Havia invadido corajosamente sua barraca, mas tremia nervosamente.

Taylor conhecia a força do desejo desde cedo, graças a muitas mulheres que conhecera em diferentes terras e portos, mas jamais sentira algo tão avassalador: uma excitação que o deixava quase louco, mesmo temperada pela necessidade de ser terno, de dar proteção.

Blair era linda! Lentamente, Taylor ergueu os dedos a fim de acariciar a pele sedosa do queixo dela.

— Fale comigo — pediu suavemente.

As pálpebras por fim se abriram, desvendando o mar verde que brilhava naqueles olhos. A boca estremeceu ao formular a pergunta essencial:

— Você vai fazer amor comigo, Taylor? — Ela ainda duvidava.

— Claro que sim, Blair — ele jurou em tom solene, apesar de tocado por certo grau de divertimento. Ele também captou o sofrimento dela, a perda e o medo. Naquele instante, teve a certeza de que Blair não amaria homem algum depois de Ray Teile, e que sua beleza feneceria nas garras da tragédia.

— Então me ame, Taylor. Apenas me ame, por favor. — Blair reprimia as lágrimas.

Tendo perdido a iniciativa, ela necessitava de ajuda. Os dedos de Taylor alcançaram os botões da blusa dela, mas ele os manteve firmes no lugar por um minuto, sentindo que Blair também precisava ter absoluta confiança nele.

De qualquer modo, era difícil despir alguém que não parava de tremer. As mãos de Taylor foram reverentes no ato de despir Blair, mas, com ou sem confiança, ele não pôde conter os suspiros de empolgação quando finalmente colocou a pele feminina ao alcance de seu toque e de sua vista.

Taylor não era particularmente cuidadoso. A blusa de Blair, primeira peça a cair, pousou no chão sujo. O sutiã, uma inútil concessão à feminilidade em plena selva, logo veio por cima. Ele resistiu à tentação de saborear com os lábios os picos rosados existentes sobre a crista dos lindos seios. Antes, removeu a calça caqui de Blair e a calcinha rendada, descendo-as pela extensão das pernas compridas e soberbas. Ela suspirava convulsivamente, a intervalos, até fixar os olhos em Taylor e entregar-se à sua vontade.

Ainda tremia, reprimindo a própria tensão sexual, mas o olhar conservava Taylor cativo de seus encantos. Ele, por sua vez, queria tocar, beijar, sugar os pontos mais sensíveis de Blair. Terno e controlado, apenas correu os dedos como penas sobre o corpo dela, traçando

Bestseller 82 – Tempestade no Paraíso (Tempestuous Eden) Heather Graham

 

lentamente a linha que ia da testa para baixo, passando pelo nariz, queixo, pescoço e o vale entre os seios. Estes subiam e desciam de acordo com a respiração cada vez mais acelerada de Blair. Após essa pausa, os dedos dele procuraram o umbigo, o ventre, os quadris e as coxas. Taylor percebeu que o tremor se acentuava e os sentidos começavam a responder à excitação induzida naquele corpo tão sensual quanto trêmulo. Ele julgou-se pronto a colher o âmago da sexualidade feminina, mas tudo tinha de ser correto, igual entre eles.

Tomou Blair em seus braços e fruiu o gosto dos seios apertados contra seu peito. As pernas esguias se emaranharam nas dele, as virilhas se tocaram com uma temperatura abrasadora, e tudo levaria ao desempenho final do ato de amor se Taylor não lutasse por autocontrole, até que a compreensão mútua pudesse intensificar o prazer de ambos. Ele se esfregou nela, e ouviu um gemido, mas, embora nada fizesse para esconder seu febril desejo, também não permitia que essa necessidade o forçasse a um insensível egoísmo.

— Você veio até aqui — ele murmurou, encarando Blair nos olhos —, mas ainda tem medo de mim.

— Sim, tenho. — Aqueles olhos verdes e honestos não lhe permitiriam mentir.

— Por quê?

Ela bateu os cílios levemente, depois focalizou os olhos de Taylor outra vez.

— Porque você é real e me afeta de um modo que... — Silenciou por segundos. — Não consegui deixar de vir e...

A hesitação continha em si uma denúncia.

— Não houve outro homem depois que seu marido morreu. Certo, Blair? — Taylor viu que ela concordava com um gesto frágil de cabeça. — Não precisa ter medo de mim.

