Tempestade no Paraíso
— Não fugirei — Blair asseverou, ciente…
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
— Saia de perto de mim! — ela esbravejou. Notou que já era capaz de pensar de novo e, pensando, sabia que era melhor fugir do alcance daquele homem, ainda que somente para evitar a humilhação.
— Blair...
— Por favor, Taylor — ela amenizou o tom de voz. — Deixe-me em paz. Não quero que fique me tocando a toda hora.
Ele a soltou, colocando no rosto uma máscara implacável. Achou um pretexto para falar quando percebeu que Blair caminhava em círculos pela cabine.
— Não pise com esse pé! — advertiu com tanta convicção que ela rapidamente sentou-se à mesa.
Curiosa, viu Taylor vestir a sunga e a calça, com um leve sentimento de frustração.
— Respeitarei seus sentimentos — disse ele. — Nunca mais vou tocá-la. Em troca, quero que me ouça e faça um acordo comigo.
— E impossível fazer um acordo com você — ela rebateu, incrédula.
Era difícil negar o charme, a força e a sinceridade de seu raptor, mas Blair precisava agir daquele modo. Por muitos anos havia estudado psicologia e comportamento humano e sabia que não podia submeter-se ao primeiro canto de sereia.
Então, o que havia acabado de fazer, na cama? Isso era diferente, não podia ser
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negado. E não aconteceria de novo, se dependesse dela.
— Não faço acordos — repetiu.
— Aceite, Blair — ele pediu em tom grave. — A árvore que não se inclina ao vento é a primeira a ser arrancada do solo.
Um arrepio de pânico a percorreu. Taylor tinha razão, ele era quem dava as cartas ali. Podia fazer o que bem entendesse, alheio a qualquer regra ou lei.
— Está bem, Taylor — ela anuiu, desconsolada com o teor das palavras.
A quem tentava enganar? Não a si própria, depois do tempo que haviam partilhado na cama, ainda quente das carícias eróticas.
— Que tal se eu a devolvesse a Washington em cerca de dez dias?
Surpresa, ela voltou-se para encará-lo. Estavam suficientemente próximos, e ainda assim ele cumpria a promessa de não tocá-la. Mas os olhares os denunciavam, exibindo paixão misturada com ternura. Não, ele não podia ser um renegado!
— Em princípio, seria muito bom para mim, claro. Mas como posso saber se você fala a verdade?
— Dou-lhe minha palavra — ele disse, com as feições já suavizadas e um sorriso nos lábios.
Os olhos de Blair baixaram até seu regaço. Ela não suportava enfrentar a sinceridade contida no olhar de Taylor. Ao mesmo tempo, como acreditar na promessa de um sequestrador?
— Está falando a sério? — perguntou, enquanto deslizava os dedos nervosamente pela calça de brim.
— Sim.
Blair engoliu em seco, ponderando qual seria sua parte no acordo, sentindo-se meio tola, meio crédula.
— Em retribuição — ele completou, dando-lhe tempo para pensar —, você me garante um mínimo de confiança. Não deve mais gritar para estranhos, quando cruzarmos um povoado. Se tiver algo a dizer, eu irei ouvi-la e atendê-la na medida do possível.
O corpo de Blair já havia esfriado, e ela sentiu-se muito fraca, e também aliviada, claro. Mas questionou o próprio alívio, atribuindo-o ao desejo de que o relacionamento com Taylor não acabasse.
Bem, dessa maneira tudo voltaria à estaca zero. Ela odiaria a si mesma mais do que já odiava, se se permitisse uma nova rendição a Taylor. E o odiaria também.
A menos que pudesse descobrir quem ele realmente era, se cometera outros crimes em função de seus estranhos ideais. Talvez conseguisse ajudá-lo, forçando-o a falar com seu pai, quando retornassem a Washington.
— Se isso é tudo... — Adotou o tom de voz de uma executiva encerrando uma reunião, apenas para não trair a extensão de seu próprio medo.
— É tudo — ele confirmou.
Taylor não fazia menção de se mexer do lugar, e Blair passou a sentir-se incomodada por sua proximidade.
— Acho melhor subirmos e limparmos o convés — sugeriu.
— Esta noite eu ainda a quero parada, por causa do pé. — Ele hesitou por um segundo. — Estamos navegando para o Caribe e logo vou precisar de sua ajuda. Acredito que, em mais alguns dias, o corte vá cicatrizar. Agora é melhor você ir dormir. Foi um longo dia.
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Longo dia? Para ela parecera uma eternidade. Mas acedeu, baixando o olhar até que Taylor passasse por ela e subisse.
Ele não o fez. Deteve-se ali na cabine, explorando o armário acima da mesa como se procurasse um nicho secreto, e estendeu o braço para retirar o jeans e a camisa que haviam desaparecido. Blair ficou contente, embora já houvesse se esquecido da existência das peças de roupa.