Ele atenuou os temores dela enterrando os dedos nas madeixas ruivas, seduzindo-a graças ao conforto de uma massagem suave na nuca.

— Também estou com medo — confessou. — Sente minhas mãos trêmulas? Mas quero lhe dar prazer, assim como você me dá somente por existir.

Muitas vezes Taylor a havia espiado e desejado ardentemente! E agora que ela estava ali a seu lado, de igual modo nua e fascinante, ele não a deixaria escapar por nada. Os olhos de esmeralda, notou, eram cheios de orgulho e inocência. Mais bonitos, mais comoventes do que tudo o que ele já havia visto, e mesmo assim ele não avançou sobre ela.

— Deveríamos conversar bastante, Blair.

— Não agora, por favor. — Ela balançou a cabeça enfaticamente. — Apenas faça amor comigo. — Apoiou a cabeça no ombro dele, os lábios quase encostados no pescoço forte.

Taylor não precisou de um segundo convite, mesmo porque não conseguiria conter-se por mais tempo. Posicionou a cabeça de Blair no travesseiro, acariciando-a com o olhar. Estava no comando, porém era meigo e gentil.

— Eu quero você, Blair — murmurou. — Mais do que tudo no mundo.

Ela sorriu e fechou os olhos, gratificada, mas quando ele desceu sobre ela, segurou-lhe os braços com firmeza.

— Não vamos reprimir nada entre nós, certo? — ele pediu suavemente. — Desejo-a inteira.

A confiança que ele despertara já vinha derretendo os velhos temores de Blair e, sobretudo, a dor tão firmemente encravada em seu coração. Taylor era sinônimo de vida, de prazer físico e de realização afetiva.

Novamente ela avaliou aquele homem, que agora a possuía com uma completa e

Bestseller 82 – Tempestade no Paraíso (Tempestuous Eden) Heather Graham

 

atrevida eficiência, e cuja determinação o levara a conhecê-la melhor do que ela conhecia a si mesma. Quando desviava o rosto, Taylor a forçava a encontrar seus olhos, instigando-a a dar livre vazão ao prazer que ele acendia. Ele espicaçava seus sentidos, traçando estranhos padrões em sua pele, por meio de irresistíveis toques. Aceitava seu medo, sua inexperiência, guiando-a aos poucos até um mundo de sensualidade que ela nunca imaginara possível.

Embora o desejasse muito, Blair chegou ao limiar da inércia e do abandono, permitindo que Taylor comandasse as ações, como gostava de fazer. Manteve-se receptiva, porém, ao jogo mágico de toques manuais e labiais que lhe molhavam a virilha e endureciam os mamilos. Então, entre suspiros ofegantes, ela gemeu.

Motivado, Taylor correu as mãos sobre os seios de Blair e seguiu a trilha quente até o ventre e a curva dos quadris. Ele torturou-a com carícias ousadas, gemeu, sob um inferno de tensão, e surpreendeu Blair ao alinhar a cabeça com o rosto dela, beijá-la com o máximo ardor e soprar-lhe no ouvido uma série de palavras bonitas.

Taylor lhe disse como ela era adorável, plena de dotes físicos e virtudes espirituais. Falou dos olhos de esmeralda que o hipnotizavam, dos seios firmes, da perfeita curvatura dos quadris que assombravam seus sonhos de homem.

Curioso... Ele nunca havia se imaginado tão romântico, capaz de exteriorizar palavras poéticas em um fluxo constante. É que tudo vinha de seu coração, tudo consistia na voz da paixão que inflava seu explosivo desejo.

Ante a declaração, Blair foi tomada por um novo surto de arrepios. Mas dessa vez os tremores eram doces, agradáveis, testemunhas de uma crescente expectativa de prazer.

Taylor ainda comandava as ações, e com isso também se excitava. O passado de Blair foi varrido de sua mente diante do homem forte e bonito que a elevava até o paraíso por meio de um simples toque amável na pele. De repente, Taylor deixou de ser gentil. Cobriu-lhe a boca de beijos violentos, mordiscou os mamilos, apalpou o ventre e, com um gesto brusco, ergueu-lhe as pernas, desvelando a essência do fogo que a consumia. Acariciou com a língua a pele macia, avançou pela fenda feminina e por fim colheu o ponto mais sensível, onde vibrou por incontáveis minutos.