— Pode usar suas roupas de agora em diante, mas quero que verifique se os nossos outros trajes precisam ser lavados.
— Está enganado, sr. Taylor, se pensa que vou me tornar sua lavadeira.
Ele sentiu seu bom humor desaparecer, e o sorriso deu lugar a um arquear de sobrancelhas. Por que ela não cooperava? Não podia ser apenas o mau hábito de uma mulher rica, habituada a ser servida.
— Os homens são todos iguais — Blair sentenciou, refugiando-se na lateral da cama. — Você dá um dedo, e eles querem a mão. Por que se julga tão bom, Taylor?
O riso espontâneo dele encheu a cabine. Inclinou-se sobre Blair, mas não a tocou, conforme o prometido.
— Se me der mais uma chance para mostrar...
— Saia daqui — ela resmungou, exasperada.
Logo depois, Blair o ouviu a lidar com pratos e talheres, limpando a cozinha. Sua mente girava em torno dos planos que poderia pôr em ação, dos argumentos que usaria para persuadir Taylor. Mas a profundidade de seus sentimentos a chocou. Estava realmente apaixonada por ele.
— Blair... — Taylor sentou-se no canto da cama, onde ela já se instalara. — Eu apreciaria muito que você lavasse as roupas. Só não lavo eu mesmo por falta de tempo, e não posso usar esta calça para sempre...
Ela recusou-se a responder, e ele desistiu.
— Está bem, não lave.
Blair fechou os olhos enquanto ele se afastava, porém antecipou o momento em que sentiria o peso dele, a seu lado na cama. Bem, não a tocaria. Tinha prometido. Então, o que ele faria? Apenas dormiria?
Foi somente no meio da noite que ela atinou com a resposta.
Um cheiro rançoso permeou a cabine e a fez acordar. Vinha do incansável Taylor, que junto à máquina de lavar tentava remover a mancha de ovo sobre sua camisa azul.
— Tudo bem — ela se rendeu. — Vou cuidar da roupa, mas se livre dessa camisa malcheirosa!
— Obrigado, sra. Teile. — Ele afastou-se até o ponto em que a brisa levasse embora o terrível odor. — Prometo que, algum dia, lavarei sua roupa.
Blair estacou a meio caminho. Algum dia poderiam estar reconciliados?
Capítulo X
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Os dias subsequentes marcaram uma estranha trégua. Taylor decidiu que, enquanto Blair cuidava do leme, ele permaneceria vigiando a vela e a linha da costa. Já singravam o Mar do Caribe, experimentando o cheiro de água salgada. Se tudo corresse conforme o planejado, Andrew Huntington se encontraria com eles em Belize dentro de três dias.
Estranha trégua, de fato. Pareciam dois colegas de faculdade dividindo um quarto, mantendo uma distância segura um do outro, sendo amáveis até o ponto de se enfastiarem. De qualquer modo, estavam sobrevivendo juntos. Até mesmo as noites de sono tinham melhorado de qualidade. Ambos aceitavam a situação e ignoravam suas causas. Vez por outra ocorria um contato, um breve toque e Taylor ponderava se, tanto quanto ele, Blair desfrutava esse momento de conforto quando tudo o mais era negado.
Eles tinham dividido as tarefas do dia-a-dia, e Blair decidira provar a Taylor que era uma competente navegadora, como constava de seu currículo, provavelmente lido por ele. Na verdade, ficava ocupada demais com a roda do leme para ajudar em outras tarefas, mas continuava sendo a mulher ativa como aquela que transmitia energia vital ao pessoal do acampamento.
A despeito do vento frio, Taylor sentiu gotas de suor na testa. Se algo desse errado, se ele se enganasse em suas estimativas, Huntington não estaria a postos para o encontro marcado. Naquele caso, o que ele faria? Pesava-lhe a promessa feita a Blair.
Ele suspirou, pensando em como a pacífica visão das montanhas e do mar poderia aplacar o turbilhão de seus pensamentos. Blair o acusara injustamente, por desconhecer seus motivos, e não imaginava como suas palavras o haviam afetado. No seu trabalho, Taylor costumava dar ordens e esperava que fossem cumpridas.
Mas também recebia ordens. Diversas vezes, seguidas de instruções detalhadas. Não era tão cego, tão submisso quanto Blair julgara, e, em certas ocasiões, como aquela, discordava das diretrizes passadas por seus superiores. Por isso não se considerava um lacaio, como nas ofensivas palavras de Blair, e sim um profissional que acreditava em sua causa, embora nem sempre nos meios para alcançá-la. Anos de experiência lhe haviam ensinado que essa causa era a mais perfeita possível, em um mundo tão imperfeito.