Foi como se ele a possuísse por completo, de uma maneira que desconhecia, em uma fruição irrevogável. Todo o medo de Blair então se dissipou. Taylor havia mostrado que sabia quando ser gentil ou rude, quando pedir ou tomar. A paciência dele seria recompensada pela criatura selvagem e passional que ganhava forma em seus braços. Blair se contorceu sob as carícias íntimas do parceiro, depois retribuiu o abandono sensual que ele lhe proporcionava. Tocou-o intimamente e ouviu gemidos de aprovação. Taylor não iria nem solicitar nem persuadi-la de nada, mas ela sucumbiu às explícitas demandas da potência masculina, equivalentes à sua própria excitação. Com os nervos estimulados, usou a ponta dos dedos, depois a língua, em seguida a boca toda, para conceder ao parceiro o prazer que ele merecia.

Ele a deitou debaixo de si, a pele fervente, os olhos ambarinos consumindo o semblante de Blair, até que o fogo que emanava dele terminou de incendiar seu próprio corpo. Então, ela sentiu a primeira e suave estocada como algo que a preenchia, mas também a maravilhava. Nunca imaginara que duas criaturas pudessem fundir-se tão completa e harmoniosamente, na hora do amor. Abraçada a Taylor, ela desfrutou o delicioso delírio que ele causava ao fazer desabrochar sua inata sensualidade. As unhas escavaram meias-luas nos ombros bronzeados dele, mas nenhum dos dois notou. Entraram em uma ritmada ondulação que abrangia pernas e quadris, tornando premente a necessidade de alívio. O clímax surgiu em meio a uma explosão dos sentidos, impondo uma plenitude de felicidade tão intensa que mesclava os prazeres terrenos com as glórias do céu.

Enlaçados no desfrute do momento seguinte, Blair apegou-se ao esplendor das

Bestseller 82 – Tempestade no Paraíso (Tempestuous Eden) Heather Graham

 

sensações experimentadas, que não faziam parte de sua memória. Taylor estava consciente de que ela precisava de tempo para assimilar tudo que havia dado e recebido. Para ela, era como se tivesse sido a primeira vez.

Afagando os cabelos ruivos que agora lhe pertenciam, Taylor listou na mente as muitas vezes em que fizera sexo, as poucas em que se envolvera emocionalmente, e a única em que conhecera, graças a Blair, o total significado de amar.

No catre estreito, incapaz de deixá-la após o auge da paixão, ele colheu o rosto dela nas mãos. Os olhos estavam mais belos do que nunca: pesados, sonhadores, enevoados e sensuais.

— Você — ele disse com suavidade, dando um beijo na ponta do nariz de Blair — é incrivelmente encantadora.

Os lábios dela armaram um sorriso tímido, mas os olhos transmitiam total sinceridade. Tocou o rosto de Taylor com os dedos, e qualquer palavra entre eles se tornou desnecessária.

Taylor sentiu-se devedor, porque Blair silenciosamente lhe agradecia, quando fora ele quem recebera muito mais. Beijou a testa e voltou a saborear-lhe a boca, agora com uma paixão momentaneamente gasta, mas compensada pela infinita ternura. Depois, ajustou seu peso e apoiou-se em um dos cotovelos, observando Blair com curiosidade.

— Queria que conversasse comigo agora — foi a amável ordem. — Sinto que há algo dentro de você que precisa ser posto para fora.

— Não, eu ainda não posso fazer isso... — ela rebateu com desalento.

— Você não percebe, Blair? Tudo o que está em seu passado deve ser liberado. Acabamos de ter um momento de felicidade, mas eu quero mais do que o amor físico. Sua hesitação e insegurança me fizeram pensar que algo estava errado entre nós, justamente quando estávamos mais próximos. — Ele fez uma pausa e acentuou o tom grave da voz. — Por acaso Ray Teile a maltratou, ou abusou de você de alguma forma?

— Oh, não! — ela respondeu, quase ofendida. — Você faz isso parecer trivial.

— Querida... — retomou ele, mostrando alívio. — Nada que se refira a você, em qualquer tempo ou lugar, será trivial para mim.

Por mais galante e bem-intencionada que fosse a frase, era difícil trazer à baila o nome do senador Teile. De qualquer modo, Taylor havia dado e recebido a mais intensa paixão.

Só que desejava de Blair muito mais que isso. Era um tolo, sabia. Quanto mais tivesse, mais perderia. Mas, como homem apaixonado, não podia negar a si mesmo nenhuma tentativa de sucesso, quaisquer que fossem as consequências.

— Blair... — ele recomeçou, disposto a correr o risco de evocar o nome do falecido marido dela. — Teile não era uma pessoa comum. Nada que se relacione a ele pode ser trivial.

A aguda perspicácia de Taylor a manteve sintonizada. Talvez quisesse falar do marido antes, mas não fora capaz. Seu pai a ouviria afetuosamente, porém isso apenas aumentaria o fardo de tristeza que ele já carregava por ela. Kate também seria uma boa ouvinte, mas uma fraca conselheira.

Por sua vez, Blair não teria disposição de falar sobre Ray Teile com um amante qualquer. Era a confiança, a auto-estima de Taylor que o levava a compreender, sem rancor ou ressentimento, suas palavras de pesar e saudade por outro homem.

Taylor conhecia Blair como mulher, não como a garota da alta-sociedade, a filha de um homem famoso, a viúva de outro. Tornara-se premente para ela abrir o coração e conversar sobre o falecido marido. Taylor nunca trairia sua confiança, e por isso esperava com calma, ainda apoiado no cotovelo, as pernas entrelaçadas nas dela, os olhos cor de mel tingidos de paciência.

Bestseller 82 – Tempestade no Paraíso (Tempestuous Eden) Heather Graham

 

Ela fechou os olhos, engoliu em seco e começou:

— Suponho que isto seja um absurdo — exprimiu-se em um murmúrio. — Outras mulheres também perderam seus maridos.

— Não é absurdo — Taylor a corrigiu. — Poucas mulheres perderam um marido como Ray Teile, e de maneira tão trágica. Pode falar comigo, Blair. Quero ouvir mais sobre Ray.

O sussurro inicial deu lugar a um tom firme, porque as mãos de Taylor a apaziguavam, seu calor a envolvia. As lembranças começaram a fluir, e Blair achou muito bom poder falar.

Havia casado com o senador Ray Teile logo após se formar em psicologia. Fora um sensacional evento social em Washington, com a presença de altas autoridades. Ninguém julgaria aquela união menos do que perfeita, destinada a uma felicidade total.

Blair estava de fato feliz, na ocasião. Ray era uma excelente pessoa. Suas campanhas políticas sempre tinham sido limpas, transparentes, sem qualquer ofensa a um adversário. Ele também se atinha à plataforma política anunciada e a praticava sem nenhum arranhão a seus princípios.

Taylor ouviu Blair sem pestanejar. Sentia alguma dor, sim, porque também ele fora um admirador de Teile. Seguramente, em seus últimos anos, o senador daria um ótimo candidato à presidência dos Estados Unidos. Além da aparência distinta, alto, magro e loiro, seu discurso atrelado a altos ideais alimentava os sonhos da população.

A lua-de-mel trouxera uma surpresa a Blair, uma surpresa que a enternecera. Homem bonito, "menino de ouro" da política, Ray Teile sempre fora considerado um conquistador.

Nada disso, Blair descobrira. Timidamente, mas com dignidade, o marido lhe informara que era quase tão inexperiente no amor quanto ela. Juntos tiveram de descobrir os segredos do sexo, como dois adolescentes que se amassem às escondidas.

Assim, o relacionamento sexual de Blair e Ray não fora marcado pela paixão selvagem ou pela ousadia, mas pela ternura. E a vida em comum era maravilhosa. Ambos se portavam como amigos íntimos, que se queriam muito, trabalhavam juntos, gostavam das mesmas coisas e sonhavam em constituir uma família.

Taylor captou os sentimentos de Blair enquanto ela falava. Na verdade, eram emoções universais, atributos de todas as pessoas. Ela sentia culpa por estar viva e ser capaz de amar de novo, embora soubesse que não tinha alternativa. Também estava receosa, porque Teile havia sido um companheiro meigo e gentil, e agora, após anos de abstinência, ela se via nos braços de um desconhecido.

Era difícil para Blair, ele reconhecia. Mas ela tinha confiado nele para viver uma tórrida noite de amor, movida pelo instinto. Taylor queria confiança total, carinho e cuidado. Não se importava de ouvir sobre as qualidades de Ray Teile ou suas insuspeitadas deficiências como amante. Quanto mais escutasse sobre Teile, mais saberia sobre Blair.