No entanto, Craig Taylor estava ficando cansado. Dera quinze anos de sua vida em benefício de outros, e agora descobria em si mesmo uma necessidade que antes não existia, ou que não se manifestara antes de ele conhecer Blair Morgan. Era uma sensação premente, sobretudo diante do crepúsculo magnífico que se desenhava por detrás das montanhas.
Tinha de encarar a realidade, sem rir de si próprio. Já não era um rapazinho, e sentia falta de um lar, de uma esposa, de filhos que perpetuassem sua lembrança. Talvez fosse mais do que isso. Precisava de uma companheira, de uma mulher com inteligência, coragem e... olhos verdes.
"Você é um idiota, Taylor", ele pegou-se falando sozinho. "Um idiota senil". Ele desejava Blair desesperadamente, e devia ter tomado o que não conseguira obter. Mesmo naquelas circunstâncias, ele achava que arrastá-la a uma noite de tórrida paixão acabaria por deflagrar nela a submissão, em lugar da revolta.
Não, não poderia fazer isso. Ela o desafiara em um nível que era superior ao plano físico, maior do que qualquer força bruta.
Ao relancear o olhar para o céu, Taylor notou que nuvens pesadas substituíam o azul anterior. Uma tempestade se formava, e das grandes. Ele tinha planejado atracar e retomar viagem após o jantar, não por estar apressado, mas porque navegar à noite o mantinha longe de Blair, justamente nas horas em que os dois se tornavam mais vulneráveis. Ao deslocar-se
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para jogar a âncora, ele sentiu que a brisa crescia de intensidade, ganhando força.
A meio mastro, a vela se enfunou. Taylor testemunhou a mudança do tempo com os próprios olhos. Aborrecido, mais do que alarmado, sabia que apesar das aparências o barco era mais sólido do que a maioria. Enfrentaria bem o temporal, o que significaria apenas uma hora de atraso, provavelmente.
— Blair! — ele gritou pelo alçapão. — Aqui no convés!
Aparentemente, ela havia notado a mudança abrupta no tempo do mesmo modo que ele. Surgiu sem demora na vigia, olhos brilhantes e atentos, domando o medo que desabrochava em seu íntimo.
— Preciso de você aqui — Taylor explicou em tom neutro, a fim de não causar nervosismo. — Segure o leme.
Momentaneamente esquecido de sua promessa, ele apoiou uma das mãos no ombro dela e com a outra indicou um ponto na margem distante. Um porto natural de areia branca estendia-se sob a sombra de uma montanha vulcânica dormente.
— Vamos para lá — ele complementou laconicamente. — Creio que não vamos encalhar se nos abrigarmos bem no meio daqueles dois braços de terra.
Blair concordou e agiu. Manteve o rumo, olhando sorridente para Taylor. Foi impossível não se maravilhar com a coordenação motora do comandante. Com a âncora levantada, ele passou a direcionar a vela principal, por meio de puxões no cordame que salientavam seus bíceps, corpo e vontade perfeitamente sintonizados.
Taylor viu que Blair o observava e também a brindou com um sorriso de encorajamento. Mas ambos voltaram os olhos para a costa quando a chuva começou a cair, ainda leve, em um prelúdio do temporal que se armava. Preocupada, ela pousou o olhar no leste, a fim de ter uma noção do que acontecia ao seu redor. Era uma marinheira competente, desde que o tempo fosse bom. Nunca tinha enfrentado uma tempestade no mar, sobretudo em um barco precário como aquele, e sentiu um arrepio paralisante.
Já chovia mais forte quando Blair chegou à enseada, oculta entre duas barreiras naturais de terra. Grandes ondas fustigavam o casco, e era imperioso aportar antes do temporal. Taylor lançou a âncora, depois dobrou e amarrou a vela. Olhou para Blair, que parecia infeliz no assento do comandante, ainda com as mãos sobre o leme.
— Vá para baixo — ele instruiu. — Pode pegar uma pneumonia.
Ainda que encoberta pelo assobio do vento, a voz dele soou como um açoite, uma ordem irrevogável. Mas Blair meneou a cabeça negativamente, contrária à ideia de retornar à cabine sem Taylor. As gotas de chuva escorriam por sua face até o colarinho da camisa. Não poderia ficar mais encharcada do que já estava.
— Vá logo! — ele insistiu exasperado, interrompendo o manejo de uma manivela.
— Vou esperar você — Blair avisou, teimosa.
Praguejando, Taylor voltou a atenção para a manivela que movimentava a âncora e descobriu que a corda havia se emaranhado.
— Está bem. Se pretende ficar por aqui, venha me ajudar com a corda da âncora.
Pisando com cuidado para não escorregar, ela cruzou o convés sentindo que ele agora encarnava o perigo, assim como o próprio barco se tornava um monstro ameaçador. Auxiliou Taylor a segurar a manivela, reparando como ele conseguia manter o equilíbrio do corpo sem muito esforço.