Curiosamente, o senador deplorava esportes violentos, como o futebol americano, e se deleitava com flores, pássaros e música clássica. Ninguém tivera conhecimento dessa extrema delicadeza, por isso ele chegara a encarnar o sonho norte-americano. Taylor podia compreender essa imagem pública, mas não a confusão entre masculinidade e machismo.

Ainda assim, carente de sexo pleno, Blair havia amado e respeitado o marido pelo que ele era: um homem realmente bom. Daí a tristeza que acompanhava sua narrativa.

A tristeza de tê-lo perdido.

Ray Teile fora mortalmente baleado por um franco-atirador durante um comício em prol de verbas assistenciais. Estava rodeado de seguranças altamente treinados, que foram incapazes de mover um dedo quando o primeiro tiro de surpresa atingira o coração do

Bestseller 82 – Tempestade no Paraíso (Tempestuous Eden) Heather Graham

 

senador.

Ao lado dele no palanque, Blair vira a vida de seu marido se esvair em forma de sangue. Lembrança forte, que a fez parar de falar e fechar os olhos. Taylor beijou-a ternamente.

— Blair... — ele concitou, levando-a a abrir os olhos. — Teile foi um homem exemplar e é natural que você ainda lamente a perda dele. Mas não tenha medo de amar de novo. Você está viva, saudável, e tem muito a dar.

Nada em que ela já não houvesse pensado. Mas era bom ouvir aquilo, sobretudo de um homem que a tivera nos braços e a fizera vibrar de prazer.

Estremeceu levemente. Havia trazido seu passado à tona, todavia isso já não lhe parecia tão doloroso, nem errado em se tratando de um ouvinte especial como Taylor. Sorriu ao levar a palma da mão ao rosto dele, usando o polegar para afagar-lhe o queixo.

— Obrigada por me escutar — murmurou. — Não acho que eu viva no passado, mas...

— Não agradeça nem se desculpe. — Ele selou os lábios dela com um dedo. — Eu queria ouvi-la, Blair. Queria tudo de você.

O tempo passou enquanto eles ficaram abraçados, cheios de contentamento. Blair ponderou como era estranho que os dois homens que havia amado fossem tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão especiais e únicos. Ao pensar assim, ela percebeu que estava admitindo que amava Taylor.

Movendo-se para cima dele, acariciou-lhe o peito com um beijo, depois repetido no ombro dele. Animado, Taylor fez menção de abraçá-la de novo, mas ela se esquivou, saindo do catre estreito que lhes servira de paraíso.

— Aonde você vai? — ele indagou intrigado.

— Para a minha barraca — foi a resposta suave, acompanhada de um sorriso. — Não estou preocupada com minha reputação, Taylor, ou com o que os outros pensem. Só quero dormir em minha própria cama e sonhar com tudo o que nos aconteceu aqui.

Ele se movimentou a fim de impedi-la de sair. Desejava passar a noite com Blair e acordar com ela a seu lado. Os músculos de Taylor se retesaram, o queixo endureceu, quando ele cedeu à razão. Em menos de uma hora, precisava enviar uma mensagem secreta.

No entanto, a razão não toldou a graça com que Blair se vestiu sob seus olhos. E de repente, quase sem consciência, ele se ergueu e ficou junto a ela.

— Esta noite — recitou, pressionando as mãos nos ombros de Blair — vou deixá-la partir. Mas virá um tempo em que...

Do que estava falando?, pensou Taylor. O tempo deles era limitado, e não bastava que se amassem. Ele a soltou abruptamente e pediu desculpas. Em seguida deu-lhe as costas e a deixou à vontade para sair dali.

— Você está certo — disse Blair antes de desaparecer na área externa. — Virá um tempo...

Blair ainda não havia adormecido quando Taylor atravessou a noite, deslizando até a selva como o espectro de um gato.

Mas talvez, naquela hora, ela não ouvisse nem mesmo um canhão. Sua mente achava-se limpa, o corpo saciado. A desconfiança não estava entre suas emoções.

Na verdade, ela saboreava a sensação de plenitude que alcançara com Taylor, e uma sublime paz de espírito. Antes de adormecer, sentiu falta do corpo masculino a seu lado, mas o sono foi absolutamente reparador, e um sorriso lhe curvou os lábios por toda a noite.

Ambos tinham razão. Viria um tempo em que ela ficaria com Taylor, ficaria até que

Bestseller 82 – Tempestade no Paraíso (Tempestuous Eden) Heather Graham

 

ele não mais a quisesse por perto, para retomar suas aventuras pelo mundo, nas quais, segundo ele próprio, não cabia uma presença feminina.

O que quer que o futuro lhes reservasse, junto com o viajante inveterado, Blair desfrutaria tudo que ele lhe desse, e de bom grado enfrentaria as consequências.

 

Capítulo V

 

A luz da manhã, Blair Morgan esqueceu que em algum momento havia desconfiado de Craig Taylor. A noite havia proporcionado uma magia sobre ela, e sua certeza era de que poderia enfrentar qualquer obstáculo que surgisse à frente. Talvez Kate estivesse com a razão: de um lado Blair subestimava seus poderes, de outro Taylor poderia ser do tipo que se estabelecia em um lar, com uma esposa.

Se ele não fosse assim, pouco importava. Pelo tempo que conseguissem partilhar, ela pretendia ser egoísta e tirar dele tudo o que pudesse. A julgar pela amostra, nunca lamentaria qualquer experiência ao lado de Taylor. Sabia, não obstante, que jogava perigosamente, tratando-se de um homem como ele. Jamais procuraria outro, ciente de que não encontraria de novo uma química tão perfeita. Mas estava disposta a jogar, e nunca, nunca se arrependeria.

Ansiosa por ver Taylor e falar alguns minutos com ele, ou apenas trocar um discreto sorriso, Blair foi vencida pelas circunstâncias. Gostaria de contar a ele como estava se sentindo maravilhosa, mas naquele instante o acampamento fervilhava de confusão e atividade. Vozes aflitas, em espanhol, chegaram-lhe aos ouvidos. Dezenas de nativos estranhos cercavam a barraca do ambulatório. Vendo o dr. Hardy encurralado, Blair partiu em socorro dele.

— O que está acontecendo?

— Graças a Deus que já se levantou. Estas pessoas vieram do norte. O terremoto devastou sua pequena aldeia. Temos de nos organizar para atender tantos refugiados. Ajude Dolly a fazer mais comida. E preciso de Taylor aqui, depressa. Precisamos improvisar algumas barracas como abrigo.

Tom falava freneticamente, enquanto já seguia em outra direção. Com um suspiro, Blair abriu caminho entre o grupo de flagelados, tentando sorrir para eles enquanto seu coração se apertava. Seriam dias difíceis. Ela teria sorte se contasse com a companhia de Taylor.

Censurando-se por se comportar como uma covarde, Blair passou a trabalhar na cozinha junto com Dolly. Imaginou por que julgara tão importante se afastar de Taylor na noite anterior. Quisera desfrutar sozinha o momento posterior à experiência de sexo pleno, meditar em paz nas sensações do corpo e nos conceitos mutantes da mente. Também precisara decidir como conciliar suas necessidades, seus desejos e emoções com o mundo real que existia fora dos braços do homem que tanto a perturbava.

Agora, tudo isso parecia tolo. Preciosos minutos haviam sido desperdiçados, quando Blair escapara da alegria de dormir abraçada com Taylor e acordar ao lado dele à luz da manhã.

Bestseller 82 – Tempestade no Paraíso (Tempestuous Eden) Heather Graham

 

Tomara que ele houvesse compreendido o gesto e que tudo ficasse bem entre ambos.

Foi bem depois do crepúsculo que a atividade no acampamento diminuiu. Ansiosa, Blair procurou ver Taylor em algum lugar. Pouco antes ele estivera colocando uma manta sobre uma mulher e uma criança, a fim de que passassem a noite agasalhadas. Não poderia estar longe...

Contendo a vontade de gritar o nome dele, Blair serviu-se de uma caneca de café e permaneceu ao lado do fogão a lenha, onde o exausto grupo de voluntários estava reunido. Observou uma chama dançarina, pensando em como os olhos de Taylor podiam lembrar o fogo e como ela cairia em desespero se arruinasse aquele relacionamento com sua vacilação e seu medo.

Então, ela o sentiu atrás de si antes que as mãos de fato repousassem em seus ombros.

— Taylor...

Voltou-se com os olhos bem abertos e recebeu um beijo na boca. Ele a beijara sem se importar com a presença dos outros, e seu sorriso possuía todo o calor e carinho que Blair poderia almejar.