Ele retornou à vela principal quando viu resolvido o problema da âncora, graças à força que Blair também fazia. Sob a chuva torrencial e o vento fustigante, Taylor imaginou que poderia perder o barco, senão a vida, naquele remanso perdido do Mar do Caribe.
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Bradou uma ordem para Blair, que não escutou. O aguaceiro a cegava e ensurdecia.
— O quê? — ela gritou de volta.
Então, para seu horror, viu que a manivela rodava sozinha, loucamente, soltando a corda da âncora, e que sua força braçal não bastava para fazê-la parar. Taylor foi até o lado dela, segurou a manivela e a corda, e lentamente as dominou. Ainda estava folgada. Havia um nó em algum lugar. A verga, travessa móvel que cruza o mastro na parte inferior para sustentar a vela, batia com estrondo na popa, a lembrar os socos de um gigante embriagado.
— Desça! — Taylor ordenou, seriamente preocupado, enquanto encontrava o nó na corda e devolvia a exata tensão à manivela da âncora.
Mas ele agiu com uma fração de atraso. Logo que a tensão voltou, a verga chicoteou e o atingiu em cheio na cabeça.
Ele caiu sem fazer ruído.
Para Blair, foi uma cena de terror, como que desenvolvida em câmera lenta por algum efeito especial. Nada havia a fazer. A verga já ficara estável, mas Taylor jazia imóvel no convés, com os braços que erguera para se defender caídos junto às pernas.
Durou segundos a perplexidade de Blair, até que ela prendeu a manivela e ajoelhou-se ao lado de Taylor, rezando para que estivesse vivo. Tomou-lhe o pulso, constatando que o coração batia.
— Oh, meu Deus, Taylor! — exclamou febrilmente. Sabia que precisava levá-lo à cabine para deitá-lo na cama, mas o peso era insustentável. Um pranto angustiado a abateu.
Se ele ao menos abrisse os olhos! Mas o austero perfil se mantinha impassível, debaixo do vento e da chuva. A pele estava cada vez mais fria. Teria sofrido uma fratura, uma concussão? Em condições normais, Blair não tentaria mover o corpo sem sentidos de Taylor.
Contudo, o barco estava parado no porto natural da enseada, o que poderia facilitar o socorro. Ela invocou todas as divindades, e subitamente viu-se capaz arrastando o corpo de Taylor. Rilhou os dentes com o esforço, e mesmo assim o avanço pelo convés foi lento demais. Cada músculo de seu corpo doía intensamente, obrigando-a a parar repetidas vezes. Depois, prosseguia na ação, até chegar perto da vigia do convés.
Junto ao alçapão, um novo problema surgiu: como passar Taylor pela abertura e levá-lo até a cabine? Impossível. Ainda que o segurasse com todas as forças, ele cairia, arrastando-a também na queda.
Mas era preciso tentar. Blair desceu alguns degraus da escada e puxou Taylor, procurando abraçá-lo e dar-lhe apoio. Ambos, encharcados, aterrissaram na cabine com Blair parcialmente sentada no chão e a cabeça dele aninhada em seu colo.
Lutando para se levantar, ela deslocou o corpo inerte e depois o puxou pelas pernas. Só então, tremendo por causa do esforço, Blair observou o rosto de Taylor. Os olhos estavam abertos, focados nela, entre curiosos e preocupados. Incrédula, ela sentiu a raiva explodir dentro de si.
— Canalha! — Deixou a cabeça dele cair de vez. — Estava fingindo, seu filho da... — Ameaçou vibrar um soco.
— Pare! Pare! — ele protestou, erguendo uma das mãos defensivamente. — Eu não fingi nada. Acabei de abrir os olhos e deparei com você. Por favor, não grite comigo... Estou com uma dor de cabeça infernal.
Sem mostrar convicção, Blair afastou uma mecha de cabelos da face dele. Viu-o enrugar a testa e entendeu que isso se devia à dor.
— Acha que pode se mover? — perguntou com cautela. — Foi difícil trazê-lo até aqui. Creio que não conseguirei colocá-lo na cama.
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Ele meneou a cabeça e começou a se erguer, mas um solavanco do barco o desequilibrou novamente. Blair pediu-lhe para esperar e posicionou seu corpo sob o ombro dele, sustentando-o no curto trajeto até a cama. Na chegada ao destino, ela perdeu o equilíbrio e desabou em cima de Taylor, que imediatamente passou os braços em torno dela, em um ato de proteção.
Ação instintiva, talvez, mas por um instante Blair ficou feliz por estar abraçada a ele, sentindo segurança e calor apesar das roupas ensopadas. De bom grado ela deixaria tudo de lado e se abrigaria da tempestade no peito dele. Talvez até admitisse confiar cegamente nele.
Mas não era o momento. Precisava pegar o estojo de primeiros socorros e examinar o ferimento de Taylor.
— Se você teve uma concussão, não pode dormir — alertou, saltando da cama depois de se livrar gentilmente do abraço que a prendia.