— Dia ruim — ele comentou. — Cansada?

Ela concordou com um gesto de cabeça, mas não se abateu pelo cansaço.

— Vou acompanhá-la até sua barraca — ele murmurou em tom grave. — Vamos dormindo em duplas, você sabe. Kate com você, Juan comigo.

— Pretende me alertar sobre aventuras noturnas?

— Sim, claro. Gosto muito do velho Juan, mas se ele vir um pedacinho desse corpo que considero meu, com perdão pelo machismo, não vai dormir por muitos dias!

Blair riu, divertida com o comentário. À porta da barraca, ela enlaçou o pescoço de Taylor, admirada com a altura e a envergadura dele, e ergueu o rosto para beijá-lo lenta e suavemente, saboreando-lhe os lábios. Sentiu uma onda de calor invadi-la.

— Vinda de você, não me importo com qualquer declaração machista.

— Bom. — Ele sorriu, arqueando as sobrancelhas, e tomou Blair nos braços. — Esta situação é provisória, só por alguns dias.

— Só por alguns dias... — ela ecoou.

 

Mas os poucos dias se estenderam por uma semana, e Blair, consciente do que estava perdendo, considerou esse prazo uma tortura. Por várias noites permaneceu acordada, contemplando o teto de sua barraca e pensando que, afinal, o tormento dos sentidos era melhor do que nada, pois indicava seu grau de tensão. Todas as noites Taylor a acompanhava até a porta. Todas as noites trocavam um beijo, ambos sabendo que queriam muito mais.

No entanto, a tortura sofrida por Taylor era bem maior. Dormir fora da barraca, por causa de suas comunicações noturnas, agora que Juan dividia o lugar com ele, era desagradável. Na verdade, esse era o menor dos problemas. Ele se comportava com estranheza, pensando todos os minutos em Blair, imaginando que o tempo se tornara inimigo de seu amor. Não conseguia ficar longe dela e torcia para que tivesse mais uma noite de delírio sensual antes que...

Antes que Blair o odiasse. Sem saber o que estava acontecendo fora do acampamento e, de qualquer modo, proibido de lhe contar qualquer coisa, mesmo sobre sua pessoa, Taylor admitia que brincava com fogo. Seguramente, Blair pensaria o pior dele. Teria sido mais simples se ele se limitasse a tomar conta daquela mulher da alta-sociedade, como havia

Bestseller 82 – Tempestade no Paraíso (Tempestuous Eden) Heather Graham

 

imaginado a princípio.

Mas já não importava. Ele se achava comprometido até o fim. Se houvesse uma explosão, Taylor não podia, por vontade própria, mudar as coisas. Estava aprendendo que aquilo era amor. Infelizmente, acontecera em uma hora imprópria.

A dureza do trabalho com os novos refugiados começava a abrandar quando o segundo novo voluntário prometido pelo dr. Hardy apareceu. Chegou em um jipe, como Taylor, trazendo presentes e guloseimas dos Estados Unidos. Chamava-se Brad Shearer e era um texano moreno, um tanto rude, mas de uma simpatia contagiante. Entusiasmado, o médico encarregou Blair de apresentá-lo aos outros membros do grupo.

Ela encontrou Kate e Taylor junto ao fogão.

— Kate, Craig, este é Brad Shearer.

— Viva o Texas! — Kate saudou alegremente. — Prazer em conhecê-lo.

Ante a espontaneidade de sua amiga, Blair abriu um sorriso, que logo começou a esvair-se, sob uma forte sensação de incômodo. Estava quase certa de ter detectado uma centelha de reconhecimento fisionômico nos olhos de Brad, quando o apresentou a Taylor.

Os dois homens trocaram um aperto de mão, e Taylor, embora cordial, desviou a vista do recém-chegado.

 

As duas mulheres tiveram tempo livre, naquela tarde, para nadar no riacho. A maioria dos refugiados já havia voltado para suas terras, ao norte, devidamente alimentados e curados de ferimentos ou escoriações. As coisas tendiam a voltar ao normal.

— O que acha de Brad? — perguntou Kate, sem disfarçar o entusiasmo.

— Simpático — Blair respondeu secamente. — Você notou algo de engraçado, hoje?

— Faz tempo que não vejo nada de engraçado. O que quer dizer?

— Quase posso jurar que Brad e Taylor se reconheceram e os dois agiram como se nunca houvessem se encontrado.