Pouco depois, ela pegou uma toalha embebida em água e limpou o ferimento. Sentiu uma estranha mistura de humor, afeição e sofrimento. Ele tinha de estar bem, pensou, tanto quanto revelavam seus olhos claros.
— Eu estou bem — ele ecoou surpreendentemente seu pensamento. — Nada que um bom curativo não resolva.
Embora tivesse visto diversas vezes o estojo nas mãos de Taylor, não sabia onde ficava guardado. Seguindo instruções, Blair o procurou no gabinete mais baixo do armário da cozinha. Só que, ao tocar na caixa, sua mão sentiu um trinco bem atrás. Uma segunda portinhola se abriu para revelar uma pistola.
Calibre nove milímetros. Perigosa. Letal.
Assombrada, com o coração aos saltos, ela fechou o esconderijo, censurando a própria surpresa. Taylor agia como um criminoso, e criminosos portam armas. Mas Blair não só tinha trauma de armas de fogo, pelo que havia acontecido com seu marido, como não conseguia relacionar o objeto com a pessoa. A cada estágio de seu convívio com Taylor, este reafirmava que a abrigaria e protegeria. A pistola serviria a algum outro propósito, por enquanto desconhecido.
Correu de volta até a cama, levando o estojo, e o próprio Taylor o abriu, a fim de conferir o conteúdo.
— Pode ficar deitado, pelo menos? — Blair pediu irritada. — Deixe que eu cuide do que for necessário.
Taylor já fechava os dedos sobre algumas cápsulas, aparentemente comprimidos contra a dor. Ajustou a toalha debaixo da nuca e tombou a cabeça no travesseiro.
— Obrigado por me salvar — disse enfaticamente.
Virando o rosto, Blair mordiscou o lábio. Tinha sido culpa dela que a manivela disparasse, que a verga o atingisse.
— Você poderia ter me abandonado — ele prosseguiu —, e fugido assim que o tempo clareasse.
Ela encolheu os ombros, decidida a não expor seus sentimentos.
— Se fosse para escapar, Taylor, preferiria fazer isso durante a tempestade.
— Sem saber se continuaria viva? — A declaração seguinte dele a tomou de surpresa: — Tire a roupa.
— Ora, Taylor... — ela retrucou, gelada e rígida.
— Não posso prometer que desconsidere seu lindo corpo, mas você está ensopada e vai molhar todo o colchão, além de arriscar-se a contrair uma pneumonia.
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— Você também está encharcado.
— Então...
Riram juntos da situação, efetivamente divertida, mas também repleta de insinuações sensuais.
— Pegue os cobertores — ele lembrou, antes que Blair terminasse de se despir e se enrolasse em uma manta.
Taylor achava-se vestido apenas com sua calça de trabalho.
— Não vai tirar? — ela instou.
— Preciso de ajuda.
Suspirando, ela colocou-se ao pé da cama e, enquanto segurava a manta precariamente com uma mão, com a outra puxava as pernas da calça de Taylor cuidando de desviar a vista da virilha exposta. Era um processo esquisito. Blair sentia o calor do corpo de Taylor, a reação instintiva ao toque de seus dedos quando eles roçaram na pele úmida.
— E o curativo? — Propositadamente, ela deu à conversa um rumo diferente do que Taylor gostaria.
— Não faz falta. Foi uma pancada leve, e minha cabeça é dura...
Blair cobriu Taylor com a segunda manta e, a despeito das circunstâncias, sentiu-se excitada, com as faces ardendo. Ele podia se dizer capaz de desconsiderar o corpo dela, mas a recíproca não era verdadeira.
— E agora? — ela quis saber, sem cerimônia.
— Precisamos de um drinque. Veja se alcança uma das caixas de vinho lá atrás — solicitou ele, simplesmente.
— Vinho? Não tem outra bebida, mais quente?
— Mensagem recebida e entendida — Taylor brincou. — Mas não podemos nem ferver água para um chá, com o barco balançando assim. Vamos beber vinho e tentar dormir.
— Dormir? — Ela se assustou com a proposta. — Você pode ter sofrido uma concussão e não pode dormir. Além disso, como conseguiremos dormir no meio de um ciclone?
— Isto não é um ciclone e, em uma hora estará acabado. E não tenho concussão alguma, apenas uma horrível dor de cabeça. Agora, por favor, traga o vinho.
— Como sabe que não tem uma concussão?
— Porque já tive uma e foi muito pior. Se os comprimidos cortarem a dor, já estará ótimo.
— Não deveria tomar essas pílulas junto com vinho — Blair falou com a firmeza de uma catedrática.
— Oh, Deus! — ele se exasperou. — Só quero um copo de vinho. Não vou me embebedar. E cuidei bem de mim nestes trinta e oito anos sem você, sra. Teile. Sei o que estou fazendo.
— Tudo bem! — Contrariada, ela partiu em busca de uma garrafa.
Não teve dificuldade em encontrar, mas quando retornava o barco oscilou de repente. Tentando salvar a garrafa enquanto se apoiava com a mão no painel da parede, Blair deixou cair a manta. Nua, deu os últimos passos até a cama com irritação e impaciência.
Taylor observava tudo, divertido. Blair procurava manter seu ar de superioridade e cobrir-se precariamente. Puro desperdício. Muitos anos depois, até de olhos fechados ele poderia evocar com nitidez cada curva, cada palmo, cada sedoso centímetro daquele corpo de
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mulher.
— Se você rir de mim, Taylor, não terá mais assistência alguma.
— Não estou rindo — ele protestou.
Sem força suficiente para tirar a rolha da garrafa de vinho, ela entregou a Taylor. Foi sua vez de olhar um corpo bonito, notando com apreensão como ele a excitava sexualmente.
— Você esqueceu os copos — disse Taylor, mostrando a garrafa aberta e um sorriso malicioso, como se esperasse que a situação anterior se repetisse. — Mas não faz mal. Podemos dividir, tomando o vinho pelo gargalo.
A despeito de sua fina educação, Blair concordou com a sugestão. Mas, logo que levou a garrafa aos lábios, o mar se encapelou e a bebida derramou-se por seu queixo e pescoço, até desaparecer no doce vale de seus seios, visível através da abertura da manta.
Constrangida, ela devolveu a garrafa a Taylor, e então viu tensão nos olhos dele. Todo o divertimento fora embora, abrindo espaço para uma intensa e viva sensualidade.
Blair conhecia os sinais, dos olhos à virilha de Taylor, e não pôde impedir que um traço de medo surgisse em seu rosto, junto com arrepios de ansiosa expectativa. No entanto, ele pestanejou e exibiu um leve sorriso.
— Sinto muito, querida. Hoje não. Por causa da dor de cabeça...
— Oh, cale-se! — Blair revidou, mais furiosa do que ofendida.
— Não grite, por favor. Já lhe pedi. — Ele tomou um grande gole e devolveu a garrafa a Blair. Ajustando o travesseiro contra a cabeceira da cama, estendeu um braço e puxou Blair até seu ombro, silenciando os protestos antes que começassem. — Também não tenha medo de mim. Estou realmente com dor de cabeça e só estou procurando achar uma posição para nós dois descansarmos. Tome um último gole e tente dormir.
Ela jamais dormiria com Taylor tão próximo e o mar fustigando o barco. Mas o vinho por fim fez efeito e a deixou atordoada.
— Será sorte se eu não passar mal — disse Blair, referindo-se ao enjoativo balanço da embarcação.
— Sorte minha, isso sim — Taylor emendou com tristeza. — Devo ter passado por um campo inteiro de trevos de quatro folhas.
Quando se fez silêncio na cabine, o som da chuva mostrou-se acalentador. Em seu ninho, entre o cobertor quente e o ombro de Taylor, Blair adormeceu.
Pela manhã, a tempestade havia cessado. Blair acordou estranhando a calma reinante no barco. Como não se encontrava na cabine, Taylor devia estai- cuidando do convés. Ela foi ao banheiro, vestiu a calça jeans e a blusa que recebera, e espiou pelo alçapão.
Taylor examinava o mastro, com uma das mãos na base da vela e a outra apoiada no quadril. As pernas musculosas lhe davam firmeza enquanto observava o horizonte, como sempre limpo e bonito após uma tempestade. A praia próxima brilhava como se fosse composta de milhões de pequenos cristais. Ao fundo, a montanha proporcionava um quadro em verde. O próprio mar, calmo e claro, parecia irreal, pintado por algum artista que amasse os tons rosa e os dourados.
Vendo a figura indomável de Taylor, como um leão que farejasse seus domínios, Blair sentiu uma dolorosa pontada no peito, por conta do coração contrito. Era impossível acreditar que o mal vicejasse debaixo daquela corajosa fachada. Se ao menos...
— Bom dia, sra. Teile — ele saudou com a voz grave e um sorriso iluminado. —
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Bonita manhã, não acha?
Embora cética, ela retribuiu o sorriso. Taylor parecia tão animado quanto um atleta olímpico, mas não podia estar totalmente ileso depois de um sério golpe na cabeça.
— Como se sente?
— Bem, no geral. Mas a dor de cabeça continua.
Blair não insistiu, certa de que, além disso, nada obteria como informação.
— Este barco até que se saiu bem na tempestade, não? — Esperou que ele confirmasse. — O barco tem algum nome?
— Sim, é La Princesa.
— Ah! — Blair sabia que esse era o nome que Taylor usava para referir-se a ela e ficou envaidecida. — Que tal um bom café da manhã? Já perdemos a hora.