— Oh, Blair! — Kate lamentou. — Você deve estar estressada ou lendo demais.

— Kate! — a outra recriminou, meneando a cabeça.

— Realmente, muitas mulheres não sabem apreciar o que têm — disse a amiga antes de suspirar. — Ao contrário de mim, por certo — acrescentou depressa.

Blair caiu em pensativo silêncio. Ela tinha Craig Taylor e o desejava desesperadamente. Naquela noite tudo seria esclarecido, pois ela e Taylor voltariam a se encontrar no recesso da barraca. Definiu, desde logo, que não sairia de madrugada, deixando-o sozinho. Ao contrário, diria como estava contente por poder acordar ao lado dele.

Dominada pela expectativa, Blair não deu importância à familiar sensação de estar sendo observada enquanto tomava banho.

 

Taylor teve poucos minutos para conversar com Brad Shearer. Este pertencia a outra agência governamental, mas sua aparência também passava uma sensação de iminente perigo.

— O que acontece? — indagou Taylor, apreciando uma lata de cerveja gelada que o colega havia trazido.

— Não sei de nada — ele respondeu —, nem mesmo por que acabei encontrando-o aqui. Só me pediram para ficar atento na população local. — A face de Brad foi marcada pelo

Bestseller 82 – Tempestade no Paraíso (Tempestuous Eden) Heather Graham

 

mesmo sorriso negligente que o colega costumava exibir, como se fossem dois amigos em férias. A voz tornou-se mais grave quando perguntou: — A sra. Morgan é a viúva de Teile e a filha de Huntington, certo?

— Certo.

— É ela a sua missão? Bem, rapaz, não o invejo. — Brad suspirou de leve. — Espero não comprometê-lo, caso alguém perceba que andamos conversando.

Tenso, Taylor sentiu um medo estranho. No início, julgara o pai de Blair superprotetor. Agora, achava que as coisas poderiam piorar, e que ele precisaria correr com aquela mulher para fora da selva.

Blair vinha agora em sua direção, ao lado de Kate, rindo com o som melodioso que sempre o comovia. Aquela mesma mulher por quem cometera o grave erro de se apaixonar.

Ele desviou a conversa com Brad para o campeonato norte-americano de basquetebol, perguntando sobre as chances dos times principais. Assim, a dupla de mulheres de nada desconfiou.

À vontade, Taylor agarrou Blair por trás, passando os braços por sua cintura.

— O que acha, querida? — questionou, enquanto esfregava o alto de sua cabeça com o nariz e inalava a doce fragrância dos cabelos ainda úmidos.

Blair sorriu, contente com o abraço informal que não deixava dúvidas sobre o relacionamento entre os dois. Alegou nada entender de basquete e roubou um gole da cerveja de Taylor.

— Está ficando tarde — disse, devolvendo a latinha. — Sabem o que Dolly está preparando na cozinha? Bifes! Os bifes congelados que Brad trouxe.

Pouco depois, o grupo jantou em conjunto, e Blair sentiu a expectativa de um novo encontro íntimo com Taylor. Estava feliz ao lado dele, desfrutando a boa refeição. Mas também estava ansiosa para que o tempo passasse.

Quando isso ocorreu e o grupo se dispersou, ela tomou a iniciativa de seguir Taylor até a barraca dele, sem mostrar intenção de rumar para a sua própria. Logo que entraram, Blair aninhou-se instantaneamente no peito do parceiro e fruiu um longo e doce abraço.

— Juan já se foi? — perguntou por desencargo de consciência.

— Humm... — foi a única reação de Taylor, ao recuar de braços cruzados.

— Então...

O sorriso de Blair era malicioso, na penumbra do ambiente.

Ela começou a desabotoar a blusa, torcendo para que as mãos de Taylor logo substituíssem as suas e tocassem os seios sensíveis. Ele seguiu os movimentos com o olhar faminto. Hesitante, Blair sentiu um incômodo tremor, mas Taylor tinha determinado que não haveria inibição entre eles, por isso ela continuou a se despir até ficar completamente nua.

Outra vez Taylor sentiu-se submisso à beleza de Blair, que lhe vinha tão livremente, com uma inocência inebriante e sensual. O pálido brilho da fogueira, do lado de fora, traçava os contornos daquele corpo firme, cheio de ângulos estimulantes.

Continuar: parte 2 de 3