— Certo. É que estive ocupado assistindo ao nascer do sol e também verificando a vela e o cordame. Estamos perto daquele prazo de dez dias.
— Certo. — Ela evitou prolongar o assunto. — Vou preparar o café.
— Quando estiver pronto, por favor, traga-me uma caneca e dois daqueles comprimidos.
Blair concordou com um gesto de cabeça, já enveredando pela escada até a cabine. A cada dia que passava, tornava-se mais difícil acreditar que Taylor cumpriria a palavra de entregá-la ao pai. O que ele faria, depois? Fugiria, sem a menor dúvida, e ela nunca mais o veria. Talvez, certo dia, lesse em algum jornal que Craig Taylor fora capturado, ou morto, por um grupo de extremistas políticos.
E então ela nunca mais seria a mesma. Perderia uma parte de seu ser, a parte que havia dado a ele e que já não poderia mais recuperar.
Enquanto se torturava com tais pensamentos, o café ficou pronto. Engolindo em seco, Blair encheu uma caneca para Taylor e procurou os analgésicos que ele havia pedido. Estavam na caixa de primeiros socorros e, mais uma vez, a mão dela pousou no trinco do compartimento secreto.
Seus olhos recaíram sobre a pistola.
Blair tremeu por alguns segundos. Fazia tempo que aceitara a morte de Ray Teile em um atentado, mas nunca esqueceria o assassinato em si. Uma arma de fogo qualquer havia traçado a imagem daquele dia: a vida deixando Ray lentamente, apagando-lhe o sorriso gentil, os traços bondosos, enquanto os gritos de Blair pairavam acima da agitação dos homens da segurança, inclusive de um que a derrubara no chão, salvando-a de outras possíveis balas.
Ela se esforçou para não chorar e, impetuosamente, apanhou a pistola. Conhecia armas, ensinada pelo pai desde os dez anos de idade. Com a pontaria bem treinada, conseguia mirar e alvejar uma mosca a vinte metros de distância. Agachada, sentiu o metal frio com a ponta dos dedos e gostou da sensação.
Mas então Blair acusou também a presença de Taylor.
Era a oportunidade de saber finalmente quem ele era, o que fazia ali, para quem trabalhava, por que a aprisionara. Aquela era a chance de inverter os papéis entre vítima e algoz, fazendo dele o seu refém.
Lentamente, Blair apontou a arma na direção de Taylor. A três metros de distância, ele aparentou calma, sem nenhum traço de medo nos olhos.
— Está carregada, portanto cuidado — disse serenamente e começou a avançar para ela.
— Pare, Taylor. Posso puxar o gatilho — Blair alertou. — Sou ótima atiradora.
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— Eu sei — ele afirmou, provando que lera um dossiê completo sobre ela. — E também sei que você não vai atirar em mim.
Blair desativou a trava de segurança da pistola.
— Não conte com isso — murmurou. Sua mão estava firme, o alvo bem definido. Viu que Taylor se movia mais uma vez. — Não venha!
Por um breve instante, os olhos dele cintilaram com um brilho estranho e total descrença. Chegara tão perto quanto podia, na linha de tiro. E, de repente, o olhar e a expressão se esvaziaram até o nada.
O silêncio os manteve parados. Quase não respiravam. Só havia o leve balanço do barco, o som das ondas no casco, o alarido longínquo das aves marinhas. Essas eram realmente livres, pensou Blair, sentindo o peso da pistola nos dedos e o brilho tentador dos olhos de Taylor.
Começou a tremer violentamente, enquanto ele lhe tirava a arma das mãos, que tinham se tornado úmidas e frias. Taylor travou a pistola e a devolveu ao esconderijo. Depois voltou a cuidar de Blair, agora de cabeça baixa sob o peso da derrota.
Abraçou-a, e ela não protestou. As lágrimas que tentara represar caíram livres e silenciosas, em torrentes por suas faces. Taylor a ergueu no colo, como uma criança, acomodou-a na cama, afagou-lhe os cabelos depois de aninhá-la em seu regaço. Repentinamente, Blair recobrou a energia e esmurrou o peito dele.
— Maldito! Você é um criminoso e, mesmo assim, eu não...
— Não atirou porque sabe que eu não represento perigo para você. Sabe que nunca lhe farei mal. E talvez não tenha atirado também porque saiba que eu a amo e você me ama.
Ainda trêmula, Blair reunia consciência suficiente para não aceitar aquelas palavras, ou fazer de conta que não as escutara. Julgava que não havia atirado porque seria uma reprise horrenda de seu passado, quando vira sangrar até a morte o homem a quem ela amava de todo o coração.
— Oh, Taylor, foi terrível! Ray estava a meu lado, rindo, acenando, cheio de vida. No momento seguinte, o sangue dele manchou tudo e...
Ele a deixou falar, solidário com sua dor, desejoso de que pudesse absorver parte dela. Havia testemunhado os resultados da guerra e do terrorismo, e tinha por único consolo conseguir, em alguns casos, evitar uma carnificina. Mas, como amava Blair, não podia nem sequer imaginar a dor de perdê-la. Podia perceber, sim, a devastação que fora para ela ver a agonia do homem adorado.
Por isso continuou a segurá-la, murmurando palavras de conforto, abraçando-a com ternura, mais do que paixão, até que Blair se sentisse relaxada ou, pelo menos, exausta.
Em silêncio, eles se entreolharam.
— Sua cabeça, Taylor — ela disse. — Sinto muito, eu me esqueci.
— Tudo bem, agora está tudo bem.
— Mesmo?
— É verdade. — Ele balançou a cabeça a fim de provar que não doía, exceto por um incômodo na base do pescoço. — Está muito melhor.
Blair deu um suspiro prolongado, os olhos de esmeralda sobre Taylor, rogando a ele com inédita aflição:
— Entregue-se. — Levou a mão trêmula à face dele. — Por favor, entregue-se à polícia. Não vê que eu não posso... Você é um homem tão bom! Cuide de si mesmo, eu não farei pressão alguma. O que quer que você tenha feito, podemos superar. Eu o ajudarei.
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Ao contemplá-la, surpreso, Taylor ofereceu um suave sorriso. O âmbar de seus olhos não estava distante ou embaciado, mas adquirira um tom dourado forte e melancólico.
Ele havia esquecido, ou colocado em segundo plano, a certeza de que Blair um dia o denunciaria à polícia, cheia de orgulho ferido. Naquele momento, porém, tudo o que existia era a profundidade do carinho dela, e o instante se tornou precioso. Pensou em ampliá-lo, ansioso por ouvir palavras que ela talvez nunca mais pronunciasse.
— Por quê, Blair? — perguntou com voz rouca. — Por que deseja fazer tanta coisa por mim?
— Porque... — Ela pareceu indecisa, a mente vagando no espaço. — Porque eu amo você.
Marcada por uma singela dignidade, a declaração soou quase como um sussurro no ar. Taylor apertou-a contra si.
— Por favor... — Blair reclamou, livrando-se do abraço e tomando distância. — Eu amo você, mas não desejo ser sua parceira nisso tudo, seja o que for.
— Já lhe disse que vou devolvê-la a seu pai. Duvida de minha palavra?
— Não — ela negou suavemente. — Acho que pretende mantê-la.
— E quer que eu me entregue? — Ele sorriu, meneando a cabeça.
— Sim.
— Mesmo sem saber tudo o que fiz?
Blair fixou a vista no café já frio.
— Não acredito que tenha feito algo de muito ruim ou errado. Dizem que uma pessoa hipnotizada não cumpre as ordens contrárias a seus valores morais. Acho que foi isso que lhe aconteceu, Taylor. Você manteve a moral, mesmo estando desencaminhado. Por isso, pode voltar ao convívio da sociedade, o que mais tarde se tornará impossível.
Taylor tentou se controlar a duras penas, até que explodiu em um riso histérico. Ria para não chorar? Era irônico, pateticamente irônico.
Ele conteve o riso que continuava borbulhando em seu íntimo. Poderia concordar com Blair, afinal, já que iria encontrar-se com Andrew Huntington. Talvez, nos últimos dias que passassem juntos, ele armazenasse sublimes lembranças para levar consigo depois.
— Tudo bem, Blair — disse gravemente. — Vou me entregar a seu pai.
Ela arregalou os olhos, fascinada, ponderando que nunca o charme e a coragem haviam se combinado tão bem na mesma pessoa. De qualquer modo, não desejava alimentar ilusões. Taylor tinha capitulado com muita facilidade.
— Está falando a sério?
— Claro. Creio que jamais você poderá me acusar de ser mentiroso. — Era verdade. Quando fazia uma promessa, o que era raro, Taylor a cumpria. — Mas ainda tenho uma pergunta.
— Sim? — Ela sentiu-se confusa, como se o troféu que recebera fosse maior que suas mãos. E ainda nem tinha certeza de que realmente o ganhara.
— O que vai acontecer, então? — Taylor sabia ser melhor evitar a questão, antes que a vítima sentisse o primeiro golpe. Mas estava cravando a faca em uma ferida aberta, sem considerar as consequências.
— Bem... — ela vacilou. — Não sei exatamente. Tudo depende do que você fez, com o que está envolvido. Existe a possibilidade de ficar preso por algum tempo.
— E você esperaria por mim?
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Não havia como se esquivar de Taylor, que apresentava questões de modo franco e direto.
— Sim. — Ela não titubeou. Amava aquele homem, e seu passado de sofrimento contrastava com a emoção que a consumia. Conhecia o amor, por isso podia reconhecê-lo quando surgia. — Sim, vou esperar por você.